🔊 (Parte 17) Serie: O Sermão da Montanha. Estudo Nº 17: Os Mandamentos de Deus: A Duração da Lei. [Com Áudio]

Serie: O Sermão da Montanha. Estudo Nº 17: Os Mandamentos de Deus: A Duração da Lei. [Com Áudio]

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Quando um cristão argumenta que para se salvar não é mais necessário obedecer aos mandamentos de Deus porque Jesus morreu na cruz, ele pode estar se baseando em várias fontes, mas definitivamente Jesus não é uma dessas fontes: “Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei nem um jota nem um til, até que tudo seja cumprido” (Mat 5:18). Se este cristão possui no seu coração a ideia de que morará com Jesus no céu, mesmo que não obedeça aos mandamentos de Deus, ele então foi levado pelo inimigo a crer em ensinamentos completamente contrários às palavras de Jesus e deverá, em caráter de urgência, abandonar aquilo que aprendeu de terceiros e se voltar tão somente para os ensinos de Cristo. A única forma de termos certeza de que estamos nos apoiando na verdade (João 14:6), é quando nos apoiamos nas palavras de Jesus: “A palavra que estais ouvindo não é minha, mas do Pai que me enviou” (João 14:24). Sendo um com o Pai (João 10:30), Jesus foi e continua sendo o perfeito Mestre que nos ensina tudo aquilo que precisamos fazer para assim subir com Ele para a casa que já nos foi preparada (João 14:2-3). Os mandamentos de Deus também são os mandamentos de Jesus, os desejos de um são os desejos do outro: “Se obedecerdes aos meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho obedecido aos mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor” (João 15:10).

“Satanás é um mestre na manipulação das palavras e possui o poder para tornar as mentiras mais óbvias e berrantes em algo razoável e provável.”

Cada um dos mandamentos do Senhor é eterno, sem início e sem fim. Argumentar que algum mandamento perdeu o seu valor é o mesmo que argumentar que Deus não mais se importa com o pecado; é o mesmo que dizer que Deus se incomodava no passado, mas que agora não se incomoda com o matar, roubar, cobiçar e demais pecados sobre o qual fomos instruídos. Para que ficasse bem claro o caráter eterno da lei, Jesus utilizou de uma metáfora, nos dizendo que quando não mais existir terra ou céu aí então a lei também não existirá [Gr. εως αν παρελθη ο ουρανος και η γη (iós an parelthe o uranos ke e gue) Lit. até acabar céu e terra]. Lembrando que Jesus não deu a entender com esta ilustração que um dia a terra e o céu acabariam e junto com os dois a lei também acabaria, pois neste mesmo sermão da montanha, ao nos ensinar a oração do Pai Nosso, Jesus utilizou das mesmas palavras, céu e terra [uranos ke e gue], indicando que uma é a morada de Deus (Pai nosso que está no céu) e a outra que o Pai venha fazer a Sua vontade (seja feita a tua vontade aqui na terra). Ou seja, nunca haverá um tempo em que a lei de Deus será abolida, ou anulada, ou cancelada, ou substituída. Assim como a lei de Deus, o céu e a terra sempre existirão. Ainda que, como sabemos, o céu (o firmamento) e a terra serão renovadas no juízo final (Isa 65:17; Apo 21:1), nunca haverá um momento em que não teremos os dois. Jesus aqui então está comparando duas coisas impossíveis de ocorrer: o céu e a terra passar, ou não mais existir, e a lei de Deus deixar de ser válida. Esta comparação se torna ainda mais clara quando Lucas nos descreve a mesma coisa: “é, porém, mais fácil passar [παρελθεῖν (parelthein)] o céu e a terra do que cair um til da lei” (Luc 16:17).

Notemos também que esta linguagem figurativa usada por Jesus para indicar o caráter eterno das palavras do Filho e do Pai é similar a outras passagens encontradas nas Escrituras: “Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras jamais passarão” (Mat 24:35); “Seca-se a erva, e murcha a flor; mas a palavra de nosso Deus subsiste eternamente”(Isa 40:8); “Porque, assim como a chuva e a neve descem dos céus e para lá não tornam, mas regam a terra, e a fazem produzir e brotar, para que dê semente ao semeador, e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca: ela não voltará para mim vazia, antes fará o que desejo, e realizará aquilo para o qual a enviei” (Isa 55:10-11). Este último verso de Isaías é especialmente relevante para o que Jesus nos disse no sermão da montanha, uma vez que explica muito bem o que Jesus quis dizer com: “até que tudo se cumpra”. Ou seja, a função da lei de instruir os escolhidos do Senhor a viver uma vida santificada está sendo realizada em todo aquele que procura a santificação aqui nesta terra, e será plenamente satisfeita quando estivermos na nossa residência permanente com o Pai. Neste caso, a Lei cumpriu os desejos do Senhor e não voltou para Deus vazia: “Portanto santificai-vos, e sede santos, pois eu sou o Senhor vosso Deus. Guardai os meus estatutos, e cumpri-os. Eu sou o Senhor, que vos santifico” (Lev 20:7-8).

A lei de Deus é eterna. Se no novo céu e nova terra não precisaremos da lei, não será porque ela foi abolida como alguns imaginam, mas simplesmente porque criaturas perfeitas naturalmente obedecem à lei do nosso Criador: “Considera como amo os teus preceitos… cada uma das tuas leis dura por toda a eternidade” (Sal 119:159-160. Ver também: Heb 10:16; Jer 31:33). A nossa rebeldia que se iniciou no Éden nos afastou de Deus e da sua santa lei; lei esta que sempre existiu. Este é um ponto importante de entendermos, pois muitos imaginam que o pecado deu origem à lei, como se o Criador foi inventando mandamentos à medida que foi se tornando necessário. Este conceito de Deus e sua lei não possui nenhum respaldo bíblico e nem mesmo lógica. Deus não precisou de ver Caim matar o seu irmão para que só então se desse conta e criasse um mandamento dizendo que é proibido matar. Os mandamentos de Deus simplesmente nos instruem quanto às verdades que sempre existiram e sempre existirão. O mandamento: “não matarás”, neste exemplo, reflete a verdade eterna de que a vida pertence a Deus e não nos é permitido que a tiremos uns dos outros. Devo aqui salientar que o sacrifício de Jesus na cruz não mudou em nenhum sentido esta verdade eterna. Antes do homem ser criado era pecado matar, depois de Adão continuou sendo pecado matar e após o sacrifício de Cristo segue sendo pecado o tirar a vida de alguém. Ou seja, independentemente da época em que o homem viveu, no final ele será culpado e pagará pelos seus pecados, se não se arrepender e procurar pelo perdão do Pai em Cristo Jesus.

Mas alguém perguntará: e após ter recebido o perdão de Jesus o pecador passou a estar isento de obedecer à lei de Deus? De forma alguma, conforme nos ensinou o apóstolo Pedro: “Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo pelo pleno conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, ficam de novo envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior que o primeiro. Porque melhor lhes fora não terem conhecido o caminho da retidão, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado” (2Pe 2:20-21). A lei é eterna.

Jesus não veio para cancelar nem tampouco substituir os mandamentos do seu Pai. Algo que frequentemente aprendemos de Jesus é que a maneira que interpretamos e obedecemos à lei de Deus está muito além daquilo que o Senhor realmente nos instruiu. Ao contrário do que se tem ouvido nas nossas igrejas mundanas, Jesus, em vários lugares nos ensinou exatamente o oposto de cancelar a santa lei de Deus (Mat 5:21-22; 27-28; 31-32; 33-34). Os ensinos do nosso Mestre sempre expõem a nossa vergonhosa tendência de querer moldar os preceitos de Deus de acordo com a fraqueza da nossa carne. Este é o motivo que frequentemente ouvimos do cristão mundano a pergunta se isto ou aquilo é pecado. O cristão carnal não possui um coração inclinado à obediência e por isto na sua mente carnal ele sempre procura aproveitar ao máximo aquilo que o mundo oferece, sem que, no seu entendimento, ele perca a salvação. Mas este é apenas o seu entendimento, porque se a sua constante preocupação é testar os limites da lei, então já se tem a prova de que o seu coração ainda pertence a si mesmo e não a Deus e portanto não está salvo: “Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento” (Mat 22:37); “Filho meu, dá-me o teu coração; e deleitem-se os teus olhos nos meus caminhos” (Prov 23:26).

Quando o jovem rico perguntou o que era necessário fazer para obter a vida eterna, a resposta não foi aquela que os líderes carnais ensinam nestes últimos dias: “Nada! Somente creia em mim e terás a vida eterna!” Não, não foi isso o que Jesus lhe disse. Jesus tampouco lhe deu uma série de novos mandamentos, mais fáceis, algo mais apropriado para pessoas da sua idade, algo mais leve e que não o fizesse desistir de segui-lo. Não, Jesus simplesmente o lembrou dos mesmos mandamentos que haviam sido dados centenas de anos atrás: “se é que queres entrar na vida, guarda os mandamentos… Não matarás; não adulterarás; não furtarás; não dirás falso testemunho; honra a teu pai e a tua mãe; e amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mat 19:17-19), e logo a seguir, conhecendo o apego que o jovem tinha ao dinheiro, adicionou mais um à antiga lista: “vai, vende tudo o que tens e dê-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; depois vem e me segue” (Mat 19:21). Ou seja, faltava esse mandamento adicional para que o jovem passasse a cumprir o maior dos mandamentos: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento” (Mat 22:37). Observemos as três condições que Jesus lhe deu para obter a vida eterna. Primeiramente, ele deveria obedecer aos mandamentos dados por Deus no Monte Sinai. Segundo, ele deveria ir além do Sinai e mostrar que amava a Deus acima de tudo, estando disposto inclusive a se desfazer de todos os seus bens materiais. E, finalmente, após guardar os mandamentos de Deus e obedecer à ordem de Jesus, deveria seguir a Cristo: “depois vem e me segue” (Mat 19:21).

Queridos, a lei de Deus sempre foi válida, segue sendo válida, e sempre será válida. Qualquer um que procurar lhes ensinar algo contrário a esta verdade está sendo um porta-voz de Satanás. Não dê ouvidos às palavras do inimigo, lembrando que quase sempre elas possuem um tom sensato e convincente, pois ele é de fato um mestre na manipulação das palavras e possui o poder para tornar as mentiras mais óbvias e berrantes em algo razoável e provável: “Disse a serpente à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal” (Gen 3:4-5). O inimigo odeia a lei de Deus com um ódio indescritível e possui como um dos seus mais importantes alvos fazer com que os santos do Senhor creiam na sua mentira de que estamos isentos dos mandamentos do Senhor. Nestes últimos dias, o diabo possui os seus servos espalhando com sucesso este engano fatal por todas as partes do mundo. Não os ouçam, não os sigam. Sigam somente a Cristo: “Revelei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Eram teus, e tu os deste a mim; e obedeceram à tua palavra” (João 17:6-7). Espero te ver no céu.

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