🔊 (Parte 1) Não Ameis o Mundo – A Luz e as Trevas [Com Áudio]

Estudo Bíblico - (Parte 1) Não Ameis o Mundo - A Luz e as Trevas - Markus DaSilva

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Nos seminários americanos, e imagino ser o mesmo nos outros países, no primeiro ano de grego sempre se estuda a primeira epístola (carta) de João. A lógica seria começar com o evangelho de Mateus, eu sei, mas um dos motivos que os professores escolhem os escritos do apóstolo João é acima de tudo pelo seu estilo descomplicado e pelo seu vocabulário simples; um grego bem mais fácil de ler e traduzir do que os evangelhos, as cartas de Paulo, e Hebreus, que por sinal é considerado por muitos como o grego mais difícil do novo testamento. É em primeiro João que encontramos repetidamente o aviso de que o cristão tem que se separar do mundo para poder de fato fazer parte do povo de Deus: “Não ameis o mundo, nem as coisas que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e o orgulho da vida, não é do Pai, mas é do mundo” (1Jo 2:15-16). Este é o assunto que estudaremos nesta pequena série.

Estudo Bíblico Nº 1 — A Luz e as Trevas.

Quando Adão e Eva pecaram, houve uma separação entre nós, os seres humanos, e Deus (Is 59:2). Até então vivíamos em paz e em perfeita harmonia com o nosso Criador. Éramos felizes vivendo em um local onde tínhamos de tudo o melhor e onde nenhum sofrimento jamais existiria se nos mantivéssemos fiéis às simples instruções do Senhor (Gn 2:16-17). Na única vez que fomos tentados a desobedecer à Deus, porém, caímos e optamos pela mentira que nos foi apresentada por Satanás (Gn 3:6). Obviamente esta separação entre a raça humana e Deus não o pegou de surpresa, pois já havia um plano de restauração em andamento antes mesmo do mundo ser criado (2Tm 1:9). Este plano de restauração, no entanto, não seria forçado a ninguém, da mesma forma que a obediência ao mandamento de não comer do fruto proibido também não foi forçado aos nossos pais.

“Sabemos o que deve ser feito e entendemos o que está em jogo, mas a verdade existe apenas a nível do intelecto e não resulta em um abandono daquilo que pertence às trevas.”

A separação entre o homem e Deus, dividiu a terra entre dois grupos: aqueles que desejam ser restaurados ao relacionamento que tinham com o Criador antes da queda e aqueles que preferem continuar separados. O primeiro grupo são aqueles da raça humana que se arrependeram da sua rebeldia no Éden; reconhecem que cometeram um erro gravíssimo ao preferirem as palavras da serpente às palavras de Deus. Aceitaram o plano de salvação que Deus ofereceu através do seu Filho e tão somente aguardam o dia em que serão retirados daqui. Não querem este mundo presente que tem a Satanás como príncipe (Jo 12:31) e a prova disso é que se desprenderam dos prazeres que o mundo oferece aos seus escravos (Gl 5:24). Deus não aceitaria o arrependimento destas pessoas se continuassem a usufruir dos prazeres do mundo, pois seria um arrependimento falso. Seria como o homem que confessa à sua esposa que agiu de forma errada ao traí-la e que promete que não fará mais isso pois deseja muito restaurar o seu casamento; com lágrimas se diz arrependido e explica a ela que apenas manterá as amantes que já possui.

A separação que ocorreu no Éden expôs o ser humano ao mal, algo que até então não conhecíamos: “Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecendo o bem e o mal” (Gn 3:22). Se Deus naquele momento tivesse se retirado daqui então estaríamos para sempre envoltos nas trevas tenebrosas do mal e do pecado. Esta é a escuridão que atualmente se encontram Satanás e um terço dos anjos que antes moravam no céu, mas que se uniram à serpente e agora vivem aqui conosco (Ef 6:12). Essa verdade foi revelada por Jesus ao apóstolo João: “A sua cauda levava após si a terça parte das estrelas do céu… E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, que se chama o Diabo e Satanás, que engana todo o mundo; foi precipitado na terra, e os seus anjos foram precipitados com ele” (Ap 12: 4,9).

Quando um ser humano aceita o plano de salvação oferecido por Deus, ou seja, quando alguém aceita a Jesus como o seu Salvador, ele está de fato escolhendo a única forma de se libertar das trevas em que se encontra e poder assim estar de novo em comunhão com a luz tal qual Adão e Eva estavam antes da queda (Jo 8:12). No ato do indivíduo aceitar a Cristo ele é revertido com o poder do Espírito Santo para que agora tenha a capacidade de recusar as trevas e viver na luz. É importante entender o que eu acabei de dizer. O Espírito Santo não força o homem a escolher a luz, mas sim expõe o pecador à luz: “E quando ele [O Espírito Santo] vier, exporá [grego: ἐλέγχω (elencō) mostrar o erro, alertar quanto ao erro] o mundo do seus pecados, da retidão e do juízo [grego: κρίσις (krisis) decisão judicial de liberdade ou punição, dependendo da escolha do pecador]” (Jo 16:8). Sem o Espírito Santo, nenhum ser humano consegue se libertar das trevas, aliás, ele nem tem esse desejo pois nunca viu a luz e está totalmente ambientado e conformado com a sua circunstância. O Espírito Santo convence a ele da sua situação e só então este indivíduo, vendo a luz, decide se quer ou não permanecer nas trevas: “Eu vim como luz para o mundo, a fim de que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas” (Jo 12:46).

Todos nós sabemos de criaturas marítimas que vivem no fundo do oceano em completa escuridão. Estes peixes, e outras criaturas do mar, nunca viram nenhuma luz, não demonstram qualquer interesse em subir mais para a superfície onde poderão ter um pouco de claridade. Aliás, segundo entendo, eles fogem quando uma luz se aproxima pois é algo completamente estranho e ofensivo para eles. Assim é com todo aquele que rejeitou a luz e pertence a este mundo. Quando nos aproximamos dessas pessoas com a mensagem da salvação, elas correm e muitas vezes se sentem ofendidas e agem com agressividade com o mensageiro. O que quero dizer com tudo isso é que aqueles que vivem na luz pertencem à luz, mas aqueles que vivem nas trevas pertencem às trevas: “Que comunhão tem a luz com as trevas?” (2Co 6:14). Nenhuma comunhão.

Quando alguém diz que é um servo de Deus, mas, ao mesmo tempo, participa das coisas que pertencem às trevas então ele está enganando a si mesmo, pois as trevas e a luz não se relacionam. Foi isso o que João nos escreveu: “Se dissermos que temos comunhão com ele [Deus], e andarmos nas trevas, mentimos, e não praticamos a verdade” (1Jo 1:6).

“Não praticamos a verdade”, ou seja, sabemos o que deve ser feito e entendemos o que está em jogo, mas a verdade existe apenas a nível do intelecto e não resulta em um abandono daquilo que pertence às trevas, portanto a nossa afirmação de que somos servos de Deus é uma mentira.

Queridos, seguiremos falando sobre o amor ao mundo nesta série à medida que o Senhor permitir. Por agora, deixe-me somente exortá-los que permaneçam na luz. Permanecemos na luz não só nos aproximando da sua fonte, que é Cristo (Jo 8:12), como também nos afastando deste mundo em trevas que é dominado por Satanás: “a nossa luta é contra os principados, contra as potestades, contra os dominadores das trevas desse mundo” (Ef 6:12). Irmãos, o nosso tempo na terra se aproxima do seu fim em uma velocidade assustadora. Estes são dias de decisões. Espero te ver no céu.

Nesta Série de Estudos Bíblicos: