🔊 (Parte 27) Serie: O Sermão da Montanha. Estudo Nº 27: O Adultério: O Coração Adúltero [Com Áudio]

O Semão da Montanha. Imagem de um rio com árvores de outono e montanhas ao fundo, com o texto: O coração nunca está contaminado por apenas um tipo de pecado. O indivíduo que ignora o chamado de santidade de Deus está de fato abrindo o seu coração para todos os tipos de desejos pecaminosos.

Baixar Áudio Baixar Áudio | Baixar PDF Baixar PDF

Por Markus DaSilva, Th.D.

A

lguns anos atrás mencionamos em um dos nossos estudos que o coração do homem é uma espécie de central de tudo aquilo que ele é. Começamos eliminando a ideia de que quando a Bíblia fala de coração ela está se referindo à mente do homem, ou o seu intelecto: “Coração não é mente. A mente por si mesma é neutra, podendo ser facilmente influenciada. O coração é a força que impulsiona os nossos desejos e influencia (mas não domina) a nossa mente em uma determinada direção. Se a mente é a vela de um barco, o coração é o vento. Embora não temos o controle direto do vento, temos o controle direto da vela. Desta forma comandamos, ou forçamos o vento a nos impulsionar na direção que queremos”. Esta definição fica ainda mais óbvia quando meditamos na função do coração físico. Nenhum outro órgão possui a capacidade de levar nutrientes, ou qualquer outra substância, a todas as partes do copo humano, apenas o coração. Até mesmo quando nos aplicam uma injeção, precisamos do coração para que o líquido injetado circule pelo corpo e chegue ao destino desejável.

“Sob o comando do seu coração obsceno, os olhos do homem adúltero estão sempre procurando uma presa para satisfazer o seu desejo insaciável de possuir qualquer mulher que encontre.”

Quando Jesus nos diz que ao olhar para uma mulher com o objetivo de cobiçá-la o homem já cometeu adultério no seu coração, Ele quis dizer que o coração deste homem já está contaminado com o pecado do adultério: “Eu porém, vos digo que qualquer que olhar para uma mulher para a cobiçar já em seu coração cometeu adultério com ela” (Mat 5:28). Observemos que Jesus não disse que o olhar do homem ocorreu acidentalmente, mas sim intencionalmente: “para cobiçá-la” [πας ο βλεπων γυναικα προς το επιθυμησαι αυτην (pas o blepon guenaika pros to epithimesai aften)]. Ou seja, o indivíduo neste caso já tinha no seu coração o desejo de possuir uma mulher que não lhe pertencia. Guiados pelo coração, os olhos de um homem assim estão sempre procurando uma presa para satisfazer o seu desejo insaciável de possuir qualquer mulher que encontre. Uma vez que os olhos capturam uma vítima, as imagens são enviadas ao cérebro e a imaginação então assume o comando. Todo este processo pecaminoso, sempre tendo como fonte o seu coração.

Nesta parte do Sermão da Montanha, Jesus está nos alertando quanto ao pecado do adultério, mas tenhamos sempre em mente que o coração nunca está contaminado por apenas um tipo de pecado. O indivíduo que ignora o chamado de santidade de Deus está de fato abrindo o seu coração para todos os tipos de desejos pecaminosos, e uma vez que estes desejos assumem o comando, o restante do homem simplesmente obedecerá a toda a carnalidade que provém do seu coração rebelde aos mandamentos de Deus: “Porque do coração procedem os maus pensamentos, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias” (Mat 15:19).

A tendência do nosso coração é pecar, mas isto não quer dizer que somos forçados a ceder à sua tendência, pois se fosse este o caso nenhum mandamento de Deus poderia ser obedecido. Se o Senhor nos pede por algo contrário ao coração é porque somos apenas influenciados por ele, e não dominados. Falando da liberdade que todo o homem possui de escolher servir ou não aos desejos pecaminosos do coração, o apóstolo Paulo nos escreveu: “Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte ou da obediência para a retidão?” (Rom 6:16–17). Notemos que Paulo foi claro que é o próprio homem quem escolhe a quem ele obedece, podendo ele tanto escolher obedecer à Deus para a retidão e vida eterna ou ao seu coração pecaminoso para a iniquidade e morte eterna: [παριστανετε εαυτους δουλους εις υπακοην δουλοι  (paristánete éaftus dúlus is upakoen dúloi) Lit. vocês oferecem a si mesmos escravos como obedientes escravos].

De novo, a tendência do coração é pecar, mas compete a cada um de nós escolher se vamos alimentá-lo com o fruto da iniquidade que ele deseja, o que o torna cada vez mais dependente do mal, ou nutri-lo com aquilo que ele a princípio não quer, mas que aos poucos se acostuma e passa a gostar. Desta forma treinamos, ou educamos o nosso coração: “a graça de Deus se manifestou a todos os homens, trazendo salvação e nos treinando para que, rejeitando a vida ímpia e as paixões mundanas, vivamos de uma forma, sensata, justa e reta neste tempo presente” (Tito 2:11–12. Ver também Mat 5:6; 2Tim 2:22). Obviamente, esta função da graça de educar, ou treinar, somente funciona porque ocorre a nível do coração. [παιδεύω (paidéuo) educar, treinar, aprender um costume]. Contrastar com o termo mais leve e bem mais usado para o verbo ensinar [διδάσκω (didasko)]. O verbo usado se referindo ao treinamento que Moisés recebeu enquanto crescia no palácio do faraó, é o mesmo usado por Paulo se referindo ao treinamento que recebemos de Deus [παιδεύω (paidéuo)]. “E Moisés foi educado [παιδεύω (paidéuo)] em toda a ciência dos egípcios, e era poderoso em palavras e obras” (Atos 7:22).

Uma das mais preciosas promessas que recebemos de Deus foi a de que Ele nos daria um novo coração (Eze 36:26). Esta promessa é especialmente preciosa no contexto do Sermão da Montanha, pois Jesus nos seus ensinos de fato exige de nós um nível de retidão que sabemos que na nossa situação atual não temos como lhe obedecer. Nós ouvimos e sabemos que se queremos entrar no Reino dos Céus teremos que passar por uma transformação radical, mas não temos dentro de nós um interruptor que possamos ligar e assim adquirir o nível de retidão que Jesus nos exige.

Queridos, tenho uma excelente informação para todo aquele que verdadeiramente deseja possuir um coração novo e voltado para Deus: o Senhor já lhe deu um novo coração. Tudo o que você precisa fazer é começar a usá-lo. Deixe-me ilustrar o que quero dizer com isso: em uma das minhas visitas anuais para ver a minha mãe no Brasil, fui ao banco com ela e mudamos a sua conta para uma que oferece mais benefícios. Quando tudo terminou, o rapaz do banco explicou que ela receberia um novo cartão que a permitiria utilizar dos benefícios da sua nova conta. Também nos disse que antes que o novo cartão pudesse ser utilizado ele teria que ser ativado e que se isso não fosse feito dentro de três meses, ele seria cancelado. Sim, um outro ponto interessante, o cartão antigo e o novo não poderiam ser usados ao mesmo tempo. Quando o novo fosse ativado o velho perderia a sua validade.

Amados, assim como este cartão da ilustração acima, o novo e superior coração que Deus coloca em nós também precisa ser ativado para que tenha qualquer valor para nós. Possuir o novo coração, mas insistir em usar o antigo de nada nos servirá. Deus não forçará ninguém a se beneficiar de tudo o de bom que o novo coração torna possível, se ele prefere o velho. Dizer que ama a Deus e que deseja subir com Jesus quando Ele voltar, mas continuar amando e fazendo aquilo que sempre amou e fez, é perda de tempo. O primeiro passo para ativar o novo coração é abandonar os antigos prazeres do mundo, todos eles. Se não estivermos dispostos a perder a nossa vida neste mundo, não temos como usar o novo coração e não receberemos a vida eterna, puro e simples: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me; pois, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á” (Mat 16:24-25).

Deixe-me ir direto ao ponto em relação ao significado do perder a vida para este mundo que a Palavra repetidamente nos alerta (Mat 10:38-39; Luc 9:23; Luc 14:26-27; Gal 5:24; Gal 6:14; 1Jo 2:15-16). Aquele que diz: mas eu gosto de um seriado; eu curto um filminho; eu não fico sem o meu noticiário; eu sempre acompanhei o campeonato; eu gosto de ler o meu jornal ou o meu livro; eu gosto disso; eu gosto daquilo… e coisas semelhantes, ainda não está realmente querendo subir com Jesus. Este indivíduo não tem o menor interesse em perder a sua vida para o mundo atual, e, portanto, não a salvará para a eternidade. Digo essas verdades não para desanimar a ninguém, mas sim porque o que está em jogo é algo de muito mais valor do que tudo aquilo que existe neste vale de lágrimas em que vivemos e não devemos de forma alguma nos deixar levar pelas ilusões deste mundo: “Ora, o mundo passa, e com ele os seus desejos” (1Jo 2:17).

Irmãos, nos próximos dois estudos desta série falaremos em detalhes sobre as instruções de Jesus quanto ao estilo de vida dos verdadeiros cidadãos do Reino. Por agora, quero apenas deixar claro que o homem com o coração adúltero pode deixar de ter um coração adúltero. O homem viciado em pornografia pode deixar o vício. O homem desanimado, deprimido, fracassado e infeliz pode verdadeiramente começar de novo e receber tudo o de bom do Senhor, mas para que isto ocorra terá que abandonar o coração velho, contaminado pelo pecado, e ativar o novo coração que o Senhor lhe deu: “Esqueçam todas essas coisas que já passaram, não é nada comparado com aquilo que farei. Pois estou para realizar algo novo. Olhem bem, pois já comecei! Não viram? Abrirei um caminho no meio do deserto e farei rios na terra seca” (Isa 43:18-19). Espero te ver no céu.

Nesta Série de Estudos Bíblicos:
(Acesse o esboço completo)

(Os estudos sem links ainda estão sendo preparados)

(Acesse o esboço completo)