Sem Santidade Ninguém Verá a Deus (Parte 5) – Os Puros de Coração Verão a Deus.

Estudo Bíblico sobre a santidade - Sem Santidade Ninguém Verá a Deus (Parte 5) - Os puros de coração verão a Deus. Portanto, Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5:8) Markus DaSilva

Por Markus DaSilva, Th.D.

Todos se lembram do rompimento da barragem no estado de Minas Gerais, no Brasil. Já faz um certo tempo que isto ocorreu, mas a minha querida mãe continua não confiando no seu filtro caseiro para cozinhar, e muito menos para beber, da água que sai da sua torneira. Apesar do laudo oficial do governo, e da insistência de vários vizinhos, ela crê que a água continua contaminada e que não é suficientemente pura para o consumo, preferindo gastar um pouco da sua aposentaria para comprar água mineral. Contei essa história da água para ilustrar a importância que é manter puro tudo aquilo que é fundamental para a vida humana. Assim como a água, ou o ar que respiramos, Jesus, no sermão da montanha, nos disse que o coração das pessoas que verão a Deus também terá que ser puro: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5:8).

Parte 5 – Estudo Bíblico: Os puros de coração verão a Deus.

Um ponto muito interessante sobre a pureza é que algo não se torna puro através da adição, mas sim da remoção. Ou seja, minha mãe voltaria a usar da água da torneira se alguém conseguisse provar a ela que todos os contaminantes foram removidos e que, portanto, aquele líquido na pia consiste somente de água: água pura. A pessoa que verá a Deus é, portanto, alguém cujo coração está livre de contaminantes; todas as impurezas que se agarraram ao coração desta pessoa ao longo dos anos foram removidas e ela agora possui um coração puro, tal qual ela era quando muito pequena. Isso foi o que Jesus quis dizer quando nos disse: “se vocês não se tornarem como crianças, de modo algum entrarão no Reino dos céus” (Mt 18:3). Embora todo o ser humano já nasça com propensão para pecar, a alma das criancinhas ainda não foi suficientemente contaminada pelo pecado de uma forma consciente, voluntária e intencional, tal qual ocorre com nós, adultos. O coração delas permanece puro, foi por isso que Jesus reprovou a atitude dos apóstolos: “Deixem os pequeninos e não os impeçam de vir a mim, porque dos que são como eles é o Reino dos céus” (Mt 19:14).

“Possuir um coração aprovado por Deus requer a remoção de certas impurezas que já por anos fazem parte de nossa vida.”

Em Hebreus lemos que os que verão a Deus são os santos (Hb 12:14), e Jesus nos diz que os que verão a Deus são os puros de coração, concluímos então que para o Senhor pureza e santidade são sinônimos. Isso faz todo o sentido já que ambas as palavras envolvem uma separação ou uma filtragem onde os contaminantes do mundo são removidos e só se mantém a alma que foi originalmente criada por Deus. Uma alma lavada, limpa, purificada de toda a poluição do pecado que Deus tanto abomina. Teremos que voltar a ter o coração puro que tínhamos quando éramos crianças: “Lava o teu coração da iniquidade, ó Jerusalém, para que sejas salva” (Jr 4:14a).

O cristão que deseja de fato, e não só de palavras, ir morar com Deus, terá que tomar sérias decisões na sua vida para que tenha um coração puro: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho pecaminoso, e guia-me pelo caminho eterno” (Sl 139:23-24). Estas decisões envolvem um conflito interno e um outro externo. Possuir um coração aprovado por Deus requer a remoção de certas impurezas que já por anos fazem parte de nossa vida. O conflito interno é o nosso próprio apego àquilo que não satisfaz o espírito, mas somente a carne. A nossa carne, que é muito fraca, se apega a vários prazeres do mundo, que são lixos, mas que na nossa fraqueza espiritual somos convencidos pelo inimigo de que precisamos destas coisas para sermos felizes. Procuramos por vida onde não há vida. Isso foi o que o Senhor nos disse pelo profeta: “Porque o meu povo cometeu dois erros sérios: me abandonaram, a fonte de água viva, e cavaram para si cisternas, cisternas quebradas, que não retêm águas” (Jr 2:13).

O conflito externo envolve as decisões que temos que tomar se queremos agradar a Deus e não aos homens. Discipulado tem um custo, e esse custo pode significar alteração de planos, conflitos e mudanças desagradáveis, incluindo a perda de amizades e distanciamento de pessoas que amamos, inclusive parentes (2Co 6:14). Foi isso o que Jesus quis dizer com as palavras: “Se alguém vier a mim, e não me amar mais do que o pai e mãe, a mulher e filhos, a irmãos e irmãs, e ainda também à própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lc 14:26). Todo o ser humano que se torna um obstáculo para alcançarmos o Reino de Deus deixa de ser um companheiro e passa a ser um adversário. O Senhor nos alertou através de Jeremias: “Porque até os teus irmãos e a casa de teu pai, eles próprios agem deslealmente contigo. Eles falam contra ti abertamente. Não confies neles ainda que te digam coisas boas” (Jr 12:6); e o próprio Senhor nos avisou: “os inimigos do homem serão os seus familiares” (Mt 10:36).

Queridos, esta foi uma série de estudos bíblicos desagradável, mas muito necessária para a salvação. Santidade é de fato um ensinamento desagradável porque vai completamente contra as inclinações do nosso coração contaminado pelo pecado. O caminho de santidade segue oposto ao mundo, este mundo que tanto nos atrai. No entanto, Jesus nos diz que a menos que estejamos dispostos a seguir neste caminho, buscando a santidade, dizendo “não” aos próprios desejos, não pertencemos a ele: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me” (Lc 9:23). Carregar cruz é algo doloroso e ainda mais quando a carregamos voluntariamente. Mas é exatamente aí que mostramos a Jesus que realmente o amamos e que o nosso amor não consiste apenas de palavras (Lc 6:46). Mostramos o nosso amor quando não mais nos envolvemos com aquilo que contamina a alma e nos tornamos cada vez mais puros de coração. Através da nossa aversão a tudo aquilo que desagrada a Deus, procuramos um viver semelhante ao de Jesus, nos tornamos santos e nos animamos com a promessa de que em breve veremos o Pai: “Depois que todo o meu corpo, pele e carne, for consumido, verei a Deus. Vê-lo-ei por mim mesmo, os meus olhos o verão, e não outros!” (Jó 19:25-27). Sim, santidade é o nosso constante foco, pois, sem santidade ninguém verá a Deus. Espero te ver no céu.

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