Uma Estranha Santidade

UMA ESTRANHA SANTIDADE Por Markus DaSilva o que é santificação?

Por Markus DaSilva, Th.D.

Vivemos em cavernas. Sim, essa é a acusação que frequentemente recebemos dos inimigos da santidade. Segundo eles, os perdidos não podem ouvir de nós o evangelho porque vivemos separados do mundo. Falam que os descrentes fogem da nossa presença porque somos diferentes. Acreditam que um ministério, para ser eficaz, precisa consistir de pessoas que vivem entre os mundanos, fazendo aquilo que eles fazem. Acreditam que os ímpios precisam se identificar com os cristãos, se sentir à vontade na casa de Deus.

“Aí está a cruz do verdadeiro seguidor de Cristo: viver no mundo, sem fazer parte dele.”

É exatamente baseado nesta filosofia que cada vez mais se torna impossível distinguir os filhos da luz dos filhos das trevas (Mt 13:25-26). Possuem um linguajar semelhante, um vestuário semelhante; participam dos mesmos entretenimentos, dos mesmos prazeres; seguem em uma mesma direção, sonham os mesmos sonhos (Ef 4:17-18). É pensando assim, que em muitas igrejas, alguém que não está acostumado pode ficar na dúvida se entrou em uma casa de oração ou em um salão de festas.

Mas a quem estes cristãos estão enganando? Certamente que não a Deus! Enganam a si mesmos, mas não é um engano sem malícia, pois, conhecem a Palavra (Jo 9:41). Conhecem, mas não obedecem. Para justificar o amor que têm por este mundo, criaram uma estranha versão de santidade. Falam de santidade, escrevem nas camisetas, choram, levantam as mãos e cantam louvores falando dela, mas não a vivem (Mt 7:21). Defendem uma santidade sem separação: um paradoxo.

Qualquer estudante da bíblia sabe que ser santo significa ser separado, colocado à parte, consagrado (2Co 6:17). Quando se aproximava o dia que Jesus ia nos deixar fisicamente, ele orou ao Pai por mim e por você. Preocupou-se com a nossa situação neste mundo contaminado pelo mal. Gostaria que estivéssemos com ele no céu, mas reconheceu que, assim como ele, o nosso tempo neste mundo deve ser cumprido: “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal” (Jo 17:15). Aí está a cruz do verdadeiro seguidor de Cristo: viver no mundo, sem fazer parte dele (Jo 17:16). Como isso é possível? Como podemos nos manter distantes daquilo que tanto nos atrai? Através da verdade: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17:17). Somos santificados, ou separados do mundo, pela verdade que encontramos na Palavra de Deus; verdade não apenas lida, mas obedecida (Tg 1:22). Quem não está disposto a obedecer à palavra de Cristo não o ama e não conhece a genuína santidade.

Antes que alguém o diga, deixe-me esclarecer um ponto: sim, Jesus visitou e comeu com os pecadores, mas nunca ensinou os seus discípulos a serem como eles. Os pecadores não eram atraídos a Cristo porque se identificavam com ele, como se Jesus fosse igual a eles, mas sim porque viam nele o caminho da restauração. Procuravam alívio; desejavam descanso. A diferença, e não a semelhança, os fascinava (Mt 7:28-29; Jo 7:46). Espero te ver no céu.