🔊 (Parte 3) Série: O Sentido da Vida: Por Que Existimos? [Com Áudio e PDF]

Pai e filho caminhando juntos com Estudo Bíblico : (Parte 3) O Sentido da Vida - Por Que Existimos? - Markus DaSilva

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Todas as três perguntas que estamos abordando nesta série de estudos bíblicos sobre o sentido da vida estão conectadas: de onde viemos, porque existimos, e para onde vamos. O porque existimos, é sem dúvida a mais difícil das três. Não me entendam mal, a bíblia deixa bem claro que existimos para a glória de Deus: “trazei meus filhos de longe, e minhas filhas das extremidades da terra; a todo aquele que é chamado pelo meu nome, e que criei para minha glória, e que formei e fiz” (Isa 43:7). A dificuldade está em entendermos pelo menos um pouco o que estas palavras: “para minha glória” significam. Lembrem-se que estamos lidando aqui com o Ser que palavras, faladas ou escritas, não podem nem começar a descrever: o nosso querido, amado, maravilhoso, soberano, indescritível, acima de tudo e de todos, o nosso Criador: Deus. Expliquem-me como podemos nós, pequenos vermes (Isa 41:14), entender o motivo que fomos feitos? No meu entendimento insignificante, entre os seres humanos, apenas Jesus possui este completo conhecimento, pois o apóstolo João nos escreveu que tudo foi feito por Ele e para Ele (João 1:3-4). Sim, Jesus sabe exatamente o motivo que Ele nos fez. Mas, mesmo que, pelo menos por enquanto, não temos condições de compreender este mistério, podemos sim explorar aquilo que o Senhor achou por bem nos revelar na sua Palavra.

“O amor de Deus para conosco pode ser facilmente observado através dos detalhes desde imenso “quarto do bebê” que conhecemos como mundo.”

A Criação do Ser Humano Foi Planejada

Uma das verdades que nos foram reveladas é que não fomos criados de impulso, não, nenhum de nós. Na realidade a Bíblia deixa claro que a nossa existência foi cuidadosamente planejada antes mesmo do mundo ser criado (Efe 1:4; 2Tim 1:9). Ou seja, todas as coisas visíveis foram criadas para nos acomodar, da mesma forma que os pais planejam como será o quarto do seu primeiro bebê. Isso foi o que o rei Davi nos disse em relação ao homem: “Contudo, pouco abaixo de Deus [Heb. אֱלֹהִים (Elohim) Deus, deuses, anjos, criaturas celestes ] o fizeste; de glória e de honra o coroaste. Deste-lhe domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés” (Sal 8:5-6. Ver também: Heb 2:7;9).

O Mundo Para o Homem é Como o Quarto Para um Bebê

Todo o universo físico narrado no capítulo um de Gênesis descreve o local que Deus, através de Jesus, preparou para os seus filhos. O amor de Deus para conosco pode ser facilmente observado através dos detalhes desde imenso “quarto do bebê” que conhecemos como mundo: “Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, para que te lembres dele?” (Sal 8: 3-4). Nada nos foi poupado, tudo simplesmente do melhor: o melhor do clima, da paisagem, dos alimentos e da companhia… o nosso amado Deus criou para nós literalmente um paraíso onde viveríamos felizes por toda a eternidade, caso nunca tivéssemos nos rebelado contra o nosso próprio Pai (Gen 3:6).

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O Motivo Que Deus Nos Fez

Minha esposa e eu fomos abençoados com dois ótimos filhos, um casal, já adultos. Ambos foram planejados. Ao escrever este estudo, meditei sobre o que nos levou à decisão de termos filhos, na esperança de que assim possa entender um pouco mais sobre o motivo que Deus nos fez. Essa comparação, obviamente, não é perfeita, mas, pelo menos nos dá um ponto de partida. Algo, por exemplo, que não se aplica a Deus é que para o ser humano existe a pressão da sociedade em geral, e a dos parentes em particular. Também para nós, e não para Deus, existe a necessidade da preservação da espécie (Gen 1:28). Se Deus não nos criou à sua imagem por pressão, nem para preservar a espécie, nos sobra uma terceira razão de termos filhos, que é a alegria em observar como eles se parecem conosco. Concluo então que algo que temos em comum com Deus é o prazer de vermos um pedacinho de nós nos nossos filhos.

O Prazer Que os Filhos Dão aos Pais

A minha filha, por exemplo, ainda esta semana quando lhe dava carona da faculdade para casa, observei como o seu senso de humor é semelhante ao meu. Como ela acha graça das mesmas coisas que eu acho graça. O meu filho, por sua vez, notei recentemente como as suas gargalhadas se assemelham à minha. E todas essas observações nos dão prazer como pais. Sim, creio ser este o motivo que Deus nos criou à sua imagem e semelhança. O nosso Pai gosta de ver um pedacinho dele em nós, e é isso o que significa: “criei para minha glória” (Isa 43:7). Essa verdade se torna ainda mais clara quando a Palavra nos diz que o Senhor não admite que a sua glória seja compartilhada com nenhum outro (Isa 42:8). Ou seja, a alegria de nos ver e de se relacionar conosco, os seres viventes que ele criou, pertence a Ele e a mais ninguém. Qual é o pai que não tem ciúme dos seus filhos? Pois saiba que o Senhor tem e muito: “Porque o Senhor vosso Deus é um fogo consumidor, um Deus zeloso [Heb. קַנָּא (qanna) zelo, ciúme]” (Deut 4:24). Um parêntesis para mencionar que praticamente todas as centenas de Bíblias em inglês traduzem a palavra em Hebraico “qanna” como ciúmento (jealous) e não como zeloso (zealous).

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Uma Verdade Maravilhosa e Preocupante

Queridos, eu não sei quanto a vocês, mas para mim é uma alegria imensa saber que o Deus do universo me criou para que tenha prazer em observar em mim um pouco de si mesmo. Esta verdade é maravilhosa e ao mesmo tempo preocupante. Maravilhosa porque todo o filho gosta de impressionar o seu pai, e todo o bom pai tem orgulho do filho que segue o seu bom exemplo. Preocupante porque este conhecimento nos faz ficar autoconscientes do nosso comportamento, pois, queremos ter certeza que realmente somos a imagem do Pai. Queremos ser tão bons imitadores do Pai quanto Jesus: “Tudo quanto o Pai faz, o Filho o faz igualmente” (João 5:19). Espero te ver no céu.
 

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