🔊 Não Julgueis, Para que Não Sejais Julgados (Hipocrisia, Arrependimento e Remorso) [Com Áudio]

Homen andando numa manha fria de inverno num bosque texto  NÃO JULGUEIS, PARA QUE NÃO SEJAIS JULGADOS (HIPOCRISIA, ARREPENDIMENTO E REMORSO)

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Quando Jesus estava fisicamente conosco neste mundo, os seus maiores inimigos não foram os pagãos romanos ou os idólatras gregos; tampouco foram os excluídos da sociedade: prostitutas, ladrões, adúlteros, beberrões e outros. Não, os opositores de Cristo não vieram de fora, mas de dentro; surgiram dentre os seus; dentre aqueles que se intitulavam servos de Deus, os líderes de Israel e seus seguidores. Foram os fariseus, os saduceus, os escribas, os doutores da lei que não o receberam: “Eu vim em nome de meu Pai, e não me recebeis; se outro vier em seu próprio nome, a esse recebereis” (Jo 5:43);  “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1:11).

“Arrependimento é na realidade um ato de julgar, não aos outros, mas a nós mesmos.”

Por que esses líderes tanto odiavam a Jesus? Por vários motivos, incluindo a inveja, o orgulho, mas acima de tudo porque Jesus os desmascarava. Nada se passa dentro do coração humano que Jesus não saiba. Eles enganavam a todos com uma falsa adoração a Deus, com uma falsa santidade, mas não conseguiam enganar àquele que os criou: “e não necessitava de que alguém lhe desse testemunho do homem, pois bem sabia o que havia no homem” (Jo 2:25). Jesus mostrava quem realmente eram e repetidamente ensinava o povo a não fazer aquilo que esses religiosos faziam: a falta de amor, a falta de perdão, a falta de humildade, e sobretudo a falta da verdade. Esses falsos santos exigiam das pessoas uma santidade que eles mesmos não viviam. Eram hipócritas. Julgavam a todos, quando em secreto eram culpados dos mesmos atos (Ro 2:1). Foi dentro desse contexto que Jesus nos deu o conhecido mandamento: “Não julgueis, para que não sejais julgados” (Mt 7:1). Foi enquanto circulava no meio de um povo que estava acostumado com dois pesos e duas medidas (Prv 20:10); onde se exigia aquilo que é correto dos outros, mas não de si mesmos.

Cristo nos exorta a sermos luz em um mundo em trevas (Mt 5:14). O objetivo da luz é guiar, clarear, mostrar aquilo que não se pode ver no escuro. Devemos ser exemplos; ser semelhantes a Jesus em tudo: nos nossos hábitos, nosso comportamento, nossas palavras (Jo 13:15; 1Jo 2:6). E assim como Cristo, devemos instruir em amor, paciência e caridade (Ef 4:15; 1Ts 4:9). Devemos lembrar que cada um possui uma história. Todos sofrem, todos lutam, todos fraquejam, todos caem, assim como eu, assim como você (Ro 3:23). Mas para que possamos ajudar, para que possamos instruir, precisamos primeiramente fazer uma autoanálise; para que possamos ensinar os nossos irmãos sobre uma vida correta, primeiramente teremos que observar a nossa própria: “tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão” (Mt 7:5).

Hoje, muitos usam o “não julgueis” como desculpa para continuar vivendo em pecado. Não querem abandonar os prazeres do mundo e muito menos serem instruídos (1Co 2:14). Preferem crer no absurdo que quando Jesus disse para não julgarmos Ele quis dizer que tudo deve ser aceito no meio do seu povo. Eles invertem as palavras de Jesus para continuarem amando este mundo. Enquanto Jesus nos instrui para não julgarmos aos outros eles utilizam do verso como se Jesus houvesse dito que os outros não devem julgar a eles.

Queridos, quando João Batista começou a pregar a chegada do Reino de Deus a este mundo de pecado através de Jesus, o Messias, o ponto central das suas pregações era o arrependimento: “Naqueles dias apareceu João, o Batista, pregando no deserto da Judéia, dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (Mt 3:1-2). Passado algum tempo, após ter vencido ao Diabo nas tentações do deserto (Mt 4:1), o próprio Jesus também começou a pregar a mesma mensagem do arrependimento: “Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (Mt 4:17).

Arrependimento é na realidade um ato de julgar, não aos outros, mas a nós mesmos. Nos arrependemos porque reconhecemos que no dia a dia fazemos coisas, em atos e pensamentos, que não condiz com aqueles que procuram a perfeição que o nosso Pai espera de nós: “Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial” (Mt 5:48).

A entrada no reino dos céus, obtida através do sacrifício de Jesus, será concedida àqueles que creem para a salvação, que é o crer em obediência: “Aquele que tem os meus mandamentos e os obedece, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele” (Jo 14:21). Parte de obedecer a Jesus é nos distanciarmos dos nossos pecados em genuíno arrependimento. Não o remorso, mas o arrependimento. Remorso é apenas um reconhecimento de culpa; de admitir que algo errado foi praticado. Judas Iscariotes reconheceu o seu erro após ter traído Jesus, mas não procurou os apóstolos para confessar e pedir perdão do seu horrível pecado, mas se sentindo condenado pelo que fez preferiu se matar do que procurar uma restauração. Arrependimento também reconhece a culpa, mas segue de um intenso desejo de não repetir o pecado; de querer uma mudança de comportamento. Quem se arrepende é sábio e aceita com humildade a repreensão (Prv 9:9). A esse, o Senhor nunca desamparou (Sl 51:17). Espero te ver no céu.