🔊 (Parte 32) Serie: O Sermão da Montanha. Estudo Nº 32: O Divórcio: O Adultério no Casamento [Com Áudio]

O Sermão da Montanha. Altas montanhas cercada por núvens e penhascos e longo pasto verde claro.

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O Sermão da Montanha – O Divórcio

Estudo Bíblico Nº 32

Por Markus DaSilva, Th.D.

T

odo o pecado de adultério envolve três seres vivos. Três almas ou espíritos que habitam em três corpos. Das três, duas são almas adúlteras e uma é vítima de adultério. Quando o homem analisa o problema do adultério no casamento ele quase sempre foca apenas na parte física do que ocorreu. Ele considera o fato de que um homem teve sexo com uma mulher que era esposa de um outro homem. Esta esposa deveria apenas ter relações com o seu legítimo marido, mas por algum motivo decidiu quebrar esta limitação, ou esta barreira, e manteve relação sexual com um outro homem. O foco de quem analisa o problema, quase sempre, foi aquilo que ocorreu entre seres físicos. Deus não tem este mesmo foco; para Deus o foco do adultério foi aquilo que ocorreu entre as suas almas através do físico. Falamos “suas almas” porque Deus fez questão de nos avisar que a nossa alma não nos pertence: “Pois, todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá” (Eze 18:4 LXX). [η ψυχη του πατρος ουτως και η ψυχη του υιου, εμαι εισιν· (i psurri tu patrós utos ke i psurri tu iú emêi isin)]

“Deus está muito mais interessado na eternidade que passaremos com Ele do que com os poucos e rápidos anos que viveremos neste vale de lágrimas que é a terra.”

Deus Lida com o Pecado do Adultério no Casamento no Nível Espiritual

Notemos nesta passagem que Deus deixou de lado o pai como um todo e o filho como um todo, mas se referiu tão somente à sua alma, demonstrando claramente qual foi a parte do homem que de fato foi responsável pelo pecado. Ele poderia muito bem ter dito que “todo o ser humano me pertence” ou que “toda a vida me pertence”, como algumas traduções da Bíblia fizeram com este verso, mas não, O senhor preferiu neste caso isolar a alma do restante do homem: “a alma que pecar, essa morrerá”. [נֶפֶשׁ (nefesh)]; [ψυχη (psurri)] alma, vida, espírito. Não que Deus não ligue para o que fazemos com o nosso corpo, mas sim porque a alma, ou espírito — que precisa de um corpo para existir neste planeta — é a parte permanente do homem e inclui tudo aquilo que ele é; enquanto o corpo por si só é simples pó: “e o pó volte para a terra como o era, e o espírito volte a Deus que o deu” (Ecle 12:7). Jesus, falando sobre a superioridade da alma sobre o corpo nos alertou: “E não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma [ψυχη], como o corpo [σωμα]” (Mat 10:28).

Deus se Interessa Muito Mais Pelo Nosso Futuro no Reino dos Céus

Este entendimento do que realmente consiste o ser humano é fundamental para que assim compreendamos da forma correta os ensinos da Bíblia sobre o casamento, adultério, divórcio e novo casamento. O ser humano consiste de uma parte física e uma parte espiritual. Embora nas Sagradas Escrituras há termos se referindo ao homem que podem ser difíceis de diferenciar um do outro, como o coração, o espírito e a alma, todos nós sabemos muito bem que existe algo em nós além do corpo, não existe nenhuma dúvida neste ponto. Também sabemos, sem nenhuma dúvida, que este corpo no qual atualmente habitamos, logo logo deixará de existir. Na realidade, como sempre digo, começamos a morrer assim que nascemos (Ecle 9:2). Sendo esta uma verdade incontestável, não devemos de forma alguma ficar surpresos que Deus, sendo Ele um ser espiritual (João 4:24), lide com este assunto não no nível do corpo que passa, mas sim no nível da alma que permanece, pois o Senhor está muito mais interessado na eternidade que passaremos com Ele do que com os poucos e rápidos anos que viveremos neste vale de lágrimas que é a terra. De novo: “E não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo” (Mat 10:28).

A Importância de Direcionar a Mente Para as Coisas do Céu

Nestas palavras de Jesus: “temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo”, e em outros versos semelhantes (Mat 25:46; Luc 12:4; João 6:63), podemos ver nitidamente a importância que é para o cristão tomar as suas decisões tendo em vista não apenas o mundo físico, mas sim em como o mundo físico afeta o mundo espiritual. No caso do adultério, divórcio e novo casamento, esta é uma verdade seríssima, pois o que está em jogo são as consequências eternas das nossas decisões. Quando o homem ou a mulher de Deus casado opta por cometer um adultério, é certo que esta foi uma decisão na qual a parte espiritual foi ignorada; é certo que o desejo de satisfazer a carne no presente foi mais forte do que o desejo de entrar no Reino dos Céus no futuro. E, como se trata de pessoas que temem a Deus, a única explicação então é a de que a sua mente não estava direcionada corretamente (Col 3:2). Quanto mais o cristão mantém a sua mente direcionada para o Céu, mais se enfraquecem os ataques de Satanás e os pecados da carne vão se tornando raros. Este processo de direcionar a mente para o céu é o que leva o cristão à perfeição a qual Jesus se referiu: “Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial” (Mat 5:48). O rei Salomão também fez referência ao caminhar do cristão e ao seu crescimento na perfeição de Deus: “Mas o caminho dos justos é como a luz do amanhecer, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Prov 4:18). Voltaremos a falar sobre o caminhar do cristão mais abaixo.

O Adultério Separa Permanentemente o Homem da Sua Mulher

Quando uma das almas que Deus uniu comete o pecado do adultério não apenas no coração (Mat 5:27), mas também no físico, o vínculo que unia estes dois seres humanos ao seu antigo cônjuge é permanentemente interrompido. O pecado de fato já ocorreu no coração, bem antes do sexo, mas se houve uma evolução do pecado ao ponto de ele ter ocorrido também no físico, onde as duas almas adúlteras de espontânea vontade decidiram conscientemente rejeitar o mandamento, então as uniões matrimoniais destas almas não mais existem para Deus. Enquanto o adultério se limita ao coração apenas uma alma peca, mas quando ele ocorre também no físico, obviamente há então um complô deliberado contra o Criador. Há uma rejeição da união original e o Senhor respeita o livre arbítrio das duas almas pecadoras cancelando assim o casamento espiritual que existia entre as almas adúlteras e os seus cônjuges. Ainda que a lei de Deus quanto à punição pelo adultério não tenha sido obedecida pelo homem, o Senhor certamente se mantém fiel à sua própria lei e considera o vínculo matrimonial interrompido: “O homem que adulterar com a mulher de outro, sim, aquele que adulterar com a mulher do seu próximo, certamente será morto, tanto o adúltero, como a adúltera” (Lev 20:10). Neste caso é o próprio Deus e não o homem que separa as duas carnes que até então eram uma (Mat 19:6).

Enquanto a Alma se Encontra em um Corpo Existe a Possibilidade de Perdão e Salvação

Estas almas que pecaram, no entanto, já que ainda permanecem em um corpo, e, portanto, são almas viventes (Gen 2:7), poderão se arrepender, ter os seus pecados perdoados em Cristo e se salvarem, mas isto não quer dizer que estão liberadas para se unirem de novo em casamento com uma outra alma. Perdão do adultério não é o mesmo que permissão para que a pessoa continue no relacionamento adúltero e nem que procure um novo casamento, uma vez que para Deus a alma da pessoa que cometeu adultério continua unida ao seu cônjuge original enquanto este estiver vivo. A pessoa inocente cujo cônjuge cometeu o adultério, no entanto, não está mais unida pois está na mesma condição de uma pessoa viúva (Deut 22:22-24). O rei Davi reconheceu este princípio quando exigiu que a sua primeira mulher, Mical, filha de Saul, deixasse o seu relacionamento adúltero e fosse devolvida a ele, ainda que em obediência à lei de Deus ele não teve mais relacionamento sexual com ela (2Sam 6:21-23; Deut 24:4).

Mesmo que o ato do adultério consista em um relacionamento estável e que dure por anos, enquanto a alma da pessoa com quem era casado não retornar para Deus, o seu casamento original continua válido. O único motivo que Deus permitiu que Davi continuasse o seu relacionamento com Bate-Seba foi porque o gentio Urias, o seu marido, estava morto (2Sam 12:9). Esta é a razão que Jesus proíbe que alguém se case com pessoas que já foram casadas: “Toda a pessoa que se separa da sua mulher e casa com outra, comete adultério; e toda a pessoa que foi separada pelo marido comete adultério ao se casar” (Luc 16:18).  [ο απολελυμενην απο ανδρος γαμων μοιχευει (o apolelumenen apo andros gamon moirreui) Lit. aquele a despede de um marido casa comete adultério] Notemos que nesta passagem Jesus não toca no assunto de culpabilidade e permissão como o fez em Mateus (Mat 5:32 e Mat 19:9), mas simplesmente alerta os seus ouvintes para dois pontos: primeiro, que não se separem com o intuito de um novo casamento, e, segundo, que não procurem casamento com pessoas separadas. Vemos aqui então uma clara diferença entre o que ocorre no físico e o que ocorre no espiritual, e se Deus nos permitir, entraremos em mais detalhes no próximo e último estudo deste bloco do Sermão da Montanha que lida com o divórcio.

A Seriedade do Adultério no Casamento

Podemos ver então que o ato do adultério é muito mais sério do que a maioria pensa. Os cristãos estão sendo continuamente enganados por Satanás através dos ensinos que saem da boca dos nossos líderes carnais. Estes amantes do mundo presente se colocam em posição de ensinar aos outros os caminhos de Deus quando eles mesmos estão completamente cegos pelas paixões deste mundo: “Eles são do mundo, por isso falam como quem é do mundo, e o mundo os ouve. Nós somos de Deus; quem conhece a Deus nos ouve; quem não é de Deus não nos ouve. Assim é que conhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro” (1Jo 4:5-6. Ver também Mat 15:14). E o espírito do erro é aquele que recusa a ser fiel aos ensinos de Cristo, preferindo ensinar aquilo que agrada os ouvidos daqueles que pagam os seus salários. O espírito da verdade é aquele que se limita a ensinar aquilo que o Espírito Santo veio nos lembrar: “Estas coisas vos tenho falado, estando ainda convosco. Mas o Ajudador, o Espírito Santo a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto eu vos tenho dito” (João 14:25-26). Ou seja, a função do líder não é ensinar aquilo que agrada aos seus ouvintes, nem ainda aquilo que ele acha que é certo, mas sim aquilo que Jesus nos ensinou. “Nem queirais ser chamados mestres; porque um só é o vosso Mestre, que é o Messias” (Mat 23:10).

A Culpabilidade de Todos na Desobediência à Lei de Deus

Embora não resta dúvidas que os nossos líderes carnais são em grande parte os culpados por esta vergonha em que se encontra a família cristã nestes últimos dias, os irmãos e irmãs não são de maneira nenhuma inocentes. De fato, vemos em vários lugares nas Escrituras Sagradas que Deus condena tanto os líderes rebeldes como os seus ouvintes e seguidores: “Acaso não hei de trazer o castigo por causa destas coisas? Diz o senhor; ou não hei de me vingar de uma nação como esta? Coisa espantosa e horrenda tem-se feito na terra: os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam por intermédio deles; e o meu povo assim o deseja” (Jer 5:29-31). Isto ocorre porque quase sempre o indivíduo ouve e segue os líderes que ensinam aquilo que ele quer ouvir e que aceitam o seu estilo de vida pecaminoso (2Tim 4:3). Este mesmo indivíduo, quase sempre também, quer distância dos ensinos que se firmam nas palavras de santidade e obediência que saem dos lábios de Jesus (João 8:42).

A Trabalho do Espírito Santo em Abrir os Nossos Olhos Espirituais

Queridos, para encerrar este estudo, retornemos ao que foi mencionado acima, que é a necessidade de se ter a nossa mente voltada para aquilo que é eterno e não para aquilo que é passageiro. Digo por experiência própria, quando acostumamos a nossa mente a ter como foco as coisas do alto, naturalmente começamos a desenvolver um senso de realidade para com as coisas deste mundo. De fato, não existe nada de surpreendente quanto a isto, pois uma das funções do Espírito Santo é exatamente abrir os nossos olhos para as coisas espirituais (João 14:26; 1Co 2:10-11). Ao vermos as coisas como elas realmente são, situações como o adultério no casamento, ou o divórcio ou o novo casamento assumem o seu correto valor, e somos assim mais capacitados para lidar com elas de uma forma realista, desapaixonada e acima de tudo, de uma forma que Deus aprova; e não só aprova como também de uma forma que Ele possa nos abençoar à medida que abandonamos os nossos desejos e nos concentramos em fazer apenas o desejo do Pai, assim como Jesus o fazia (João 4:34). Adultério, divórcio e novo casamento são de fato experiências difíceis para quem se vê envolvido em tais situações, mas lhe garanto que se o seu coração estiver decidido a fazer tudo aquilo que o Espírito Santo lhes guiar, ainda que doa, o Senhor estará contigo durante toda a caminhada. Por mais escuro que a estrada possa parecer, o nosso amado Jesus estará do seu lado, lhe dirigindo e lhe consolando: “Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam” (Sal 23:4). Espero te ver no céu.

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