A Fé Visível

A fé visível - Markus DaSilva

Por Markus DaSilva, Th.D.

Quando o homem se pergunta: quem sou eu? Se for honesto, responderá que sabe muito pouco a respeito de si mesmo; francamente, quase nada. Essa ignorância sobre quem somos deu origem a vários campos de estudos, incluindo a filosofia e a teologia.

Note que eu disse “quase nada” em vez de “nada”, isso porque sabemos o essencial, não estamos vivendo às cegas, ou baseado em instinto. Afinal, somos seres racionais. Sabemos que existem três partes claras e bem distintas que consiste o nosso eu: os nossos desejos e inclinações, também conhecido como coração; o nosso intelecto, ou aquilo que se passa na nossa mente (você está usando essa parte agora mesmo, ao ler este texto); e por último o nosso corpo, com todos os seus membros e sentidos, também conhecido como carne. Juntas, essas partes formam o que a Palavra chama de alma vivente. Vivente porque Deus soprou sobre nós do seu Espírito, nos dando do fôlego da vida (Gen 2:7).

“Nestes últimos dias, muitos estão vivendo um cristianismo apenas teórico. A ênfase nas igrejas são as emoções. Imaginam que se algo nos faz sentir bem, então Deus deve aprovar”

Disse tudo isso porque quero esclarecer um ponto que é fundamental para a nossa salvação, que são os nossos atos, aquilo que fazemos no corpo. Quando o apóstolo Tiago nos disse que a fé sem a obra é morta, ele estava tocando nesse exato ponto (Tgo 2:17). Ele nos lembrou que o pai da fé, Abraão, foi salvo não apenas baseado em algo que ele desejou (o coração) ou alguma coisa que ele pensou (a mente), mas também baseado em algo que ele fez (o corpo). A sua fé só recebeu a aprovação de Deus quando demonstrou que nem mesmo o seu amor ao próprio filho o impediria de obedecer ao Senhor. Somente quando Abraão expressou a sua fé de uma forma corpórea, tangível, visível, foi que o Senhor lhe disse: “Agora sei que você teme a Deus, porque não me negou seu filho, o seu único filho” (Gen 22:12). Obviamente Deus sempre soube, mas negou-lhe o selo de um verdadeiro servo até que o seu ato exterior confirmou a sua decisão interior. Selo de servo? Não, muito melhor, o de amigo (Isa 41:8; Tgo 2:23).

Nestes últimos dias, muitos estão vivendo um cristianismo apenas teórico. A ênfase nas igrejas são as emoções. Imaginam que se algo nos faz sentir bem, então Deus deve aprovar (Isa 29:13). Mas Jesus não disse que segui-lo seria algo agradável ao nosso eu, muito pelo contrário, seus mandamentos foram: “Negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me” (Luc 9:23). Assim como Abraão, a confirmação de que realmente amamos a Jesus está naquilo que fazemos e não apenas no que sentimos. Santificação, ou a separação do mundo, é algo físico; algo que só receberá o selo de aprovação do Senhor quando for demonstrado visivelmente: “Agora sei que você teme a Deus” (Gen 22:12). Espero te ver no céu. —Markus DaSilva