🔊 O Que Deus Quer de Nós? (Os Desejos de Deus e os Desejos do Homem) [Com Áudio]

O Que Deus Quer de Nós? (Os Desejos de Deus e os Desejos do Homem)

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Por Markus DaSilva, Th.D.

O que Deus quer de nós? Teólogos e filósofos debatem essa pergunta por séculos. Uma grande parte dos cristãos crê que existe uma lista personalizada, dada por Deus, que serve como uma espécie de guia de como agradá-lo. Não me refiro à Bíblia pois esta lista pessoal possui um valor superior à Palavra de Deus. Ele poderia muito bem procurar nas Escrituras as instruções necessárias, obedecê-las e viver uma vida de acordo com a vontade de Deus, pois foi exatamente para este fim que ela nos foi dada. Mas, ainda que ele tenha várias Bíblias em casa e até mesmo a lê com uma certa regularidade, na prática ele possui dentro de si um conjunto de regras que é o que realmente determina as suas ações do dia a dia.

“Aquele que imagina que o Senhor aceita qualquer coisa que não seja o nosso todo, está adorando a um outro deus.”

Também se entende que este grupo de normas, ou esta lista imaginária, é bastante flexível, podendo variar não só no seu tamanho, como também na sua rigidez. Por exemplo, para alguns, deve-se ir à igreja pelo menos duas vezes por semana, enquanto para outros, apenas em ocasiões especiais, e ainda para outros, congregar nem consta nesta lista. Esta mesma flexibilidade é também observada nas ofertas, leitura da bíblia, oração, músicas, entretenimentos… etc. Cada um possui a sua lista e cada um procura na medida do possível obedecê-la. Se algo nesta lista começa a incomodar, basta editá-la até que fique aceitável, pois, como já disse, tudo isto é adaptável. Obviamente a implicação é que se a lista é flexível, se os seus itens são adaptáveis à conveniência de cada um, o autor desta lista, Deus, também o é. Ou seja, já que estes cristãos entendem que a maneira que vivem está de acordo com o programa de Deus, especificamente elaborado para cada pessoa, então qualquer mudança que fazem também faz parte do programa. No final, é o homem, e não Deus, quem determina a maneira correta de agradar ao Senhor.

Queridos, vemos aí a situação absurda em que tantos dos nossos irmãos se encontram. O fato é que esta lista imaginária tem como autor não o Senhor, mas sim o próprio homem e inspirado por Satanás. Este deus tão popular nestes últimos dias não é o Deus das escrituras, mas sim uma figura de ficção, inventada para satisfazer os desejos do homem carnal. A realidade é que, não querendo mudar, eles insistem em dizer que Deus mudou; na prática, vivem e ensinam o conceito de um criador sem qualquer respaldo bíblico. Pregam um deus que não possui desejo próprio e que aceita qualquer coisa que as suas criaturas queiram oferecer. Tudo é bem-vindo, tudo é recebido com gratidão. Desde que seja dado “de coração”, tudo é aceito com alegria por este deus que não existe.

A ideia de que o Criador é um Deus que entende as tendências e as preferências das suas criaturas; a ideia de que o Senhor não exige nada específico do homem, mas sim aquilo que o seu coração estiver inclinado a ofertar, não é uma ideia nova, mas na realidade sempre existiu. Um dos primeiros seres humanos, Caim, já possuía a sua lista imaginária quanto àquilo que Deus queria dele. Desde que o pecado entrou no mundo, o Sangue de Jesus deveria ser a única forma do homem se vê em paz com Deus. O sangue do animal inocente simbolizava o sangue do verdadeiro Cordeiro inocente que tira os pecados do mundo: “E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão” (Heb 9:22 ver também Lv 17:11). Quando chegou o dia de trazer a sua oferta ao Senhor, Caim apresentou não o que Deus pediu, mas sim aquilo que imaginou agradar a Deus (Gn 4:3); Sendo agricultor, ele ofereceu aquilo que possuía em abundância, o fruto da terra… Caim ofertou aquilo que o seu coração determinou ser o correto, mas o Senhor o recusou: “trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao Senhor. Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura. Ora, atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta, mas para Caim e para a sua oferta não atentou. Pelo que se irou Caim fortemente” (Gn 4:3-5 ver também Heb 11:4).

Irmãos, o verdadeiro servo de Deus; aquele que realmente O ama, está continuamente procurando obedecer ao Senhor em absolutamente tudo (Jo 14:15). O servo fiel mantém o seu ouvido atento à voz do seu querido Mestre. A maior alegria do seu coração é quando o Senhor lhe pede por algo, pois, desta forma pode agradar ao seu amado Criador; não oferecendo aquilo que o coração determina, mas exatamente o que foi pedido (Mt 24:46-47). Esse é o seu prazer, esse é o seu foco.

Amados, o Senhor não procura uma boa parte do seu tempo; uma boa parte do seu dinheiro; uma boa parte do seu coração; uma boa parte do seu amor. Isto porque a nossa salvação não custou uma boa parte do que Deus possuía. Em Jesus, Deus entregou a Si próprio; em Cristo, o Senhor sacrificou tudo: “Todas as coisas provêm de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Cristo… pois que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões” (2Co 5:18-19 ver também Jo 3:16; Jo 10:30; Ro 5:10). O que Deus quer de nós? Tudo aquilo que temos e somos: “Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento” (Mt 22:37). Aquele que imagina que Deus aceita qualquer coisa que não seja o nosso todo, está adorando a um outro deus.

Abandonem por completo toda a lista do tipo “faça e não faça” de criação própria que por ventura existir na sua mente e passem a obedecer ao Senhor de acordo com aquilo que nos foi revelado através da sua Santa Palavra. Obedecer sem procurar retirar isto ou aquilo que não lhes agradam, simplesmente obedecer pela alegria de estar sendo fiel àquilo que o nosso amado Mestre nos instruiu: “Muito bem, servo bom e fiel; sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (Mt 25:21). Queridos, já se aproxima o grande dia. Triste será o fim dos indecisos. Espero te ver no céu.