🔊 (Parte 2) Série: O Mundo Está Passando. Estudo Nº 2: O Vazio dos Prazeres [Com Áudio]

(Parte 2) Série: O Mundo Está Passando. Estudo Nº 2: O Vazio dos Prazeres por Markus DaSilva

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Iniciamos esta série semana passada, estabelecendo a base para este segmento sobre os prazeres do mundo. Creio termos feito um bom trabalho, deixando bem claro para os nossos leitores que não existe nenhum pecado no fato de desejarmos usufruir muitos dos prazeres que Deus fez questão de inserir no nosso código genético, representado pelas muitas árvores que Deus colocou no Jardim do Éden para nos satisfazer. Também deixamos claro que o pecado ocorre quando colocamos os nossos desejos acima dos desejos revelados de Deus. Se Deus nunca tivesse expressado o seu desejo a Adão e Eva em relação a uma das árvores, então os nossos pais não seriam culpados de qualquer pecado caso comecem da dita árvore. Isto foi o que o nosso irmão Paulo nos escreveu: “eu não saberia o que é o pecado se não fosse pela lei [os mandamentos de Deus]” (Ro 7:7. Ver também Jo 9:41; Lc 12:47-48; Tg 4:7). Infelizmente, porém, este não foi o caso pois sabiam que estavam agindo contrário ao desejo de Deus. Ou seja, satisfazer ao próprio desejo de experimentar o prazer de comer da fruta da árvore da ciência do bem e do mal foi mais importante para eles do que satisfazer ao desejo do Criador que não a comessem.

“A tentação só funciona quando a sua parte negativa é oculta.”

Notemos, porém, que Eva não comeu da fruta proibida logo de cara. Houve todo um processo que começou no dia em que soube — provavelmente através do seu marido — que existia uma única árvore no jardim que não poderiam comer das suas frutas. Sabemos que esta informação, o único mandamento até então, estava bem registrada na sua mente, pois ela a repetiu com facilidade, corrigindo a serpente quando esta deturpou as palavras de Deus: “É assim que Deus disse: Não comereis de nenhuma árvore do jardim? Respondeu a mulher à serpente: Das frutas das árvores do jardim podemos comer, mas da fruta da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dela, nem nela tocareis, para que não morrais” (Gn 3:1-3).  Mas, apesar de conhecer muito bem o mandamento de Deus, ainda assim não conseguiu resistir à tentação de Satanás de que se desobedecesse ao Criador e comesse daquela árvore se transformaria e passaria a ser igual a Deus, conhecendo o bem e o mal.

Eva não sabia o que “conhecer o bem e o mal” significava. Como poderia? Uma vez que vivia em um ambiente perfeito, onde nenhum mal jamais havia ocorrido? Ela, todavia, sabia que Deus era um ser superior a tudo aquilo que conhecia, e deduziu erroneamente que qualquer coisa que a colocasse em igualdade com o Criador lhe seria vantajoso. Isto era exatamente o que o Diabo queria que ela deduzisse com a sua meia-verdade. Lembremos que o próprio Lúcifer há um tempo atrás se imaginou igual a Deus. Aliás, ele se exaltou tanto que se imaginou “acima das estrelas de Deus” (Is 14:12-17; Ez 28:13-19). O fato é que no final, Eva e o marido — que preferiu ouvir a sua mulher do que ouvir ao Senhor — aprenderam da forma mais dolorosa possível que não se obtém qualquer vantagem quando desobedecemos a Deus e cedemos aos desejos da nossa carne (Prv 14:12). Adão e Eva ignoraram as palavras do Criador e procuraram satisfação em algo criado: uma mera fruta. A fruta, porém, não produziu o efeito esperado, mas sim vergonha, temor e vazio.
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 [Lúcifer → Hebraico: הֵילֵל = (helel) manhã, aquilo que brilha, estrela da manhã]

Existe um vazio em tudo aquilo que é feito contrário às palavras do Senhor, mas, o inimigo certamente nunca revelará este aspecto do pecado durante os seus ataques, pois a tentação só funciona quando a sua parte negativa é oculta. Em outras palavras, Satanás e seus anjos caídos, através do engano e do poder sobrenatural de persuasão que eles possuem, precisam fazer duas coisas para convencer as suas vítimas a desobedecer a Deus e optar por satisfazer os seus desejos com os prazeres do mundo. Duas coisas: exagerar ao máximo a expectativa da parte agradável e diminuir o quanto for possível ou eliminar o temor das decepções e consequências que sempre acompanham. Falaremos mais abaixo sobre estas duas tarefas do maligno.

Nenhum prazer do mundo realmente satisfaz. Isto ocorre porque o mundo apenas pode oferecer coisas criadas e Deus nos fez de tal forma que só encontramos completa satisfação, não naquilo que foi criado, mas sim no Criador: “Pois ele satisfaz a alma sedenta, e enche de bens a alma faminta” (Sl 107:9). Ou seja, algo que foi criado, como nós, não pode se satisfazer completamente através de um outro algo que também foi criado. É por isto que existem tantas decepções e sofrimentos nos namoros, casamentos, parentes, estudos, trabalhos, bens materiais… etc. Tudo isso, por mais importante que pareça, são coisas criadas e quem espera mais do que prazeres limitados e passageiros delas descobrirá com tristeza o vazio que existe em todas elas. Devo lembrar, que até mesmo igrejas, pregadores, cantores, louvores… tudo isso são coisas criadas, e muito embora o objetivo delas é nos ajudar, ainda assim não encontraremos satisfação nelas, e haverá um vazio no coração de todos que dependerem dessas coisas, e não no Criador, para obterem satisfação: “[Senhor], satisfaze-nos de manhã com a tua benignidade, para que nos regozijemos e nos alegremos todos os nossos dias” (Sl 90:14).

Mas, voltando a falar sobre os ataques dos demônios. Durante a tentação, eles procuram cegar as suas vítimas quanto aos dois pontos já mencionados mais acima: os benefícios e as consequências. No caso de Eva, a serpente deu a entender que o grande benefício para Eva seria se igualar a Deus: “no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus” (Gn 3:5), e também convenceu a ela que não haveria nenhuma consequência no ato: “Certamente não morrereis” (Gn 3:4). Também vemos esta verdade de uma forma bem clara no ataque que os demônios fizeram em Amnon, um dos filhos do rei Davi. Primeiramente, Amnon foi convencido que estava desesperadamente apaixonado por Tamar, sua meia-irmã por parte de pai (2Sm 13:1-2). Logo a seguir, foi persuadido ao absurdo que se a estuprasse satisfaria os seus desejos e tudo terminaria bem (2Sm 13:5,14). Sem entrar em detalhes desnecessários, obviamente nada daquilo que Satanás colocou na cabeça do jovem realmente ocorreu. Amnon descobriu tarde demais o vazio que os prazeres do mundo oferecem. Como sempre, não existia sequer uma gota de verdade naquilo que o inimigo prometeu. Os benefícios não foram de forma alguma o que Amnon esperava, aliás, imediatamente após o estupro, ele acordou para a realidade, viu que o prazer obtido não foi nada do que imaginava, sentiu aversão por ela e expulsou a moça da sua casa (2Sm 13:15-17). As consequências também foram bem diferentes do que esperava, pois, pouco tempo depois foi assassinado por Absalão, o irmão (de pai e mãe) da vítima (2Sm 13:28). Eu tenho que enfatizar isto, querido leitores. Pensem bem: A paixão pela moça? Mentira. O prazer que obteria? Mentira. O resultado positivo do que fez? Mentira. É sempre assim, mentiras, pois isto é a única coisas que a serpente pode oferecer, como o próprio Jesus nos revelou: “ele é homicida desde o princípio, e nunca se firmou na verdade, porque nele não há verdade; quando ele mente, fala o que lhe é natural; porque é mentiroso, e pai da mentira” (Jo 8:44).

Queridos, todos os benefícios que o ser humano espera receber dos prazeres do mundo são, ou altamente exagerados, ou completamente falsos. Não que todos os prazeres disponíveis no mundo presente são pecaminosos e que o Senhor não queira que experimentemos prazeres na vida atual, não, de forma alguma, como já explicamos em detalhes no estudo anterior. O que queremos salientar aos nossos leitores é que Deus espera que, voluntariamente, nos livremos de todo apego àquilo que não satisfaz e que cresçamos em santidade à medida que caminhamos rumo à nossa morada final. Que a luz do Espírito Santo que habita em nós, nunca se apague por causa da nossa paixão pelo mundo (Sl 51:11), mas sim que cresça no seu brilho. Isto foi o que Salomão nos disse: “Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Prv 4:18). Que abandonemos o leite e passemos a ingerir alimentos sólidos (1Co 3:2; Heb 5:12). Que cada vez mais procuremos nos satisfazer somente Nele. Que cada vez mais percamos o interesse pelas coisas criadas e foquemos a nossa atenção no Criador. Que todos nós entendamos que só existe uma fonte que nos satisfará: “Como a corsa anseia pelas correntes das águas, assim a minha alma anseia por ti, ó Deus!” (Sl 42:1). Espero te ver no céu.

Nesta Série de Estudos Bíblicos: