🔊 O Cristão e o Equilíbrio (Autocontrole, Temperança e Domínio Próprio) [Com Áudio]

O Cristão e o Equilíbrio (Autocontrole, Temperança e Domínio Próprio) [Com Áudio]

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Estamos em guerra. Todos nós, sem exceção, participamos de uma batalha que teve início há muitos anos, ironicamente, em um paraíso, onde apenas a paz reinava. Adão e Eva iniciaram a maior batalha do universo por dois motivos: confiaram em Satanás e confiaram em si mesmos. Afinal, que mal pode haver em comer uma simples fruta? Milhares de anos depois, muitos nas igrejas continuam preferindo a voz da serpente à de Deus. Creem que podem sim ceder aos desejos do coração, desde que o façam com equilíbrio.

“O servo que verdadeiramente segue a Cristo é de fato um radical, assim como Jesus o era, e é de se esperar que receba o mesmo tipo de tratamento neste mundo.”

Nossos estudos são frequentemente considerados radicais. Quando exortamos os nossos irmãos a obedecerem a Cristo, amar somente a Ele, e abandonar o mundo para que não morram em seus pecados, com frequência ouvimos o argumento de que o abandono por completo é um exagero, um extremismo, e que basta o autocontrole. Eles entendem que o cristão pode muito bem curtir a vida e participar das mesmas coisas que o mundano participa, desde que ele conheça os seus limites; ou desde que seja feito com temperança. Eles não esperam nenhum desfecho negativo para o cristão que usufrui das coisas que há no mundo (1Jo 2:15), desde que haja “uma devida moderação”. O pai da mentira sempre recicla a velha e batida frase usada com sucesso no Éden: “Certamente não morrereis!” (Gn 3:4).

Mas, para o nosso ministério, sermos chamados de radicais, provocarmos a ira do cristão carnal, é uma honra. O servo que verdadeiramente segue a Cristo é de fato um radical, assim como Jesus o era, e é de se esperar que receba o mesmo tipo de tratamento: “Se vocês fossem do mundo, ele os amaria como se pertencessem a ele. Porém, vocês não são do mundo, mas eu escolhi a vocês, tirando-os do mundo; por isso o mundo os odeia” (Jo 15:19).

Quando as pessoas queriam saber de Jesus sobre o que deveriam fazer para segui-lo e ganhar o reino de Deus, Cristo não lhes disse que precisavam de equilíbrio; não lhes disse que participassem dos prazeres do mundo com cautela. Não! Suas palavras foram repletas de radicalismo: vim trazer divisão (Lc 12:51); abandone pai e mãe (Lc 14:26); venda tudo o que tem (Mt 19:21); arranque o braço e o olho (Mt 5:29-30); perca a própria vida (Lc 17:33). Termos fortes; usados para que entendamos sem equívocos a situação desesperadora em que nos encontramos.

Existem duas palavras no original grego que são frequentemente traduzidas no português e em outras línguas como equilíbrio, temperança, autocontrole e domínio próprio, são elas: [Gr. ἐγκράτεια (enkrateia)] e [Gr. σωφρονισμός (sóphronismos)]. Ambas as palavras denotam o dom do Espírito Santo (Gal 5:23) que habilita o cristão a resistir às tentações; de manter a mente livre do pecado. De forma alguma significam, como alguns gostariam que fosse, uma permissão para experimentar do mundo, desde que com moderação. [Gr. ἐγκράτεια (enkrateia)] é usada apenas 4 vezes no original (Atos, Gálatas e duas vezes em 2ª Pedro). Jesus não usou esta palavra. Ela tem como significado ter força [Gr. κράτος (kratos)] para resistir às fraquezas. Já a palavra [Gr. σωφρονισμός (sóphronismos)], usada apenas uma vez (2Tim 1:7), vem de “[Gr. σώφρων (sóphrón)]”, que literalmente significa “mente saudável”. Isto é, saudável porque este é o homem que não se deixa levar pelas próprias vontades, mas sim pelas vontades de Deus: “Ora, o mundo passa, e os seus desejos pecaminosos; mas aquele que faz a vontade de Deus, permanece para sempre” (1Jo 2:17).

Deus na sua bondade para conosco, sabendo que somos seres fracos e que vivemos em um mundo dominado por Satanás e onde o pecado predomina, habilitou os seus filhos a identificarem aquilo que não vem dos altos e os capacitou a recusarem qualquer participação nas atividades que são comuns entre aqueles cujo destino final é o lago de fogo. Temos autocontrole porque podemos por nós mesmos (auto) dizer não aos desejos da carne: “Que sociedade tem a retidão com a iniquidade? Ou que comunhão tem a luz com as trevas? Que harmonia há entre Cristo e o Diabo (Gr. Beliar)? Ou que parte tem o crente com o incrédulo?” (2Co 6:14-15).

Amados, a guerra por sua alma continua sendo travada (1Pe 5:8). O Diabo continua tendo grande sucesso com o argumento de que tudo o que o cristão precisa é de equilíbrio. Continua levando milhares ao fogo eterno com a ideia de que um pouquinho do mundo não faz mal a ninguém. Imploro que não ouçam a nenhuma outra voz senão a de Cristo. No juízo final, o chamado para entrar no Reino não será para os que aproveitaram o mundo com equilíbrio, mas sim para aqueles que morreram para ele, aqueles que se lavaram no sangue do Cordeiro (Ap 7:14) e que não contaminaram as suas vestes (Ap 3:4). “Porque Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santificação” (1Ts 4:7). Espero te ver no céu.