🔊 (Parte 54) Série: O Sermão da Montanha: Estudo Nº 54: Perdoando Para Ser Perdoado [Com Áudio e PDF]

Planícies mar e montanhas ao fundo, ilustrando o texto: (Parte 54) Série: O Sermão da Montanha: Perdoando Para Ser Perdoado

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O Sermão da Montanha – Perdoando Para Ser Perdoado

Estudo Teológico Nº 54

Por Markus DaSilva, Th.D.

Assim que Jesus terminou de nos ensinar o Pai Nosso no Sermão da Montanha, Ele decidiu que precisava nos dar mais esclarecimento sobre a parte da oração que tem a ver com o pedido de perdão pelos nossos pecados, ou dívidas, como preferiu Mateus. Jesus já havia feito uma conexão entre perdoarmos os nossos ofensores e recebermos o perdão de Deus no versículo 12: “e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores” (Mat 6:12), mas sentiu que se deixasse como estava poderia haver um certo mal-entendido quanto à seriedade do que foi ensinado, e então nos explica que existem duas partes inseparáveis para se obter o perdão dos nossos pecados: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; se, porém, não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai perdoará vossas ofensas” (Mat 6:14-15). Ou seja, Jesus nos disse que se a nossa parte não for feita podemos ter a certeza absoluta que a parte de Deus também não será feita. Uma outra forma de falar a mesma coisa é que a parte de Deus, que consiste em perdoar os nossos pecados, é condicional a fazermos a nossa parte, que é perdoar aqueles que pecam contra nós.

“A graça da salvação só é estendida àqueles que estão dispostos a cumprir os requisitos estabelecidos por Deus.”

O Perigo de Imitarmos os Exemplos dos Maus Líderes

Dando sequência à série sobre o Sermão da Montanha, queremos abordar dois pontos de suma importância relacionados ao alerta de Jesus sobre a condição para que os nossos pecados sejam perdoados. O primeiro dos dois pontos se trata da inescapável verdade de que com essas palavras Cristo deixou bem claro que, contrário aos ensinos de muitos dos nossos líderes nesses últimos dias, a graça da salvação só é estendida àqueles que estão dispostos a cumprir certos requisitos estabelecidos por Deus, que são os seus mandamentos. O segundo ponto tem a ver com o perdão em si: o que Jesus quer dizer quando nos diz que temos que perdoar aos nossos devedores? Qual é o nível desse perdão? Procuraremos neste estudo lidar com esses tipos de dúvidas.

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O Ensino da Salvação Sem Obediência

O ensino errôneo de que não existem condições para sermos salvos, bastando somente a fé — este ensino nunca diz do que se trata esta fé — tem levado muitos cristãos a um viver perigosíssimo, pois baseado neste entendimento eles mantêm várias paixões mundanas e pecados acariciados sob a ilusão de que por causa da graça, a sua salvação não está ligada àquilo que fazem ou deixam de fazer. Eles imaginam que se salvarão somente pelo fato de expressarem uma crença em Jesus. Na realidade, os líderes anticristos que pregam o evangelho da falsa graça, vão mais além, pois também defendem que o indivíduo que foca muito em obedecer aos mandamentos de Cristo está na realidade confiando na sua própria justiça e como consequência será rejeitado por Deus no juízo final. Ou seja, na prática, o evangelho que estes cristãos estão ensinando e vivendo consiste no absurdo de rejeitar os mandamentos do Filho unigênito de Deus, mas, mesmo assim, deduzir que estão agradando ao Pai e que no final serão recebidos de braços abertos no Reino eterno: “E por que me chamam de Senhor, Senhor, e não fazem o que lhes digo?” (Luc 6:46). [Acesse série de estudos teológicos sobre os mandamentos de Jesus]

As Nossas Decisões Provam se de Fato Amamos a Deus Sobre Todas as Coisas

De Gênesis a Apocalipses, podemos ver claramente que todo o plano de salvação envolve decisões que cada ser humano precisa tomar para que assim ele deixe claro para Deus a sua posição em relação ao seu destino final. Obviamente poderíamos dizer que existe apenas uma decisão, que é amar a Deus sobre todas as coisas (Mat 22:37), mas sabemos muito bem que amar a Deus acima de tudo aquilo que existe não é algo que falamos, mas sim algo que vivemos. Neste caso então, são as muitas decisões que tomamos no decorrer da vida que determina se amamos a Deus de fato e não somente em palavras: “Este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim” (Mat 15:8).

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A Verdadeira Graça Exige Decisões da Nossa Parte

Quando lemos na Bíblia que a salvação é pela graça, isso não quer dizer de forma alguma que as decisões que levam à salvação não precisam ser tomadas. A salvação é pela graça porque é Deus, na sua misericórdia, que nos chama, nos fortalece e nos resgata (Fil 1:6), mas é óbvio que quase que diariamente Deus permite que estejamos em posição de aceitar ou rejeitar a graça que Ele nos oferece. Ao jovem rico foi oferecido a graça da salvação, mas ele tomou uma decisão contrária à graça e rejeitou a oferta de Cristo, preferindo os seus bens à vida eterna: “Mas o jovem, ouvindo essa palavra, retirou-se triste; porque possuía muitos bens” (Mat 19:22). Quando Jesus nos diz que para recebermos o perdão de Deus teremos que primeiro perdoar aqueles que nos ofendem ele está falando que apenas receberemos a graça do perdão se estendermos o perdão aos nossos semelhantes. Colocando de uma forma diferente, o perdão do Pai das nossas ofensas contra Ele (Sal 51:4), sem o qual ninguém se salvará, é condicional à nossa atitude com os nossos ofensores. Esta é uma decisão que pertence a cada um de nós e que Deus não fará no nosso lugar, pois se vier dele e não de nós, qual seria a finalidade do mandamento? E se decidirmos não perdoar a quem nos tem ofendido, ainda assim devemos esperar a graça do perdão de Deus? (2Cor 11:3; Heb 3:12-19; 2Pe 2:20-22; Apo 3:11) Certamente que não, pois se fosse este o caso, Deus não seria perfeito, justo e verdadeiro em tudo aquilo que nos diz: “Porque proclamarei o nome do Senhor; engrandecei o nosso Deus. Ele é a Rocha; suas obras são perfeitas, porque todos os seus caminhos são justos; Deus é fiel e sem erros; justo e reto é ele” (Deut 32:3-4).

Qual é o Tipo de Perdão Que Deus Exige de Nós?

O outro aspecto deste mandamento e alerta de Jesus tem a ver com o perdão em si. Este perdão condicional de Deus nos leva a perguntar: qual é o tipo, ou melhor, qual é o nível de perdão que o Senhor espera de nós para com aqueles que nos ofendem? O apóstolo Pedro fez uma pergunta a Jesus relacionada ao perdão, mas ele estava apenas interessado em saber quantas vezes devemos perdoar a mesma pessoa: “Então Pedro, aproximando-se dele, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu hei de perdoar? Até sete? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete; mas até setenta vezes sete” (Mat 18:21-22), neste caso, ao responder com o conhecido 70×7, Jesus foi bem claro que devemos perdoar quantas vezes forem necessárias para mantermos um ambiente de paz com os nossos semelhantes. A nossa dúvida, no entanto, lida não tanto com a quantidade, mas sim com o nível de perdão. Ou seja, será que para Deus é suficiente o não revidar o mal que recebemos? (1Pe 3:9-14). Sim, pois quando alguém nos magoa, nos machuca e nos faz chorar, o que realmente queremos é devolver em dobro aquilo que nos foi feito. Para nós, não retornar o mal por mal, já é um tremendo ato de fé, e achamos que já deveria valer como cumprimento deste requerimento de Deus.

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Fazendo o Bem a Quem Nos Odeia

Quando consideramos algumas passagens nesse mesmo Sermão da Montanha, todavia, fica bem claro que Deus espera de nós uma reação bem superior a simplesmente não revidar o mal que recebemos. Podemos observar que o que Deus realmente espera de nós é agirmos com os nossos inimigos da mesma forma que Ele agiu no passado, quando vivíamos em rebeldia, e continua agindo conosco no presente, quando repetidas vezes no dia a dia o decepcionamos nas nossas ações e omissões. Devemos ser imitadores do nosso Pai na sua paciência, bondade e amor. Neste caso, devemos meditar sobre como o Senhor reage quando fazemos aquilo que não condiz com o que Ele espera dos seus filhos, para que assim saibamos como agir com quem nos tem ofendido: “Quando cair o teu inimigo, não te alegres, e quando tropeçar, não se regozije o teu coração; para que o Senhor não o veja, e isso seja mau aos seus olhos, e desvie dele, a sua ira” (Prov 24:17-18). Uma das grandes maravilhas de termos o Deus que temos é que Ele está sempre disposto a perdoar os nossos pecados. Este foi exatamente o grande propósito do envio de Jesus a esse mundo em trevas: estabelecer uma situação em que o perdão dos nossos pecados fosse possível: “Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (João 3:16).

Sempre Receberemos de Deus Aquilo Que Damos aos Nossos Semelhantes

O conceito de recebermos um tratamento de Deus semelhante à maneira que tratamos os nossos irmãos permeia os evangelhos e não deve de forma alguma nos pegar de surpresa. A mesma medida que usamos com as pessoas será usada conosco (Luc 6:38); se julgarmos seremos julgados (Mat 7:2); se formos misericordiosos receberemos misericórdia (Mat 5:7)… e assim por diante, sempre seremos tratado por Deus em proporção ao tratamento que damos às pessoas que encontramos durante os rápidos anos que passamos nesse vale de lágrimas que é a terra (Sal 84:6-8). Quando alguém “testa a nossa paciência” com repetidos ataques; quando alguém continuamente tira vantagem de nós, nos machucando sem qualquer provocação, ao ponto que já estamos cogitando fazer algo para “pôr um basta em tudo isto”, devemos então pensar no relacionamento com o nosso Pai celestial. Se formos honestos veremos rapidamente que durante a nossa passagem pela terra, várias vezes machucamos o nosso Pai, e no entanto, em vez de nos abandonar, ele sempre nos chamou de volta, nos perdoou, e nos recebeu de braços abertos na sua casa: “estando o filho ainda longe, seu pai o viu, encheu-se de compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou” (Luc 15:20).

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Perdoar aos Nossos Ofensores Foi um Mandamento e Não um Pedido

Devo aqui deixar bem claro que o ensino de vários teólogos de que devemos perdoar os nossos irmãos apenas como uma atitude de agradecimento pelo perdão já nos concedido pelo Pai, vai contrário às palavras de Cristo e é, portanto, um ensino do anticristo. Jesus não nos pediu, sugeriu ou aconselhou que como filhos de Deus devemos ser agradecidos e perdoar, mas sim que se não perdoarmos não seremos filhos de Deus. Goste ou não, essas palavras de Jesus consistem de um mandamento; uma ordem [Gr. εντολη (endoli) ordem, comando, regra, mandamento] que deverá ser obedecida se queremos herdar o reino dos céus. Este linguajar poético usado por vários líderes soa muito bem nos livros de teologia, nos comentários bíblicos e nas meditações, mas se Jesus não fez uso desse tipo de argumentos é porque ele não deve ser usado, ainda que nos soe bem aos ouvidos.

O Intercâmbio de Tratamento se Inicia Com o Próprio Deus

Para aqueles que se sentem incomodados com o fato de Jesus deixar bem claro que existe uma conexão entre aquilo que fazemos (perdoar) e aquilo que recebemos (o perdão), devemos lembrar que este intercâmbio de tratamento não se inicia com o homem, mas sim com Deus. Foi Deus que, quando ainda éramos pecadores, demonstrou uma bondade conosco que não têm preço (Rom 5:8). A realidade é que não existe uma quantidade de ofensas para o homem perdoar que se possa comparar com o perdão que nos foi concedido em Cristo. Foi isso o que Jesus nos ensinou quando nos contou a parábola do servo, que logo após o seu mestre ter-lhe perdoado um altíssimo valor, não foi capaz de perdoar o seu conservo, lançando-o na prisão por alguns centavos. Ao saber do ocorrido, o seu mestre foi rápido e implacável na sentença: “Então o seu senhor, chamando-o à sua presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste; não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, assim como eu tive compaixão de ti? E, indignado, o seu senhor o entregou aos guardas, até que pagasse tudo o que lhe devia. Assim vos fará meu Pai celestial, se de coração não perdoardes, cada um a seu irmão” (Mat 18:32-35). Devemos observar que Deus (o Rei da parábola) não lança o seu servo na prisão por falta de agradecimento, mas sim por sua maldade, ou falta de misericórdia [Gr. ελεεω (ilio) compaixão, misericórdia, piedade]. Ou seja, o Rei esperava que o seu servo fosse tão misericordioso quanto Ele.

Perdoar a Quem Nos Ofende Exige Fé e Visão Espiritual

Queridos, perdoar a quem nos tem ofendido é um grande ato de fé e exige visão espiritual. Visão espiritual significa ver as coisas como realmente são. Significa entender que as nossas lutas não são contra a carne, mas sim contra as forças do mal (Efe 6:12). As pessoas que nos ofendem quase sempre estão sendo usadas pelo inimigo para nos causar ressentimento, ansiedade, medo e assim nos tirar a paz. O outro lado da moeda, é que no processo, nós também somos usados pelas forças do mal, encorajados a revidar a ofensa e assim perpetuar a maldade. O que Jesus nos comanda então é que pela fé que temos nele, interrompamos este processo, ainda que contrário aos nossos desejos: “Mas a vós que ouvis, digo: Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, bendizei aos que vos maldizem, e orai pelos que vos caluniam. Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra; e ao que te houver tirado a capa, não lhe negues também a túnica. Dá a todo o que te pedir; e ao que tomar o que é teu, não lho reclames. Assim como quereis que os homens vos façam, do mesmo modo lhes fazei vós também” (Luc 6:27-31). Eu lhes garanto que se começarem a agir dessa forma vocês experimentarão uma paz espiritual como nunca antes. Vocês se sentirão livres, e acima de tudo, saberão que obedeceram ao mandamento de Jesus. Ao perdoar as pessoas, ainda que contrário àquilo que gostariam de fazer, vocês receberão o perdão do Pai, se tornarão íntimos com o Deus, e seguirão com total confiança rumo à casa que lhes foi preparada (João 14:3). Espero te ver no céu.
 

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