🔊 (Parte 3) Não Ameis o Mundo – A Cobiça dos Olhos [Com Áudio]

Estudo Bíblico - (Parte 3) Não Ameis o Mundo - A Cobiça dos Olhos - Markus DaSilva

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Todos os sentidos que o Senhor deu ao ser humano são importantes, mas certamente o mais valorizado é a visão. Isso porque através dos olhos o homem consegue captar mais informação e com mais rapidez do que qualquer outro sentido do corpo. É por isso que o apóstolo João não nos alerta quanto à cobiça do paladar, olfato, tato, ou mesmo à da audição, mas sim à cobiça da visão. Não que o homem peque apenas através dos olhos, mas sim porque muitos dos pecados que cometemos têm a sua origem naquilo que vemos. Na realidade, as coisas que o coração deseja – e que o homem cede a este desejo através dos olhos – são as coisas que irão definir o seu estado espiritual.  Jesus foi bem claro sobre isso quando nos disse: “A lâmpada do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será cheio de trevas” (Mt 6:22-23). “Se os teus olhos forem bons” e “se os teus olhos forem maus”, o fato de Jesus ter usado a partícula condicional “se” [Grego: ἐάν (ean)] nos indica que somos nós que decidimos, através dos olhos, se a nossa vida será cheia de luz ou trevas.

Estudo Bíblico Nº 3 — A Cobiça dos Olhos.

Talvez o maior dos exemplos que temos na Bíblia seja o pecado original. Foi observando que o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal era agradável aos olhos que Eva a desejou e a provou (Gn 3:6), tendo como consequência que os seus “olhos foram abertos” (Gn 3:7). O fato da Palavra nos dizer que os olhos de Adão e Eva foram abertos, nos informa que até mesmo quando olhamos para algo sem maldade e em completa inocência, como foi o caso de Eva, corremos o risco de cairmos em pecado. Essa verdade reforça ainda mais o perigo que continuamente corremos com os nossos olhos.

“Foi observando que o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal era agradável aos olhos que Eva a desejou e a provou”

Um outro conhecido exemplo da cobiça dos olhos e suas consequências nas Escrituras é a história de Davi. O rei, acostumado com constantes atividades, desta vez ficou em casa enquanto o seu exército saiu para guerrear: “Ora, aconteceu que, numa tarde, Davi se levantou do seu leito e foi passear no terraço da casa real; e do terraço viu uma mulher muito bonita se banhando” ( 2Sm 11:2). O resto dessa triste história conhecemos muito bem, mas algo incrível deste evento é que envolve a pessoa referida na Bíblia como “o homem segundo o coração de Deus” (1Sm 13:14). O rei deveria estar a par do perigo em potencial assim que os seus olhos notaram uma mulher desconhecida em uma situação íntima. O fato dele ter-se demorado na sua observação, a ponto de demonstrar interesse quanto à sua identidade, já indica que ali mesmo se iniciou o seu pecado (Mt 5:28).

Muitas vezes os cristãos deduzem que cobiçam porque lhes falta aquilo que precisam, mas o exemplo do rei Davi demonstra claramente que cobiçamos mesmo quando não há nenhuma necessidade. De fato, ao enviar Natã para confrontar o rei, o próprio Senhor disse a Davi, através do profeta, que lhe deu de tudo o que queria, incluindo várias mulheres, e que se não fosse suficiente o Senhor lhe daria ainda mais (2Sm 12:8). A Davi não lhe faltava nada, mas mesmo sendo ele tão próspero, ainda assim desejou o pouco que o outro tinha. A cobiça dos olhos não tem freios.

Queridos, a forma de lidarmos com a cobiça dos olhos é reconhecendo as nossas fraquezas (Mt 26:41; Ro 7:18). Um dos primeiros passos para se curar de uma enfermidade é que o indivíduo admita estar enfermo. Uma vez que reconheçamos que somos fracos e que não podemos apoiar em nós mesmos, procuraremos eliminar ao máximo toda a situação que nos expõe à tentação (2Tm 2:22; 1Co 15:33; Pv 3:5-6). Esta é uma decisão radical e normalmente criticada e taxada como “extremismo” pelos nossos parentes e “amigos”, mas indispensável se realmente desejamos a vida eterna.  Foi isso o que Jesus quis dizer com a palavras: “Se o teu olho te fizer tropeçar, lança-o fora; melhor é entrares no reino de Deus com um só olho, do que, tendo dois olhos, seres lançado no lago de fogo” (Mc 9:47).

Amados, muito daquilo que o cristão cobiça com os seus olhos ocorre porque ele se expõe desnecessariamente às ilusões desde mundo. As mentiras de Satanás estão sendo transmitidas continuamente via todos os tipos de mídia. Quanto mais o servo de Deus se disponibiliza a ver e ouvir do lixo que pertence ao mundo, mais facilmente ele será apanhado nesta armadilha e começará a cobiçar as coisas que não tem a aprovação de Deus. Irmãos, termino exortando-os que se libertem deste hábito diabólico que é perder o seu precioso tempo olhando para as coisas que não lhes aproximam do Senhor. Procurem sim, olhar para as coisas do alto, em constante santificação, enquanto aguardam o retorno do nosso Salvador. Já não temos muito tempo. Espero te ver no céu.

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