🔊 Série: A Graça, a Obediência e a Salvação: Estudo Nº 2: Jesus e a Graça. Como Alcançamos a Graça [Com Áudio e PDF]

Casal de mao dadas num jardim com Estudo Bíblico - (Parte 2) A Graça, a Obediência e a Salvação - Jesus e a Graça. Como Alcançamos a Graça. a Salvação é Pela Graça

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O Que é a Graça? Estudo Nº 2

Por Markus DaSilva, Th.D.

Começamos esta segunda parte com uma informação que pode ser novidade para alguns: Jesus nunca usou a palavra “graça” com a definição de “favor imerecido”. As únicas quatro vezes que o Senhor usou especificamente a palavra grega traduzida como “graça” [Gr. χάρις (rráris)], da raiz [Gr. χαίρω (rriéro) v.  estar contente], foram significando o oposto do que é popularmente defendido dos púlpitos: “Se amardes [Gr. αγαπάω (agapáo) v. amar] os que vos amam, que mérito [Gr. χάρις (rráris) s.f. agrado, graça, favor, valor, mérito] há nisso? Até os pecadores [Gr. αμαρτωλός (amartolós) adv. pecador, mundano, rebelde, malvado] amam os que os amam” (Luc 6:32. Ver também Luc 6:33; 6:34; 17:9). Podemos ver claramente que o que Jesus nos disse em todas estas passagens foi o contrário daquilo que tantos líderes ensinam ser o significado da palavra “graça”.  No caso do verso acima, por exemplo, Jesus foi bem claro que existe mérito perante Deus quando cumprimos o seu mandamento de amar os nossos inimigos (Mat 5:44; Luc 6:27-28). Segundo os próprios lábios de Jesus, os “amartolós” (pecadores, mundanos, rebeldes, malvados) não possuem mérito com Deus porque apenas amam os seus amigos.

Obviamente, amar os nossos inimigos não é o único mandamento de Jesus que devemos esperar ter mérito com o Pai porque fomos obedientes, mas sim ao guardarmos todos eles: “Aquele que tem os meus mandamentos [Gr. εντολή (endolí) s.f. ordem, comando, regra, mandamento] e os guarda [Gr. τηρέω (tiréo) v. guardar, vigiar, manter, preservar], esse é o que me ama [Gr. αγαπάω (agapáo) v. amar]; e aquele que me ama será amado de meu Pai [Gr. πατήρ (patír) s.m. Pai], e eu o amarei, e me manifestarei [Gr. εμφανίζω (enfanízo) v. revelar, aparecer, mostrar] a ele” (João 14:21).

Esta verdade revelada pelo próprio Jesus nos evangelhos não quer dizer que a salvação não seja pela graça, mas quer dizer sim que existe um entendimento sobre a graça de Deus que definitivamente não procede do Espírito Santo e que, portanto, será a causa de muitas surpresas desagradáveis no juízo final: “Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a desobediência à lei [Gr. αποχωρείτε απ ‘ εμού οι εργαζόμενοι την ανομίαν (aporroríte ap emú i ergazómeni tin anomían) Lit. afastem-se de mim aqueles atuando sem lei)]” (Mt 7:22-23. Ver também Mat 13:20-21; 1Jo 2:19).

“Quem crê e ama o filho obedecerá aos seus mandamentos e se salvará pela graça.”

Todas as Doutrinas Relacionas Com a Salvação de Almas Tem Que Vir de Jesus

Lembremos que a graça, e qualquer outra doutrina relacionada com a salvação de almas (doutrinas primárias), deverá ter o respaldo das palavras que saíram dos lábios de Jesus para que proceda de Deus, pois, Jesus é o único porta-voz do Pai para assuntos de salvação, a nenhum outro foi dada esta missão: “Eis que uma nuvem brilhante [Gr. φωτεινός (fotinós) adj. cheio de luz, brilhante] os cobriu [Gr. επισκιάζω (episkiázo) v. lançar sombra, obscurecer]; e dela saiu uma voz [Gr. φωνή (foní) s.f. voz, som] que dizia: Este é o meu Filho amado [Gr. υιός μου ο αγαπητός (yiós mu o agapitós) Lit. Filho meu, o amado], em quem me deleito [Gr. ευδοκέω (idokéo) v. estar satisfeito com, se deleitar em, ter prazer em]; escutem [Gr. ακούω (akúo) v. ouvir, prestar atenção, entender, considerar] o que ele diz!” (Mat 17:5. Ver também: João 12:48-50). Nesta série, não nos deixaremos levar por nenhuma onda popular sobre o significado da graça da salvação. Entendemos que, quando se trata de qualquer ensinamento que tem um impacto direto na salvação ou perdição de almas, as palavras de Jesus tem a decisão final, mesmo que discorde dos teólogos e pregadores mais famosos do mundo: “Pois busco eu agora o favor dos homens, ou o favor de Deus? Ou procuro agradar aos homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo” (Gal 1:10).

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O Judaísmo e a Salvação

Até a vinda de Cristo, a visão que o povo judeu tinha do plano de salvação era bem limitada e confusa, ao ponto de um grande número entre eles nem mesmo aceitasse a ideia de que haverá uma ressurreição dos mortos, limitando os benefícios de servir a Deus somente para a vida presente (Mar 12:18). Foi por isso que esperavam que a principal função do Messias fosse a restauração de Israel no cenário geopolítico. Esperavam que quando chegasse, ele faria para eles o que o Rei Davi fez para o Israel do passado (João 6:15). [Acesse estudo sobre os Judeus e a Obediência a Jesus]

A Religião Ritualística dos Judeus

A partir do cativeiro babilônico, e com a morte dos últimos profetas do Senhor, os líderes de Israel desenvolveram uma religião corrupta, cheia de hipocrisia e estrita adesão a rituais o qual muitos deles consistiam de cerimônias não vindas de Deus, mas sim de criação própria, conhecidas como “a tradição dos anciãos” (Mat 15:2-3). Esta adoração ritualística e performática a Deus era imposta à população com severas penalidades se não fosse seguida à risca. Este era o panorama existente quando Jesus foi enviado pelo Pai para nos trazer o verdadeiro evangelho da salvação, primeiro para os judeus e depois para os gentios.

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Os Judeus e a Rejeição do Messias

Os judeus, no entanto, não viam que todo o simbolismo existente na lei mosaica, todos os rituais, todo o sistema cerimonial estava se cumprindo com a chegada daquele simples jovem pregador de Nazaré. Para os líderes, para o povo, e até mesmo para os primeiros seguidores de Cristo, a ideia de que a salvação através da obediência à lei estava sendo substituída pela obediência às palavras de alguém que parecia ser apenas um homem comum era algo muito difícil de aceitar: “Nazaré? Pode sair alguma coisa boa de lá?” (João 1:46). E de fato ninguém aceitaria se não fosse pelos sinais miraculosos que ele executava com uma facilidade que só mesmo alguém com autoridade divina poderia fazê-lo: “ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele” (João 3:2).

Jesus Como o Fim da Lei Cerimonial

A lei cerimonial, como o próprio nome sugere, constituía de cerimônias que apontavam para a chegada do Messias, quando então toda a lei, com os seus rituais e símbolos, se cumpriria e deixaria de ter o seu valor aplicativo: “Mas, antes que viesse a fé, estávamos guardados debaixo da lei, encerrados para aquela fé que se havia de revelar. De modo que a lei se tornou nosso tutor, para nos conduzir a Cristo, a fim de que pela fé fôssemos justificados” (Gal 3:23-24). Aos poucos, utilizando primariamente de parábolas, Jesus ensinou o povo que a salvação seria através da fé e da obediência às suas palavras e não mais através das leis cerimoniais entregues aos patriarcas e a Moisés (Mat 20:1-16. Ver também Heb 5:9; Atos 5:32). O jugo difícil e o fardo pesado, que eram as inúmeras leis impostas pelos líderes religiosos, seriam substituídos pelos jugo e fardo de Jesus que eram fáceis e leves: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mat 11:28).

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Jesus Introduz a Graça da Salvação Decorrente da Fé e da Obediência

Jesus introduziu ao povo a graça do Pai, um lado de Deus que a maioria não conhecia. A mensagem enviada através do Filho consistia não de constante temor, acusação e condenação, como ouviam dos líderes que pregavam um falso entendimento da santa lei de Deus, mas sim de misericórdia, perdão e amor: “Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (João 3:17). Esta é a graça de Deus, a maravilhosa manifestação de amor, perdão e favor divino demonstrada a todos que depositam a sua fé e esperança no seu filho (Rom 1:5; Efe 1:6 João 3:16). Quem crê e ama o filho obedecerá aos seus mandamentos e se salvará pela graça. Quem não obedece ao filho é porque não o ama. Este rejeitou a graça e a ira de Deus permanece sobre ele: “Quem crê [Gr. πιστεύω (pistévo) v. crer, confiar, estar persuadido] no Filho tem a vida eterna [Gr. ζωήν αιώνιον (zoin eônion) vida eterna]; o que, porém, desobedece [Gr. απειθέω (apithéo) v. desobedecer, recusar cumprir algo] ao Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece [Gr. μένω (mêno) v. morar, permanecer, reter, continuar, persistir] a ira [Gr. οργή (oryí) s.f. sent.prim. ira, raiva, indignação; sent.sec. punição, justiça] de Deus” (João 3:36. Ver também Heb 12:15).

Os Mandamentos de Jesus Para a Graça da Salvação

Quais são os mandamentos de Jesus para que possamos obedecê-los? Os mandamentos de Jesus são todas as instruções que ele nos deu enquanto estava fisicamente conosco, mas podemos resumir os mandamentos de Jesus em apenas um: Jesus tem que ser tudo o que temos. Quero dizer com isso que absolutamente tudo o que amamos nesta vida deverá ser considerado sem qualquer valor, por amor a Cristo (Fil 3:8). O Senhor não poderia ser mais claro quando nos disse: “Se alguém vier a mim, e [se necessário for] não odiar  [Gr. μισέω (miséo) v. odiar, detestar] a pai [Gr. πατήρ (patír) s.m. pai (biológico)] e mãe; a mulher [Gr. γυνή (guiné) s.f. mulher, esposa] e filhos; a irmãos [Gr. αδελφός (adelfós) s.m. irmão no físico ou espiritual; fig. companheiro, colega] e irmãs; e ainda também à própria vida [Gr. ψυχή (psirrí) s.f. alma, vida, mente, individualidade], não pode ser meu discípulo [Gr. μαθητής (mathitís) s.m. aprendiz, discípulo, aluno, seguidor]” (Luc 14:26). [Acesse estudo completo sobre a obediência a Jesus]

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O Que Realmente Precisamos Fazer Para Alcançar a Graça da Salvação

O cristão não poderá simplesmente conseguir um lugar para Jesus no seu dia a dia; Jesus não pode ser apenas uma das muitas coisas que ocupam a nossa mente, como tantos imaginam. Temos que intencionalmente perder a vida atual se queremos alcançar a graça da salvação: “Porque qualquer que quiser salvar [Gr. σώζω (sózo) v. salvar, curar, preservar] a sua vida [Gr. ψυχή (psirrí) s.f. alma, vida, mente, individualidade] perdê-la-á [Gr. απόλλυμι (apólimi) v. se perder, arruinar, desperdiçar, destruir, perecer, morrer]; mas qualquer que, por minha causa [Gr. ένεκεν εμού (éneken emú) Lit. por causa de mim], perder a sua vida a salvará” (Luc 9:24. Ver também: Mat 16:24-25).

Estas palavras de Jesus definem com precisão o verdadeiro significado da salvação pela graça. Esta não é uma definição que nos foi dada por algum profeta do Velho Testamento e nem por algum escritor do Novo. Não veio de Moisés, ou de Davi, ou de Pedro, ou de Paulo. Também não chegou até a nós através de algum patriarca da igreja, um papa ou um personagem da reforma, e muito menos de algum pregador famoso da atualidade. Não, estas são palavras que saiu dos preciosos lábios daquele que tem a única autoridade dada por Deus, para nos ensinar sobre a salvação, o seu Filho amado: “ouçam o que ele diz! [Gr. ακούετε αυτού (akúete aftú) ouçam o que ele diz]” (Mat 17:5).

Muitos Fogem da Graça

A graça da salvação está disponível a todos, mas poucos são alcançados por ela. Não são alcançados porque fogem dela e fogem dela porque não querem perder a vida neste mundo. No coração, todos sabem que se deixarem levar pela graça de Deus, eles terão que abandonar as antigas paixões e muito embora sabem que tudo aquilo que possuem não lhes fazem felizes, ainda assim se apegam desesperadamente a estas coisas, como foi o caso do jovem rico que claramente recusou a graça que lhe foi oferecida: “E Jesus, olhando para ele, o amou [Gr. αγαπάω (agapáo) v. amar] e lhe disse: Uma coisa te falta [Gr. υστερέω (isteréo) v. faltar, necessitar]; vai vende tudo quanto tens e dá-o [Gr. δίδωμι (dídomi) v. dar, doar]  aos pobres [Gr. πτωχός (ptorrós) adj. pobre, necessitado, mendigo, indigente], e terás um tesouro [Gr. θησαυρός (thisavrós) s.m. tesouro, depósito] no céu [Gr. ουρανός (uranós) s.m. céu]; depois vem e me segue [Gr. ακολουθέω (acoluthéo) v. seguir a alguém, acompanhar, se tornar um discípulo]” (Mar 10:21. Ver também Mat 19:21-22). Ao ouvir de Jesus que ele teria que desistir do seu tesouro atual para que assim pudesse possuir um tesouro no céu, ele se retirou triste. Pensem bem, esse rapaz procurou o céu na fonte certa; de fato, a única pessoa no universo que poderia lhe dar o que queria (João 14:6), mas mesmo assim não recebeu o que procurava. Por que não? Porque recusou a sacrificar algo que amava, considerando demasiado alto o preço requerido. Ele quis a salvação, ele encontrou o caminho, mas não estava disposto a sofrer a perda do seu tesouro neste mundo presente (João 3:36).

A Mentira Popular da Salvação Sem Custo Para o Homem

Continuando no exemplo que temos do jovem rico, a graça da salvação lhe foi oferecida, mas lhe custaria abandonar aquilo que tanto amava. Se a graça fosse de fato imerecida, como frequentemente se ouve, Jesus não apresentaria nenhum requerimento ao Jovem para herdar a salvação, pois se existe requerimento é porque só receberemos a salvação através do cumprimento do requerimento, o que deixa de ser imerecido. Se a salvação fosse de fato imerecida como tantos líderes erroneamente ensinam, ao perguntar a Jesus: “Mestre, que farei eu de bom para herdar a vida eterna?” (Mat 19:16); Jesus simplesmente responderia: “nada, você não pode fazer nada para herdar a vida eterna, simplesmente creia em mim e você se salvará. Aliás, se você tentar fazer qualquer coisa para merecer a salvação, qualque boa obra, você de fato não se salvará, pois estará confiando em si mesmo e não em mim. Você estará tentando ganhar a salvação e isto é inaceitável!” Obviamente sabemos que esta resposta de Cristo nunca ocorreu. O que de fato ocorreu é que Jesus lhe informou qual é o custo do discipulado, um custo altíssimo que é perder todo o interesse pelo mundo presente para que assim fosse salvo, mas o jovem achou este custo alto demais, e foi embora triste. Não ouve nada de favor imerecido, ou de salvação sem qualquer custo para o homem, neste diálogo entre ele e Jesus. Não pensem que conosco é diferente: “Assim, pois, todo aquele dentre vós que não renuncia [Gr. αποτάσσω (apotásso) v. renunciar, abandonar, dar adeus]  a tudo quanto possui, não tem como ser meu discípulo [Gr. μαθητής (mathitís) s.m. aprendiz, discípulo, aluno]” (Luc 14:33)

Só o Ensino Que Veio de Jesus Pode Salvar

Não adianta nos apegarmos a nenhum outro ensino senão a este ensino de Jesus, pois, apenas Ele possui as palavras da vida eterna (João 6:68). A menos que estejamos dispostos a perder aquilo que amamos nesta vida, não obteremos aquilo que almejamos na eternidade. Foi isso o que Paulo nos ensinou quando deu o seu testemunho: “E vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gal 2:20). No final, apenas aqueles que se esvaziaram do eu e se tornaram uma morada viva para Jesus, entrarão na sua glória. Estes são os escolhidos do Senhor; estes alcançaram a graça da salvação: “Naquele dia, conhecereis que estou em meu Pai, e vós, em mim, e eu, em vós” (João 14:20). Espero te ver no céu.
 

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