🔊 Série: O Sermão da Montanha: Estudo Nº 65: Não Julgueis: Guiando os Outros [Com Áudio e PDF]

Imagem de uma cadeia de montanhas à distância, ilustrando o estudo bíblico: O Sermão da Montanha: Estudo Nº 65: Não Julgueis: Guiando os Outros [Com Áudio e PDF]

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O Sermão da Montanha – Guiando os Outros

Mateus 7:5 Estudo Teológico Nº 65

Por Markus DaSilva, Th.D.

Continuando a Série do Sermão da Montanha, Jesus termina a seção que lida com a facilidade que temos de julgar e condenar as pessoas: “Não julgueis [Gr. κρίνω (kríno) v. julgar, condenar, decidir], para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgais, sereis julgados; e com a medida com que medis vos medirão a vós. E por que vês o cisco no olho do teu irmão [Gr. αδελφός (adelfós) s.m. irmão no físico ou espiritual; fig. companheiro, colega], e não reparas o tronco que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o cisco do teu olho, quando tens o tronco no teu? Hipócrita [Gr. υποκριτής (hipocrités) s.m. hipócritas, atores]! tira primeiro o tronco do teu olho; e então verás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão” (Mat 7:1-5).

“A igreja moderna precisa extrair em caráter de urgência a enorme viga que possui alojada no olho, caso ainda tenha qualquer interesse real em salvar almas para o Reino.”

Fazendo um Autojulgamento

Nos dois estudos anteriores, abordamos dois aspectos deste mandamento de Jesus: o primeiro foi quanto ao aviso de que Deus utilizará da mesma medida que usamos contra os nossos irmãos quando os julgamos e condenamos. Esta mesma medida será aplicada tanto aqui na terra como (em certo grau) no juízo final. O segundo lida com a instrução de que temos que retirar o tronco do nosso próprio olho antes de nos vermos qualificados para oferecer e retirar o cisco do olho de alguém: precisamos fazer um autojulgamento. Agora, neste último estudo do bloco, queremos focar na última parte das palavras de Jesus que especificamente menciona o ato de ajudar a alguém: “…e então verás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão” (Mat 7:5).

O Mais Simples Cumprimento do Mandamento de Jesus

Antes de seguir adiante, teremos que considerar alguns aspectos importantes deste mandamento de Jesus. Um deles se trata do início, quando somos instruídos simplesmente a não julgar. “Não julgueis, para que não sejais julgados” (Mat 7:1). O paralelo desta passagem em Lucas dá ainda mais detalhes, adicionando o perdoar além do julgar e condenar: “Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; liberte [Gr. απολύω (apolío) v. liberar, libertar, divorciar, soltar, desprender, despedir], e sereis libertados” (Luc 6:37). Se refletirmos tão somente nesta introdução e decidirmos nos livrar do hábito de julgar e condenar, estando disposto a perdoar facilmente aos outros, já cumprimos o mandamento de Jesus. Ainda que tenhamos troncos nos nossos olhos que precisam ser removidos, pelo menos reconhecemos as nossas faltas e consideraremos nós mesmos como desqualificados para tirar ciscos dos olhos dos outros. Esta não é de forma alguma a posição ideal para um discípulo de Cristo, mas é definitivamente melhor do que o indivíduo que nem sequer sabia da condição ridícula em que se encontrava, circulando pela vizinhança com uma enorme viga no olho e ao mesmo tempo se oferecendo como um especialista em remover ciscos.

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A Parte Física do Mandamento de Jesus Sobre Julgar o Nosso Irmão

Um outro aspecto é a parte física do mandamento de Jesus que não julguemos. Frequentemente muitos entendem erroneamente que os mandamentos do Senhor estão limitados à esfera espiritual e interna. Neste caso específico, muitos se enganam, pensando que Jesus nos manda possuir um coração inocente, ingênuo em relação aos defeitos dos outros, de tal forma que nunca veremos maldade em ninguém e que todas as pessoas ao nosso redor se tornem aos nossos olhos pessoas boas e santas. Este entendimento ilusório desconsidera o fato de que Deus nos criou seres físicos e de que Ele sabe muito bem que não temos como simplesmente, a qualquer momento, mudar os nossos pensamentos, sentimentos e desejos, da mesma forma que alguém tem como desligar uma luz simplesmente apertando o interruptor na parede. Deus conhece muito bem o coração humano (Jer 17:9; Prov 28:26; Mat 15:19), e a realidade é que quando Jesus nos diz para não julgar, ou amar, ou perdoar aos outros, ele espera de nós uma reação externa, no físico, como uma prova tangível de que estamos agindo em obediência ainda que contrário àquilo que o nosso coração deseja. É bom ressaltar aqui, que para Deus, o obedecer do homem está bem mais ligado àquilo que o homem faz do que àquilo que ele pensa no seu íntimo, ou deseja no seu coração, ou canta no seu louvor, ou fala com a sua boca. Jesus foi bem claro quanto a isso quando nos contou a parábola do pai que pediu aos dois filhos para trabalhar na sua plantação. O primeiro disse que não ia, mas depois foi e o segundo disse que ia, mas não foi. Jesus perguntou: “Qual dos dois fez a vontade [Gr. θέλημα (thélima) s.n. desejo, propósito, vontade] do pai [Gr. πατήρ (patír) s.m. Pai (Deus), pai (biológico)] ? Disseram eles: O primeiro” (Mat 21:31). Da mesma forma, quando recusamos participar de conversas e especulações sobre os defeitos das pessoas, e quando procuramos ressaltar as qualidades e não as suas imperfeições, estaremos de fato cumprindo o mandamento de Jesus.

A Ideia Popular Sobre o Mandamento de Não Julgar

Com o passar do tempo, muitos começaram a interpretar o mandamento de Jesus sobre o não julgar como se Cristo estivesse proibindo qualquer tipo de disciplina, e que todos devem ser aceitos como irmãos e irmãs na família de Deus, ainda que se encontre abertamente em pecado. A ideia popular é a de que Deus conhece a situação que levou a pessoa a tomar as decisões que tomou no passado e que também conhece a dificuldade da pessoa em abandonar os seus pecados no presente. Deus então entende e aceita a situação, não permitindo assim que a pessoa seja censurada, mesmo que ela siga nos seus pecados. Irmãos, de fato Deus entende e reconhece a dificuldade em que muitos pecadores se encontram; o entender de Deus, todavia, não significa de forma alguma uma aceitação, pois se fosse este o caso ninguém precisaria abandonar pecados, já que todos possuem algum tipo de justificativa pelos pecados que comete e pela situação em que se encontra. O Entender de Deus é refletido não na aceitação, mas sim na sua promessa de nos ajudar quando decidimos de fato, e não apenas em palavras, abandonar os nossos pecados, conforme nos escreveu o rei Davi: “Lembra-te, Senhor [Heb. יהוה‎ (Yerrovah) np.div. Jeová, Javé], da tua compaixão e da tua benignidade, porque elas são eternas. Não te lembres dos pecados [Heb. חטא‎ (rret) s.f. pecado] da minha mocidade, nem das minhas transgressões; mas, segundo a tua misericórdia [Heb. חסד (rresed) s.m. misericórdia, caridade, bondade], lembra-te de mim, pela tua bondade, ó Senhor. Bom e reto é o Senhor; pelo que ensina o caminho aos pecadores [Heb. חטא‎ (rratá) s.m. pecadores]” (Sal 25:6-8).

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Julgando Como Pessoa e Julgando Como Igreja

Ainda um outro aspecto do mandamento de Jesus se refere ao julgamento que fazemos como indivíduos e como uma comunidade, ou igreja. O foco de Jesus no Sermão da Montanha era primariamente o indivíduo. Todos os mandamentos que ouvimos sair dos lábios do nosso Mestre no Sermão do Monte era para mim e você como pessoas. Ainda que sabemos muito bem que a igreja consiste de homens e mulheres que se reúnem em um mesmo propósito, muitas das instruções que Jesus nos deu difere na sua aplicação entre a pessoa e a comunidade de cristãos.

Em se tratando do mandamento de não julgar o nosso irmão, a igreja difere drasticamente do indivíduo no grau de responsabilidade que paira sobre ela. Enquanto muitos dos julgamentos que o cristão típico faz são internos e não possuem muitas consequências além do mal que causa a ele mesmo no seu relacionamento com Deus, a igreja possui a tremenda responsabilidade de que ninguém seja julgado e condenado injustamente e de que ninguém seja absolvido de acusações verídicas, devido ao perigo de abrir precedentes para comportamentos pecaminosos. Esta verdade é facilmente comprovada nas várias passagens nas Escrituras Sagradas que instrui a igreja na maneira correta de disciplinar os seus membros: “Ora, se teu irmão pecar [Gr. αμαρτάνω (amartano) v. pecar, errar], vai, e repreende-o [Gr. ελέγχω (elirro) v. repreender, corrigir, sentenciar] entre ti e ele só; se te ouvir, terás ganho teu irmão; mas se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda palavra seja confirmada. Se recusar ouvi-los, dize-o à igreja [Gr. εκκλησία (eklisía) s.f. igreja, assembleia, ajuntamento]; e, se também recusar ouvir a igreja, considera-o como gentio e publicano” (Mat 18:15-17).

O Dom de Instruir aos Irmãos

Jesus terminou esta seção sobre julgar e condenar em um tom positivo: “…e então verás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão” (Mat 7:1-5). Frequentemente, como era se esperar do nosso querido Mestre, Jesus terminava as suas admoestações de uma forma construtiva: “felizes serão se as praticarem” (João 13:17); “vá e não peques mais” (João 5:14); “vá e faça o mesmo” (Luc 10:37). Neste caso, logo após deixar bem claro que não devemos ter como hábito julgar e condenar os nossos irmãos, o Senhor basicamente nos diz que se temos no coração o desejo de ajudar aqueles que estão tendo dificuldades de abandonar certos pecados, podemos sim fazê-lo, desde que nós mesmos não nos encontremos em uma situação que possa obstruir o nossos entendimento do que é certo ou errado.

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Retirando os Obstáculos na Nossa Vida

Escrevendo a Timóteo, o apóstolo Paulo refletiu bem as palavras de Jesus mencionadas acima. Paulo, incentivou Timóteo a continuar instruindo os outros sobre as verdades do evangelho, mas o alertou quanto à necessidade de manter uma vida reta, sem que nada possa obstruir e manchar a mensagem de salvação: “Procura apresentar-te diante de Deus [Gr. θεός (Theós) s.m. Deus] aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra [λόγος (lógos) s.m. palavra, ensino, verbo; tit.div. Jesus] da verdade [Gr. αλήθεια (álithia) s.f. verdade, dependência, integridade]” (2Tim 2:15). Muitos nas nossas igrejas imaginam ser inconsequente o requerimento de que o obreiro tem que ter uma vida aprovada por Deus para poder disseminar o evangelho e obter bons frutos no seu ministério (Mat 17:16). Muitos imaginam erroneamente que se o irmão ou irmã possui desenvoltura no falar, ou canta bem, ou toca bem um instrumento, ou demonstra proficiência em qualquer outra área, é porque Deus está enviando esta pessoa como um obreiro do evangelho. Não consideram o exemplo de vida que estas pessoas levam. Não consideram que quem ouvir a mensagem através destas pessoas também receberão embutido na mensagem um modelo a ser copiado.

O Juízo na Igreja: A Necessidade de Retidão do Obreiro

Certamente que todo o verdadeiro talento vem de Deus e que todo, ou quase todo, o talento pode ser usado de alguma forma como instrumento de propagação do evangelho, mas isto não quer dizer de forma alguma que o possuidor do talento não tenha que colocar a sua vida espiritual em ordem com Deus primeiro antes de colocá-lo em uso para o avanço da obra. Todo o cristão, independentemente se está ou não envolvido em um ministério, precisa andar em santidade para com Deus, conforme nos disse o apóstolo Pedro: “Pelo que, amados, aguardando estas coisas, procurai que de Deus sejais achados em paz, imaculados e irrepreensíveis” (2Pe 3:14). Esta exigência, porém, se multiplica quando se trata de alguém que se posiciona como um instrutor, seja através da pregação, do ensino, do louvor ou de qualquer outro ministério da igreja que coloque o obreiro em contato com as almas do Senhor. Foi isso o que o nosso irmão Tiago quis dizer quando escreveu: “Meus irmãos [Gr. αδελφός (adelfós) s.m. irmão no físico ou espiritual; fig. companheiro, colega], não sejais muitos de vós mestres [Gr. διδάσκαλος (didáskalos) s.m. mestre, doutor, professor, instrutor], sabendo que receberemos um juízo [Gr. κρίμα (krima) s.n. julgamento, sentença, condenação] mais severo” (Tia 3:1).

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O Juízo na Igreja: Os Ministérios e Seus Obreiros

É bom aqui deixar bem claro que qualquer um que procura influenciar alguém a tomar uma decisão ao lado de Jesus é um instrutor e está atuando como um representante de Cristo para as pessoas. Por exemplo, quando alguém faz parte do ministério de louvor, ainda que a sua participação seja pequena, muitas das almas que ouvem e observam o grupo de louvor à frente inconscientemente tem na sua mente que este alguém possui uma vida aprovada por Deus e digna de ser imitada. Se de fato este alguém é um modelo de cristão, que não possui nem ciscos nem troncos nos seus olhos (Mat 7:3-5), então ele é um verdadeiro servo de Deus, um obreiro que alegra ao Senhor, e todo aquele que seguir o seu exemplo de vida será abençoado (1Cor 11:1). Na realidade o próprio ministério de louvor e até mesmo toda a igreja será abençoada pela sua presença e influência no local. Se por outro lado este alguém for um mau exemplo, possuindo vigas nos olhos, todo aquele que o seguir, assim como ele, se distanciará de Deus e como resultado nenhuma bênção descerá sobre o ministério e toda a igreja estará em vergonha e desonra para com Deus. Que os líderes desta igreja ajam com urgência removendo este “Acã” do meio do povo (Jos 7:12). O apóstolo Paulo, refletindo este mesmo pensamento, censurou severamente os líderes da igreja de Corinto por aceitarem e até se orgulharem de um mau exemplo no seu meio: “…seja entregue este homem a Satanás [Gr. Σατανάς (satanás) s.m.np. satanás, adversário, príncipe do mal] para destruição da carne [Gr. σάρξ (sárks) s.f. carne; fig. ser humano, natureza humana], para que o espírito [Gr. πνεύμα (pnévma) s.n. espírito (do homem), vento, sopro] seja salvo no dia do Senhor Jesus. Não é bom o vosso orgulho. Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda?” (1Cor 5:5-6).

O Juízo na Igreja: Limpando a Casa

Queridos, encerrando mais um segmento do Sermão da Montanha, deixe-me dizer que estas palavras de Jesus são de extrema importância para os dias que estamos vivendo. Cada vez mais podemos notar a rapidez com que o pecado, o mundanismo e a rebeldia têm entrado e feito residência permanente nas nossas igrejas, de todas as denominações. Infelizmente, pelo que podemos observar, são poucos os líderes que ainda possuem o temor do Senhor e resistem ceder à pressão popular que procura pôr abaixo os últimos vestígios de santidade entre o povo de Deus. Talvez a praga do COVID-19 sirva como um despertamento para alguns, o tempo dirá.

Da mesma forma que o cristão como indivíduo precisa primeiro tirar o tronco do seu olho para assim poder enxergar bem e ajudar a tirar o cisco do olho do seu irmão, a igreja moderna precisa extrair em caráter de urgência a enorme viga que possui alojada no olho, caso tenha qualquer interesse em ajudar aos perdidos abandonar os seus pecados e aceitar o caminho apertado que leva ao Reino (Mat 7:13-14). A cegueira que encobre a liderança da maioria das nossas igrejas é vergonhosa e assustadora. É o meu desejo que haja um despertar e a nossa liderança se empenhe a fazer uma limpeza profunda com a remoção de todo o lixo que vem se acumulando nas nossas casas de oração nos últimos anos, antes que seja tarde demais. A hora se aproxima, e nos parece que já chegou, quando a profecia se cumprirá: “quem está sujo suje-se ainda; e quem é justo faça justiça ainda; e quem é santo seja santificado ainda. E eis que já venho, e a minha recompensa está comigo para dar a cada um segundo aquilo que fez” (Apo 22:11-12). Espero te ver no céu.
 

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