A Graça, a Obediência e a Salvação (Parte 4) – Crescendo na Graça. Caindo da Graça.

(Parte 4) A Graça, a Obediência e a Salvação - Crescendo na Graça. Caindo da Graça. Markus DaSilva

Por Markus DaSilva, Th.D.

Concluindo esta série, examinaremos as duas atitudes opostas que o cristão pode assumir em relação à graça. Do lado positivo, veremos que é possível ao servo fiel experimentar mais da graça de Deus, pois a graça do Senhor não é estagnada, mas é sim um dom dinâmico, podendo tanto se desenvolver como se contrair, dependendo do nosso viver. Foi para nos encorajar ao desenvolvimento que o nosso irmão Pedro nos instruiu: “Crescei, porém, na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2Pe 3:18). Do lado negativo, veremos que se negligenciarmos o caminho de santidade repetidamente mencionado na Palavra, corremos o risco de afastarmos da graça, conforme alertado pelo autor de Hebreus: “tendo cuidado de que ninguém se exclua da graça de Deus” (Hb 12:15).

PARTE 4 — Crescendo na Graça. Caindo da Graça.

Agora que entendemos que graça se refere à bondade que Deus demonstra àqueles que o agradam, veremos que podemos obter mais da graça de Deus à medida que nos empenhamos mais e mais em uma vida que lhe seja agradável. Deus exorta aqueles que foram separados para serem seus filhos a que não fiquem satisfeitos com uma pequena dose da Sua graça, mas sim que tenham como alvo o mais alto grau de maturidade que é a perfeita intimidade com o Pai. Foi isso o que o rei Salomão quis dizer quando escreveu: “Mas o caminho dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até a perfeita claridade do dia” (Pv 4:18). Lucas exemplifica este crescimento quando nos diz que o menino Jesus crescia em estatura e em graça (Lc 2:52). Ou seja, Cristo não apenas se tornava fisicamente um adulto, mas espiritualmente também crescia no seu conhecimento e intimidade com Deus. Esse é  o nosso objetivo.

“Se uma vida voltada para agradar a Deus resulta em um crescimento na graça, o viver para agradar ao eu resulta em uma diminuição e posteriormente na exclusão dessa mesma graça.”

O ápice da graça de Deus é a sua completa presença. Quando atingimos a maturidade no nosso caminhar com o Senhor, a sua presença nos é suficiente para qualquer situação que venhamos a enfrentar. É quando chegamos a este nível que experimentamos a completa paz, sabendo que o Pai está em Jesus e Jesus em nós (Jo 17:23). Nesse estágio de crescimento, as nossas muitas preocupações e temores cessam, pois como poderíamos temer qualquer coisa neste pequeno planeta quando o Criador do próprio universo habita em nós? A suprema graça de Deus supera todo e qualquer sofrimento temporário que possamos viver. Foi isso o que Paulo ouviu do próprio Senhor ao pedir que o seu “espinho na carne” fosse removido: “A minha graça te basta!” (2Co 12:9). Ou seja, “a minha presença na sua vida, controlando cada evento, deverá lhe dar a segurança de que tudo aquilo que ocorre possui uma razão e terminará em algo de bom para você” (ver Ro 8:28).

Se uma vida voltada para agradar a Deus resulta em um crescimento na graça, o viver para agradar ao eu resulta em uma diminuição e posteriormente na exclusão dessa mesma graça. Foi isso o que Jesus claramente nos instruiu ao dizer: “Se alguém quer me seguir, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me” (Lc 9:23). Negar a si mesmo e tomar uma cruz é algo contrário à nossa natureza; o que a carne deseja é exatamente o oposto; queremos é satisfazer ao eu e eliminar qualquer peso que tenhamos de carregar (Gl 5:17). Faço um alerta então para esta verdade: O cristão que não estiver disposto a agir contrário àquilo que ele gosta por amor a Cristo, está se excluindo da graça.

Alerto também, irmãos, quanto à sutileza de Satanás que leva muitos a um viver que aparenta ser santo, que aparenta ser de agrado a Deus, mas que de fato é uma vida voltada para o eu. Nos seus dias, o apóstolo Paulo teve que enfrentar aqueles que se diziam cristãos, mas que insistiam em voltar aos rituais e simbolismos das leis cerimoniais. Foi a esse grupo que Paulo alertou: “Vocês, que querem ser justificados pela lei, estão separados de Cristo; caíram da graça” (Gl 5:4). Faziam isso porque é muito mais fácil praticar um ato físico, como a circuncisão ou a observação de festivais sagrados, do que obedecer aos mandamentos de Jesus quanto ao morrer para o eu e ao abandono dos prazeres do mundo (Jo 12:25). Hoje não temos mais cristãos interessados em circuncisão, mas temos sim um grupo imenso, lamento afirmar, que insiste em amar as coisas deste mundo, e em troca oferecem a Deus exibições externas como o cantar, o tocar instrumentos, o levantar de mãos, o fechar de olhos, o dançar… e coisas semelhantes. Note bem, o erro não está nestas expressões externas de afeto a Deus, mas sim no fato de que frequentemente são usadas como substituição à obediência ao Senhor.

Esta tática do inimigo em convencer as pessoas a substituir a obediência a Deus por demonstrações externas não é novidade. O Senhor repetidamente alertou o povo de Israel sobre este tipo de comportamento: “Tem, porventura, o Senhor tanto prazer em ofertas queimadas e sacrifícios, como em que se obedeça à voz do Senhor?” (1Sm 15:22).

Amados, a nossa luta neste mundo é constante. O nosso caminhar é árduo. Viver de acordo com os mandamentos de Jesus não é para os fracos, mas não existe outra forma de atingirmos o nosso objetivo, que é a vida eterna, além da completa atenção e obediência às Suas palavras: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama” (Jo 14:21). Às vezes vacilamos e fraquejamos, especialmente nos dias de tentações e sofrimentos, mas a palavra do Senhor nos afirma que não estamos sós e que terminará tudo bem.  Ânimo! Força! Coragem! “A minha graça te basta!” Espero te ver no céu.

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