Bênçãos E Maldições: Mitos, Crendices E A Verdade Da Palavra (Parte 1)

Bênçãos e Maldições: Mitos, Crendices e a Verdade da Palavra (Parte 1) - Markus DaSilva - o que a bíblia fala sobre maldições

Por Markus DaSilva, Th.D.

Há cerca de um ano, em um outro texto, expliquei que tudo aquilo que se entende por mal, na realidade é apenas a ausência do bem. Só existe o defeituoso porque existe o perfeito. Só existe o quebrado porque existe o inteiro. Só existe o errado porque existe o certo. E todos esses males são reconhecidos como males porque temos uma noção, ou consciência do bem; o bem é o nosso ponto de referência, e a fonte de todo o bem é o Criador (Tg 1:17). Quanto maior a distância da fonte mais se experimenta o mal, assim como a escuridão aumenta à medida que nos distanciamos da luz (Dn 2:22; 1Jo 1:5). Entendemos então que o mal pode se manifestar de várias formas e em vários graus, mas ele não possui uma origem em si mesmo, pois no seu estado original, tudo o que existe é bom (Gn 1:31a; 1Tm 4:4). Quando o bem é exaltado, o mal diminui; quando o bem domina o mal é repreendido. Quando o Rei dos reis estabelecer o seu reinado eterno, o bem estará presente de uma forma tão plena e contínua que o mal nunca mais terá a possibilidade de ressurgir (Ap 21:4; Dn 7:13-14).

“Tudo o que é bom flui naturalmente do trono de Deus e é quando nos aproximamos do trono que nos beneficiamos da Sua bondade.”

Foi necessário a explicação acima para entendermos que quando a bíblia fala de bênçãos é sempre em conexão com uma aproximação de Deus, e da mesma forma, toda a menção de maldições se relaciona com o distanciamento do Senhor. Isso ocorre porque tudo o que é bom flui naturalmente do trono de Deus e é quando nos aproximamos do trono que nos beneficiamos da Sua bondade. Este conceito é tão forte e verdadeiro que na consagração do Templo de Salomão, onde a glória de Deus se manifestou poderosamente, ficou estabelecido que até mesmo quando o povo estivesse em batalha, distante de Jerusalém, se eles clamassem a Deus na direção do templo, o Senhor os abençoaria (2Cr 6:34-35). Anos depois, mesmo com o templo em ruínas, pela fé, Daniel utilizou dessa promessa no exílio e orava na direção da “casa de Deus” (Dn 6:10).

Todas as bênçãos de Deus são condicionais à obediência à sua palavra (Dt 7:12; Is 1:19-20; 1Jo 1:7). Esta é a razão pela qual existe tanto sofrimento entre aqueles que se chamam de cristãos. O cristão que procura a Deus para receber bênçãos, mas que não se atenta em obedecê-lo de todo o coração, está procurando em vão (Jr 5:25b; Is 59:2; Pv 15:29). Infelizmente isso ocorre frequentemente nas igrejas, conforme já mencionei em um outro texto: “Deus pede obediência, mas cantamos e tocamos instrumentos; pede obediência, mas pulamos e batemos palmas; pede obediência, mas levantamos as mãos e dançamos, franzimos a testa, choramos copiosamente e nos prostramos no chão” (Leia: A Oferta De Caim).

Quando falamos de maldição, devemos primeiramente entender que esta palavra é frequentemente compreendida de forma errada. Imaginam maldição como uma espécie de praga, ou palavras negativas com poder destruidor que são lançadas sobre alguém. Maldição, porém, é simplesmente a falta de bendição, mal versus bem, como explicado acima: onde não existe o bem, o mal prevalece. Nenhuma palavra negativa proferida por homem tem poder sobre a pessoa que se aproxima do Trono em humildade e obediência: “O Senhor é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O Senhor é a força da minha vida; de quem me recearei?” (Sl 27:1). Os verdadeiros filhos de Deus jamais serão amaldiçoados, como podemos confirmar na experiência de Balaque e Balaão contra os israelitas (Leia: Série Sobre A Oração – parte 4). Por outro lado, a pessoa que se afasta de Deus, naturalmente está sob uma maldição, mesmo que nenhuma praga seja lançada sobre ela. Assim sendo, também não existe nenhum benefício em pronunciar bênçãos sobre alguém que recusa conscientemente a obedecer a Deus. O Senhor não se encontra em nenhuma obrigação de abençoar uma pessoa simplesmente porque um simples ser humano pronunciou certas palavras positivas sobre ela.

Queridos, nesta série procuraremos lançar um pouco de luz sobre a questão de bênçãos e maldições que muitas vezes causam preocupações infundadas aos nossos irmãos, como maldição hereditária, rituais de bênçãos, e outros assuntos relacionados. Infelizmente a ignorância quanto a este tema deu origem a muitos exploradores da fé; falso profetas que, tal qual previsto, proliferam grandemente nestes últimos dias (At 20:30). O destino deles os aguarda quando a perfeita justiça divina se manifestar com poder e glória.

Por agora, gostaria apenas de deixar bem claro que muito do que se entende sobre bênçãos e maldições não passa de misticismo e fantasia, e o nosso Deus não lida com crendices e mitos, mas sim com verdades (Sl 86:11). A palavra de Deus nos fornece toda a informação necessária sobre os fatores que causam bênçãos e maldições na vida dos seres humanos, como também a capacidade que nos foi dada de interromper tanto um como o outro. Bênçãos e maldições ocorrem como consequências naturais das nossas escolhas: “Eis que hoje eu ponho diante de vós a bênção e a maldição” (Dt 11:26). Espero te ver no céu.