🔊 Uma Estranha Santidade (Líderes Carnais e Suas Igrejas Mundanas) [Com Áudio]

Uma Estranha Santidade (Líderes Carnais e Suas Igrejas Mundanas) [Com Áudio]

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Vivemos em cavernas. Sim, esta é a acusação que frequentemente recebemos dos inimigos da santidade. Segundo eles, os perdidos não podem ouvir de nós o evangelho porque vivemos separados do mundo. Falam que os descrentes fogem da nossa presença porque somos diferentes. Acreditam que um ministério, para ser eficaz nos nossos dias, precisa consistir de líderes e membros que vivem entre os mundanos, fazendo aquilo que eles fazem e curtindo aquilo que eles curtem. Acreditam que os ímpios precisam se identificar com os cristãos, se sentir à vontade na casa de Deus, e a maneira que crerem ser isto possível é transformando as nossas igrejas em locais onde não exista nenhum “choque cultural”. Ou seja, imaginam ser possível pregar o evangelho do novo nascimento que Jesus pregou a Nicodemos em João capítulo três e ao mesmo tempo dar a entender aos interessados que esta nova vida que estamos propondo não interferirá demasiadamente no seu dia a dia e que eles poderão muito bem continuar usufruindo dos prazeres que o mundo lhes oferece. Se houver mudanças a serem feitas, estas serão simples ajustamentos e, de forma alguma, mudanças “exageradas” ou “extremistas”, imaginam eles.

“Aí está a cruz do verdadeiro seguidor de Cristo: viver no mundo, sem fazer parte dele.”

É exatamente baseado nesta filosofia do anticristo que cada vez mais se torna impossível distinguir os filhos da luz dos filhos das trevas (Mt 13:25-26), pois ambos os grupos possuem um linguajar semelhante, um vestuário semelhante; participam dos mesmos entretenimentos, dos mesmos prazeres; seguem em uma mesma direção e sonham os mesmos sonhos. A ideia de que o cristão, que deveria viver como alguém completamento diferente do que era, pode sim continuar apegado aos prazeres que eram típicos da sua vida passada, é completamente contrário ao verdadeiro evangelho de Jesus. Foi isso o que Paulo quis dizer quando nos escreveu: “Portanto digo isto, e testifico no Senhor, para que não mais andeis como andam os gentios, na inutilidade da sua mente, obscurecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração” (Ef 4:17-18).

É pensando assim que em muitas igrejas, se um estranho passar por suas portas e olhar para dentro de relance, e ver e ouvir o que se passa no local, as luzes coloridas, a música, a fumaça, as gargalhas e o ambiente excêntrico… se não está acostumado pode ficar na dúvida se o recinto se trata de uma casa de oração, de um salão de festas, ou pode até imaginar que por algum motivo bizarro colocaram um grupo de cristãos para odorarem a Deus no mesmo local e hora onde alguns mundanos celebravam algo. Se puder, olhará rapidamente no letreiro do prédio para ter uma melhor ideia do que consiste o estabelecimento.

Mas a quem estes cristãos estão enganando? Certamente que não a Deus! Enganam a si mesmos, mas não é um engano sem malícia, pois, conhecem a Palavra (Jo 9:41). Conhecem, mas não obedecem. Para justificar o amor que têm por este mundo, criaram uma estranha versão de santidade. Falam de santidade, escrevem nas camisetas, choram, levantam as mãos e cantam louvores falando dela, mas não a vivem: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mt 7:21). Defendem uma santidade sem separação: uma contradição.

E qual é a vontade do Pai que Jesus nos disse ser necessário obedecer para entrarmos no reino dos céus? Não é de fato a santidade, ou a nossa separação de tudo aquilo que não pertence ao Senhor? Qualquer estudante da bíblia sabe que ser santo significa ser separado, colocado à parte, consagrado, conforme nos disse Paulo ao citar Isaías: “Pelo que, saí vós do meio deles e separai-vos, diz o Senhor; e não toqueis coisa imunda, e eu vos receberei; e eu serei para vós Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso” (2Co 6:17-18 ver também Is 52:11 e Is 43:6).

Quando se aproximava o dia que Jesus ia nos deixar fisicamente, ele orou ao Pai por mim e por você. Preocupou-se com a nossa situação neste mundo contaminado pelo mal. Gostaria que estivéssemos com ele no céu, mas reconheceu que, assim como ele, o nosso tempo neste mundo deve ser cumprido: “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal” (Jo 17:15). É irônico que já observei vários líderes carnais utilizarem deste exato verso para explicar e ensinar aos outros que o cristão pode usufruir dos prazeres do mundo, quando nos versos seguinte Jesus nos diz de que forma deve ser o nosso viver neste mundo em trevas: “Eles não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. Santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade” (Jo 17:16-17).

Aí está a cruz do verdadeiro seguidor de Cristo: viver no mundo, sem fazer parte dele (Jo 17:16). Como isto é possível? Como podemos nos manter distantes daquilo que tanto nos atrai? Através da verdade: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17:17). Somos santificados, ou separados do mundo, pela verdade que encontramos na Palavra de Deus; verdade não apenas lida, mas obedecida (Tg 1:22). Quem não está disposto a obedecer à palavra de Cristo não o ama e não conhece a genuína santidade. O verbo utilizado no verso 17 para “santifica-os” é [ἁγιάζω (hagiazō)], o qual denota não somente uma separação de tudo aquilo que o Senhor abomina como também uma dedicação, ou consagração, dos filhos e filhas de Deus para uso exclusivo do seu Senhor. Sugerir, ainda que de leve, que estas palavras de Jesus autoriza o cristão a participar dos prazeres que o mundo oferece é uma afronta às Sagradas Escrituras e ao próprio Deus, que nos diz: “E sereis para mim santos; porque eu, o Senhor, sou santo, e vos separei dos povos, para serdes meus” (Lv 20:26 ver também:  1Pe 1:16).

Queridos, Jesus visitou e comeu com os pecadores, mas nunca ensinou os seus discípulos a serem como eles. Jesus jamais interagiu com os amantes deste mundo participando dos seus atos mundanos. No primeiro século existiam entretenimentos seculares da mesma forma que existem hoje: teatros, shows, lutas, esportes, casas de sexo e espetáculos de todos os tipos e gostos e não há sequer uma menção de que Jesus ou os apóstolos se envolviam com estas coisas ou ambientes. Os pecadores não eram atraídos a Cristo porque se identificavam com ele, como se Jesus fosse igual a eles, mas sim porque viam nele o caminho da restauração. Procuravam alívio; desejavam descanso. Estavam cansados do vazio que são os prazeres oferecidos pelo príncipe deste mundo, Satanás, e podiam observar que existia algo em Jesus que não viam em nenhum outro. A diferença, e não a semelhança, os fascinava (Mt 7:28-29; Jo 7:46). Espero te ver no céu.