Coração de Pedra, Coração de Carne (Parte 2)

Coração de Pedra, Coração de Carne (Parte 2) - Por Markus DaSilva

Por Markus DaSilva, Th.D.

Desde que publicamos os dois artigos sobre o louvor, em maio, nunca vimos um assunto ofender a tantos quanto a primeira parte desse texto. É incrível como tantos cristãos realmente desconsideram os claros alertas do Senhor de que a menos que nos entreguemos por completo a Ele não teremos uma morada no céu (Mt 10:37-39).

“Embora não temos o controle direto do vento, temos o controle direto da vela. Dessa forma escolhemos em que direção seguiremos.”

Ignoram, simplesmente ignoram as palavras do nosso querido Jesus. Insistem em argumentar que o corpo, como um deles escreveu, “não passa de uma casca”, dando a entender que desde que o indivíduo “entregue o coração a Deus” aquilo que ele faz no corpo é irrelevante para o Senhor. Chego a ficar sem palavras frente a tamanha aberração (Ro 6:13). É por isso que é praticamente impossível diferenciar o cristão do mundano nesses últimos dias. Afinal, se ambos se entregaram às paixões da carne, como poderia haver qualquer distinção? A luz já não ilumina. O sal perdeu o seu sabor.

Mas deixemos esses blasfemos sob os cuidados do Senhor e falemos agora sobre como transformar um coração de pedra em um coração de carne. Primeiramente, lembremos que isso só é possível porque existe uma promessa do Pai para nós, os seus escolhidos, que Ele nos concederia essa graça (Ez 11:19-20). É somente porque as promessas de Deus nunca falham que se torna possível essa transformação.

O maior dos mandamentos, segundo o nosso amado Jesus, é: “Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento. ” (Lc 10:27). Note que se inicia no coração e termina na mente, ou entendimento. Mas como podemos amar o Senhor dessa forma se temos um coração tão inclinado ao pecado? (Jr 17:9) Ele precisa ser transformado. Na realidade, enquanto estivermos nesse corpo temporário ele é mais controlado do que transformado. Coração não é mente. A mente por si mesma é neutra, podendo ser facilmente influenciada. O coração é a força que impulsiona os nossos desejos e influencia (mas não domina) a nossa mente em uma determinada direção. Se a mente é a vela de um barco, o coração é o vento. Embora não temos o controle direto do vento, temos o controle direto da vela. Dessa forma escolhemos em que direção seguiremos.

O coração, que se alimenta daquilo que a mente se ocupa, é gradativamente moldado. Encheremos então a mente com o santo e eliminaremos todo o interesse mundano (Ro 12:2). Procurar apenas eliminar certas coisinhas do mundo não funcionará. Foi exatamente por isso que o Senhor não disse que devemos nos afastar do mundo, mas sim que devemos morrer para ele (Mc 8:35). Bem radical, mas funciona. Falo por experiência. Já há muito tempo procuro evitar tudo aquilo que não me aproxima do Senhor: assistir filmes, seriados, esportes, noticiários; acompanhar política; ler qualquer coisa secular… Uso uma regra bem simples para determinar o que entra e o que fica de fora: Isso agrada ao meu Deus, sim ou não? Se não me leva à semelhança de Cristo, é eliminado (1 Jo 2:6; 1 Pd 2:21; Ro 8:29). Dessa forma, pela graça que me foi concedida, mantenho esse meu coração rebelde sob controle. Orando baixinho o dia todo, clamando pelo nome de Jesus, em estudo e jejum, sigo adiante, aguardando feliz e ansioso o dia que o meu nome for chamado. “Cria em mim um coração puro, ó Deus. ” (Sl 51:10). Espero te ver no céu.