🔊 (Parte 18) Serie: O Sermão da Montanha. Estudo Nº 18: Os Mandamentos de Deus: A Quebra da Lei. [Com Áudio]

Imagem de uma montanha ao fundo com texto referente ao estudo: O Sermão da Montanha. Estudo Nº 18: Os Mandamentos de Deus: A Quebra da Lei.

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Os mandamentos de Deus são de fato os desejos de Deus. Quem conscientemente recusa a obedecer aos mandamentos do Senhor está na realidade recusando a fazer aquilo que Deus deseja, e, portanto, está vivendo em uma deliberada rebelião contra o seu próprio Criador (Isa 65:2; 1Sam 15:23). Nesta sequência dos estudos do Sermão da Montanha lidaremos com o problema extremamente sério do cristianismo dos nossos dias que é a hipocrisia. Não hipocrisia frente aos homens, como era o caso dos fariseus, mas muito pior, pois o cristão moderno é hipócrita frente ao próprio Deus. Os fariseus na época de Jesus demonstravam uma aparente santidade perante os homens, mas na realidade não viviam aquilo que pregavam (Mat 23:3). Os cristãos atuais — e muito em especial a nossa liderança — no entanto, afirmam uma devoção ao Senhor nas suas pregações e louvores, mas seguem continuamente ignorando os seus desejos. Esta é sem dúvida a mais elevada das hipocrisias. O alerta de Deus em Isaías, citado por Jesus, vale então para as três fases da hipocrisia entre o povo de Deus: Os israelitas no período babilônico, os fariseus na época de Jesus, e as muitas igrejas mundanas dos nossos dias: “Hipócritas! Bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: ‘Este povo me honra com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim. Em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homem’” (Mat 15:7-9; Isa 29:13). Falaremos neste estudo sobre os “preceitos de homem” o qual Jesus se refere.

“Deus, em nenhum lugar deu a entender que a obediência à sua lei é opcional para sermos salvos.”

Cada um dos mandamentos do Senhor é uma expressão verbal daquilo que Ele deseja que façamos ou daquilo que Ele não quer que façamos. Quando lemos um dos preceitos de Deus, devemos entender o que lemos não como uma regra estabelecida por um poderoso ser, distante, alheio, mas sempre pronto para punir todo aquele que desafiar a sua autoridade. Não, de forma alguma. Devemos entender sim, como a maneira que o nosso Pai achou por bem nos instruir quanto à como a sua família deve se comportar na sua casa: “e eu serei para vós Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-poderoso” (2Cor 6:18. Ver também 2Sam 7:14). Recusar obedecer à Deus é então dizer ao nosso Pai que não concordamos com Ele e que, portanto, gostaríamos de obter a nossa independência e viver em um outro lugar onde poderemos fazer aquilo que nós, e não ele, deseja: “Disse-lhe mais: Certo homem tinha dois filhos. O mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me pertence… e poucos dias depois, o filho mais moço ajuntando tudo, partiu para um país distante, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo irresponsavelmente” (Luc 15:11-13).

O primeiro dos “preceitos de homem” existentes nos nossos dias é a ideia de que somos forçados pelo próprio Deus a não obedecer aos seus mandamentos. Esta invenção diabólica tão prevalente no presente nos diz que o Senhor criou mandamentos deliberadamente impossíveis de serem obedecidos pelo homem para que assim ele se humilhe e procure a ajuda de Deus para ser obediente. Este ensino, que como todos os ensinos do inimigo possui traços de verdade, tem como objetivo transferir a culpabilidade do pecado da criatura para o Criador. É bem óbvio que a parte verdadeira deste ensino é o fato de que em tudo nesta vida precisamos de Deus, e de que qualquer homem, se o Senhor não abrir os seus olhos, continuará na cegueira espiritual e nada poderá fazer que agrade a Deus (Fp 2:13).

A parte mentirosa desse engano, e que muitos não enxergam, é que Deus jamais nos pediria por algo, a menos que Ele próprio nos habilitasse antecipadamente a lhe dar aquilo que Ele nos pede. Esta é uma acusação horrível e cruel contra o nosso bondoso Criador. Se nem mesmo nós, criaturas falhas, pedimos às nossas crianças aquilo que sabemos que não podem nos dar, quanto mais o nosso Deus que nos enviou o seu próprio Filho para nos salvar, tamanho é o amor que tem para conosco (João 3:16). Além do que, qual seria o prazer de Deus em ter filhos que por mais que queiram não possuem a capacidade de responder positivamente aos desejos do Pai? Não faz bem mais sentido para o nosso Pai observar a persistência dos seus filhos em caminhar em obediência, ainda que às vezes lhes sejam extremamente difícil esta tarefa, e que às vezes Ele tenha que interferir ajudando-os na sua luta? Sim, o Senhor tem o maior prazer em ajudar os seus filhos na luta contra o pecado, e de fato Ele o faz continuamente, mas este fato é bem diferente do que insinuar que não existe em nós a capacidade de obedecer: “Porque eu, o Senhor teu Deus, te seguro pela tua mão direita, e te digo: Não temas; eu te ajudarei” (Isa 41:13). O homem que tem no coração que a lei de Deus é uma lei demasiadamente severa e que vai além da sua capacidade de obediência, está, sejamos honestos, procurando uma maneira de justificar o seu apego ao pecado, justificativa esta, devo mencionar, que jamais será aceita por Deus no juízo final: “Porque é necessário que todos nós nos apresentemos diante do tribunal de Cristo, para que cada um receba o que fez por meio do corpo, segundo o que praticou, o bem ou o mal” (2Cor 5:10). Notemos que nestas claras palavras de Paulo, não existirá qualquer complacência por parte de Cristo para a desculpa de que a lei de Deus é demasiadamente severa e por isso não foi obedecida: “Porque este mandamento, que eu hoje te ordeno, não te é difícil demais, nem tampouco está além da sua capacidade” (Deut 30:11). E o nosso querido apóstolo João confirmou esta verdade quando nos escreveu: “Porque este é o amor de Deus, que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados” (1Jo 5:3 ).

O outro “preceito de homem” que ouvimos nas nossas igrejas mundanas é que não precisamos obedecer aos mandamentos de Deus para sermos salvos, mas que ainda que não tenha conexão com a salvação, devemos procurar obedecê-los por amor ao Senhor. Mais uma vez, vemos aqui a clássica mesclagem de verdade e mentira, sempre presente nas palavras que saem da boca de Satanás, a antiga serpente. A verdade, neste caso, é que devemos amar ao nosso Deus (Mat 22:37), enquanto a mentira descarada e fatal é que existe salvação para quem conscientemente não obedece aos desejos de Deus: “Se obedecerdes aos meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho obedecido aos mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor” (João 15:10).

Este falso argumento é bem sutil e muitos não percebem a artimanha do Maligno. Ao dizer que não temos que obedecer, mas que devemos obedecer, o inimigo na prática remove a seriedade da lei de Deus e assim a destrói, deixando que os desobedientes e insensatos sofram as devidas consequências. Deus, em nenhum lugar deu a entender que a obediência à sua lei é opcional para sermos salvos. Desde que a raça humana se rebelou contra o Criador, todos os mandamentos de Deus foram conjugados no modo imperativo: “Não matarás”, ou “Honrarás pai e mãe”, ou “Não adulterarás”, e de forma alguma foram: “É melhor que não mates”, ou “Seria bom que honrasse pai e mãe”, ou ainda: “Aconselho que não adultere”. Ou seja, a obediência, goste ou não, é mandatória e não simplesmente aconselhável ou preferida. O pecado é coisa séria e a consequência do pecado, que é a morte eterna, é coisa seríssima.

A segunda parte deste falso argumento é de que devemos obedecer sim, mas por amor. Este raciocínio tem a aparência de ser correto simplesmente porque usa a palavra “amor”, e sempre que ouvimos falar de amor, ainda que de uma forma errada, temos a impressão de que é uma verdade. O que de fato é uma verdade segundo as Escrituras, é que a obediência aos mandamentos é uma decorrência natural do amor. É simplesmente impossível amar a Deus sem que haja obediência aos seus mandamentos, da mesma forma que é impossível viver sem a respiração. O respirar é uma decorrência natural da vida. Ou seja, o ser humano não tem a opção de dizer que vai respirar porque vive: o homem que não respira é um cadáver. Respiração para quem vive é obrigatória, da mesma forma que é a obediência para quem ama a Deus: “Se alguém me ama, obedecerá à minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos a ele, e faremos nele morada. Quem não me ama, não obedece às minhas palavras” (João 14:23-24). Notemos que o verbo “obedecer” no: “obedecerá à minha palavra”, no original, está no futuro ativo do indicativo [Gr. εαν τις αγαπα με τον λογον μου τηρησει (ian tis ágapa me ton logon mu terési) Lit. se qualquer um ama me a palavra minha obedecerá], Isso nos indica que para quem verdadeiramente ama a Deus, a obediência às suas palavras ocorrerá de fato, e não está sujeita à decisão da pessoa: o homem que não respira é um cadáver.

Esta ideia de procurar obedecer por amor, em vez de naturalmente obedecer, é quase como se ensinasse que devemos ter pena de Deus por Ele ter dado aos homens todos estes mandamentos e ninguém se importa com eles. Ou seja, já que Deus enviou o seu Filho amado para morrer por nós, devemos pelo menos, na medida do possível, obedecer aos seus mandamentos como um pequeno gesto de agradecimento. Que absurdo é este ensino tão prevalente nos nossos dias, amados.

Queridos, o verdadeiro amor é demonstrado e aceito pelo Senhor ao obedecermos aos seus mandamentos com alegria porque eles procedem do nosso amado Deus. Note a diferença. Não obedecemos aos mandamentos porque “amamos a Deus”, como se Deus e os seus mandamentos fossem duas coisas separadas, sendo uma boa (que é Deus) e a outra ruim (que são os seus mandamentos). Não, mas obedecemos sim porque amamos tudo aquilo que vem de Deus, e muito em especial os seus mandamentos, uma vez que, como já explicamos, os mandamentos do Senhor são os seus desejos: “Em teus preceitos medito, e observo os teus caminhos. Deleitar-me-ei nos teus estatutos; não me esquecerei da tua palavra. Faze bem ao teu servo, para que eu viva; assim observarei a tua palavra. Desvenda os meus olhos, para que eu veja as maravilhas da tua lei. Sou peregrino na terra; não escondas de mim os teus mandamentos” (Sal 119:15-19). Espero te ver no céu.

Nesta Série de Estudos Bíblicos:
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