🔊 (Parte 28) Serie: O Sermão da Montanha. Estudo Nº 28: Lutando Contra a Carne: Arrancando o Olho Direito [Com Áudio]

O Sermão da Montanha. Paisagem de várias montanhas com névoa e com o texto: Ninguém, por natureza, se interessa em tomar medidas radicais na vida, pois, medidas radicais implica fazer aquilo que não queremos fazer.

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Por Markus DaSilva, Th.D.

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ogo após nos alertar quanto à correta definição de adultério, Jesus, no Sermão da Montanha, utiliza de duas hipérboles para que fique mais do que claro a seriedade das suas palavras: “Se o teu olho direito te faz cair no pecado, arranca-o e lança-o de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno. E, se a tua mão direita te faz cair no pecado, corta-a e lança-a de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que vá todo o teu corpo para o inferno” (Mat 5:29-30). No próximo estudo explicaremos o versículo 30: “E, se a tua mão direita te faz cair no pecado”, neste estudo focaremos no versículo 29: “Se o teu olho direito te faz cair no pecado”.

“Este tipo de tratamento aspirina contra o pecado; tratamento que não resolve nada, é o tipo de tratamento que o diabo tem receitado em tantas das nossas igrejas mundanas todas as semanas.”

Para quem não se lembra, hipérboles são expressões intencionalmente exageradas para enfatizar uma ideia ou uma mensagem. Por exemplo: “Ele morreu de rir!” ou “Já falamos milhões de vezes”. Esta é uma forma de expressão popular, e este é exatamente o motivo que Jesus utilizou várias vezes de hipérboles, pois a maior parte dos seus seguidores faziam parte da população comum: pescadores, pastores de ovelhas, camponeses… etc. Jesus utilizava frequentemente deste tipo de linguagem: “Pois, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro…” (Luc 9:25). Sabemos muito bem que ninguém ganha o mundo inteiro; “E como não reparas o tronco que está no teu olho?” (Mat 7:3); também sabemos que não é possível alguém ter um tronco enfiado no olho. E por último: “é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha…” (Mar 10:25). Obviamente, não existe uma agulha tão grande que um camelo consiga passar pelo seu buraco. Todos estes exemplos são exageros intencionais para que as pessoas se compenetrassem da seriedade das palavras de Cristo.

Em se tratando deste estudo, Jesus nos disse que se o olho direito do homem o faz cair no pecado, é melhor que ele arranque o olho e se salve do que manter o olho e perder a salvação, ou ser lançado no fogo do inferno, o que é a mesma coisa. Sabemos que Jesus não está de fato sugerindo que o homem arranque o seu próprio olho por alguns motivos bem óbvios: primeiramente porque a Torá (os primeiros cinco livros do Velho Testamento) proíbe todo o tipo de automutilação (Lev 19:28), e sabemos que Jesus jamais contradiz qualquer um dos mandamentos de Deus (Mat 5:17). Em segundo lugar, porque se Jesus estivesse falando de uma forma literal, Ele mencionaria ambos os olhos, pois o que impede um homem com um só olho de continuar olhando para as mulheres com a intenção de adulterar? Sem mencionar que, mesmo as pessoas cegas dos dois olhos lutam com pecados sexuais. E finalmente, o próprio Jesus nos disse que é do coração, ou do íntimo da pessoa, que procede todo o mal, e não dos órgãos físicos do corpo (Mat 15:19).

O que Jesus está nos ensinando com estas fortes palavras é que se o indivíduo verdadeiramente quer ser salvo e receber a vida eterna, ele deverá lutar com todas as suas forças para assim cumprir o alto nível de dedicação exigido para alguém entrar no Reino dos Céus, conforme ele já disse alguns versículos acima: “Pois eu vos digo que, se a vossa retidão não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos Céus” (Mat 5:20). [ου μη εισελθητε εις την βασιλειαν των ουρανων (u me iselthete is ten bassileian ton uranon) Lit. nunca você pode entrar dentro o reino dos céus]

O ensino de Jesus é para o homem que quer de fato entrar no Reino, mas possui algumas coisas na vida que estão fazendo com que ele repetidamente caia no mesmo pecado, e ele sabe que se continuar assim não se qualificará para ser um cidadão do Reino que tanto deseja (1Cor 6:9-10; Efe 5:5; Gal 5:19-21). O problema desse homem se intensifica porque muitas destas coisas são coisas importantes para ele, coisas que, no seu devido tempo, até aceitaria se livrar, mas de uma forma bacana, sem agressividade, numa boa. Jesus, porém lhe dá um alerta que se ele realmente quer se livrar do pecado que está bloqueando a sua entrada no Reino, ele terá que ser bem mais radical do que está sendo: “Se o teu olho direito te faz cair no pecado, arranca-o e lança-o de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno” (Mat 5:29-30).

Se alguma coisa se posiciona entre ele e a sua salvação e ele não toma a providência necessária para que seja removida, então o seu desejo de ir morar com Cristo não está no nível dos verdadeiros cidadãos do Reino. Ele apenas gosta da ideia, acha interessante, ou imagina, como tantos imaginam, que basta o querer para ser salvo. O Reino dos Céus, no entanto, é um local que apenas aqueles que o tem como o único foco na sua vida herdarão. Jesus sempre foi bem claro que ninguém que possui apenas uma curiosidade, ou um pequeno interesse em herdar a vida eterna irá de fato obtê-la. Simplesmente querer ser salvo não salva ninguém, é preciso muito mais do que um simples desejo, é preciso estar disposto a perder tudo aquilo que a pessoa possui, para assim entrar no Reino dos Céus: “O reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido em um campo, que um homem, ao descobri-lo, o esconde de novo; então, cheio de alegria, vai, vende tudo o que tem, e compra aquele campo” (Mat 13:44).

A solução que Jesus apresentou de arrancarmos um olho para não cairmos em tentação serve para nos mostrar alguns pontos importantíssimos sobre a nossa salvação. Alguns pontos que os nossos líderes mundanos não querem de forma alguma, nem aceitar, nem ensinar, pois não suportam estas palavras de Cristo, devido ao amor que possuem a este mundo. Primeiramente é que o indivíduo que persiste em viver pecando não se salvará. Isto é claro, pois se as repetidas quedas do homem não fossem um problema então não seria necessário que fosse dado uma solução, principalmente uma tão drástica como esta. O apóstolo João também nos escreveu sobre este mesmo ponto: “Aquele que é nascido de Deus não segue pecando; porque a semente de Deus se encontra nele, e não pode continuar no pecado, porque é nascido de Deus” (1Jo 3:9). [αμαρτιαν ου ποιει (amartian u poiei) Lit. pecado não está praticando]. Vemos então que se o indivíduo possui pecados acariciados, ou os mesmos pecados que sempre se repetem, e nada drástico é feito sobre a situação, ele não possui nenhum respaldo nas palavras de Jesus para crer que mesmo assim se salvará, como se este alerta do Senhor fosse apenas brincadeira, ou como se existisse uma outra maneira de entrar no Reino dos Céus à parte da obediência a Cristo. As pregações otimistas que ele ouve nas igrejas mundanas não possui nenhum poder para cancelar os alertas de Cristo e lhes serão inúteis naquele grande dia: “Também se ocupam em curar superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz” (Jer 6:14).

O outro aspecto importante sobre estas palavras de Jesus, e o que nos chama mais a atenção, é a solução extrema que ele apresenta. Por quê arrancar o olho para assim parar de pecar? Será que é realmente necessário passar por um processo tão radical? Um processo tão doloroso? Lembrando que na época de Jesus não existia anestesia. Irmãos, pensem bem, utilizando também de figura de linguagem, ou uma hipérbole, por quê será que Jesus não nos disse que basta colocar uma venda nos olhos todas as vezes que a tentação surgir e depois que ela passar se retira a venda e tudo volta ao normal. Desta forma o problema do pecado é resolvido de uma forma balanceada, equilibrada, sem radicalismo, sem extremismo; sem que seja necessária uma cirurgia.  Afinal não é do conhecimento de todos que tudo na vida precisa de equilíbrio? Não é do conhecimento geral que nada ao extremo é bom?

Queridos, acreditem, se existe alguém que sabe o que está falando, este alguém é Jesus. Jesus, sendo Ele um com o Pai; sendo Ele o autor da própria vida (Atos 3:15); e sendo Ele Deus eterno (Heb 1:3), sem princípio e sem fim (Apo 1:8), sabe que o pecado na vida do ser humano não é vencido através de tratamentos equilibrados e medidas moderadas. Este tipo de tratamento aspirina contra o pecado; tratamento que não resolve nada, é o tipo de tratamento que o diabo tem receitado em tantas das nossas igrejas mundanas todas as semanas. Os nossos líderes carnais vivem apresentando soluções equilibradas, sem que seja necessário arrancar olho ou qualquer outro membro do corpo para se livrar dos pecados que corrompem o coração do homem rebelde. Pecados estes que estão destruindo a vida dos nossos irmãos e irmãs (Isa 59:2).

Amados, no próximo estudo falaremos mais sobre este assunto, quando analisarmos a segunda parte deste alerta de Cristo, que é a necessidade de arrancar também a mão direita para se ver livre dos pecados que nos destrói (Mat 5:30). Por hoje, quero apenas relembrar que Satanás, o pai da mentira, não é idiota para sugerir soluções para o cristão que seria fácil de identificá-lo como o autor. Um dos motivos que ele consegue levar tantas almas à perdição é exatamente porque ele sempre fala de tal forma que as suas mensagens nos parecem razoáveis, fáceis e que fazem sentido (Gen 3:1). Ninguém, por natureza, se interessa em tomar medidas radicais na vida, pois medidas radicais implica fazer aquilo que não queremos fazer. Jesus sabe que o que Ele pede de nós exigirá tremenda coragem e fé, mas esta coragem e esta fé estão ao alcance de todos, bastando apenas focarmos no nosso alvo: “Porque este mandamento, que eu hoje te ordeno, não te é difícil demais, nem está longe demais para ti. Não está no céu para dizeres: Quem irá para nós ao céu, e nos trará, e nos ensinará o mandamento, para que o cumpramos? Nem está além do mar, para dizeres: Quem irá para nós além do mar, e nos trará, e nos ensinará o mandamento, para que o cumpramos? Mas a palavra está bem perto de ti, na tua boca, e no teu coração, para a cumprires” (Deut 30:11-14. Ver também Rom 10:6-8; 1Jo 5:3)

Assim que o homem reconhece o valor que é a obtenção da vida eterna, e compara este valor com aquilo que ele tem no presente, ele estará disposto a arrancar, não só um olho, mas os dois, e todas as demais partes do corpo, se estes membros o estão impedindo de obter o mais valioso dos tesouros: “O reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido em um campo, que um homem, ao descobri-lo, o esconde de novo; então, cheio de alegria, vai, vende tudo o que tem, e compra aquele campo” (Mat 13:44). Espero te ver no céu.

Nesta Série de Estudos Bíblicos:
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