Bênçãos E Maldições: Mitos, Crendices E A Verdade Da Palavra (Parte 2) – Maldição Hereditária

Maldição Hereditária, como quebrar ou interromper uma maldição hereditária de gerações na família

Por Markus DaSilva, Th.D.

Na primeira parte desta pequena série, estabelecemos a base para que tenhamos um melhor entendimento sobre bênçãos e maldições segundo a bíblia. Explicamos que muito do que se ouve sobre este assunto não passa de superstições; conceitos populares sensacionalistas sem o respaldo da Palavra. São estes tipos de fábulas que fornecem abundante material para a proliferação desenfreada de falsos profetas, falsos pastores, falsos missionários, falsos apóstolos, falsos bispos e outros exploradores da consciência e do sofrimento alheio (1Tm 4:7; Mt 7:15).

“Não é porque um simples ser humano, de calça ou saia, grita, bate o pé, impõe a mão e unge alguém, que Deus se vê em posição de ter que solucionar os problemas e dificuldades que a pessoa enfrenta.”

O padrão claramente estabelecido nas escrituras é que todas as bênçãos proferidas por Deus estão ligadas à obediência (Lc 11:28). Da mesma forma, toda a maldição que Deus colocou sobre alguém foi sempre devido à desobediência à sua palavra. Esta verdade incontestável pode ser verificada logo de imediato no relato da criação, em Gênesis 3, quando a desobediência de Adão e Eva foi a causa de uma série de maldições colocadas sobre o casal, a serpente, e até sobre a própria terra em que vivemos. Em seguida, no capítulo 4, uma outra maldição é proferida sobre Caim, por ter assassinado o seu próprio irmão.

Em se tratando de bênçãos, a maior delas foi a de Abraão, também em Gênesis, como um reconhecimento de Deus pela demonstração de uma fé inabalável demonstrada por ele ao abandonar a sua terra natal e ao se dispor a sacrificar o seu próprio filho em obediência à palavra do Senhor. Foi por causa desses atos de obediência que Deus abençoou a Abraão e separou (santificou) os seus descendentes para servir ao Senhor em total devoção e submissão a Ele a aos seus mandamentos: “porquanto fizeste esta ação e não me negaste o teu filho, o teu único, que deveras te abençoarei e grandissimamente multiplicarei a tua semente como as estrelas dos céus e como a areia que está na praia do mar” (Gn 22:16-17). Este povo separado foi a nação de Israel até o sacrifício do Messias e o Israel espiritual, o povo cristão, até o presente: “E farei de ti uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome, e tu serás uma bênção” (Gn 12:2). Que esta bênção se estende até a nós é explicado pelo nosso irmão Paulo: “E, se sois de Cristo, então, sois descendência de Abraão e herdeiros conforme a promessa” (Gl 3:29; Gl 3:14).

Irmãos, eu precisaria de muitas páginas se fosse comentar aqui todas as bênçãos e maldições proferidas por Deus e de como todas elas estão ligadas à obediência ou à rebeldia do seu povo, mas não vejo necessidade de fazê-lo, pois a principal razão desta série é pôr abaixo algumas crendices sem fundamento bíblico.

Primeiro, nenhum líder possui autoridade do Senhor para proferir bênçãos arbitrariamente sobre qualquer alma. Não é porque um simples ser humano, de calça ou saia, grita, bate o pé, impõe a mão e unge alguém, que Deus se vê em posição de ter que solucionar os problemas e dificuldades que a pessoa enfrenta. Não existe nenhuma menção na palavra de Deus de rituais ou cultos especiais para o recebimento de bênçãos. Deus sim, abençoará todo aquele que se arrepende, se humilha, se converte, morre para este mundo, e procura servi-lo fielmente (2Cr 7:14; Mt 5:5; Is 29:19). O filho fiel, na realidade, nem precisa pedir por bênçãos pois elas são naturalmente enviadas pelo nosso amado Deus, como nos disse o próprio Jesus: “O seu Pai no céu sabe que vocês precisam de todas estas coisas” (Mt 6:32).

Segundo, aquilo que se conhece por maldição hereditária, maldição de gerações ou ainda maldição geracionais, simplesmente refere-se às consequências de uma vida de rebeldia a qual os pais, pelo ensino e mau exemplo, passam para os seus filhos. Todos nós conhecemos famílias que possuem gerações de filhos violentos, abusadores, alcoólatras, fumantes, depravados, e outros males semelhantes ou ainda piores. Não foi Deus que, sem qualquer motivo, colocou sobre os filhos as mesmas propensões para o mal que as gerações anteriores possuíam, mas sim os seus pais que os ensinaram, direta ou indiretamente, a seguir no erro (1Rs 15:3; 1Rs 15:26; 1Rs 22:52). Em outras palavras, maldição hereditária geralmente é uma violência física e espiritual autoinfligida.

Quanto à como interromper, ou quebrar, uma maldição hereditária, o método é o mesmo que todo o pecador, incluindo eu, precisa usar para se ver livre da escravidão do pecado: uma genuína entrega a Cristo. Não se quebra maldição hereditária através de doações, visitando uma determinada igreja, assistindo a um programa de T.V., ou bebendo uma água ungida. Reconheço que alguns que procuram a ajuda dos exploradores da fé o fazem por ignorância, mas muitos preferem esses métodos porque no fundo não querem abandonar os seus pecados e buscam por atalhos que não solucionam os seus problemas; “cavam cisternas quebradas, que não retêm água” (Jr 2:13).

Queridos, o nosso Deus possui uma paciência indescritível para com todos nós, pecadores, e está sempre disposto a interromper qualquer maldição hereditária presente nas famílias. O Senhor realmente punirá a iniquidade dos pais que segue existindo nas gerações seguintes, mas nunca o fará quando os filhos se arrependem e se voltam para ele: “A pessoa que pecar, essa sim pagará pelos seus pecados. O filho não será culpado por causa do pai, nem o pai levará a culpa do filho” (Ez 18:20). Além do que, irmãos, o Senhor não tem nenhum prazer na morte do ímpio, mas prefere sim que ele se arrependa e viva (Ez 33:11).

Sim, sabemos que as escrituras nos fala sobre maldição hereditária (embora não exatamente nestes termos), mas de forma alguma como os interesseiros ensinam. Observe a verdade e veja como o nosso Deus é bondoso em suas próprias palavras: “Visito a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam” (Êx 20:5b). Note que a punição ocorre aos filhos que seguem odiando, ou desprezando o Criador assim como os seus pais os faziam; Deus não está punindo a nenhum inocente. Observe agora o verso que vem logo a seguir: “Mas trato com bondade e misericórdia a milhares [de gerações] que me amam e guardam os meus mandamentos” (Êx 20:6). Compare quatro com milhares e decida você mesmo qual é realmente a vontade do nosso amado Pai? O nosso Deus quer amaldiçoar ou abençoar a vocês? Certamente que o desejo do Senhor é sempre a bênção e não a maldição. Espero te ver no céu.