🔊 (Parte 12) Serie: O Sermão da Montanha. Estudo Nº 12: As Bem-aventuranças: Bem-aventurados os Perseguidos por Causa de Jesus [Com Áudio]

(Parte 12) Serie: O Sermão da Montanha. Estudo Nº 12: As Bem-aventuranças: Bem-aventurados os Perseguidos por Causa de Jesus [Com Áudio]

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Neste estudo encerramos a primeira parte do sermão da montanha ensinado por Jesus, que são as nove bem-aventuranças. A conhecida bem-aventuranças é uma série de promessas de recompensas feitas por Cristo para todo aquele que afirma ser um dos seus discípulos, ou aprendiz, como o termo significa no original grego [μαθητής (mathētēs)]. Cada promessa está conectada com um dos traços de caráter do cristão. É importante entendermos que as bem-aventuranças, e o sermão do monte como um todo, não são ensinos dados à população em geral, nem tampouco é uma fórmula para melhorar a condição deste mundo, conforme alguns escritores seculares — e até alguns cristãos — sugerem, mas são ensinos direcionados somente às pessoas que já aceitaram a Jesus como o Messias, o salvador da humanidade, e que agora procuram saber como devem viver os cidadãos do Reino de Deus enquanto estiverem aqui neste vale de lágrimas que é a terra: “Jesus, pois, vendo as multidões, subiu ao monte; e, tendo se assentado, aproximaram-se os seus discípulos, e ele se pôs a ensiná-los” (Mt 5:1-2). Qualquer indivíduo que observar o conteúdo das bem-aventuranças verá rapidamente que Jesus está simplesmente relatando o que ocorre e o que ocorrerá com todo aquele que o Pai separou do mundo e lhe enviou para ser um dos seus: “Revelei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Eram teus, e tu os deste a mim; e eles têm obedecido à tua palavra” (João 17:6).

“Por quê este mundo haveria de perseguir um grupo de pessoas que vive como o mundo vive e ama as mesmas coisas que o mundo ama?”

As bem-aventuranças servem como uma lista de evidências de discipulado. Ao ouvirmos cada uma delas, é de suma importância fazermos uma autoanálise para assim sabermos se de fato temos demonstrado os sinais de que somos cidadãos do Reino de Deus: como pobres de espíritos reconhecemos a nossa dependência de Deus? Choramos de luto porque perdemos muitas pessoas e coisas por amor a Jesus? Somos mansos e humildes? … e assim sucessivamente. Cada bem-aventurança nos revela detalhes sobre o nosso viver, agora que passamos a obedecer aos mandamentos de Jesus, e assim provamos que de fato o aceitamos e o amamos: “Naquele dia conhecereis que estou em meu Pai, e vós em mim, e eu em vós. Aquele que tem os meus mandamentos e os obedece, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele” (João 14:20-21).

A última bem-aventurança do sermão da montanha — ou sermão do monte — revela o resultado natural e esperado de um viver em obediência aos mandamentos de Jesus: “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa. Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram aos profetas que foram antes de vós” (Mt 5:11-12). Notemos que Jesus usou a conjunção: “quando” [Gr. ὅταν (otán)] e não a partícula condicional: “se” [Gr. εἰ (eí)] ao descrever o que sucederia com os seus seguidores. Ou seja, a perseguição que nós, os verdadeiros discípulos de Cristo, temos que enfrentar nesta vida é garantida. A questão não é “caso sejamos perseguidos”, mas sim “quando formos perseguidos”. Também entendemos com estas palavras de Jesus que se um indivíduo não sofrer perseguições neste mundo por causa do seu amor a Jesus a razão então é que este indivíduo de fato não é um dos seus seguidores, ainda que ele insista em dizer que é um cristão.

Qualquer tipo de perseguição só ocorre quando existe discordância. Pessoas que concordam entre si não perseguem umas às outras, isso é algo bem óbvio. Os seguidores de Jesus neste mundo são perseguidos porque o seu modo de viver discorda da maneira que o mundo em geral vive. Os interesses daqueles que de fato são cidadãos do Reino são completamente diferentes dos cidadãos deste mundo. Os cidadãos deste mundo servem a si mesmos, enquanto os cidadãos do Reino servem a Cristo. Os cidadãos deste mundo pensam o tempo todo em como satisfazer aos seus próprios desejos. Os cidadãos do Reino, em contraste, estão continuamente meditando sobre como satisfazer aos desejos do Senhor. Este era o comportamento de Jesus quando esteve conosco e este também é o comportamento dos cidadãos do Reino: “E aquele que me enviou está comigo; não me tem deixado só; porque faço sempre o que é do seu agrado” (João 8:29).

A maior parte dos cristãos nestes últimos dias não sofrem nenhum tipo de perseguição porque não existe nenhuma razão para serem perseguidos. Por quê este mundo haveria de perseguir um grupo de pessoas que vive como o mundo vive e ama as mesmas coisas que o mundo ama? Os seus prazeres são os mesmos; curtem as mesmas coisas e possuem os mesmos interesses.

Enquanto escrevo este estudo, neste mês de julho de 2019, está ocorrendo um evento esportivo na América Latina, algo que imagino ser do conhecimento de praticamente todos nos países envolvidos. Muitos dos nossos leitores sabem que já há vários anos minha esposa e eu abandonamos todos os prazeres do mundo por amor a Jesus. Se não tivesse tomado esta decisão, eu certamente seguiria este evento esportivo, e muitos outros, com o mesmo interesse que o mundo segue. Mas não sigo, pois o meu foco deixou de ser os poucos anos que possivelmente viverei neste planeta, mas sim a eternidade que passarei com o meu Deus. Eu sei que a maior parte dos cristãos consideram a minha atitude exagerada, desnecessária, legalista, farisaica, ou, como gostam de dizer, algo que “não tem nada a ver”, mas a realidade é que eu e a minha querida esposa não estamos fazendo nada mais do que aquilo que o apóstolo João ouviu diretamente dos lábios de Jesus e nos escreveu: “Quem ama a sua vida, perdê-la-á; e quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna. Se alguém me quiser servir, siga-me; e onde eu estiver, ali estará também o meu servo; se alguém me servir, o Pai o honrará” (João 12:25-26). Este mesmo apóstolo, anos mais tarde também nos instruiu: “Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (1Jo 2:15). Estas e muitas outras passagens nas Escrituras não deixa a menor dúvida de que seguir a Jesus e herdar o Reino de Deus não é para os fracos. Observem que não estou falando aqui de fraqueza em relação ao pecado (este é um outro assunto), mas simplesmente em ser tão fraco que a pessoa nem sequer está disposta a abandonar uma simples paixão mundana, como jogos, filmes, seriados… e coisas semelhantes para assim ganhar a vida eterna. Não me entendam mal, eles querem muito ganhar a vida eterna, apenas não estão dispostos a perder a vida atual. Eles preferem muito mais dar ouvidos aos seus líderes carnais do que dar ouvidos a Jesus. Foi isso o que o nosso irmão Paulo quis dizer quando escreveu: “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos” (2Tm 4:3). Esse tempo a que Paulo se refere já chegou. O que mais existe dentro das nossas igrejas são mestres completamente apaixonados pelas coisas que há no mundo e que se deleitam em guiar os seus alunos a seguir no mesmo caminho da perdição em que caminham: “Deixai-os; são guias cegos; ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão no barranco” (Mt 15:14).

Considerando a semelhança entre o que se vê no mundo e o que se vê nas igrejas, não é de se surpreender que pouco se ouve sobre perseguição por amor a Jesus nestes últimos dias. Agora, é certo que quando um irmão ou irmã decide verdadeiramente viver em obediência aos mandamentos de Jesus, sem se importar em como o resto da igreja vive, a perseguição surgirá. Com poucas exceções, as nossas igrejas estão completamente imersas nas coisas do mundo e não aceitarão de forma alguma que alguém ouse recusar, e muito menos discordar, daquilo que tanto amam.

Ao descrever a perseguição que os seus verdadeiros seguidores sofrem por amor do seu nome, Jesus nos passou uma informação que serve tanto de consolo como também de referência: “porque assim perseguiram aos profetas que foram antes de vós” (Mt 5:12). Assim que ouvirmos Jesus mencionar os profetas, podemos pensar em vários deles, mas um que vem imediatamente à mente é Jeremias. De fato, Jeremias sofreu todo o tipo de perseguição por defender a causa de Deus. Foi humilhado, falsamente acusado, e abusado fisicamente, por ser um mensageiro da verdade. Parece que ele já sabia o que lhe aguardava quando apelou para a idade e timidez, na tentativa de se ver livre do chamado de Deus para pregar a verdade a um povo que preferia viver na mentira: “Então disse eu: Ah, Senhor Deus! Eis que não sei falar; porque sou um menino. Mas o Senhor me respondeu: Não digas: Eu sou um menino; porque a todos a quem eu te enviar, irás; e tudo quanto te mandar dirás. Não temas diante deles; pois eu sou contigo para te livrar, diz o Senhor” (Jr 1:6-8).

Algo incrível sobre os profetas do passado e que também ocorre conosco é que por mais que eles pregassem as verdades do Senhor, os ouvidos daqueles que se diziam fazer parte do povo escolhido se mantinham fechados: “Mas eles não escutaram, nem inclinaram os seus ouvidos; antes foram teimosos, para não ouvirem, e para não receberem instrução” (Jr 17:23). Exatamente assim é a nossa situação quando pregamos a obediência às palavras de Jesus nas nossas igrejas mundanas. Os nossos irmãos e irmãs não querem ouvir qualquer mensagem de sacrifício pessoal ou de morrer para o eu e utilizam de todo o tipo de falsos argumentos para cancelar os mandamentos de Jesus, apesar de o Senhor ter sido bem claro que tudo o que ele disse seguiria valendo até o último dia deste mundo: “Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras jamais passarão” (Mt 24:35). Mas, assim como ocorreu nos dias dos profetas, o povo de Deus no presente, em companhia dos seus líderes, muito em breve verão a pesada mão do Senhor descer sobre eles: “Assim diz o senhor: Eis que estou preparando mal contra vós, e projeto um plano contra vós; convertei-vos pois agora, cada um do seu mau caminho, e corrija os vossos caminhos e as vossas ações. Mas eles dizem: Não adianta; porque continuaremos vivendo como sempre, e cada um fará segundo o desejo do seu mau coração” (Jr 18:11-12).

Queridos, terminando esta primeira parte do Sermão da Montanha, quero encorajá-los com as maravilhosas promessas que Jesus nos fez nas bem-aventuranças. Relembrando que todas as promessas de Deus são sempre cumpridas: “Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele dito, não o fará? Ou, havendo falado, não o cumprirá?” (Nm 23:19). Jesus nos prometeu que se formos fiéis à missão que nos foi dada aqui na terra seremos consolados por tudo aquilo que perdemos por sua causa. Seremos fartos da sua retidão, receberemos da sua misericórdia, herdaremos a terra e veremos a Deus. Ó glória, que vida maravilhosa teremos muito em breve. Não desanimem por causa da oposição que certamente virá. Afinal, quando pregamos as palavras de Jesus neste mundo em trevas estamos assumindo uma posição ofensiva contra o príncipe das trevas: “Amados, não estranheis a ardente provação que vem sobre vós para vos experimentar, como se coisa estranha vos acontecesse; mas regozijai-vos por serdes participantes das aflições de Cristo; para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e exulteis” (1Pe 4:12-13). Espero te ver no céu.

Nesta Série de Estudos Bíblicos:
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