🔊 (Parte 2) Série: Relacionamentos Cristãos – Amizade Com os Ímpios [Com Áudio]

(PARTE 2) SÉRIE: RELACIONAMENTOS CRISTÃOS – AMIZADE COM OS ÍMPIOS

Baixar Áudio Baixar Áudio | Baixar PDF Baixar PDF

Por Markus DaSilva, Th.D.

Independentemente da religião de cada ser humano – ou da sua falta – somos todos seres físicos, vivendo em um mundo físico e lidando todos os dias uns com os outros em todos os tipos de situações. Ainda que queira, o cristão típico possui uma vida a ser vivida e não tem a opção de se manter isolado dos descrentes, sem mencionar que, via de regra, Deus não chama os seus escolhidos para viverem trancados nas suas casas para assim evitar qualquer “contaminação” com os mundanos. São poucos os servos de Deus chamados a viverem no deserto, vestidos de peles e se alimentando de mel e gafanhotos (Mt 3:4). Pessoalmente, gostaria muito de ser um João Batista, mas Deus não me deu tal honra e provavelmente também não concedeu esse privilégio a vocês, nossos queridos irmãos na fé. O nosso chamado é mais semelhante àquele dos 12 apóstolos: “Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos” (Mt 10:16).

Estudo Bíblico Nº 2 — Amizade Com os Ímpios

Expandindo a analogia, é interessante que o Senhor antes de nos enviar aos lobos não nos transforma em algum animal ainda mais fortes do que eles, como tigres, leopardos ou leões, mas prefere nos igualar a uma das criaturas mais fáceis de serem perseguidas, mortas e devoradas pelos lobos, que são as ovelhas. Uma criatura que por si só não possui sequer um mecanismo de defesa eficaz. Os motivos que os ímpios são comparados com lobos e nós com ovelhas são muitos, e muito já foi escrito sobre isto, mas eles se resumem em dois: o primeiro motivo é para nos lembrar da nossa dependência de Jesus para a sobrevivência. Sem o bom Pastor cuidando de nós, frágeis ovelhas, seríamos presas fáceis para todas as feras que desejam nos eliminar. E o segundo motivo é para nos alertar que estamos lidando com um adversário poderoso em seu próprio território; ou seja, eles não vieram até nós, mas nós fomos enviados a eles confiando que sairemos vencedores baseado somente no poder do nosso Protetor.

“Como servos do Deus altíssimo não nos é permitido manter amizade com aqueles que rejeitam ao Senhor”

Temos a tendência de imaginar que os lobos a quem Jesus se refere são os piores entre os mundanos: os falsos líderes, os saqueadores e exploradores da fé, os criminosos, quando na realidade todas as pessoas que não são fiéis seguidores de Jesus estão entre aqueles com o potencial para nos destruir. Não existe neutralidade na batalha pelas almas, isso foi o que Jesus quis dizer com as palavras: “Quem não é comigo, é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha” (Lc 11:23). Essa afirmação de Jesus divide os seres humanos em apenas dois grupos: os amigos e os inimigos de Deus, sem a possibilidade de que alguém seja uma pessoa neutra: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro” (Mt 6:24).

É impossível mantermos um relacionamento de amizade com Deus e ao mesmo tempo permanecermos amigos daqueles que são do mundo. De fato, o ato dos cristãos que insistem em manter amizade com aqueles que não servem ao Senhor é visto por Deus como uma traição conjugal, conforme nos escreveu o nosso irmão Tiago: “adúlteros [Grego: μοιχαλίς (moikalis) – adúltera, infiel, traidora], não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tg 4:4).

Aqui em casa, ninguém na família possui amigos descrentes. Anos atrás, quando ainda estava em um outro trabalho, comecei a desenvolver uma amizade com um colega ímpio. Pude observar durante este tempo que o foco da sua vida era bem diferente daquele que deve ser o foco dos servos de Deus. O grande objetivo da vida desse rapaz era a acumulação de bens materiais e os lazeres do mundo, e se a amizade tivesse continuada eu poderia muito bem ser influenciado a procurar por essas mesmas coisas e me desviar assim do caminho da santidade. Digo que poderia ser influenciado porque eu conheço o meu coração enganoso (Jr 17:9) e não confio em mim mesmo.

Deixe-me inserir aqui uma observação sobre os diferentes tipos de relacionamentos com os descrentes para que não fiquem dúvidas sobre o que a Palavra de Deus nos ensina. Nem todos os relacionamentos são de amizades. Podemos e devemos ser respeitosos, cordiais e educados com todas as pessoas com quem convivemos. De fato, é quando demonstramos a todos o nosso caráter transformado por Jesus que eles poderão se interessar em adorar o mesmo Deus que adoramos: “Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5:16). Quando nos relacionamos com os descrentes em ambientes de trabalho, nas escolas, nas nossas comunidades, eles devem ver em nós um reflexo do inigualável caráter do nosso Mestre: “Então, ao verem a intrepidez de Pedro e João… admiraram-se; e reconheceram que eles haviam estado com Jesus” (At 4:13).

Os fariseus queriam desacreditar a Jesus e o acusavam de várias coisas, entre elas que era um beberrão, comilão e amigo [Grego: φίλος (filos) – amigo, comparsa, associado, íntimo] de cobradores de impostos e pecadores (Lc 7:34). Mas Jesus não era nada disso. Sim, ele se relacionava com todos os tipos de pecadores, mas sempre com o objetivo de levá-los ao arrependimento e à salvação: “eu não vim chamar justos, mas pecadores, ao arrependimento” (Lc 5:32). Apenas aqueles que aceitavam o seu chamado ao arrependimento e à obediência, passavam a ser seus amigos; Jesus não mantinha amizade com aqueles que rejeitavam as suas palavras, conforme claramente nos disse: “Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando” (Jo 15:14). Já disse e volto a dizer que sim, Jesus é amigo dos pecadores, mas apenas dos pecadores transformados, assim como eu, assim como vocês.

Irmãos, o objetivo deste estudo é que fique bem claro que como servos do Deus altíssimo não nos é permitido manter amizade com aqueles que rejeitam ao Senhor. Obviamente, isso não significa que seremos seus inimigos (Ro 12:18), e nem mesmo que não podemos interagir com essas pessoas no dia a dia, pois sempre temos a esperança que através do nosso viver exemplar elas um dia queiram ter para elas a mesma felicidade, paz e certeza de salvação que temos. Interagir, sim; ser amigo, não! Se por acaso afastar dos amigos ímpios é algo difícil para alguns de vocês, peçam a Deus que lhes deem vontade, coragem e sabedoria para fazê-lo. Confessem ao Senhor que Ele é a pessoa mais importante na sua vida e que a amizade Dele vale mais do que a de todo o universo. A seguir, ponha em prática a sua fé e comece a se isolar daqueles que não amam a Deus: “A amizade do Senhor é para aqueles que o temem, e ele lhes faz conhecer a sua aliança” (Sl 25:14). Espero te ver no céu.

Nesta Série de Estudos Bíblicos: