🔊 (Parte 25) Serie: O Sermão da Montanha. Estudo Nº 25: O Adultério: A União Entre o Homem e a Mulher [Com Áudio]

Paisagem de montanhas, longo rio e um feixo de luz solar ilustrando o estudo: Serie: O Sermão da Montanha. Estudo Bíblico Nº 24: O Adultério: A União Entre o Homem e a Mulher

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Logo após Jesus explicar para os seus discípulos — e para nós — qual é a maneira correta de guardar o mandamento: “Não matarás” (Exo 20:13), o Senhor prossegue com a sua aula no Sermão da Montanha abordando um dos mandamentos mais violados da lei de Deus que é o do adultério. Neste ensino, Jesus na realidade cobre dois mandamentos, o sétimo: “Não adulterarás” (Exo 20:14) e o décimo: “Não cobiçarás… a mulher do próximo” (Exo 20:17). Assim como quando explicou que matamos o nosso irmão bem antes de pegarmos em uma arma, Jesus deixa claro que o adultério também ocorre bem antes do ato sexual em si. Ao colocar desta forma, o Senhor mais uma vez foca na raiz (o espírito da lei) [το πνεύμα του νόμου (to pneuma tu nomu)], e não na consumação da ação pecaminosa (a letra da lei) [το γράμμα του νόμου (to gramma tu nomu)]: “Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela” (Mat 5:27-28).

“A reconexão física através da intimidade sexual é apenas o aspecto corpóreo de uma união entre duas almas que desde a eternidade pertenciam uma à outra.”

Neste e nos próximos dois estudos nesta série sobre o Sermão da Montanha, lidaremos em detalhes com um dos grandes problemas espirituais que assolam o cristianismo moderno, que é o adultério em particular, e a libertinagem sexual em geral. Não que este seja um problema novo na igreja, não, sabemos muito bem que não (1Cor 5:1; 5:11; Efe 5:3), mas à medida que o fim se aproxima — os sinais são inconfundíveis — tornou-se óbvio que em se tratando de sexo, já não existe praticamente qualquer demarcação entre aquilo que é, ou não, permitido que ocorra entre aqueles que supostamente são os salvos do Senhor. Quando ouvimos e vemos o comportamento dos nossos irmãos e irmãs dentro e fora das igrejas, podemos notar que em muitos casos a lei de Deus foi completamente abandonada e o único fator que atrapalha a livre expressão dos seus desejos sexuais desenfreados é que, apesar de não possuírem nenhum temor de Deus, ainda parece que temem as leis do pudor público do país: “E ele me disse: Filho do homem, vês tu o que eles estão fazendo? As grandes abominações que a casa de Israel faz aqui, para que me afaste do meu santuário; mas verás ainda outras grandes abominações” (Eze 8:6).

Gravura de Adão e Eva no Jardim do Éden. Artista desconhecido. Circa 1775-1850. Preto e Branco.
Gravura de Adão e Eva no Jardim do Éden. Artista desconhecido. Circa 1775-1850. Preto e Branco. © V&A Museum, London

A única expressão sexual aprovada por Deus é a original, nos entregue quando fomos criados: “Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre o homem, e este adormeceu; tomou-lhe, então, uma das costelas, e fechou a carne em seu lugar; e da costela que o senhor Deus lhe tomara, formou a mulher e a trouxe ao homem. Então disse o homem: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; ela será chamada mulher [אִשָּׁה (ish-shaw’)], porquanto do homem [אִישׁ (ish)] foi tomada. Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão uma só carne” (Gen 2:21-24). Esta declaração de Deus que o homem e a mulher voltam a ser uma carne [Heb.בָּשָׂר אֶחָד (bassar e-rrad)] quando se casam, ou deixar pai e mãe, como foi colocado por Deus, é a chave para entendermos todos os ensinos de Jesus em relação ao casamento, adultério, divórcio, fornicação e demais assuntos que estão, em diferente graus, relacionados ao sexo.

No versículo acima, notemos que o uso da conjunção, “portanto” ou “por isso” [ἕνεκα οὗτος (éneka útos)], como vemos em algumas versões, incluindo a Septuaginta (LXX), que é o Antigo Testamento em grego — a Bíblia mais lida nos dias de Jesus — nos diz que o casamento, e especificamente a intimidade sexual, se trata de um reencontro das duas partes que por um tempo estiveram separadas: “uma só carne”. Ou seja, espiritualmente o que de fato ocorre no casamento e no ato sexual natural entre o legítimo marido e a legítima esposa é a costela que foi retirada retornando à sua origem: a conexão das duas partes do corpo é restaurada. Foi isto o que o apóstolo Paulo quis dizer quando escreveu: “Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama. Porque ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e dela cuida” (Efe 5:28–29).

Assim como tudo na vida dos escolhidos de Deus, cada união matrimonial foi predeterminada para ser uma bênção, antes mesmo que o casal surgisse neste mundo: “Os teus olhos me viram quando eu era uma substância ainda sem forma, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda” (Sal 139:16). A união de cada filho e filha de Deus, na realidade, é uma das maiores bênçãos que o Senhor nos dá aqui neste mundo: “O que achou uma boa esposa achou a graça e recebeu a felicidade do Senhor” (Prov 18:22); “…uma esposa prudente vem de Deus” (Prov 19:14 LXX). A reconexão física através da intimidade sexual é apenas o aspecto corpóreo de uma união entre duas almas que desde a eternidade pertenciam uma à outra: “Mas desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher… Porquanto o que Deus ajuntou, não o separe o homem” (Mar 10:6-9). Observemos que Jesus é categórico em afirmar que a união matrimonial não é algo que procede da escolha humana, mas é sim um ato divino: “o que Deus ajuntou”. Este “ajuntar” de Deus, obviamente não se refere a todos os casais que fazem sexo, mas sim àqueles que antes de nascerem já pertenciam um ao outro. Durante a vida de uma prostituta, por exemplo, ela pode ter tido sexo com milhares de homens, mas seria um absurdo crer que foi Deus quem guiou e aprovou cada união corpórea que ela experimentou com os seus usuários. A união de fato ocorreu, mas não como o resultado de uma benção de Deus e sim como uma aberração, um estranho desvio da criação e um abuso do livre arbítrio que o Criador nos deu: “Ou não sabeis que o homem que se une à prostituta forma um só corpo com ela? Porque, como se diz, serão os dois uma só carne” (1Cor 6:16).

A palavra usada por Jesus quando Ele diz que foi Deus “quem ajuntou”, assume um caráter muito especial pelo seu significado e uso na comunidade judaica da época. Esta palavra no seu original grego [συνέζευξεν (sinezêuksen)] ocorre apenas nesta passagem (Mar 10:9 e no paralelo em Mat 9:6), e é a mesma expressão que se usava se referindo à união de dois animais, unidos a um jugo de madeira, ou canga, para que assim a força dos dois fosse capaz de carregar uma carga pesada demais para apenas um. Esta forte e gráfica imagem de duas criaturas unidas em um mesmo propósito ilustra muito bem o motivo que Deus decidiu que não era bom que o homem ficasse só: a sua necessidade de uma ajudadora: “Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; farei alguém que o ajude e o complete” (Gen 2:18).

Nos próximos dois estudos sobre o Sermão do Monte, veremos que para Deus, o ato do adultério é de fato um roubo. O indivíduo que se beneficia do prazer sexual fora dos parâmetros estabelecidos pelo Criador no capítulo três de Gênesis, está na realidade utilizando de algo que não lhe pertence e, portanto, roubando de Deus. E se o objeto roubado é o prazer sexual, então não faz diferença se houve ou não a participação física de uma parceira no processo, uma vez que como bem sabemos não é necessário a presença real de uma segunda pessoa para se beneficiar desse tipo de prazer. Se, porém, o adultério ocorreu de fato entre um homem e uma mulher, e não apenas na mente, ou coração, então os dois foram parceiros de roubo. Neste caso, além de roubarem de Deus, também roubaram dos seus legítimos cônjuges (Cant 7:10; Mal 2:13-15). Utilizaram de algo, o prazer sexual, que não lhes pertenciam.

Amados, os pecados sexuais são difíceis de serem vencidos. Todos nós reconhecemos este fato. Esta dificuldade ocorre porque o desejo sexual é algo muito forte criado por Deus para assim estimular o crescimento populacional da terra. Deus, porém, não apenas incluiu o desejo sexual na nossa constituição, mas também associou um forte prazer a este desejo. Se Deus não tivesse feito desta forma, ou seja, se não tivéssemos este prazer ligado ao sexo, obviamente não teríamos os bilhões de seres humanos que temos, pois a busca por prazer é a grande força motriz da humanidade. O Criador fez a mesma coisa com a fome, a sede e o sono. Certamente também não estaríamos aqui se não existisse o prazer em um prato de comida, em um copo d’água ou em uma noite de descanso. Todas estas coisas são essenciais para a manutenção e crescimento da nossa espécie, e foi por isso que o nosso amado e perfeito Deus associou prazeres a todos eles. O sexo, porém, é peculiar, pois além de ser o único que possui uma conexão direta com o surgimento de um outro ser humano, é também o único que Deus criou para que o prazer associado fosse desfrutado durante a união das duas partes complementares: o homem e sua companheira. A utilização deste prazer fora da união estabelecida por Deus, se trata então do uso ilícito de algo que Deus criou especificamente para cada um dos seus casais, e mais um abuso do livre arbítrio que Deus deu a todos.

Queridos, ainda temos muitos estudos nesta série sobre o Sermão da Montanha para lidar com este assunto tão importante e tão negligenciado. Por agora, deixe-me apenas reiterar que a união entre o homem e a mulher que Deus o enviou é algo sagrado e qualquer um que se posicionar entre esta união através do adultério, está se intrometendo em algo precioso para Deus. Infelizmente nestes últimos dias, a deterioração espiritual nas nossas igrejas afetou tudo aquilo que Deus criou, e o adultério, mental ou físico, é apenas um dos sintomas da doença terminal que nos assola: estamos morrendo por falta de Deus.

O nosso povo simplesmente não obedece a Deus, e sem a obediência, Deus não se deixará encontrar, e se não temos Deus, também não temos o seu Espírito, e sem o Espírito Santo, cada homem faz aquilo que o seu coração rebelde deseja: “Não me expulses da tua presença, nem retires de mim o teu Santo Espírito. Restaura em mim a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito pronto a obedecer. Então, ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e os pecadores se converterão a ti” (Sal 51:11–13). Note que o salmista estabelece três componentes que leva à santidade e consequentemente à salvação: o Espírito Santo, a obediência e o ensino da lei de Deus. Muito se fala da presença do Espírito Santo nas nossas igrejas, mas pouco se ouve da obediência que motiva e comprova a Sua presença. Como poderemos vencer os pecados e vícios da carne se as nossas igrejas não ensinam aos transgressores os caminhos de Deus? Compete então à nossa liderança se preocupar bem menos em entreter os nossos irmãos e irmãs, e se empenharem bem mais em ensinar — sem temor e sem reservas — os perfeitos mandamentos de Deus a todos aqueles que o Senhor os enviar. E compete também à cada pessoa, com ou sem o ensino da igreja, se dedicar ele próprio em manter um coração puro e distante de tudo aquilo que impede a presença do Espírito Santo na sua vida: “Não me expulses da tua presença, nem retires de mim o teu Santo Espírito” (Sal 51:11). Espero te ver no céu.

Nesta Série de Estudos Bíblicos:
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(Os estudos sem links ainda estão sendo preparados)

  • Estudo Bíblico Nº 25 – O Adultério: A União Entre o Homem e a Mulher. (Mateus 5:27)
  • Estudo Bíblico Nº 26 – O Adultério: O Olhar Adúltero. (Mateus 5:28a)
  • Estudo Bíblico Nº 27 – O Adultério: O Coração Adúltero. (Mateus 5:28b)

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