🔊 (Parte 13) Serie: O Sermão da Montanha. Estudo Nº 13: Sal e Luz: Vós Sois o Sal da Terra [Com Áudio]

(Parte 13) Serie: O Sermão da Montanha. Estudo Nº 13: Sal e Luz: Vós Sois o Sal da Terra [Com Áudio]

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Por Markus DaSilva, Th.D.

No último estudo, terminamos a primeira parte do Sermão da Montanha que são as conhecidas bem-aventuranças. Foram nove recompensas que Jesus prometeu aos seus verdadeiros seguidores por todos os sacrifícios pessoais e sofrimentos que passariam neste mundo por causa do amor e fidelidade demonstradas ao seu Mestre. Jesus terminou as bem-aventuranças nos encorajando com a informação de que, muito embora aquilo que passamos aqui por sua causa é motivo de tristeza, devemos lembrar que muito em breve tudo isto passará e então nos veremos em um local onde viveremos eternamente livre de todo o tipo de sofrimento: “Alegrai-vos e exultai, porque é grande a vossa recompensa nos céus” (Mt 5:12).

“Quando Jesus nos alertou que se negligenciarmos a nossa função de sal não serviremos para mais nada, além de ser jogado fora e pisado pelos homens, devemos levar este aviso muito a sério.”

Logo após as bem-aventuranças, Jesus continuou o seu diálogo com os discípulos nos dando uma explicação do porquê é necessário que aqueles que foram separados do mundo para a vida eterna vivam de uma forma tão diferente dos demais. Para que ficasse bem claro, Jesus usou de duas metáforas: sal e luz. O sal porque conserva e a luz porque ilumina. Neste estudo lidaremos apenas com as implicações da primeira: “Vós sois o sal da terra; mas se o sal se torna inútil [Literal: Idiota, tolo], com que se há de restaurar-lhe a força [para conservar]? Não presta para mais nada, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens” (Mt 5:12-13). Além desse verso, o qual Jesus utilizou da metáfora do sal como um conservante, o evangelista Marcos menciona Jesus também utilizando da mesma metáfora do sal, porém como tempero e em um outro contexto: “Bom é o sal; mas, se o sal perder o gosto, como porás o sabor de volta? Tende sal em vós mesmos, e mantenha a paz uns com os outros” (Mc 9:50). Mas este versículo não faz parte desta série e o cobriremos em um outro estudo, se o Senhor nos instruir.

No Sermão da Montanha, Jesus descreve uma situação comum na época em que o sal era a forma mais usada para conservar alimentos perecíveis, especialmente peixes e carnes em geral. Se o dono de uma casa não protegesse devidamente os sacos de sal no seu depósito, com o tempo, a chuva e a umidade poderiam lavar o cloreto de sódio do sal e o que sobraria nos sacos seria apenas as impurezas que porventura estivessem agarradas ao sal, como terra, areia e outras sujeiras, e ainda que restasse um pouco de sal entre o resíduo, ele “não presta para mais nada, senão para ser lançado fora, e pisado pelos homens” (Mt 5:12-13).

Um outro ponto que devemos esclarecer sobre essa passagem sobre o sal, é que o verbo que normalmente é traduzido como “se tornar insípido”, ou “sem gosto” [mōrainō], deveria ser corretamente traduzido como “se tornar inútil”: [Gr. εαν δε το αλας μωρανθη (ian de to alas moranthe)]. Todas as outras vezes que este verbo foi usado na Bíblia, seja no Novo Testamento ou no Velho (Septuaginta), o significado foi se referindo às pessoas se tornarem tolas ou fazer algo tolo, ou seja, algo inútil (2Sm 24:10; Is 19:11; Is 44:25; Jr 10:14; Ro 1:22; 1Co 1:20). Este mesmo significado pode ser observado também nos escritos clássicos gregos da mesma época. Entendemos então que o que Jesus disse foi: “Vós sois o sal da terra; mas se o sal se torna inútil, com que se há de restaurar-lhe a força?” (Mt 5:12-13). Esta força [σχύω (isruo)] a que Jesus se refere é a força de preservação do sal que era de suma importância no período bíblico, e não se refere ao sabor característico do sal. Se o que Jesus tinha em mente fosse recuperar o sabor do sal, o verbo usado seria [ἀρτύω (artuō) tempero] e não o verbo [σχύω (isruo)], que significa: ter força, ser capacitado, ser forçado ou prevalecer. Nenhum destes possíveis sentido do verbo pode ser traduzido como “se tornar insípido”, mas dizer que o sal perdeu a sua força para conservar, ou preservar, faz todo o sentido. Em última análise, porém, não faz muita diferença se falarmos que o sal se tornou insípido ou sem força para conservar, pois na prática estamos falando da mesma coisa, mas é simplesmente uma questão de procurar ser fiel ao máximo às palavras de Jesus, e não se sentir na liberdade de mudar isto ou aquilo, ainda que com boas intenções.

Mas voltando ao assunto principal deste estudo, quando observamos a continuação deste início do Sermão da Montanha, que começou com as bem-aventuranças e que seguiu até a falsa religião dos fariseus no verso 21 do capítulo 5 de Mateus, torna-se óbvio que somos o sal da terra por dois motivos, ambos ligados à preservação da retidão de Deus mencionada no verso anterior. Primeiramente, preservamos a retidão de Deus contra aqueles que imaginam que a vinda de Jesus de alguma forma cancelou os preceitos de Deus: “Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir” (Mt 5:17); e em segundo lugar, preservamos a retidão do Senhor contra aqueles que distorcem a santa Palavra de Deus para o seu próprio benefício: “Pois eu vos digo que, se a vossa retidão não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus” (Mt 5:20).

Deus sempre manteve um pequeno grupo de pessoas na terra responsável por preservar e disseminar as suas verdades. Este pequeno grupo sempre viveu em um nítido contraste com o resto da população, que baseia a sua forma de viver, não nas verdades de Deus, mas sim nas mentiras de Satanás. O mundo em que vivemos está imerso por completo nas ilusões criadas pelo inimigo e se Deus não providenciasse um pequeno rebanho (Lc 12:32) que retivesse a sua verdade e a repassasse aos demais, todos nós estaríamos presos nesta prisão satânica e viveríamos para sempre crendo erroneamente que este mundo de podridão ao nosso redor é de fato o verdadeiro mundo, que sempre foi e sempre será assim. Ou seja, a grande tarefa do inimigo é fazer com que todos nós nos conformemos com o ambiente em que vivemos e não tenhamos nenhuma esperança em um futuro melhor.

O sal — que somos nós — conserva o mundo para que ele não apodreça de vez. Ao mantermos as nossas vidas em harmonia com as santas Palavras de Deus; ao mostramos ao mundo que é possível sim, viver em obediência a tudo aquilo que o nosso Criador nos instruiu; e ao repassarmos para o mundo tudo aquilo que recebemos do nosso Pai: o seu amor, a sua paciência, a sua misericórdia, o seu perdão e a sua bondade, então estamos de fato atuando como sal e impedindo que a terra caia em completa putrefação.

As palavras de Jesus neste estudo infelizmente também contêm um alerta: “Se o sal se torna inútil, com que se há de restaurar-lhe a força?” (Mt 5:13). Se nós, que atuamos como conservantes da terra através da nossa vida em obediência a Jesus (João 14:15); através do nosso viver separado de tudo aquilo que não exalta o Nome do nosso Deus (1Jo 2:15); através de um viver onde o eu foi sacrificado por causa do nosso amor a Jesus (Mt 10:37). Se abandonarmos este viver que é exatamente o diferencial entre nós e os outros habitantes da terra, então nos tornamos inúteis na nossa função de conservantes do planeta. Perdemos a força de preservar característica do sal e não temos como recuperá-la: “com que se há de restaurar-lhe a força?”

As últimas palavras de Jesus neste verso são arrasadoras: “com que se há de restaurar-lhe a força? Não presta para mais nada, senão para ser lançado fora, e pisado pelos homens” (Mt 5:12-13). Com estas palavras, Jesus remove toda a possibilidade de que o homem que faz parte do povo de Deus, o abandone, e depois retorne. Este é um ponto muito difícil de aceitarmos, mas as palavras de Jesus não deixa a menor dúvida de que é possível alguém atuar neste mundo como um instrumento de Deus para o bem dos outros (ser sal na terra), mas mesmo assim, através do descuido com o seu próprio relacionamento com Deus, deixar de ser um dos salvos do Senhor (deixar de ser sal). O nosso irmão Paulo era cuidadoso para que isto não ocorresse com ele: “…depois de pregar a outros, eu mesmo não venha a ficar reprovado” (1Co 9:27. Ver também Heb 6:4-6; 2Pe 2:20-21). Mas nem precisamos de Paulo ou Pedro para endossar esta verdade, já que o próprio Jesus nos descreveu um grupo de supostos cristãos que, muito embora demonstrem sinais de conversão, são de fato desconhecidos de Jesus: “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a desobediência à lei” (Mt 7:22-23. Ver também Mt 13:20-21; 1Jo 2:19).

Queridos, Jesus nos disse que somos o sal da terra. Deus certamente que poderia manter a sua retidão neste mundo utilizando os anjos, ou mesmo sem utilizar a ninguém, pois, sendo todo poderoso, Ele não precisa de nenhum ser para fazer qualquer coisa que queira (Jr 32:27; Mt 19:26). No entanto, na sua perfeição, e como parte do seu plano mestre, Deus decidiu que seremos os responsáveis para que o pecado não tome conta de vez do mundo, até que Jesus retorne e acabe permanentemente com o reino do Maligno (Ap 11:15). Quando Jesus nos alertou que se negligenciarmos a nossa função de sal não serviremos para mais nada, além de ser jogado fora e pisado pelos homens, devemos levar este aviso muito a sério. Muitos falam de querer mais da unção de Deus na sua vida, mas não estão sequer exercendo a sua função de sal. Ser sal é algo natural que ocorre com todos os filhos de Deus. Ou seja, querendo ou não, já somos sal. O que temos que ter certeza é que não estamos perdendo a nossa capacidade de salgar e nos apodrecendo junto ao ambiente que nos envolve: “E não vos conformeis a este mundo” (Ro 12:2). Espero te ver no céu.

Nesta Série de Estudos Bíblicos:
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