🔊 (Parte 1) Coração de Pedra, Coração de Carne. Estudo Nº 1: O Coração do Homem [Com Áudio]

Menino brincando com seu cachorro na praia de manha com texto sobre o artigo (Parte 1) Coração de Pedra, Coração de Carne. Estudo Nº 1: O Coração do Homem por Markus DaSilva

Baixar Áudio Baixar Áudio | Baixar PDF Baixar PDF

Por Markus DaSilva, Th.D.

Eu fico pasmado como tantos cristãos nestes últimos dias insistem em defender o argumento de que tudo o que Deus quer do ser humano é o coração. Eles imaginam-se sábios e de uma espiritualidade superior. Pensam que pessoas como nós, que procuram a santidade como um todo, alma e corpo (1Ts 5:23), nos enganamos quando obedecemos a Jesus e nos separamos do mundo. Imaginam eles que o importante para Deus é “somente manter o coração puro”.

“Tendo um coração santo, naturalmente nos distanciaríamos de todo o pecado, pois é do coração que procede todo o mal”

Será que estes indivíduos estão tão iludidos que realmente creem que existe algo de bom no coração humano? Será que não veem que o pecado afetou absolutamente todo o homem e de uma forma muito especial o coração? Imaginam eles que Deus aceita o coração deles enquanto o corpo e a mente se deleitam nos prazeres da carne? Aparentemente sim.

Queridos, se tivéssemos como controlar os desejos do coração, à parte do corpo e da mente, o Senhor não teria nos dado nenhum preceito que envolvesse o físico ou o intelecto. Não matarás, não furtarás, não adulterarás… seriam mandamentos desnecessários pois bastaria nos dizer: “mantenham o coração santo!” Sim, apenas um mandamento seria o suficiente, pois tendo um coração santo, naturalmente nos distanciaríamos de todo o pecado, pois é do coração que procede todo o mal, conforme nos ensinado pelo próprio Senhor: “Porque do coração procedem os maus pensamentos, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias” (Mt 15:19).

O Senhor é perfeito na sua criação. Como não temos como controlar diretamente o nosso coração, o direcionamos com as ferramentas ao nosso dispor: a mente e o corpo. O nosso Criador sabiamente nos deu uma mente com a capacidade de controlar a nossa boca, os nossos olhos, os nossos ouvidos… e tudo aquilo que constitui o nosso eu (Prv 23:19). Ao utilizar o corpo como um instrumento de controle, privamos o coração de alimentar-se do mal. Assim, pela fé iniciamos o processo de renovação do coração mencionado em Ezequiel: “Lançai de vós todas as vossas transgressões que cometestes contra mim; e criai em vós um coração novo e um espírito novo” (Ez 18:31).

Renovamos o nosso coração de pedra, duro, crendo e agindo com base na promessa que receberíamos do Senhor um coração perfeito, maleável, de carne, mencionado anteriormente pelo mesmo profeta: “e tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne, para que andem nos meus estatutos, e guardem as minhas ordenanças e as cumpram; e eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus” (Ez 11:19-20).

Observem que o profeta primeiro dá à nação de Israel, e obviamente a todos nós que somos filhos espirituais de Abraão (Gl 3:29), a promessa de um novo coração e depois nos diz que devemos por nós mesmos agir de tal forma que o nosso coração velho seja abandonado e no seu lugar surja um novo: “Lançai de vós todas as vossas transgressões que cometestes contra mim” (Ez 18:31). Mais tarde, porém, fica claro que a completa remoção do antigo coração e a implantação do novo só poderá ser feita pelo próprio Deus: “tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne” (Ez 36:26). Três vezes o novo coração é mencionado: A promessa (Ez 11); a nossa ação baseada na promessa (Ez 18); e a atuação final de Deus, cumprindo a promessa (Ez 36).

Cabe aqui uma explicação do que é o coração do ponto de vista espiritual. O nosso coração [Grego: καρδία (kardia) = Coração] é aquilo que realmente somos (Lc 6:45). Todos os desejos e sentimentos partem dele. O coração de Adão e Eva era puro, sem maldade, sem nenhuma inclinação ou desejo corrompido. Um coração assim é capaz de decidir, por si mesmo, entre o bem e o mal. Já o nosso coração perdeu essa capacidade, conforme nos disse o profeta Jeremias: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o poderá conhecer?” (Jr 17:9). Toda a nossa índole é para o mal, mesmo quando no nosso entendimento estamos fazendo o bem, no fundo possuímos uma motivação errada (Is 64:6). Por isso precisamos do Espírito Santo para nos direcionar ao rumo certo, contrário ao que o coração deseja. Davi era um homem segundo o coração de Deus porque nele estava a unção do Espírito: “Não me lances fora da tua presença, e não retire de mim o teu santo Espírito. Restitui-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito desejoso de obedecê-lo” (Sl 51:11).

Amados, sei que este é um assunto difícil, mas é muito necessário que entendamos para que não creiamos em fábulas criadas pelos amantes deste mundo que procuram nos convencer a abandonar a luta contra a carne (Gl 5:17) e não nos preocupar em viver em obediência; frequentemente utilizando como argumento uma visão distorcida da graça [Acesse Série Sobre a Graça]. Imploro que não ouçam estes enganadores. Eles “são escravos da corrupção, pois o homem é escravo daquilo que o domina” (2Pe 2:19).  Lembro-lhes que não temos nada que possamos oferecer a Deus a não ser a nossa obediência incondicional; ainda que imperfeita, é a única coisa que Ele pede e a única coisa que aceitará. Se queremos verdadeiramente ser íntimos com o Pai; se queremos de fato conhecer a Deus, então a obediência é o único caminho a ser percorrido: “E nisto sabemos que o conhecemos; se guardamos os seus mandamentos. Aquele que diz: Eu o conheço, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade” (1Jo 2:3-4). Se o Senhor permitir, no próximo estudo bíblico explicaremos como podemos controlar o nosso coração para que Deus se agrade de nós. Espero te ver no céu.