🔊 (Parte 6) Série: Relacionamentos Cristãos – Casamento [Com Áudio]

Estudos Bíblicos - (Parte 6) Série: Relacionamentos Cristãos - Casamento - Markus DaSilva

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Por Markus DaSilva, Th.D.

A vida de todo o verdadeiro servo de Deus é uma vida de sacrifícios. Assim foi no começo e assim seguirá até o fim. Quando recusamos a sacrificar os nossos desejos pelos desejos de Deus estamos então recusando o próprio Senhor e como resultado recebemos as inevitáveis consequências de uma decisão contrária ao único Ser que sabe o que realmente precisamos. Quando tentada pela serpente, Eva pode perceber que a fruta era agradável aos olhos e desejável para comer, e ali então, pela primeira vez o ser humano foi exposto às duas opções que são as mesmas opções que até hoje nos confrontam no dia a dia: fazer o que eu quero ou o que Deus quer? (Gn 3:6). Fazer aquilo que mais parece beneficiar a mim mesmo é o padrão. Todas as pessoas, crentes (quem crê em Deus) e descrentes, vivem dentro do princípio de que se obtém a felicidade quando o “eu” é satisfeito. O Senhor, porém, nos diz que a felicidade é obtida quando o eu é desconsiderado e nos submetemos por completo a Ele: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz diariamente, e siga-me” (Lc 9:23).

A introdução acima se faz necessária porque o maior dos problemas das pessoas casadas é a resistência em sacrificar o eu. Certamente isto não é algo que ocorre apenas entre os casados, mas o fato de serem dois, o problema se agrava. Ou seja, quem vive só passará por bem menos situações onde a vontade própria necessita ser sacrificada do que quem compartilha a sua vida diária com um outro ser humano. Em qualquer situação, não apenas no casamento, é impossível um convívio harmonioso entre indivíduos se cada pessoa envolvida exigir que a sua vontade seja sempre feita (Am 3:3).

“O Senhor nos ama incondicionalmente, e com demasiada frequência, sem qualquer reciprocidade.”

Além do sacrifício do eu, Jesus também nos diz ser necessário aceitarmos a nossa cruz diária. Estes dois mandamentos, dizer não ao eu e tomar a nossa cruz, seguem juntos. Ou seja, se argumentamos que negamos o eu, mas recusamos o resultado que é o sofrimento, então na realidade o eu continua sendo o nosso foco e certamente não está sendo negado. Negar a si mesmo é algo desagradável, e seguir diariamente desagradando a si mesmo é carregar uma cruz todos os dias, tal qual Jesus nos disse que deve ser.

Alguns anos atrás, quando comecei a caminhar em obediência a Deus, algo que o Espírito Santo me ensinou de uma forma bem clara foi estar disposto a sacrificar os meus desejos. Sei que tenho um longo caminho adiante neste treinamento, mas percebo nitidamente que já não sou o mesmo. Cada vez mais, fora e dentro de casa, aceito coisas que não são aquilo que gostaria. Estou aprendendo a não reclamar para as pessoas e, principalmente, para mim mesmo. Simplesmente estou aprendendo a aceitar que vivo em um mundo imperfeito e passageiro e que devo ficar feliz em ter tantas coisas boas que o Senhor me dá hoje mesmo, enquanto ainda não fui levado para o céu. Paulo estava se referindo a isso, quando escreveu: “já aprendi a contentar-me com as circunstâncias em que me encontre… Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece” (Fp 4:11,13).

Repetindo o que Paulos nos escreveu: “Aprendi a contentar-me com as circunstâncias em que me encontre…”. Devo inserir aqui uma verdade muito importante. Uma boa parte das insatisfações que surgem na nossa mente tem como origem Satanás, pois, ele, como o pai da mentira, se deleita em colocar na nossa cabeça a ideia falsa de que seríamos mais felizes se tivéssemos aquilo que não temos. Quando o cristão cai nesta armadilha, neste ciclo demoníaco, ele nunca se vê feliz, pois sempre imagina erroneamente que o que possui não é suficiente ou não tão bom como aquilo que os outros possuem. O inimigo consegue muito sucesso com este tipo de ataque em se tratando de cristãos insatisfeitos com os seus cônjuges (2Sm 12:8-9).

Voltando ao ponto original, eu sei que alguns cristãos que não estão felizes com o seu casamento, imaginam que sacrificar o eu é uma boa ideia quando os dois pensam assim, mas que não funciona se apenas um está disposto ao sacrifício. Quanto a isso, deixe-me deixar bem claro que sacrificar o eu não foi um conselho de casamento que Jesus nos deu, mas sim um mandamento que se aplica a todos aqueles que desejam segui-lo e em todas as situações. Este mandamento não é opcional e temos que cumpri-lo independentemente da cooperação das outras pessoas. O motivo que estou enfatizando estas palavras de Jesus neste estudo é porque o cumprimento, ou não, deste mandamento causará um impacto direto não somente na salvação do indivíduo, mas também na sua felicidade ao se relacionar com os outros. Uma verdade que se aplica a todos, mas em especial aos casados, conforme já expliquei acima. Além do que, em se tratando de tomar a nossa cruz diariamente, não existe uma cruz que seja leve e fácil de carregar. Se for leve e fácil então o que estamos carregando definitivamente não é uma cruz.

Ligado a este mandamento, está um outro mandamento também nos dado por Jesus que é retribuir o mal com o bem (Mt 5:44-46). Este mandamento se aplica muito bem no casamento cristão porque Jesus nos ensina aqui que não devemos esperar reciprocidade quando agirmos com bondade, humildade, carinho e amor com o nosso cônjuge. Ou seja, o argumento frequentemente apresentado de que “ela ou ele não faz por merecer” é contrário às palavras de Jesus. Na realidade é exatamente quando alguém parece não merecer a nossa bondade que devemos dá-la em mais abundância e frequência, imitando assim o nosso Pai, “pois Ele é bom até mesmo para quem é ingrato e mau” (Lc 6:35).

Em preparação para este estudo, recentemente o Senhor deu a mim e a minha esposa uma oportunidade para sermos bons para uma pessoa que, segundo o meu entendimento (e eu posso estar enganado), não faz por merecer. Fomos fiéis ao mandamento do Senhor e por amor a Jesus repetidamente agimos com bondade e generosidade para com esta pessoa, mas lhe garanto que não foi de forma alguma algo fácil. Digo isso, para que vocês saibam que agir com bondade para quem não retribui é algo difícil, mas que devemos fazer se realmente amamos a Jesus. Na realidade Jesus foi ainda mais categórico ao nos lembrar que se fomos bons apenas às pessoas que são boas para conosco não estamos fazendo nada de especial: “E se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que mérito há nisso? Também os pecadores fazem o mesmo” (Lc 6:33).

Não é possível para o cristão experimentar o que é a verdadeira felicidade se ele não estiver disposto a sacrificar o eu e viver apenas segundo a vontade de Deus. A menos que estejamos vivendo em um ambiente de pecado, ou de abuso (aqui um parêntese. Se você for vítima de qualquer tipo de abuso deverá contactar as autoridades competentes), devemos aprender a aceitar as nossas circunstâncias, incluindo as pessoas com quem convivemos em casa, como vindas do Senhor: “receberemos de Deus o bem, e não receberemos o mal?” (Jó 2:10. Ver também: Is 45:7). Ou seja, devemos parar um pouco de querer mudar a nossa situação e focar em mudar o nosso coração. Não se iluda, apenas no céu teremos uma vida perfeita.

Irmãos, a pessoa que mencionei no testemunho mais acima possivelmente terá que mudar em muitas coisas no seu relacionamento com Deus. Deus, porém, não a enviou a mim e à minha esposa para que a mudássemos e sim para que fôssemos bons e misericordioso para com ela, da mesma forma que Ele é bom e misericordioso para conosco (Sl 145:9). Assim devemos agir com o nosso cônjuge. Seremos bondosos, carinhosos, humildes e pacientes no casamento, mesmo quando vemos que a pessoa que casamos precisa melhorar em todas estas áreas, pois assim o fazemos por amor a Jesus (Tg 1:2; Ro 5:3; 1Pe 3:14). Sim, assim agiremos, não somente uma, ou duas, ou três vezes, mas até que a morte nos separe. Seremos persistentes e pacientes na expressão do nosso amor, da mesma forma que o Senhor nos ama incondicionalmente, e com demasiada frequência, sem qualquer reciprocidade. Espero te ver no céu.

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