🔊 (Parte 1) Homem de Dores. Estudo Nº 1 (O Sofrimento de Jesus Pelo Pecador) [Com Áudio]

(Parte 1) Homem de Dores. Estudo Nº 1 (O Sofrimento de Jesus Pelo Pecador) [Com Áudio] Markus DaSilva

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Desde pequeno ele sabia o que lhe esperava. Ainda bem novo, crescia no conhecimento das Escrituras e via claramente que todas as profecias falavam dele (Lc 2:46-51). Cada verso que lia sobre si mesmo apontava para uma vida, não cheia de aventuras e diversões do mundo como normalmente enchem a imaginação de todas as crianças, mas sim repleta de falsas acusações, rejeições, humilhações e traições. Aqueles que deveriam estar felizes com a sua vinda seriam seus inimigos: “Estava ele no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, e o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1:11). Ninguém via isso, ninguém entendia. Estava só no princípio e seguiu só até o fim (Mt 26:40). Jesus cresceu, e exatamente como esperava, foi rejeitado dos homens; foi um homem de dores, e experimentado nos sofrimentos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, foi desprezado, e não fizemos dele caso algum (Is 53:3).

“Lembre-se, alguém pagará com a morte eterna pelos nossos pecados. Ou Jesus, ou nós mesmos, mas a dívida com Deus será quitada.”

Assim como vocês, já vi várias pinturas da crucificação, mas nenhuma delas retrata corretamente o verdadeiro rosto do nosso amado Jesus após o “tratamento” dado pelos torturadores, “pois o seu aspecto estava tão desfigurado que não era o de um homem” (Is 52:14). Ou seja, se esta descrição de Jesus feita cerca de 800 anos antes da cruz, for literal, o que não vejo nenhuma razão para duvidar, então realmente dever ter sido uma experiência indescritível para o nosso Salvador. Imaginemos também o desespero que deve ter sido para aqueles poucos que o amavam e acompanharam a via dolorosa, presenciando tudo aquilo sem poder intervir. De uma forma especial, imaginemos a angustia que deve ter passado Maria, a sua querida mãe (Jo 19:25), e mesmo para Jesus, saber que ali, vendo tudo aquilo, estava aquela que ele tanto amava. Mas mesmo na sua extrema dor, ele se preocupou e pediu ao discípulo amado que cuidasse da sua mamãe (Jo 19:25-27).

Queridos, por que tudo isto? Por que Jesus teve que passar por tanta humilhação e sofrimento? Milhares de livros foram escritos sobre este tema, mas a resposta se resume em duas palavras: pecado e justiça. Essas são duas palavras que muitos entre o povo de Deus não estão dando a seriedade que deveriam dar. Eles sabem muito bem que a Bíblia, do começo ao fim, aborda estes dois temas, sabem também da conexão existente entre estes termos, mas agem como se fossem coisas sem muita importância no contexto da salvação de cada ser humano, pois não consideram de que forma o pecado do homem e a justiça de Deus, desempenham o seu devido papel no destino final de cada indivíduo, incluindo o seu próprio.

Pecado é toda a oposição a Deus. Tudo aquilo contrário ao amor, à luz, à verdade e à vida; tudo isso é pecado. Justiça, por sua vez, é a eliminação do pecado. Note que pecado não se conserta, não se restaura, não se melhora, mas se elimina com a morte eterna do pecador (Ro 6:23; At 3:19). Se a vida eterna é estar continuamente na presença do Pai, a morte eterna é a Sua completa ausência, o Seu completo abandono. Na cruz, seguida do túmulo, Jesus experimentou a morte eterna que deveria ser minha, sua, e de todos os outros que o aceitaram como Salvador. Ele foi o nosso substituto. Sofreu as trevas, a vergonha e o desprezo pelos pecados que nunca cometeu. O Filho amado, que sempre foi um com o Pai, experimentou a agonia da morte final que é se distanciar de Deus: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonastes?” (Mt 27:46; Sl 22:1). Esta verdade é conhecida no campo teológico como “Expiação substitucionária” (Is 53:5; 2Co 5:21; 1Pe 2:24; 1Pe 3:18). [Acesse estudo sobre a morte eterna]

Amados, nenhum ser humano pode compreender a grandeza do que Jesus fez por nós. Nem é necessário que compreendamos para sermos beneficiados. Mas uma coisa temos que fazer; temos que ouvi-lo com muita atenção e obedecê-lo fielmente, se queremos fazer parte do pequeno grupo cujos pecados foram pagos por Ele: “Porque eu não falei por mim mesmo; mas o Pai, que me enviou, esse me deu ordem [Gr. ἐντολὴν (entolēn) Trd. Lit. ordem, comando, regra, mandamento] quanto ao que dizer e como falar. E sei que a sua ordem (entolē) é vida eterna. Aquilo, pois, que eu falo, falo-o exatamente como o Pai me ordenou” (Jo 12:49-50). Para que fique bem claro o peso destas palavras de Jesus, eis outros usos da mesma palavra (ordem – entolē) no original: Lc 15:29; At 17:15; Heb 7:5; Jo 11:57; Jo 14:31. Lembrem-se, alguém pagará com a morte eterna pelos nossos pecados. Ou Jesus, ou nós mesmos, mas a dívida com Deus será quitada. Ouça a Jesus, abandone este mundo por completo, viva somente para Ele enquanto ainda é possível. Espero te ver no céu.