🔊 (Parte 2) Série: A Graça, a Obediência e a Salvação. Estudo Nº 2: Jesus e a Graça. Como Alcançamos a Graça [Com Áudio]

(Parte 2) A Graça, a Obediência e a Salvação - Jesus e a Graça. Como Alcançamos a Graça. a Salvação é Pela Graça

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Começamos esta segunda parte com uma informação que pode ser novidade para alguns: Jesus nunca usou a palavra “graça”. Isso não quer dizer que a salvação não seja pela graça, mas quer dizer sim que Deus esperou até a ascensão do seu filho e o envio do Espírito Santo para que essa verdade fosse revelada aos seus discípulos de uma forma mais clara. Esta, porém, não se trata de uma nova revelação ou algo adicional ao que já havia sido nos revelado no evangelho pregado por Jesus, mas simplesmente mais esclarecimento sobre a soberania, misericórdia e bondade de Deus, assim como a participação do homem no processo de salvação.

“Quem crê e ama o filho obedecerá aos seus mandamentos e se salvará pela graça.”

Lembremos que a graça, e qualquer outra doutrina relacionada com a salvação de almas (doutrinas primárias), deverá ter o respaldo das palavras que saíram dos lábios de Jesus para que proceda de Deus, pois, Jesus é o único porta-voz do Pai para assuntos de salvação, a nenhum outro foi dada esta missão: “…eis que uma nuvem luminosa os cobriu; e dela saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele escutai” (Mt 17:5. Ver também: João 12:48-50). Nesta série, não nos deixaremos levar por nenhuma onda popular sobre o significado da graça da salvação. Entendemos que, quando se trata de qualquer ensinamento que tem um impacto direto na salvação ou perdição de almas, as palavras de Jesus tem a decisão final, mesmo que discorde dos teólogos e pregadores mais famosos do mundo: “Pois busco eu agora o favor dos homens, ou o favor de Deus? Ou procuro agradar aos homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo” (Gl 1:10).

Até a vinda de Cristo, a visão que o povo judeu tinha do plano de salvação era bem limitada e confusa, ao ponto de um grande número entre eles nem mesmo aceitasse a ideia de que haverá uma ressurreição dos mortos, limitando os benefícios de servir a Deus somente para a vida presente (Mc 12:18). Foi por isso que esperavam que a principal função do Messias fosse a restauração de Israel no cenário geopolítico. Esperavam que quando chegasse, ele faria para eles o que o Rei Davi fez para o Israel do passado (João 6:15). [Acesse estudo sobre os Judeus e a Obediência a Jesus]

A partir do cativeiro babilônico, e com a morte dos últimos profetas do Senhor, os líderes de Israel desenvolveram uma religião corrupta, cheia de hipocrisia e estrita adesão a rituais o qual muitos deles consistiam de cerimônias não vindas de Deus, mas sim de criação própria, conhecidas como “a tradição dos anciãos” (Mt 15:2-3). Esta adoração ritualística a Deus era imposta à população com severas penalidades se não fosse seguida à risca. Este era o panorama existente quando Jesus foi enviado pelo Pai para nos trazer o verdadeiro evangelho da salvação, primeiro para os judeus e depois para os gentios.

Os judeus, no entanto, não viam que todo o simbolismo existente na lei mosaica, todos os rituais, todo o sistema cerimonial estava se cumprindo com a chegada daquele simples jovem pregador de Nazaré. Para os líderes, para o povo, e até mesmo para os primeiros seguidores de Cristo, a ideia de que a salvação através da obediência à lei estava sendo substituída pela obediência às palavras de alguém que parecia ser apenas um homem comum era algo muito difícil de aceitar: “Nazaré? Pode sair alguma coisa boa de lá?” (João 1:46). E de fato ninguém aceitaria se não fosse pelos sinais miraculosos que ele executava com uma facilidade que só mesmo alguém com autoridade divina poderia fazê-lo: “ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele” (João 3:2).

A lei cerimonial, como o próprio nome sugere, constituía de cerimônias que apontavam para a chegada do Messias, quando então toda a lei, com os seus rituais e símbolos, se cumpriria e deixaria de ter o seu valor aplicativo: “Mas, antes que viesse a fé, estávamos guardados debaixo da lei, encerrados para aquela fé que se havia de revelar. De modo que a lei se tornou nosso tutor, para nos conduzir a Cristo, a fim de que pela fé fôssemos justificados” (Gl 3:23-24). Aos poucos, utilizando primariamente de parábolas, Jesus ensinou o povo que a salvação seria através da fé e da obediência às suas palavras e não mais através das leis cerimoniais entregues aos patriarcas e a Moisés (Mt 20:1-16. Ver também Heb 5:9; At 5:32). O jugo difícil e o fardo pesado, que eram as inúmeras leis impostas pelos líderes religiosos, seriam substituídos pelos jugo e fardo de Jesus que eram fáceis e leves: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mt 11:28).

Jesus introduziu ao povo a graça do Pai, um lado de Deus que a maioria não conhecia. A mensagem enviada através do Filho consistia não de constante temor, acusação e condenação, como ouviam dos líderes que pregavam a lei, mas sim de misericórdia, perdão e amor: “Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (João 3:17). Esta é a graça de Deus, a maravilhosa manifestação de amor, perdão e favor divino demonstrada a todos que depositam a sua fé e esperança no seu filho (Ro 1:5; Ef 1:6 João 3:16). Quem crê e ama o filho obedecerá aos seus mandamentos e se salvará pela graça. Quem não obedece ao filho é porque não o ama. Este rejeitou a graça e a ira de Deus permanece sobre ele (João 3:36. Ver também Heb 4:1; Heb 12:15).

Quais são os mandamentos de Jesus para que possamos obedecê-los? Os mandamentos de Jesus são todas as instruções que ele nos deu enquanto estava fisicamente conosco, mas podemos resumir os mandamentos de Jesus em apenas um: Jesus tem que ser tudo o que temos. Quero dizer com isso que absolutamente tudo o que amamos nesta vida deverá ser considerado sem qualquer valor, por amor a Cristo (Fp 3:8). O Senhor não poderia ser mais claro quando nos disse: “Se alguém vier a mim, e não odiar [se necessário for] a pai e mãe, a mulher e filhos, a irmãos e irmãs, e ainda também à própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lc 14:26).

O cristão não poderá simplesmente conseguir um lugar para Jesus no seu dia a dia; Jesus não pode ser apenas uma das muitas coisas que ocupam a nossa mente, como tantos imaginam. Temos que intencionalmente perder a vida atual se queremos alcançar a graça da salvação: “Porque qualquer que quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida a salvará” (Lc 9:24). Estas palavras de Jesus definem com precisão o verdadeiro significado da salvação pela graça. Esta não é uma definição que nos foi dada por algum profeta do Velho Testamento e nem por algum escritor do Novo. Não veio de Moisés, ou de Davi, ou de Pedro, ou de Paulo. Também não chegou até a nós através de algum patriarca da igreja ou personagem da reforma, e muito menos de algum pregador famoso da atualidade. Não, estas são palavras que saiu dos preciosos lábios daquele que tem a mais alta das autoridades dada por Deus, para nos ensinar sobre a salvação, o seu Filho amado: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele escutai” (Mt 17:5).

A graça da salvação está disponível a todos, mas poucos são alcançados por ela. Não são alcançados porque fogem dela e fogem dela porque não querem perder a vida neste mundo. No coração, todos sabem que se deixarem levar pela graça de Deus, eles terão que abandonar as antigas paixões e muito embora sabem que tudo aquilo que possuem não lhes fazem felizes, ainda assim se apegam desesperadamente a estas coisas: “Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, segue-me. Mas o jovem, ouvindo essa palavra, retirou-se triste; porque possuía muitos bens” (Mt 19:21-22).

Não adianta nos apegarmos a nenhum outro ensino senão a este ensino de Jesus, pois, apenas Ele possui as palavras da vida eterna (João 6:68). A menos que estejamos dispostos a perder aquilo que amamos nesta vida, não obteremos aquilo que almejamos na eternidade. Foi isso o que Paulo nos ensinou quando deu o seu testemunho: “E vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gl 2:20). No final, apenas aqueles que se esvaziaram do eu e se tornaram uma morada viva para Jesus, entrarão na sua glória. Estes são os escolhidos do Senhor; estes alcançaram a graça da salvação: “Naquele dia, conhecereis que estou em meu Pai, e vós, em mim, e eu, em vós” (João 14:20). Espero te ver no céu.

Nesta Série de Estudos Bíblicos: