🔊 (Parte 14) Serie: O Sermão da Montanha. Estudo Nº 14: Sal e Luz: Vós Sois a Luz do Mundo [Com Áudio]

Uma foto de montanhas com uma pequena casa no campo. (Parte 14) Serie: O Sermão da Montanha. Estudo Nº 14: Sal e Luz: Vós Sois a Luz do Mundo [Com Áudio]Markus DaSilva

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Na continuação do Sermão da Montanha, ou Sermão do Monte, Jesus segue nos explicando de que maneira aqueles que o recebem neste mundo são diferentes daqueles que o rejeitam como o Salvador da humanidade. Primeiramente ele nos comparou com o sal, pois da mesma forma que o sal conserva o alimento que por ele é envolto, retardando assim a sua decomposição, nós também, conservamos este mundo da completa podridão ao envolvê-lo com a retidão de Deus. Mas, assim como a força para conservar do sal não é suficiente para manter um alimento sem se estragar para sempre, nós também somente conservamos este mundo por um tempo e aguardamos com alegria o dia em que Jesus, ao voltar em poder e grande glória (Mar 13:26), estabeleça o seu reino perfeito onde nenhum tipo de contaminação jamais entrará. Somente então o mundo será permanentemente purificado: “E não entrará nela coisa alguma impura, nem o que pratica abominação ou mentira; mas somente os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro” (Apo 21:27).

“Jesus nos alerta que o Pai será glorificado à medida que os descrentes observam a maneira santificada e abençoada que vivemos.”

Logo após esta incrível analogia do sal, Jesus utilizou de uma segunda analogia, tão incrível quanto a primeira: “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem os que acendem uma lamparina a colocam debaixo de um cesto, mas no pedestal, e assim ilumina a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mat 5:14-16).

Diferentemente do sal, a luz é tão usada para descrever os vários aspectos do mundo espiritual que nem sei se é correto qualificá-la como uma simples analogia. De fato, este fenômeno que conhecemos como luz é apresentado nas Escrituras como sendo um dos atributos do próprio Criador: “Deus é luz” (1Jo 1:5). Esta verdade nos faz conscientes do privilégio e da responsabilidade que nos foi confiada ao recebermos de Jesus a informação de que somos luz para o mundo em que vivemos. Uma responsabilidade que aumenta bem mais quando aprendemos que esta qualidade de ser luz para o mundo é uma das suas próprias qualidades, ou seja, estamos dando continuidade à função do nosso Mestre neste mundo em trevas: “Eu sou a luz do mundo” (João 8:12). No Sermão da Montanha, Jesus não apenas nos dá a informação de que somos luz, assim como o Pai e ele próprio é luz, como também nos instrui que devemos fazer com que a nossa luz não se restrinja a nós mesmos, mas que seja sim visível a todos aqueles que estão em necessidade de luz: “brilhe a vossa luz diante dos homens”.

A questão de sermos a luz deste mundo então deverá ser analisada com o objetivo de entendermos dois pontos: primeiro, como devemos viver, de tal forma que somos realmente luz; de tal forma que a mesma luz que existe em Jesus também exista em nós. E segundo, como devemos viver, de tal forma que a nossa luz seja observada — e de preferência usada — por aqueles que precisam dela. Em resumo, o primeiro ponto lida com o tipo de luz, enquanto o segundo lida com a utilidade da luz.

Antes de explorar esses dois pontos, é importante que observemos a correta sequência desta informação e mandamento de Jesus. Primeiro devemos ter a luz de Jesus em nós, para que assim possamos brilhá-la. Não devemos de forma alguma brilhar diante dos homens algo que não seja a mesma luz que Jesus brilhava quando esteve aqui conosco no físico. A luz de Jesus era e continua sendo uma luz clara e inequívoca. Todos aqueles que seguem a Jesus fielmente chegarão ao destino correto que é o Pai: “Então Jesus tornou a falar-lhes, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida” (João 8:12). Ou seja, somente devemos brilhar a luz de Jesus e nenhuma outra. Caso não tenhamos certeza se o nosso viver representa o viver de Cristo, então devemos primeiro concertar a nossa própria vida. Devemos procurar a direção do Espírito Santo, e estar disposto a abandonar tudo aquilo que nos impede de brilhar a mesma luz que brilhava em Jesus. Esta verdade me lembra do requerimento que Jesus nos deu antes de censurarmos a alguém que está em pecado: “E por quê vês o cisco no olho do teu irmão, e não reparas o tronco que está no teu olho?” (Mat 7:3).

Devemos lembrar que ninguém, absolutamente ninguém, pode ter em si a luz de Jesus sem obedecer a tudo aquilo que saiu dos seus lábios. É somente quando vivemos em obediência a Jesus que nos tornamos um com Ele e com o Pai e assim possuímos em nós a correta luz: “Naquele dia conhecereis que estou em meu Pai, e vós em mim, e eu em vós. Aquele que tem os meus mandamentos e os obedece, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele” (João 14:20-21). Qualquer indivíduo que se coloca em posição se ser luz para este mundo em trevas, e não obedece aos mandamentos de Jesus, está de fato brilhando uma outra luz e que leva a um outro destino, diferente do destino que Jesus nos leva. Fica aqui um alerta: Jesus não nos ensinou que nos tornamos um com ele através de belas orações, fortes pregações, lindas melodias, letras que comovem, vozes afinadas, instrumentos bem tocados, testas franzidas, lágrimas… e qualquer outra expressão externa, mas tão somente através da obediência às suas palavras: “Aquele que tem os meus mandamentos e os obedece, esse é o que me ama”.

Uma vez que o cristão possui um viver que verdadeiramente representa o seu Mestre, ele deverá estar a par de que as pessoas estão observando e aprendendo com ele o caminho até o Pai. Ao usar o verbo “poder” no negativo [Gr. ου δυναται (u dunatai)], Jesus nos diz que esconder a luz que emana de uma cidade sobre um monte, é simplesmente impossível. Ou seja, naturalmente seremos observados por aqueles que vivem sob o domínio das trevas que reina neste mundo de pecado. Jesus então, alerta que o Pai será glorificado à medida que os descrentes observam a maneira santificada e abençoada que vivemos: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam o vosso bom caminhar [Gr. ἔργον (ergon) ocupação, ação, obra, coisa, caminho, feito]  e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mat 5:16).

É interessante notarmos que no próximo capítulo, neste mesmo Sermão da Montanha, Jesus nos alerta quanto a não imitarmos o costume daqueles que gostam de exibir santidade: “Guardai-vos de fazer os vossos atos de retidão diante dos homens, para serdes vistos por eles” (Mat 6:1). Quando analisamos estes dois ensinos, concluímos então que enquanto Jesus nos estimula a que permitamos que os homens observem o nosso caminhar em santidade, onde verão que somos pessoas misericordiosas e caridosas, devemos tomar cuidado para que o motivo seja a glória de Deus e não a nossa própria. Ou seja, o objetivo deverá ser que os homens queiram se relacionar com Deus da mesma forma que relacionamos para serem tão abençoados por Ele como somos. Eles devem ver que Deus é bom e uma fonte de bênçãos, e assim se voltem para o Senhor. O apóstolo Pedro também nos disse basicamente o mesmo na sua carta: “tendo um viver exemplar entre os gentios, para que mesmo que acusando e falando mal de vós, observem as vossas boas obras e glorifiquem a Deus no dia da sua vinda” (1Pe 2:12).

Mas alguém dirá: Como podemos identificar a nossa motivação? Como podemos saber se estamos glorificando a Deus ou nos exibindo? Esta aparente dificuldade deixa de ser dificuldade quando analisamos a nós mesmos. Os religiosos na época de Jesus não eram de fato santos, eles apenas mantinham uma aparência de santidade. Isto se pode confirmar nas várias vezes em que Jesus se referia a eles como pessoas hipócritas: “…carregais os homens com fardos difíceis de suportar, e vós mesmos nem ainda com um dos vossos dedos tocais nesses fardos” (Luc 11:46). Obviamente, se o cristão apenas age como um servo de Deus quando se encontra em público, então é certo que está procurando a sua própria glória e não a do Pai. Se por outro lado, Deus é de fato o seu maior tesouro e a sua vida, com tudo aquilo que possui, é dedicada a Jesus, o tempo todo, a todo instante, nos dias bons e nos dias ruins, então também é certo que ele não procura a sua própria glória, mas a do Senhor. Ele é de fato uma luz que aponta para o Pai.

Queridos, na prática, ser a luz de Jesus significa indicar às pessoas qual é o caminho que leva à vida eterna. Esta é a principal função de uma luz, em um local onde as trevas dominam. Esta é uma responsabilidade que não tem tamanho. Infelizmente, uma boa parte das luzes que estão brilhando no mundo cristão destes últimos dias estão clareando, não o caminho apertado e difícil que leva à vida eterna, mas sim o caminho amplo e fácil que leva à morte eterna (Mat 7:13-14). Mais uma vez, lembramos que a luz correta é aquela que procede de uma vida em obediência à Jesus. Uma vida em que os prazeres deste mundo passageiro perderam o seu valor e o grande foco é a vida eterna, onde estaremos finalmente com o nosso Mestre, livres de toda a podridão que aqui existe: “E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos tomarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também” (João 14:3). Espero te ver no céu.

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