🔊 (Parte 15) Serie: O Sermão da Montanha. Estudo Nº 15: Os Mandamentos de Deus: Jesus, o Protetor da Lei do Pai [Com Áudio]

Uma foto de dois montes num dia ensolarado. Serie: O Sermão da Montanha. Estudo Nº 15: Os Mandamentos de Deus: Jesus, o Protetor da Lei do Pai. Markus DaSilva

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Por Markus DaSilva, Th.D.

O cristão é cristão porque ele respira, vive e coloca toda a sua esperança em Cristo. O cristão é cristão porque toda a sua visão do mundo físico e espiritual é compreendida segundo o evangelho pregado por Cristo. O cristão é cristão porque ele entende que cada palavra que saiu dos lábios de Cristo é preciosa para instruir, transformar e salvar. Nenhum outro ser possui a mesma autoridade de Jesus para nos indicar o caminho da salvação, pois foi somente ao Filho que o Pai deu tal autoridade: “Eis que uma nuvem brilhante os cobriu; e dela saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me deleito; escutem o que ele diz!” (Mat 17:5). Os seres humanos podem ensinar baseado nas palavras de Jesus, mas tudo o que já foi ensinado e tudo o que se ensinará, deverá ser filtrado e entendido por nós segundo aquilo que saiu dos lábios do único porta-voz direto do Pai: “escutem o que Ele diz” (Mat 17:5).

“O Pai não enviou o seu Filho unigênito para que ignorássemos a sua lei, deixando que o sofrimento de Cristo custeasse os nossos prazeres da carne.”

Jesus não se envolvia em nenhuma outra missão senão a de mostrar o caminho da salvação para os escolhidos do Pai: “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e completar a sua obra” (João 4:35). Todas as tentativas do povo em fazer com que o Senhor se envolvesse em outras áreas sociais, ou transformar Jesus em um líder político-militar falharam: “Sabendo, pois, Jesus que queriam vir e levá-lo à força para o fazerem rei, tornou a retirar-se sozinho para o monte” (João 6:15). O foco de Jesus era um: cumprir a sua missão de resgatar os seus escolhidos da escravidão do pecado. Tudo aquilo que Jesus nos ensinou, e de fato o seu próprio viver, nos serve como o perfeito exemplo de vida que leva ao Pai. A maneira que Jesus lidava com as pessoas, como encarava os problemas típicos dos seres humanos, e como enfrentou as provações e tentações da vida, tudo nos serve como referência para sabermos como chegar ao nosso maravilhoso destino final. Jesus, o nosso único e perfeito exemplo, possuía como foco nada além do Reino de Deus: “Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo” (João 18:36).

Como Jesus é o nosso perfeito exemplo e o único porta-voz autorizado pelo próprio Pai, devemos então prestar bastante atenção nas suas palavras e obedecer a tudo o que saiu dos seus lábios à risca, se é que de fato queremos ir morar com Ele quando sairmos deste mundo. Esta verdade é mais do que clara e apenas alguém cujo coração ainda não foi tocado pelo Espírito Santo é incapaz de enxergar: “Se obedecerdes aos meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu obedeço aos mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor” (João 15:10). Ou seja, existe uma conexão inevitável entre a obtenção do amor de Jesus e a obediência aos seus mandamentos. Esta conexão fica ainda mais marcante já que Jesus nos diz que, para Ele próprio continuar no amor do seu Pai é necessário que obedeça aos mandamentos de Deus.

A lei do Pai é a mesma lei do Filho, pois em todos os sentidos, quem vê a um, vê o outro (João 14:9; Heb 1:3; ). A lei do Senhor é perfeita, eterna e Jesus a protegia e a observava fielmente para nos servir de exemplo. Por várias vezes Jesus teve a oportunidade de ignorar os mandamentos de Deus e assim dar a entender que eles não mais valiam, mas nunca o fez: “Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os praticar e ensinar será chamado grande no reino dos céus” (Mat 5:19).

A santa lei de Deus são todas as instruções que nos foram dadas para que saibamos como devemos agir no nosso dia a dia de tal forma que agrademos ao nosso Criador em tudo aquilo que somos. Antes do pecado, o homem por natureza obedecia aos mandamentos de Deus. Sem que fosse necessário ouvir de alguém, Adão e Eva sabiam que não poderiam matar, ou roubar, ou mentir um para o outro. De fato, os conceitos de morte, roubo ou mentira nem sequer existiam na sua mente, como também o de adultério, cobiça, desrespeito… e todos os outros pecados que conhecemos através da lei (Rom 7:7). Isto significa que até então não existia a lei? Certamente que existia. O que não existia era a necessidade de expressá-la, pois os nossos pais possuíam a lei de Deus no coração. De fato, no futuro, esta será a forma que teremos a lei de Deus: “Este é o pacto que farei com eles depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas leis em seu coração, e as escreverei na sua mente” (Heb 10:16). Ou seja, assim como foi com os nossos pais antes da queda, não será mais necessário termos por escrito nenhum dos mandamentos de Deus, uma vez que nem sequer cogitaremos fazer qualquer coisa contrária aos desejos do Criador.

Infelizmente, todavia, enquanto estivermos habitando neste corpo corrompido pelo pecado, necessitaremos que os mandamentos de Deus nos sejam claramente ensinados por Jesus, através das suas palavras e exemplo (1Jo 2:6). Este foi exatamente o motivo que, contrário ao que os nossos líderes mundanos ensinam, Jesus em nenhum lugar nos disse que os mandamentos de Deus foram abolidos com a sua vinda (Mat 5:17). Prova disso é que neste mesmo Sermão da Montanha Jesus amplia ainda mais alguns dos mandamentos que nos foram entregues através de Moisés. Se através de Moisés aprendemos que não podemos matar fisicamente a alguém, através do Filho, aprendemos que para Deus o mero fato de querer mal ao semelhante já é o mesmo que cometer assassinato (Mat 5:22). Se através de Moisés, aprendemos que não podemos ter sexo com a mulher de um outro homem, através do Filho aprendemos que para Deus, simplesmente no ato de olhar com interesse para ela, já cometemos o pecado de adultério (Mat 5:28). Os mandamentos de Deus que até então eram ensinados pelos líderes religiosos judeus como obrigações externas, Jesus, na sua autoridade de Filho, os ampliou e explicou que a lei do Pai lida sim com a parte mais íntima do homem: o seu coração: “Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias” (Mat 15:19).

Conhecendo muito bem as muitas táticas de Satanás para pôr abaixo a lei de Deus, devo deixar bem claro que os ensinos de Jesus não se limitaram aos Judeus, como muitos líderes carnais gostam de ensinar. Prova disso é que na grande comissão, quando Jesus já havia ressuscitado e nos instruiu sobre como devemos pregar o evangelho da salvação a todos os povos até o seu retorno, não fomos instruídos a reinterpretar os seus ensinos, ou ensinar algo novo, ou esperar até que Deus enviasse alguém com uma mensagem diferente para os gentios, ou um outro evangelho, mas tão somente a repetir aquilo que Ele nos ensinou: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a obedecer todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mat 28:19-20). Ou seja, ao pregarmos o evangelho devemos ensinar às almas interessadas somente aquilo que Jesus já havia ensinado, incluindo todos os seus mandamentos.

Para que este ponto fique ainda mais claro, e o inimigo não tenha como utilizar de mais argumentos para confundir os irmãos, quando Jesus nos prometeu o envio do Espírito Santo — algo que ocorreria depois da sua ascensão — Jesus não nos alertou que o Espírito nos ensinaria uma nova mensagem a ser pregada para os gentios, mas sim que nos lembraria aquilo que já havia sido dito por Cristo: “…e vos fará lembrar tudo o que eu vos disse” [Gr. υπομνησει υμας παντα α ειπον υμιν εγω (ipomnissi imás panda a ipon imin ego) Lit. lembrará vocês tudo o qual falei a vocês eu] (João 14:26). Fica então óbvio que qualquer indivíduo que pregar uma mensagem diferente daquela que Cristo já ensinou, não está sendo inspirado pelo Espírito Santo que haveria de vir, mas sim pelo espírito do anticristo, cujo objetivo é cancelar aquilo que o nosso Mestre nos ensinou. Este é o mesmo espírito da mentira que desde o Éden procura colocar dúvidas na nossa mente sobre a necessidade de obedecer aos mandamentos de Deus: “…do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morras. Disse a serpente à mulher: Certamente não morrereis” (Gen 3:3-4).

Queridos, os mandamentos de Deus são perfeitos, bons, eternos e essenciais para todo aquele que segue a Jesus neste mundo e espera muito em breve ir morar com Ele. Todos os preceitos do Senhor podem e devem ser obedecidos pelos escolhidos de Deus (1Jo 5:3).  Se às vezes caímos, não é por causa da dificuldade dos mandamentos, mas por causa da nossa vergonhosa fraqueza (Rom 7:24-25). Dizer que os mandamentos de Deus são impossíveis de serem cumpridos é passar a culpabilidade do pecado da criatura para o Criador. O nosso amado Pai jamais nos pediria por algo sabendo que não podemos obedecer, pois, se fosse esse o caso não seríamos culpados do pecado. Este é mais um dos muitos enganos de Satanás que infelizmente se ouve com frequência nas nossas igrejas mundanas. Muitos dos nossos líderes ensinam esta mentira porque eles mesmos não estão dispostos a morrer para o eu, e continuam apaixonados pelos prazeres que este mundo oferece, então optaram por iludirem a si mesmos e aos outros: “Qualquer pessoa, pois, que desobedecer a um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus” (Mat 5:19).

Como sempre, as mentiras de Satanás para que funcione possuem um pouco de verdade. Nossos líderes carnais pregam que ninguém consegue obedecer aos mandamentos de Deus perfeitamente, o que é verdade. O que eles intencionalmente deixam de fora, é que é exatamente por isso que Jesus veio, morreu, e se encontra atualmente à direita do Pai. O Pai não enviou o seu Filho unigênito para que ignorássemos a sua lei, deixando que o sofrimento de Cristo custeasse os nossos prazeres da carne. O Filho de Deus veio sim, porque, ainda que batalhemos diariamente com toda a nossa força contra o príncipe deste mundo, seus aliados, e contra a nossa própria carne, é certo que não manteremos um histórico perfeito de santidade. Sem mencionar que pecar contra o Criador é muito mais do que imaginamos, pois frequentemente ofendemos o nosso Pai em sentimentos internos que nem sequer damos conta. Nunca conheci um seguidor de Jesus que afirmasse ter uma vida sem pecado, e certamente não sou um deles. Mas, não foi exatamente para nós, os enfermos, que foi enviado de cima o cirurgião chefe? “Os saudáveis não precisam de médico, mas sim os enfermos; eu não vim chamar justos, mas pecadores, ao arrependimento” (Luc 5:31-32).

Finalmente irmãos, deixe-me dizer que o sangue precioso de Jesus nos lava de todos os pecados, mas não foi derramado para que assim possamos pecar, conforme o nosso querido apóstolo João fez questão de nos lembrar: “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; mas, se alguém pecar, temos um Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo. Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo. E nisto sabemos que o conhecemos; se guardamos os seus mandamentos” (1Jo 2:1-3). Espero te ver no céu.

Nesta Série de Estudos Bíblicos:
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(Os estudos sem links ainda estão sendo preparados)

  • Estudo Nº 15 – Os Mandamentos de Deus: Jesus o Protetor da Lei do Pai. (Mateus 5:17)
  • Estudo Nº 16 – Os Mandamentos de Deus: O Cumprimento da Lei. (Mateus 5:17)
  • Estudo Nº 17 – Os Mandamentos de Deus: A Duração da Lei. (Mateus 5:18)
  • Estudo Nº 18 – Os Mandamentos de Deus: A Quebra da Lei. (Mateus 5:19a)
  • Estudo Nº 19 – Os Mandamentos de Deus: O Ensino Contra a Lei. (Mateus 5:19b)
  • Estudo Nº 20 – Os Mandamentos de Deus: O Ensino da Lei. (Mateus 5:19c)
  • Estudo Nº 21 – Os Mandamentos de Deus: Os ensinos de Jesus e a Religião de Homens. (Mateus 5:20)

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