🔊 (Parte 11) Serie: O Sermão da Montanha. Estudo Nº 11: As Bem-aventuranças: Bem-aventurados os Perseguidos por Causa da Justiça [Com Áudio]

Uma foto de montanhas com neve a beira de um lago.  Serie: O Sermão da Montanha. Estudo Nº 11: As Bem-aventuranças: Bem-aventurados os Perseguidos por Causa da Justiça [Com Áudio]Markus DaSilva

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Estamos nos aproximando do fim das bem-aventuranças ensinadas por Jesus no Sermão da Montanha. Conforme já explicado no início da série, alguns estudiosos consideram esta bem-aventurança e a próxima como sendo a mesma, e pode até ser que tenham razão, mas como Jesus fez uma pausa e mudou da terceira pessoa do plural: “bem-aventurados são aqueles” [μακαριοι οι (makarioi oi)] para a segunda: “bem-aventurados são vocês” [μακαριοι εστε (makarioi este)], achamos por bem considerar o versículo 10 e os versículos 11 e 12 do capítulo 5 de Mateus como duas bem-aventuranças separadas. Na primeira, Jesus promete o Reino dos Céus para aqueles que são perseguidos por causa da retidão e na segunda a promessa é de bênçãos em geral, e feita especificamente para quem é perseguido por causa da sua esperança em Cristo. Esta segunda — a qual se Deus nos permitir, escreveremos sobre ela no próximo estudo — nos transmite a ideia de ser um apanhado geral de todas elas: uma espécie de resumo.

“Qualquer um que procura a santificação da igreja é visto, não como alguém que deseja o bem, mas sim como um inimigo, senão como o próprio Satanás.”

Na bem-aventurança deste estudo Jesus nos disse: “Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da retidão, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5:10). Notamos de imediato que a promessa desta bem-aventurança, o Reino dos Céus, é a mesma da primeira bem-aventurança feita para os pobres de espírito. Notamos também, a semelhança entre esta bem-aventurança e a quarta: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de retidão porque eles serão fartos” (Mt 5:6). Neste caso, ambas as promessas são para aqueles que amam a retidão, só que uma é para quem a procura e a outra para quem é perseguido por sua causa. Estas semelhanças entre as bem-aventuranças são fortes indícios de que existe uma conexão entre todas elas e de que no final todas as promessas são de fato para o mesmo grupo de pessoas: os escolhidos do Senhor. Ou seja, no final cada um de nós receberá todas as bênçãos prometidas por Jesus, e não que uns receberão estas e outros aquelas. Mas este é um assunto para o próximo estudo.

Voltando à retidão, todavia, que é a razão pela qual os cristãos desta bem-aventurança são perseguidos, mais uma vez podemos observar que “retidão” e não “justiça”, como a maioria das traduções em português escrevem, faz bem mais sentido no contexto das palavras de Jesus. Em tempo, este problema não ocorre nas versões em inglês, pois praticamente todas elas traduzem o adjetivo grego [δικαιοσύνης (dikaiosunes)] como retidão [righteousness] e não como justiça [justice].

Este problema de tradução já foi explicado em detalhes na quarta bem-aventurança desta série, mas escrevendo só um pouco mais sobre o assunto, é difícil imaginar porque alguém seria perseguido simplesmente porque deseja que haja justiça na terra. Sem mencionar que aquilo que é considerado justo em uma cultura e período é frequentemente condenado em uma outra cultura e período. A escravidão, por exemplo, que é vista como uma injustiça por praticamente todos nos nossos dias, era considerada comum e justa no período bíblico (Ex. 21:2; Ef 6:5; 1Pe 2:18). Em suma, nesta bem-aventurança Jesus não está se referindo à perseguição por causa da justiça, mas sim por causa da retidão, ou santidade.

A perseguição por causa da retidão ocorre porque o mundo não suporta aqueles que valorizam e obedecem à santa lei de Deus: “Porque a palavra da cruz é deveras loucura para os que perecem” (1Co 1:18). Na maioria dos casos, no entanto, devemos notar que nos nossos dias esta oposição não ocorre abertamente. Raramente alguém nos faz uma maldade e nos diz que a razão é que somos cristãos. Mas a realidade é que este tipo de represália ocorre frequentemente, ainda que em silêncio. As pessoas podem até não nos maltratar apenas por causa da nossa fé, mas este detalhe, caso lhes sejam do conhecimento, normalmente incomoda e não seremos vistos com bons olhos.

Cabe aqui uma explicação importantíssima e preocupante. Eu sei que ao ler o parágrafo acima muitos não se identificam com o quadro mencionado. Muitos, se não a maioria dos cristãos nos nossos dias, não se veem perseguidos por ninguém por causa da sua fé. A conclusão que chegam então é a de que este tipo de represália não mais existe e que, portanto, as palavras de Jesus nesta bem-aventurança tornaram-se irrelevantes. Seguindo este raciocínio, deduzem que a sociedade evoluiu e que agora existe respeito mútuo e ninguém se sente incomodado com o fato de ele ser cristão. Aliás, imaginam eles, em muitos casos as pessoas preferem se relacionar com os cristãos, pois são indivíduos mais confiáveis do que aqueles que não professam alguma fé.

Queridos, as palavras de Jesus continuam e sempre continuarão sendo relevantes até o último dia deste mundo (Mt 24:35). Se o cristão não se vê perseguido por causa da sua fé, a razão não é porque a sociedade não se incomoda, mas sim porque o seu cristianismo não provoca qualquer incômodo. Não me recordo da fonte, mas lembrei-me de uma história que ouvi de que um membro de uma igreja perguntou ao outro sobre como ele ia no seu novo emprego entre os mundanos e a resposta foi: “Excelente! Já estou lá há um mês e até agora nem desconfiaram que sou cristão.” Obviamente, o cristão que vive da mesma forma que vivem os ímpios não causará qualquer animosidade entre eles.

Quando Jesus nos diz que somos perseguidos [Gr. δεδιωγμένοι (dediōgmenoi)] porque desejamos a retidão de Deus neste mundo, Ele quer dizer que o nosso viver causa um sentimento de condenação entre as pessoas, e como consequência somos odiados: “Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas, porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia” (João 15:19). Ou seja, ao nos ver vivendo uma vida santa, verdadeiramente amando a Jesus e obedecendo a todos os seus mandamentos, as pessoas reconhecem a sua condição de rebeldes perante Deus; se sentem condenadas pelos seus muitos pecados e, não querendo mudar a sua forma de viver, procuraram, dentro do possível, descarregar a sua frustração sobre os santos do Senhor. Um bom exemplo disto ocorreu com João Batista: “Pois João dizia a Herodes: Não te é lícito ter a mulher de teu irmão. Por isso Herodias [a mulher de Herodes] lhe guardava rancor e queria matá-lo, mas não podia; porque Herodes temia a João, sabendo que era um homem justo e santo” (Mc 6:18-20). Se João nunca tivesse condenado abertamente o pecado deste líder do governo, ele teria sido deixado em paz e jamais teria sofrido perseguição por causa do seu amor à retidão de Deus.

Devemos também ter em mente que infelizmente grande parte da perseguição que os verdadeiros seguidores de Jesus enfrentam ocorre dentro das nossas próprias igrejas. Aqueles que se chamam de irmãos e irmãs são frequentemente os nossos maiores opositores. Estes são os piores perseguidores porque o fazem sob o pretexto de que estão fazendo a obra de Deus: “Expulsar-vos-ão das congregações (sinagogas); ainda mais, vem a hora em que qualquer que vos matar julgará prestar um serviço a Deus” (João 16:2). Este tipo de perseguição não se trata meramente de divergência de opiniões, pois como seres humanos é comum que tal coisa ocorra (At 15:36-41), mas se trata sim de uma clara oposição ao caminho de santidade.

A perseguição dentro das igrejas ocorre porque o cristão carnal deseja que o local onde congrega seja um ambiente condizente com o seu estilo de vida carnal. Se um verdadeiro seguidor de Jesus se levanta na igreja, seja ele vindo de fora ou de dentro, e começa a exortar os irmãos à obediência aos mandamentos de Jesus, ao morrer para o eu, e à separação do mundo, é garantido que a perseguição por causa da retidão ocorrerá de imediato. Este irmão será acusado com todos os tipos de falsas acusações para que se cale ou, de preferência, que saia da igreja. Será tachado de legalista, atrasado, bitolado, santinho, julgador, fariseu… e outros títulos semelhantes. De fato, nos nossos dias, qualquer um que procura a santificação da igreja é visto, não como alguém que deseja o bem dos irmão, mas sim como um inimigo, senão como o próprio Satanás que se levantou entre os irmãos, tão deturpada é a situação entre o povo de Deus.

Queridos, no próximo estudo, se Deus permitir, continuaremos tocando no assunto de perseguição dentro e fora da igreja. Por agora, deixe-me somente encorajá-los a não se deixarem levar pela pressão existente nas nossas igrejas para que nos conformemos com o mundo. Perseguição por causa da retidão faz parte do verdadeiro viver cristão. O cristão que nunca é perseguido porque ama a Jesus é porque o seu cristianismo não causa nenhuma preocupação a Satanás. Não se iluda com a ideia de que o mundo mudou para melhor, porque de fato, à medida que nos aproximamos do fim, o que está ocorrendo é que as táticas do inimigo estão cada vez mais sutis. Milhões entre os que se chamam de cristãos já caíram na armadilha de Satanás e praticam uma religião completamente estranha aos ensinos de Cristo. Ignoram por completo os seus mandamentos e ao mesmo tempo insistem que o amam (João 14:21). Vigiem! Já não resta muito tempo: “…e porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz à vida, poucos são os que a encontram. Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores” (Mt 7:14-15). Espero te ver no céu.

Nesta Série de Estudos Bíblicos:
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