Sem Santidade Ninguém Verá a Deus (Parte 2) – Uma Nação Santa, Um Povo Adquirido.

Sem Santidade Ninguém Verá a Deus (Parte 2) - Uma Nação Santa, Um Povo Adquirido. - Markus DaSilva

Por Markus DaSilva, Th.D.

Conforme já disse no início desta série, o ser humano realmente se acha muito justo; tanto que frequentemente alguns questionam até mesmo a justiça de Deus, comparando-a com a justiça própria. Um ponto que sempre incomoda alguns é o fato de que Deus não salvará a todos. Eles convenientemente esquecem que o caminho e a porta da salvação sempre foram abertos a qualquer um que queira entrar. Em outras palavras, o Senhor jamais negará a salvação à alma que verdadeiramente queira se salvar (Ap 3:20). Algo que Deus não faz, obviamente, é levar para o céu aqueles que não têm interesse de lá morar. Se o coração da pessoa se encontra aqui, então aqui ela ficará (Cl 3:2). Pessoalmente, não vejo injustiça alguma neste fato. Muito pelo contrário, vejo sim uma incrível demonstração de respeito à escolha da criatura por parte do Criador. No seu destino final, seja céu ou inferno, nunca ouviremos alguém reclamar, dizendo: “Estou aqui contra a minha vontade!”

Parte 2 – Uma nação santa, um povo adquirido.

Existem apenas dois grupos de pessoas na terra: os perdidos e os salvos. Cada grupo, dia após dia segue no seu caminho rumo ao destino escolhido. No primeiro grupo está a grande maioria, pois esse é o caminho fácil, o caminho do eu, onde o indivíduo vive para satisfazer os seus próprios desejos. Todos nós, em certo momento na vida, pela própria escolha, fazíamos parte desta grande multidão e seguíamos caminhando rumo à morte eterna (Ef 2:1-2). Deus, porém, se agradou de um pequeno número entre nós, estendeu-lhes a graça, e resolveu que eles seriam poupados deste horrível fim: “Não temas, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o Reino” (Lc 12:32). Esse pequeno rebanho foi adquirido pelo Pai para o filho, cabendo ao filho pagar pelos nossos pecados, nos proteger do maligno, e no final nos ressuscitar. Foi isso o que Jesus nos explicou quando disse: “E a vontade do Pai, que me enviou, é esta: Que eu não perca nenhum de todos aqueles que me deu, mas que eu o ressuscite no último dia” (Jo 6:39). Cada indivíduo que o Pai se agrada, ele o separa dos demais, sela com o seu próprio Espírito, e o envia ao Filho. Não existe outra maneira pela qual alguém possa chegar até Jesus, como o próprio Senhor nos deixou claro: “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer” (Jo 6:44).

“A decisão do homem, que assim como os anjos é um ser inferior, simplesmente confirma a decisão de Deus que é superior a tudo e a todos”

O ato de ser separado e selado pelo Espírito Santo é o que significa ser santificado para Deus. Foi isso o que o apóstolo Paulo quis dizer quando escreveu: “…o qual também nos selou como sua propriedade e pôs como garantia o seu Espírito em nossos corações” (2Co 1:22). Somos então propriedade do Pai, do Filho e do Espírito Santo; somos um povo santo (separado) e adquirido. Quando o autor de Hebreus nos escreveu dizendo que sem santidade não veremos a Deus, ele estava apenas constatando a realidade: a pessoa que não foi adquirida e selada por Deus não faz parte do seu povo e obviamente não morará com o Senhor (Hb 12:14b).

O que quero salientar com a explicação acima é que todo o indivíduo que deseja obter a vida eterna terá que se certificar de que a sua vida atual condiz com a forma de viver de alguém que foi santificado e selado. É quando atuamos e nos santificamos que colocamos em ação a fé que nos salva. O cristão pode falar, gritar e espernear o quanto quiser, mas enquanto não demonstrar que é propriedade de Deus através da sua vida santificada, ele possui uma fé morta, sem qualquer valor para a salvação (Tg 2:17).

A ação do homem confirma a eleição de Deus. Quando o homem perdido decide continuar na perdição a decisão é dele própria; afinal, ele não é forçado a procurar os prazeres do mundo; não age contrário à sua vontade; ele exercita o seu livre arbítrio. Se por um outro lado, ele decide abandonar o caminho da perdição e deseja se separar, abandonando tudo aquilo que não agrada a Deus, procurando viver como parte do povo santo, esta também é sua própria decisão. A decisão do homem, que assim como os anjos é um ser inferior, simplesmente confirma a decisão de Deus que é superior a tudo e a todos (1Co 15:28).

Queridos, somos uma nação santa, um povo adquirido (1Pe 2:9). A palavra “adquirido” (Grego: περιποίησις (peripoiēsis)) usada por Pedro, serve para enfatizar à quem agora pertencemos. Antes o nosso mestre era o pecado, vivíamos para servir aos desejos da carne (Ro 6:17). Agora, porém, servimos ao Filho, pois fomos adquiridos, “comprados por um alto preço” (1Co 6:20) pelo Pai e enviados a ele. Servimos, no entanto, não como escravos, mas como filhos adotivos e muito amados (Jo 1:12). E como vive o povo santo? O povo santo vive para Deus. Tudo o que as pessoas santas fazem possui como foco agradar ao Senhor. A pessoa que faz parte do povo santo não procura nada que os descrentes procuram, não deseja o que eles desejam e não se interessa pelo que eles se interessam. Na realidade estes dois grupos não se misturam pois possuem interesses e destinos completamente opostos, conforme disse o irmão Paulo: “que comunhão tem a luz com as trevas?” (2Co 6:14).

Observe que o assunto deste texto é santidade e não o pecado. Com a ajuda do Senhor, lidarei com a santificação e o pecado ainda nesta série, mas como sei que muitos cometem o erro de pensar que santo é aquele que não peca, deixe-me apenas dizer que o pecado habita no coração de todos os filhos de Adão: santos e mundanos, salvos e perdidos (Ec 7:20; Ro 3:23). Adianto, porém, que existe uma correlação forte entre a nossa separação do mundo e a frequência e gravidade das nossas ofensas a Deus. O que quero dizer é que, é de se esperar que quanto mais a pessoa se distancia do reino das trevas e se aproxima da luz, menos ficará sob o encanto do inimigo; menos o pecado consegue mantê-lo como escravo. Esse é o significado das palavras de Pedro: “Porque de quem alguém é dominado, do tal faz-se também servo” (2Pe 2:19). Mas entraremos em maiores detalhes no local apropriado.

Termino este texto da série reafirmando aquilo que disse no começo: A escolha de pertencer ou não ao povo de Deus e receber a vida eterna é minha, é sua, é de cada ser humano: “Ponho diante de ti a vida e a morte, escolhe, pois, a vida para que vivas” (Dt 30:19). Deus não salvará a todos porque todos não querem se salvar. Mas aqueles, porém, que amam a Jesus, e provam o seu amor obedecendo às suas palavras através da separação do mundo, estes passam a fazer parte do pequeno rebanho que receberam o selo de Deus e tornaram-se sua posse; filhos favorecidos e protegidos do Senhor (Ro 8:16-17). Espero te ver no céu.

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