🔊 Série: O Sermão da Montanha. Estudo Nº 25: O Adultério: A União Entre o Homem e a Mulher

Baixar Áudio Baixar Áudio | Baixar PDF Baixar PDF

O Sermão da Montanha (O Sermão do Monte)

Mateus 5:27 Estudo Bíblico e Comentário Bíblico Nº 25 da série

Por Markus DaSilva, Th.D.

L

ogo após Jesus explicar para os seus discípulos — e para nós — qual é a maneira correta de guardar o mandamento: “Não matarás” (Exo 20:13), o Senhor prossegue com a sua aula no Sermão da Montanha abordando um dos mandamentos mais violados da lei de Deus que é o do adultério. Neste ensino, Jesus na realidade cobre dois mandamentos, o sétimo: “Não adulterarás” (Exo 20:14) e o décimo: “Não cobiçarás… a mulher do próximo” (Exo 20:17). Assim como quando explicou que matamos o nosso irmão bem antes de pegarmos em uma arma, Jesus deixa claro que o adultério também ocorre bem antes do ato sexual em si. Ao colocar desta forma, o Senhor mais uma vez foca na raiz (o espírito da lei) [το πνεύμα του νόμου (to pnevma tu nomu)], e não na consumação da ação pecaminosa (a letra da lei) [το γράμμα του νόμου (to grama tu nomu)]: “Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela” (Mat 5:27-28).

No ato sexual natural entre o legítimo casal a costela que foi retirada retorna à sua origem: uma só carne.

O Problema da Libertinagem Sexual nas Nossas Igrejas

Neste e nos próximos dois estudos nesta série sobre o Sermão da Montanha, lidaremos em detalhes com um dos grandes problemas espirituais que assolam o cristianismo moderno, que é o adultério em particular, e a libertinagem sexual em geral. Não que este seja um problema novo na igreja, não, sabemos muito bem que não (1Cor 5:1; 5:11; Efe 5:3), mas à medida que o fim se aproxima — os sinais são inconfundíveis — tornou-se óbvio que em se tratando de sexo, já não existe praticamente qualquer demarcação entre aquilo que é, ou não, permitido que ocorra entre aqueles que supostamente são os salvos do Senhor. Quando ouvimos e vemos o comportamento dos nossos irmãos e irmãs dentro e fora das igrejas, podemos notar que em muitos casos a lei de Deus foi completamente abandonada e o único fator que atrapalha a livre expressão dos seus desejos sexuais desenfreados é que, apesar de não possuírem nenhum temor de Deus, ainda parece que temem as leis do pudor público do país: “E ele me disse: Filho do homem [Heb. בן · אדם (ben adam) exp.idio. filho do homem], vês tu o que eles estão fazendo? As grandes abominações [Heb. תועבה (tôav) s.f. abominação, coisa repugnante] que a casa de Israel faz aqui, para que me afaste do meu santuário [Heb. מקדש (mikdash) s.m. santuário, local santo]; mas verás ainda outras grandes abominações” (Eze 8:6).

A Única Expressão Sexual Aprovada Por Deus é a Original

A única expressão sexual aprovada por Deus é a original, nos entregue quando fomos criados: “Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre o homem, e este adormeceu; tomou-lhe, então, uma das costelas, e fechou a carne em seu lugar; e da costela que o senhor Deus lhe tomara, formou a mulher e a trouxe ao homem. Então disse o homem: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; ela será chamada mulher [Heb. אשה (ishá) s.f. mulher, esposa, fêmea], porquanto do homem [איש (ish) s.m. homem, macho] foi tomada. Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão uma só carne” (Gen 2:21-24). Esta declaração de Deus que o homem e a mulher voltam a ser uma carne [Heb.בשׂר אחד (biss l’e-rrad)] quando se casam, ou deixar pai e mãe, como foi colocado por Deus, é a chave para entendermos todos os ensinos de Jesus em relação ao casamento, adultério, divórcio, fornicação e demais assuntos que estão, em diferentes graus, relacionados ao sexo.

Uma só Carne, a Reunião Que Ocorre no Casamento Através do Sexo

No versículo acima, notemos que o uso da conjunção, “portanto” ou “por isso”, como vemos em várias versões (ARA, NVT, ARC, NVIport, NAA, KJV, NIV, RSV, ESV, NET) , incluindo a Septuaginta (LXX)  [ένεκεν τούτου (éniken tútu)], que é o Antigo Testamento em grego — a Bíblia mais lida nos dias de Jesus — nos diz que o casamento, e especificamente a intimidade sexual, se trata de um reencontro das duas partes que por um tempo estiveram separadas: “uma só carne”. Ou seja, espiritualmente o que de fato ocorre no casamento e no ato sexual natural entre o legítimo marido e a legítima esposa é a costela que foi retirada retornando à sua origem: a conexão das duas partes do corpo é restaurada. Foi isto o que o apóstolo Paulo quis dizer quando escreveu: “Assim também os maridos [Gr. ανήρ (anir) s.m. marido, homem] devem amar [Gr. αγαπάω (agapáo) v. amar] a sua mulher [Gr. γυνή (guiné) s.f. mulher, esposa] como ao próprio corpo [Gr. σώμα (sóma) s.n. corpo; fig. Igreja]. Quem ama a esposa a si mesmo se ama. Porque ninguém jamais odiou [Gr. μισέω (miséo) v. odiar, detestar] a própria carne [Gr. σάρξ (sárks) s.f. carne; fig. ser humano, natureza humana]; antes, a alimenta e dela cuida” (Efe 5:28–29).

Toda a União Matrimonial é um Ato Oficial Divino

Toda a união íntima consensual entre um homem e uma mulher, adultos e mentalmente capazes, onde não houve o pecado do adultério, naturalmente se trata de um ato oficial divino [Entenda como é o adultério para o homem e para a mulher]. Este é um privilégio ligado ao livre arbítrio nos dado pelo Criador e ocorre em virtude da decisão do casal, independentemente se o resultado da união foi satisfatório ou não. Ou seja, quando a Bíblia nos diz que o homem e a mulher se tornam uma só carne no seu primeiro ato sexual legítimo, esta é uma declaração oficial e sujeita a todos os regulamentos divinos relacionado à união do homem e da mulher. Quem se considera bem casado foi casado por Deus e quem se considera mal casado também foi casado por Deus. Não é Deus quem força a união de nenhum casal, mas sim o próprio casal que, ciente ou não, se submete à lei de Deus no ato de se unir, da mesma forma que o motorista se submete à lei de velocidade máxima de uma estrada assim que decide pegar a estrada. Foi baseado nesta verdade que o apóstolo Paulo nos alertou em relação às dificuldades que ocorrem em muitos casamentos: “E aos solteiros e viúvos digo que lhes seria bom se permanecessem no estado em que também eu vivo” (1Cor 7:8).

A União Matrimonial Antes de Depois da Conversão do Casal

Tenho também que mencionar que Deus não limitou a lei da união de casais à somente aqueles que o temem, mas sim à toda raça humana. Todos os mandamentos de Deus Pai e Filho se aplicam tanto àquele que teme a Deus como para o descrente. No caso do casamento, isto é até mais óbvio já que a primeira união ocorreu antes que o pecado entrasse neste planeta. O indivíduo é culpado de adultério conhecendo ou não a lei de Deus sobre o adultério, da mesma forma que é culpado se matar, roubar, cobiçar ou quebrar qualquer outro mandamento de Deus. É um engano fatal o cristão imaginar que um relacionamento adúltero deixa de ser adúltero quando ele aceita a Jesus e começa a frequentar uma igreja. Ao aceitar a Jesus, ter conhecimento da lei de Deus e se arrepender, o indivíduo é perdoado de todos os seus pecados passados e deverá assim sair de qualquer situação pecaminosa em que se encontra no presente. Esta é uma regra que se aplica a todos os pecados e não apenas ao adultério. O mentiroso, tem que parar de mentir, o profano de profanar, etc. Um bom exemplo deste princípio foi com Zaqueu, o cobrador de imposto que ao aceitar Jesus disse: “…e se em alguma coisa tenho defraudado alguém, eu lho restituo quadruplicado. Disse-lhe Jesus: Hoje veio a salvação a esta casa” (Luc 19:8-9). Ou seja, se Zaquel mantivesse os bens roubados Deus não aceitaria o seu arrependimento. Da mesma forma o adúltero não pode continuar no relacionamento adúltero e esperar que o pecado do adultério não mais existe.

A Bênção do Casamento Entre Aqueles que Vivem em Obediência à Deus

O casamento, assim como tudo aquilo que o fiel servo de Deus faz nesta vida, será abençoado por Deus se ele de fato ama ao Senhor e vive de acordo com a sua santa lei: “Bem-aventurado [Heb. אשרי (ashrê) adj. feliz, abençoado] o homem [Heb. איש (ish) s.m. homem] que não anda segundo o conselho dos ímpios [Heb. רשע (rashá) adj. ímpio, sem retidão, culpado], nem se detém no caminho dos pecadores [Heb. חטא (rratá) adj. pecador], nem se assenta na roda dos escarnecedores [Heb. ליץ (let) adj. escarnecedor, gozador, zombador, irônico]; antes tem seu prazer na lei do Senhor [Heb. תורה יהוה (têvoa Jerrôva) lei de Deus], e na sua lei medita de dia e noite. Pois será como a árvore plantada junto às correntes de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cuja folha não cai; e tudo quanto fizer prosperará [Heb. צלח (salarr) v. prosperar]” (Sal 1:1-3). Dentro desta verdade bíblica, o homem e a mulher que temem a Deus devem esperar como certo que o seu casamento será revestido com toda a proteção do Senhor. A união de cada filho e filha de Deus, na realidade, é uma das maiores bênçãos que o Senhor nos dá aqui neste mundo: “O que achou uma boa esposa achou a graça e recebeu a felicidade do Senhor” (Prov 18:22); “…uma esposa prudente vem de Deus” (Prov 19:14 LXX). A reconexão física dos servos de Deus através da intimidade sexual é apenas o aspecto corpóreo de uma união entre duas almas que pertenciam uma à outra: “Mas desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher… Porquanto o que Deus ajuntou [Gr. ο Θεός συνέζευξεν (o Theos siniziksen) Lit. Deus uniu no jugo], não o separe o homem” (Mar 10:6-9). Observemos que Jesus é categórico em afirmar que a união matrimonial não é algo que o homem pode decidir se foi uma união válida ou não, mas é sim um decreto divino: “o que Deus ajuntou”.

Este “ajuntar” ou “unir” de Deus, obviamente não se refere aos atos sexuais ilícitos, pois se fosse este o caso Jesus não terminaria a sentença com o aviso: “não o separe o homem”.  Confirmamos esta verdade também quando consideramos a expressão “uma só carne” original, utilizada pelo próprio Deus no Jardim do Éden já mencionada no início deste estudo, pois ouvirmos do Criador que a união da carne ocorreria após o homem deixar o seu pai e mãe e se unir à sua mulher. Todo o ato sexual ilícito é uma distorção da união natural, o verdadeiro “uma só carne” entre o marido e sua esposa estipulado por Deus. Não só o adultério, mas também o estupro, o incesto e a prostituição são algumas das muitas maneiras conhecidas que o homem inventou e segue inventando para usufruir do prazer sexual fora da união de Deus.

Foi Deus Quem Ajuntou: A Força do Original Grego

A palavra usada por Jesus quando Ele diz que foi Deus “quem ajuntou”, assume um caráter muito especial pelo seu significado e uso na comunidade judaica da época. Esta palavra no seu original grego [Gr. συνέζευξεν (siniziksen)] ocorre apenas nesta passagem (Mar 10:9 e no paralelo em Mat 19:6), e é a mesma expressão que se usava se referindo à união de dois animais, unidos a um jugo de madeira, ou canga, para que assim a força dos dois fosse capaz de carregar uma carga pesada demais para apenas um. Esta forte e gráfica imagem de duas criaturas unidas em um mesmo propósito ilustra muito bem o motivo que Deus decidiu que não era bom que o homem ficasse só: a sua necessidade de uma ajudadora: “Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; farei alguém que o ajude e o complete” (Gen 2:18). Vemos então que se o casal cristão se submete a Deus em tudo na sua vida, o seu casamento consistirá de uma vida em que as duas almas trabalharão para um mesmo fim e sempre contando com o fiel apoio um do outro.

O Adultério Como um Roubo

Nos próximos dois estudos sobre o Sermão do Monte, veremos que para Deus, o ato do adultério é de fato um roubo. O indivíduo que se beneficia do prazer sexual fora dos parâmetros estabelecidos pelo Criador no capítulo três de Gênesis, está na realidade utilizando de algo que não lhe pertence e, portanto, roubando de Deus. E se o objeto roubado é o prazer sexual, então não faz diferença se houve ou não a participação física de uma parceira no processo, uma vez que como bem sabemos não é necessário a presença real de uma segunda pessoa para se beneficiar desse tipo de prazer. Se, porém, o adultério ocorreu de fato entre um homem e uma mulher, e não apenas na mente, ou coração, então os dois foram parceiros de roubo. Neste caso, além de roubarem de Deus, também roubaram da vítima do adultério (Cant 7:10; Mal 2:13-15). Utilizaram de algo, o prazer sexual, que não lhes pertenciam.

Os Prazeres Que o Criador Deu aos Seres Humanos

Amados, os pecados sexuais são difíceis de serem vencidos; todos nós reconhecemos este fato. Esta dificuldade ocorre porque o desejo sexual é algo muito forte criado por Deus para assim estimular o crescimento populacional da terra. Deus, porém, não apenas incluiu o desejo sexual na nossa constituição, mas também associou um forte prazer a este desejo. Se Deus não tivesse feito desta forma, ou seja, se não tivéssemos este prazer ligado ao sexo, obviamente não teríamos os bilhões de seres humanos que temos, pois a busca por prazer é a grande força motriz da humanidade. O Criador fez a mesma coisa com a fome, a sede e o sono. Certamente também não estaríamos aqui se não existisse o prazer em um prato de comida, em um copo d’água ou em uma noite de descanso. Todas estas coisas são essenciais para a manutenção e crescimento da nossa espécie, e foi por isso que o nosso amado e perfeito Deus associou prazeres a todos eles. O sexo, porém, é peculiar, pois além de ser o único que possui uma conexão direta com o surgimento de um outro ser humano, é também o único que Deus criou para que o prazer associado fosse desfrutado durante a união das duas partes complementares: o homem e sua companheira. A utilização deste prazer fora da união estabelecida por Deus, se trata então do uso ilícito de algo que Deus criou especificamente para cada um dos seus casais, e mais um abuso do livre arbítrio que Deus deu a todos.

Uma Doença Terminal no Cristianismo Moderno

Queridos, ainda temos muitos estudos nesta série sobre o Sermão da Montanha para lidar com este assunto tão importante e tão distorcido. Por agora, deixe-me apenas reiterar que a união entre o homem e a sua legítima mulher é algo sagrado e qualquer um que se posicionar entre esta união através do adultério, está se intrometendo em algo instituído por Deus. Infelizmente nestes últimos dias, a deterioração espiritual nas nossas igrejas afetou tudo aquilo que Deus criou, e o adultério, mental ou físico, é apenas um dos sintomas da doença terminal que nos assola: estamos morrendo por falta de Deus.

A Falta do Espírito Santo e a Desobediência aos Mandamentos de Jesus

O nosso povo simplesmente não obedece a Deus, e sem a obediência, Deus não se deixará encontrar, e se não temos Deus, também não temos o seu Espírito, e sem o Espírito Santo, cada homem faz aquilo que o seu coração rebelde deseja: “Esconde o teu rosto dos meus pecados [Heb. חטא‎ (rret) s. pecado], e apaga todas as minhas iniquidades [Heb. עָוֺן‎ (avon) s. iniquidade, pecado, culpabilidade]. Cria em mim, ó Deus, um coração [Heb. לב (lêv) s. coração] puro, e renova em mim um espírito [Heb. ‏רוח (rruack) s. espírito] firme. Não me lances fora da tua presença, e não retire de mim o teu Santo Espírito [Heb. רוח הקודש (rruack kôdesh) Santo Espírito]; me devolva a alegria da tua salvação [Heb. ישע (yeshá) s. salvação, libertação, vitória], e sustém-me com um espírito obediente [Heb. נדיב (nadiv) nobre, generoso, voluntário]” (Sal 51:9-12). Note que o salmista estabelece três componentes que leva à santidade e consequentemente à salvação: o Espírito Santo, a obediência e o ensino da lei de Deus. Muito se fala da presença do Espírito Santo nas nossas igrejas, mas pouco se ouve da obediência que motiva e comprova a Sua presença. Como poderemos vencer os pecados e vícios da carne se as nossas igrejas não ensinam aos transgressores os caminhos de Deus? Compete então à nossa liderança se preocupar bem menos em entreter os nossos irmãos e irmãs, e se empenharem bem mais em ensinar — sem temor e sem reservas — os perfeitos mandamentos de Deus a todos aqueles que o Senhor os enviar. E compete também à cada pessoa, com ou sem o ensino da igreja, se dedicar ele próprio em manter um coração puro e distante de tudo aquilo que impede a presença do Espírito Santo na sua vida: “Não me expulses da tua presença, nem retires de mim o teu Santo Espírito” (Sal 51:11). Espero te ver no céu.

Acesse o esboço completo do Sermão da Montanha