Amar A Deus Sobre Todas As Coisas – O Maior Dos Mandamentos (Parte 2)

Amar a Deus Sobre Todas As Coisas - O Maior Dos Mandamentos (Parte 1)

Por Markus DaSilva, Th.D.

No primeiro texto desta série, mencionamos que de todos os mandamentos contidos nas escrituras, Jesus elevou a um como o maior. Esse mandamento de Deus foi transmitido por Moisés, o seu profeta, quando ele estava com 120 anos de idade, e apenas horas antes de morrer: “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças” (Dt 6:5). O futuro do povo, bom ou mau, dependeria da observância desse preceito básico. Todos os tipos de bênçãos seguiriam se Deus tivesse total prioridade na sua vida: “Ouça e obedeça, ó Israel! Assim tudo lhe irá bem” (Dt 6:3), e como contraste, apenas maldições viriam se o Senhor ocupasse uma posição secundária no dia a dia das pessoas. Caberia ao povo decidir se preferiam colocar o Senhor em primeiro plano ou não, a escolha foi dada: “Eis que hoje eu ponho diante de vós a bênção e a maldição” (Dt 11:26).

“O Senhor não está disposto a dividir o nosso amor e dedicação com ninguém e com nada que exista no universo.”

Ao repetir as palavras de Moisés (Mt 22:37), Jesus está de fato falando para nós, seus discípulos no presente e no futuro, que “amar a Deus sobre todas as coisas” continua e sempre continuará sendo o maior dos mandamentos. Lembrando que, condicional à observância desse mandamento, está, como foi claramente definido acima, o princípio de recebimento (ou não) de bênçãos por parte do Senhor. Nenhum homem que verdadeiramente vive para Deus, sacrificando aquilo que ele gosta para agradar ao Pai, tendo a Ele como o centro de sua vida, obedecendo-o e amando-o acima de todas as coisas, deve ficar surpreso ao ter a Sua constante proteção e cuidado em tudo aquilo que ele faz (Sl 5:12). Na realidade o homem obediente deve esperar como certo que terá uma vida abençoada. Por outro lado, o indivíduo que não tem o Senhor como prioridade, aquele que valoriza qualquer outra coisa acima de Deus, não deve se surpreender quando regularmente tiver que enfrentar problemas de todos os tipos, pois foi claramente alertado que isso certamente ocorreria (Jz 2:15; Ro 2:8-9). Se o Senhor permitir, escreverei um texto lidando especificamente com o tema de bênção e maldição. Devo agora, no entanto, voltar ao assunto principal desta série.

Sim, queremos amar a Deus sobre todas as coisas, mas como isso é possível se não temos um interruptor interno que nos habilite a fazê-lo? A resposta está em iniciar e manter um processo de classificação e eliminação de tudo aquilo que amamos nesta vida. Explico. A bíblia é clara que Deus é zeloso, uma palavra que no original hebraico (קַנָּא‎ – qannāʾ) significa “ter ciúme”. Ter zelo ou ter ciúme de algo, no contexto da perfeição, bondade e amor divino, denota a ideia do Criador querer apenas para Ele as suas criaturas especiais, aqueles que foram separados por Ele e adotados como filhos (Ef 1:5). O Senhor não está disposto a dividir o nosso amor e dedicação com ninguém e com nada que exista no universo; toda a glória devida ao Criador pertence a Ele somente: “Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não a darei” (Is 42:8a). Ele quer a nós por completo, e em troca Ele se dá por completo: “Com amor eterno te amei, também com bondade e fidelidade te atraí” (Jr 31:3; Jo 3:16).

Prestem atenção: podemos tê-lo por completo ou recusá-lo por completo, o que o Senhor não admite é uma entrega parcial (Ap 3:16). Foi isso o que Jesus nos explicou, quando disse: “Se alguém vier a mim e não me amar acima do seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também da sua própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lc 14:26). Baseado nessa verdade, devemos então nos esvaziar de todas as nossas paixões, criando assim cada vez mais espaço para que o Senhor venha a ocupar. Seguiremos neste processo até que nada mais exista no nosso eu a não ser a presença do Pai. Isso foi o que ocorreu com Enoque: “Enoque andou com Deus; e não foi mais encontrado, porquanto Deus o tomou” (Gn 5:24; Hb 11:5).

Irmãos, o meu plano é limitar esta série a apenas três textos, pois acabamos de terminar um longo estudo sobre a oração. Por hoje, quero enfatizar o fato de que o cristão que imagina ser possível agradar ao Senhor tendo um coração dividido entre Deus e qualquer outra coisa nesta vida está vivendo um evangelho imaginário que ele mesmo criou. Simplesmente não existe nenhuma palavra ou exemplo nas escrituras que corrobore com o comportamento de tantos nas igrejas atuais, incluindo alguns líderes, que dizem servir a Deus, mas mantém o apego a vários prazeres do mundo. A triste realidade é que a menos que haja uma genuína e completa entrega ao Senhor por parte de todos eles, a mensagem que ouvirão naquele grande dia será: “Pesado foste na balança e foste achado em falta” (Dn 5:27). Mas, em vez de seguir a falsos mestres, sigamos o exemplo do nosso irmão Paulo que sabiamente nos escreveu: “tenho também por perda todas as coisas… e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo” (Fp 3:8). Espero te ver no céu.