🔊 (Parte 5) Série: O Mundo Está Passando. Estudo Nº 5: Num Abrir e Fechar de Olhos [Com Áudio]

(Parte 5) Série: O Mundo Está Passando. Estudo Nº 5: Num Abrir e Fechar de Olhos

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Dizem que é apenas um mito, mas por anos pensava que realmente os avestruzes enterravam a cabeça na areia sempre que eram ameaçados. Mito ou não, o fato é que este comportamento deu nome a uma atitude conhecida como a síndrome do avestruz, que se refere ao indivíduo que em vez de enfrentar os seus problemas face a face prefere fazer de conta que não existem. Assim se comportam multidões dentro do cristianismo quando se trata de reconhecer como este mundo está passando rapidamente. Milhões dentro das nossas igrejas vivem como se o amanhã estivesse mais que garantido (Tg 4:15; Prv 19:2). Simplesmente persistem em não aceitar o fato de que a qualquer momento, num abrir e fechar de olhos, deixaremos este mundo, e assim seguem vivendo em completa insensatez. Jesus nos alertou quanto a esse tipo de atitude: “Insensato, esta noite te pedirão a tua alma” (Lc 12:20). Ver também: Jó 27:8; Mt 24:43; 1Co 15:52; 1Ts 5:2; Ap 16:15.

“Ninguém vive sequer um segundo a mais ou a menos além do tempo que Deus determinou.”

Tirando o rei Ezequias, a quem Deus deu exatamente 15 anos adicionais para viver (Is 38:5), o homem comum não pode garantir que amanhã estará vivo. Esta é uma realidade que vai além de religião. Quero dizer que, desde o mais santo dos santos, até o mais descrente dos descrentes, todo o indivíduo é forçado a reconhecer esse fato.

O tempo é uma ilusão. De vez em quando a minha esposa me chama para me mostrar uma foto no seu tablet de algum conhecido que já faz muitos anos que não vemos. O choque é sempre o mesmo. Não adianta. Por mais que a pessoa tenha “envelhecido bem”, as rugas, os cabelos grisalhos e o olhar cansado estão sempre lá. Mas algo interessante é que quando acordamos, vamos ao banheiro, olhamos no espelho e vemos a nossa imagem refletida, não ficamos chocados, pelo menos não todas as manhãs. O motivo é óbvio. Enquanto a nossa imagem está sendo continuamente atualizada na mente, as das pessoas que perdemos o contato não estão e ainda retemos na memória os seus traços fisionômicos de anos atrás. Esta contínua atualização da nossa imagem cria a ilusão de que o tempo passa muito mais rápido para os outros do que para nós. Se olhássemos no espelho, digamos, apenas a cada cinco anos, reconheceríamos com mais facilidade a realidade que é a brevidade da nossa passagem por este mundo.

Erramos por não possuir um senso de seriedade e urgência nas nossas decisões. Quando dizemos que o tempo é uma ilusão, queremos dizer que a continuidade do presente [ver estudo número três desta série] facilita para que esqueçamos que os nossos dias nesta fase da vida foram preestabelecidos por Deus: “Eis que mediste os meus dias a palmos; o tempo da minha vida é como que nada diante de ti” (Sl 39:5). Isto significa que é um erro pensar que os anos que nos restam depende do quão cuidadosos seremos com a nossa vida, ou da qualidade do nosso plano de saúde. O rei Ezequias mencionado acima, se não fosse a palavra de Deus que viveria por mais 15 anos, teria morrido em questão de dias tal qual alertado pelo Senhor: “Naqueles dias Ezequias adoeceu e esteve à morte. E veio ter com ele o profeta Isaías, filho de Amoz, e lhe disse: Assim diz o Senhor: Põe em ordem a tua casa, porque morrerás, e não viverás” (Is 38:1). Eu lhe garanto que ele morreria, independentemente de qualquer cuidado que tivesse. Médicos, remédios, dietas, tratamentos ou qualquer outra coisa que tentasse seria em vão. Da mesma forma, após Deus ter lhe estendido o seu tempo aqui na terra, por mais irresponsável que fosse com a sua saúde ele não morreria até que o tempo profetizado fosse cumprido: “Vai e dize a Ezequias: Assim diz o Senhor, o Deus de Davi teu pai: Ouvi a tua oração, e vi as tuas lágrimas; eis que acrescentarei aos teus dias quinze anos” (Is 38:5). Eu sei que esta verdade pode parecer estranha nos nossos dias, onde se põe tanta confiança no conhecimento humano e nos avanços médicos, mas eu lhe garanto sem a menor dúvida, que nada mudou e nunca mudará: ninguém vive sequer um segundo a mais ou a menos além do tempo que Deus determinou.

Saindo fora do tema, deixe-me salientar dois pontos: primeiro, também é verdade que assim como ocorreu com Ezequias, o Senhor pode estender a vida de qualquer um que lhe pede, segundo a sua sabedoria, bondade e vontade. Segundo, estou apenas me referindo ao tempo de vida e não à qualidade de vida. Não sabemos como Ezequias viveu os seus anos suplementares, mas se não se cuidou, é bem provável que não foram anos saudáveis. Acho que fui claro.

Existem dois motivos fortes que fazem com que tantos cristãos se iludem quanto ao tempo que possuem aqui na terra e sigam vivendo sem uma vida completamente dedicada a Deus: o primeiro é a aversão e medo natural que temos da morte. O segundo, que está ligado ao primeiro, é a insistência de vivermos na carne e não no espírito.

Escrevendo este parágrafo, me lembrei do nosso querido irmão Tomé, que quando Jesus informou que estava voltando à casa de Maria, Marta e Lázaro, onde os judeus estavam à sua procura para matá-lo, disse com a maior naturalidade para os outros apóstolos: “então vamos também para morrermos com ele” (Jo 11:16). Simplesmente amo estas palavras de Tomé. O apóstolo, sempre visto desfavoravelmente por duvidar que Jesus havia realmente ressuscitado, demonstrou que não temia a morte, desde que morresse junto com o seu Mestre.

Ligado à aversão à morte, está o nosso apego à vida atual, naturalmente. Como seres viventes, temos que nos apegar em alguma forma de vida. Se não for em uma vida voltada para o céu, então será em uma vida focada no mundo presente. Embora reconheço que muitos, influenciados pelos seus líderes carnais, se iludem e pensam ser possível possuir um coração voltado tanto para a vida eterna como para o mundo presente. Possuem um coração dividido: “Ensina-me, Senhor, o teu caminho, e andarei na tua verdade; une o meu coração para temer o teu nome” (Sl 86:11). Ver também Tg 1:8; Mt 6:24.

Queridos, terminando esta série, gostaria de exortá-los que fiquem alertas, pois agora, a qualquer momento, num abrir e fechar de olhos sairemos daqui (1Co 15:52). Num abrir e fechar de olhos ouviremos o nosso nome com uma voz que não teremos dúvidas de que não foi um ser humano que o pronunciou. Viraremos o rosto na direção da voz e imediatamente saberemos o que acabou de acontecer. Não será necessária nenhuma explicação, pois, ao vermos com os nossos próprios olhos os seres espirituais nos rodeando, saberemos instintivamente que o nosso tempo na terra terminou. Num abrir e fechar de olhos sairemos deste planeta e estaremos na nossa morada permanente. Imploro, irmãos, que vocês estejam completamente preparados para aquele dia. O dia que para um pequeno povo será o mais desejável dia que já existiu (Lc 12:32); enquanto para uma grande multidão será um dia que gostariam que nunca chegasse (Mt 25:41). Este mundo está passando e com eles os seus desejos. Não sigam vivendo, como muitos o fazem nas igrejas, esperando por um glorioso futuro e ao mesmo tempo negligenciando a santificação que o Senhor espera dos seus verdadeiros filhos no presente (Heb 12:14; 1Pe 1:14-16). Num abrir e fechar de olhos: “No entanto, não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois um vapor que aparece por um pouco, e logo se desvanece” (Tg 4:14). Espero te ver no céu.

Nesta Série de Estudos Bíblicos: