A Pobreza De Cristo

A Pobreza De Cristo - por Markus DaSilva

Por Markus DaSilva, Th.D.

Jesus era pobre. Anos atrás, me recordo que alguém escreveu que carpintaria, a profissão de Jesus, e pescaria, a profissão de alguns dos apóstolos, davam um bom dinheiro e que todos eles eram ricos. Quando lí isso, tive que rir de tamanha aberração. Mas, ainda que aceitássemos o absurdo de que a família de Jesus era rica, as escrituras deixam claro que durante seus três anos de ministério, Jesus e seus apóstolos viveram uma vida financeiramente simples, três anos de pobreza (Mt 8:20; Mt 10:9–10). Note bem que estou falando aqui de ser pobre, um viver simples, e não de ser necessitado, existe uma grande diferença. Jesus e seus apóstolos não eram necessitados.

“Saiba que assim como existem pessoas de bens, mas desapegadas ao dinheiro, também existem pessoas sem dinheiro, que são servas do pouco que tem.”

Se quisesse, Jesus poderia ter tido mil vezes mais propriedades do que Salomão. Se quisesse, poderia ter tido um exército mil vezes maior do que o de Roma. Se quisesse, poderia ser sido mil vezes mais honrado do que César. Se quisesse… mas não quis. Essa verdade é importante porque deixa bem claro que a pobreza de Cristo foi voluntária (2Co 8:9).

A vida de Jesus foi uma de desapego às coisas materiais; uma vida cujo foco era o reino eterno e não essa breve passagem pela terra (Jo ão 18:36). Viveu assim para nos servir de exemplo. Esse exemplo foi seguido, e continua sendo, por muitos dos seus verdadeiros seguidores. Eu mesmo, que lhes escrevo, já duas vezes tive a honra de ficar sem nada para o Senhor (escrevo isso para que ninguém me acuse de ensinar algo que não vivo). Quando ainda solteiro, movido pelo Espírito, retirei toda a minha economia do banco e entreguei a Deus. Mais recentemente, já casado, eu e minha esposa demos tudo o que tínhamos aos pobres, também movidos por Deus. Se for da vontade de Cristo, falarei mais sobre essa experiência em um outro texto.

Por que temos que ser pobres? Simples, porque é impossível a um rico entrar no reino de Deus (Mt 19:24). Sim, provavelmente veremos pessoas de bens entrar no céu, mas não ricos. Como assim? Já explico. O indivíduo que não herdará o reino é aquele que está apegado ao que tem aqui na terra. Ele procura e necessita do dinheiro para se sentir seguro. Precisa do dinheiro para satisfazer os desejos da carne, desejos presentes e futuros. A possibilidade de não ter nada, é inadmissível. A dependência que deveria estar em Deus, está na conta bancária (Lc 12:16-21). Muitos ricos frequentam igrejas e alguns são líderes. Eles querem ir para o céu, e chamam a Jesus de Senhor, como se servissem apenas a Ele, mas na realidade querem servir a dois mestres, algo impossível (Mt 6:24). Mas alguém dirá: “Não tenho esse problema, pois ganho pouco, não sou rico.” Saiba que assim como existem pessoas de bens, mas desapegadas ao dinheiro, também existem pessoas sem dinheiro, que são servas do pouco que tem.

Amados, esse não é um assunto fácil, principalmente nestes últimos dias, quando se vê tantos exploradores, verdadeiros abutres, entre os cristãos (2Co 2:17). Louvo a Deus porque este ministério tem sobrevivido sem solicitar doações.

Finalmente, irmãos, peço-lhes que clamem ao Senhor para que ele retire do seu coração todo o apego às coisas materiais (1Tm 6:9–10); que o seu foco na vida não esteja no visível presente, mas sim na glória futura; nas riquezas imensuráveis que aguarda todo aquele que morreu para o mundo e que vive para Cristo. Tudo o que aqui perdemos por Ele, receberemos de volta em quantidade e qualidade que palavras não podem expressar. Espero te ver no céu. —Markus DaSilva.