🔊 (Parte 4) Série: O Mundo Está Passando. Estudo Nº 4: O Homem e o Tempo [Com Áudio]

(Parte 4) Série: O Mundo Está Passando. Estudo Nº 4: O Homem e o Tempo por Markus DaSilva

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Por Markus DaSilva, Th.D.

No estudo anterior, quando falamos sobre Deus e o Tempo, explicamos que o Senhor criou o tempo de tal forma que cada uma das divisões — passado, presente e futuro — possui a sua própria realidade: o passado possui uma realidade relativa; o presente possui uma realidade infinita, contínua e eterna; e o futuro possui uma realidade em potencial. Explicamos em detalhes cada uma delas. Para este estudo, aprofundaremos um pouco mais na realidade do futuro. Conforme já explicado, a realidade do futuro é em potencial porque o futuro que se espera só virá a ser real se ele realmente ocorrer no presente. Isto é bem óbvio. Por exemplo: vários anos atrás, me recordo que a minha mãe, sem o meu conhecimento, empenhou um imóvel com o objetivo de ajudar a uma pessoa em um projeto. Minha mãe esperava o retorno do dinheiro em questão de meses para assim pagar o empréstimo e manter o imóvel. O dinheiro, porém, nunca foi pago e ela perdeu o imóvel para o credor. Essa transação, quando realizada, foi baseada em um futuro em potencial, como todos os futuros. Caso o pagamento fosse feito no tempo previsto então o futuro teria sido real, mas isso não ocorreu, neste caso o futuro foi falso, conforme o próprio Senhor nos ensinou quando se referiu aos falsos profetas: “Quando o profeta falar em nome do Senhor e tal palavra não se cumprir, nem suceder assim, esta é a palavra que o Senhor não falou; com presunção a falou o profeta; não o temerás” (Dt 18:22).

“O futuro que Deus colocou diante do homem é aquele que o homem escolher no presente.”

Deus, que existe fora do tempo e que, portanto, controla todas as suas divisões, incluindo o futuro, nos fez de tal forma que podemos nos beneficiar da sua bondade em relação ao nosso futuro, atuando no presente. Podemos rejeitar tudo aquilo que nos prejudica e escolher somente aquilo que nos é vantajoso. Foi isso o que o Senhor nos disse através de Moisés: “te pus diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência” (Dt 30:19). Ou seja, o futuro que Deus colocou diante do homem é aquele que o homem escolher no presente.

O mundo está passando e com ele os seus desejos. O homem que recusou as oportunidades de maior intimidade com Deus, e de menos apego aos desejos deste mundo, no presente, ele próprio determinou o seu futuro. Neste caso, o Senhor colocou diante dele a escolha do futuro que prefere: “a vida e a morte, a bênção e a maldição”, e estranhamente ele preferiu não o futuro que gostaria, mas sim aquele não deseja que lhe sobrevenha. Explicando melhor. O cristão que hoje escolher, através do seu viver, as bênçãos, ele de fato receberá um futuro de bênçãos, caso contrário ele está preferindo um futuro de maldições. Deus de forma alguma lhe enviará bênçãos se a sua escolha, através do seu viver no presente, for de maldições. É bom ressaltar aqui, que para Deus, o escolher do homem está apenas ligado àquilo que o homem faz e não àquilo que ele pensa no seu íntimo, ou deseja no seu coração, ou canta no seu louvor, ou fala com a sua boca. Jesus foi bem claro quanto a isso quando nos contou a parábola do pai que pediu aos dois filhos para trabalhar na sua plantação. O primeiro disse que não ia, mas depois foi e o segundo disse que ia, mas não foi. Jesus perguntou: “Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram eles: O primeiro” (Mt 21:31).

O cristão se ilude com a ideia de que os dias seguirão vindo indefinidamente, e não vê que o tempo passando na sua frente está repleto de oportunidades que Deus colocou antecipadamente (no futuro do cristão) para que ele pegue e utilize para que assim o futuro que o cristão espera seja verdadeiro e não falso: “Porque somos criação do Senhor, criados em Cristo Jesus para fazermos aquilo que é benéficoΩ, as quais Deus já antes [antes de nascermos, no nosso futuro] preparou para que assim vivêssemos [no presente]” (Ef 2:10).
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Ω [Grego: ἐπὶ ἔργοις ἀγαθοῖς (epi ergois agathois) = fazer aquilo que é bom; fazer o que é benéfico; praticar boas obras; praticar atos benéficos]

A pergunta lógica que se segue é o porquê tantos cristãos agem assim. Porque seguem esperando um bom futuro por parte de Deus, mas não vivem o presente que garantirá o bom futuro. Eles agem assim porque entendem que haverá mais oportunidades. Ou seja, cada vez que o cristão desconsidera a suave voz do Espírito para uma maior aproximação de Deus ele normalmente está contando, sem nenhuma base para isso, que Deus colocou mais oportunidades no seu futuro e que, portanto, haverá novas chances. Foi esse o aviso que recebemos do autor de Hebreus: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações” (Heb 3:15).

Na sua entrada triunfal em Jerusalém, montado em um jumentinho para assim cumprir mais uma profecia messiânica (Zc 9:9), Jesus se deparou com um povo que continuamente recusava reconhecer que ali, diante dos seus olhos, estava a esperança de Israel. O futuro que aguardavam por séculos estava agora no presente, mas preferiam continuar esperando. De fato, esperam até hoje pelo futuro que veio cerca de 2000 anos atrás: “te lançarão por terra, Jerusalém, tu e os teus filhos que dentro de ti se encontram. Não deixarão pedra sobre pedra, porque tu não reconheceste a oportunidade que veio de Deus” (Lc 19:44).

Os eventos e períodos que surgem na vida do cristão não ocorrem por acaso. Alguns destes são testes, outros treinamentos e ainda outros são momentos decisivos que, se houver uma resposta positiva, podem definir positivamente todos os anos que ainda lhe resta nesta vida, e por consequência a sua situação, também positiva, na vida futura. Quase 20 anos atrás, eu e minha esposa passamos por um desses momentos decisivos, quando ouvimos claramente a voz do Senhor nos chamando para uma completa mudança de vida. O nosso relacionamento com Deus até então era distante, sem intimidade, sem compromisso, sem convicção, mas mesmo assim, como a maioria dos nossos irmãos e irmãs na igreja, esperávamos que Deus tivesse um bom futuro nos esperando. A verdade é que não éramos frios e não éramos quentes, e independentemente do tipo de futuro que desejássemos, no final seríamos vomitados tal qual nos alertou Jesus: “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és quente nem frio, vomitar-te-ei da minha boca” (Ap 3:15-16). Louvado seja o nome do Senhor nosso Deus, porque respondemos ao seu chamado para perder a nossa vida neste mundo por amor a Jesus e assim a encontraremos no céu (Mt 16:25; 2Tim 4:8). Não sabemos o que seria de nós se, pela fé, não estivéssemos caminhando com o nosso amado Jesus desde aquele momento decisivo.

Queridos, reconheço que parte deste estudo pode ter sido um pouco confuso e difícil de entender, isso é porque falar de tempo é realmente algo difícil para todos nós. Sobretudo quando procuramos conciliar a nossa visão tão limitada do tempo, e a forma que Deus interage conosco estando fora do universo temporal. Mas sei que o ponto principal do texto foi bem claro, que é que não devemos nos iludir imaginando que podemos seguir levando uma vida sem uma completa dedicação a Deus, confiando que faremos isso mais para frente. Quem age assim está desnecessariamente arriscando algo que de forma alguma deveria arriscar que é a vida eterna. Lembre-se da realidade do futuro mencionada acima, que é a “realidade em potencial”. Todos nós esperamos estar no céu no futuro, mas a menos que atuemos no presente para que este futuro realmente ocorra, o futuro que tanto desejamos não ocorrerá: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará [futuro em potencial] no reino dos céus, mas aquele que faz [no presente] a vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mt 7:21). Espero te ver no céu.

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