🔊 (Parte 2) Um Mundo de Mentiras: O Caminho da Luz e o Caminho das Trevas [Com Áudio]

(Parte 2) Um Mundo de Mentiras: O Caminho da Luz e o Caminho das Trevas [Com Áudio]

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Na primeira parte deste estudo, contrastamos a presença de Deus com a sua ausência. Explicamos que todas as manifestações do mal que observamos neste mundo dominado pelo pecado, na realidade são subprodutos da ausência do bem. Deus e o mal não podem ocupar o mesmo espaço. Não que o mal tenha qualquer poder sobre Deus, não, de forma alguma, mas sim porque no espaço em que a glória de Deus se faz presente o mal não consegue se revelar. Ou seja, onde Deus se encontra o bem também se encontra e ali haverá luz, vida, amor e verdade. Retire Deus e como consequência ocorre naturalmente a manifestação do mal e teremos trevas, morte, ódio e mentira: “Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela” (Jo 1:4-5. Ver também Jo 8:32; Jo 14:6). Um conceito simples de entender, mas de uma profunda implicação.

Alguns, desorientados, procuram apoio dos seus líderes, que frequentemente também são prisioneiros do inimigo. 

Quando o cristão se envolve com a mentira, o engano, a farsa, a ilusão, a ficção, a fraude, a fantasia, ele comete dois sérios erros: escolhe o caminho das trevas e rejeita o Deus da luz e da verdade. Quanto mais ele se adentrar neste mundo em que o Senhor não se faz presente, mais fraco, mais indefeso, mais confuso ele se verá. Imaginem um longo corredor, à noite, onde a única lâmpada se encontra na entrada. Não é óbvio que quanto mais fundo se for mais escuro ficará? Por outro lado, à medida que ele se distancia destas coisas o inverso ocorre (Dn 2:22). Ele sente mais da presença de Deus, e como resultado se vê mais forte, mais corajoso, mais sensível à voz do Espírito Santo.

Jesus relaciona esta experiência que o homem passa neste mundo de luz e trevas espirituais utilizando da analogia mais apropriada possível, que são os olhos humanos: “A lâmpada do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será cheio de trevas. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes são tais trevas!” (Mt 6:22-23). Jesus aqui nos diz que existem apenas duas formas de iluminação disponíveis para a vida do homem: a presença da luz que clareia a sua vida e a ausência da luz que a escurece. A decisão do homem de ter uma vida cheia de luz ou cheia de trevas, então, será determinada por aquilo que ele decide expor os seus olhos, já que os olhos é o canal por onde a luz chegará até o seu corpo.

Dois tipos de olhos caracterizam dois tipos de homens, o primeiro é aquele cujos olhos são bons, ou saudáveis: [Gr. η οφθαλμος σου απλους (Trd. Lit. é/está o olho seu saudável)]. E o segundo é aquele que possui olhos maus, ou doentes [Gr. οφθαλμος σου πονηρος η (Trd. Lit. o olho seu doente é/está)]. Obviamente, o Senhor não está aqui referindo tão somente aos olhos físicos do ser humano, ou tão somente àquilo que tem acesso à sua alma através da sua visão, mas sim a toda a sua postura neste mundo em trevas cujo o engano e a mentira reinam. Ou seja, compete a cada pessoa exercitar o seu livre arbítrio e tomar uma decisão quanto a se expor ou não a tudo aquilo que contribuirá, ou para que ele tenha olhos saudáveis e possua um corpo cheio de luz; ou doentes e possua um corpo onde as trevas dominam: “Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes são tais trevas!” (Mt 6: 23).

Como já mencionei em outros estudos, já há muito tempo minha esposa e eu não nos associamos com qualquer tipo de mentira, incluindo livros de ficção, filmes, seriados, cinema, televisão… etc. Quando tomamos essa decisão, uma maior manifestação da presença de Deus na nossa vida ocorreu de imediato; algo totalmente sobrenatural. De repente começamos a ouvir com mais nitidez o Espírito Santo nos guiando; notamos o Senhor nos fortalecendo, nos encorajando e nos usando como instrumentos na sua obra. O mesmo ocorrerá com vocês: “Então me invocareis, e ireis e orareis a mim, e eu vos ouvirei. Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração” (Jr 29:12-13). Esta maior revelação de Deus apenas ocorrerá quando o coração do homem se volta por completo para a fonte da luz; quando o Deus da verdade é de fato o seu refúgio e habitação: “E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e nele não há trevas nenhumas. Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos nas trevas, mentimos, e não praticamos a verdade” (1Jo 1:5-6).

Reconheço que para alguns cristãos, se distanciar destes prazeres mundanos parece algo impossível. Eles admitem que Deus não se encontra nestes divertimentos – como pode alguém negar esse fato? (1Co 10:21). Mas mesmo assim se recusam a abandoná-los (Jo 3:19). Começam então a racionalizar a Palavra, procurando por autoafirmação. Muitos, desorientados, procuram apoio dos seus líderes, que frequentemente também são prisioneiros do inimigo. O correto, seria que aqueles que se auto denominaram líderes do povo de Deus; aqueles que se posicionaram na frente da caminhada rumo à Canaã, servissem como exemplos de pessoas com uma mente totalmente focada em Deus e livres de todo o apego ao mundo de trevas e mentiras que está sendo deixado para trás a medida que seguimos no caminho apertado, mas infelizmente este não é o caso.

Estes guias, argumentando serem livres, são os mais enclausurados dos cativos. Deveriam ser modelos onde o cristão que se sente fraco pudesse se apoiar e ganhar forças na sua caminhada, mas são pedras de tropeço. Não são cegos; antes o fossem, assim seriam inocentes (Jo 9:41). Embora não admitam, a triste realidade é que ainda não amam a Jesus a ponto de quererem abandonar estes prazeres; consideram o morrer para o mundo uma cruz demasiadamente pesada: “E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim. Quem achar a sua vida perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim achá-la-á” (Mt 10:38-39). Não amam a Jesus de fato, pois não querem perder a sua vida neste mundo por amor ao Mestre, mas, ainda assim, se acham em posição de liderar os outros.

Amados, o que mais posso falar sobre isto? O que mais posso fazer para incentivá-los a se libertarem das garras do pai da mentira? Certamente lhes dou o meu exemplo, e de fato já lhes dei, mas muito maior é o exemplo de Jesus e dos nossos irmãos, os apóstolos. Moldem a sua vida não no homem carnal, mas sim no espiritual, pois, “há muitos que vivem como inimigos da cruz de Cristo. O destino deles é a perdição… só pensam nas coisas terrenas. A nossa cidadania, porém, está nos céus, de onde esperamos ansiosamente o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3:17-20). Espero te ver no céu.