🔊 (Parte 4) Série: Relacionamentos Cristãos – Familiares [Com Áudio]

Estudo Bíblico - (PARTE 4) SÉRIE: RELACIONAMENTOS CRISTÃOS – FAMILIARES - Markus DaSilva

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Dos tipos de relacionamentos que estamos cobrindo nesta série, familiares é o único que não temos uma escolha, ou seja, Deus não nos dá a opção de escolhermos quem são os nossos pais, filhos, irmão, tios, primos… etc. Esta é uma escolha que Deus reserva para si e possui uma razão de ser que está além da nossa compreensão. Sim, não sabemos o porquê que a alguns cristãos são dadas excelentes famílias, onde todos ou quase todos também são cristãos e onde o amor e a harmonia reinam. Minha esposa e eu conhecemos famílias assim. Por outro lado, também conhecemos casos em que dentro de uma grande casa existe apenas um servo de Deus. Eu mesmo, por muitos anos fui o único da minha família que se importava em servir ao Senhor. Depois de um tempo uns poucos seguiram o meu exemplo e também começaram a adorar a Deus. Infelizmente, no entanto, ainda tenho muitos parentes que não se interessam pela vida eterna e continuam apaixonados pelo mundo atual. Para estes, o meu testemunho de vida não tem nenhum valor, preferindo eles seguirem o caminho da grande maioria que trocou a vida eterna no céu por uns poucos anos de prazeres mundanos aqui na terra.

Estudo Bíblico Nº 4 — Familiares.

Escrevi o parágrafo acima porque existe algo que deveria ser óbvio para os cristãos, mas que todos nós sofremos para aceitar: Deus não se relaciona com famílias, mas sim com pessoas. Ou seja, não existe uma promessa de que quando aceitamos o chamado de Deus para a santificação e salvação o Senhor estende a nossa decisão para todos os nossos parentes e todos são santificados e salvos por nossa causa. Mesmo porque, se o Senhor fizesse isso ninguém se perderia uma vez que no panorama geral somos todos uma só família (Gn 5:1). Certamente que ao aceitarmos o chamado do Senhor para a salvação os nossos familiares normalmente recebem no processo o nosso testemunho, ensino e influência, mas no final compete a cada um decidir se quer ou não seguir o nosso caminho, conforme nos foi dito através do profeta: “A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai levará a iniquidade do filho, A justiça do justo ficará sobre ele, e a impiedade do ímpio cairá sobre ele” (Ez 18:20).

 “Jamais devemos permitir que a preocupação com os nossos familiares interfira no nosso relacionamento com o Senhor.”

Esta dura realidade pode ser observada nos relatos da vida de praticamente todos os personagens bíblicos, começando pela primeira família: “Ora, atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta, mas para Caim e para a sua oferta não atentou” (Gn 4:4-5); seguido por Noé: “E disse Noé: Maldito seja Canaã [seu filho]; servo dos servos será de seus irmãos” (Gn 9:25); Isaque: “Acaso não era Esaú irmão de Jacó? Diz o Senhor; todavia amei a Jacó, e rejeitei a Esaú” (Ml 1:2-3); Davi: “Eis que meu filho, que saiu das minhas entranhas, procura tirar-me a vida” (2Sm 16:11). Vemos também essa verdade com os sacerdotes Eli e seus filhos (1Sm 2:34) e com Arão e seus filhos (Lv 10:1-2).

Esta é a realidade que todos nós que servimos ao Senhor precisamos aceitar. Quando se trata de salvação, cada pessoa adulta responderá por si perante Deus. Jamais devemos permitir que a preocupação com os nossos familiares interfira no nosso relacionamento com o Senhor. Isso foi o que Jesus quis dizer quando alguém expressou a vontade de segui-lo, mas argumentou que precisava de um tempo para resolver a situação do falecimento (já ocorrido ou prestes a ocorrer) do seu pai: “Deixa os mortos sepultar os seus próprios mortos; tu, porém, vai e anuncia o reino de Deus” (Lc 9:60). Obviamente, com essas palavras Jesus não nos ensina que devemos negligenciar os nossos pais, pois Ele mesmo fez questão de providenciar que um dos seus apóstolos cuidasse da sua mãe na sua falta (Jo 19:27). Sem mencionar o claro mandamento de que devemos honrar pai e mãe (Ex 20:12; Ef 6:2). O significado das palavras de Jesus é sim que nada nesta vida temporária, nem mesmo os nossos familiares mais queridos, pode ser um obstáculo na nossa caminhada rumo ao céu: “Se alguém vier a mim, e não me amar mais do que o pai e mãe, a mulher e filhos, a irmãos e irmãs, e ainda também à própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lc 14:26).

Queridos, se o seu lar for um local onde todos têm a liberdade de adorar ao Senhor segundo a sua consciência, agradeça muito a Deus por isso, pois este não é o caso de muitos cristãos. A minha esposa conhece uma irmã, por exemplo, que precisa fazer hora extra no trabalho para que assim possa dar as suas ofertas em uma igreja, escondida do marido descrente, uma vez ele a proíbe de fazê-lo. Uma outra nos escreveu dizendo que não lhe é permitido ficar sem assistir certas coisas na televisão, também por causa do seu marido que exige a sua presença. Todo o ser humano que se torna um obstáculo para alcançarmos o Reino de Deus deixa de ser um companheiro e passa a ser um adversário. O Senhor nos alertou através de Jeremias: “Porque até os teus irmãos e a casa de teu pai, eles próprios agem deslealmente contigo. Eles falam contra ti abertamente. Não confies neles ainda que te digam coisas boas” (Jr 12:6); e o próprio Senhor nos avisou: “os inimigos do homem serão os seus familiares” (Mt 10:36).

Irmãos, termino este texto desta série salientando o quão importante é não deixarmos que outros seres humanos atrapalhem a nossa caminhada rumo à vida eterna; ainda que eles sejam os nossos familiares mais íntimos. No juízo final ninguém será perdoado de negligenciar o seu relacionamento com Deus simplesmente porque os seus familiares foram um obstáculo. Estaremos face a face com Deus sem a possibilidade de nos desculparmos porque tivemos uma família difícil.  Além do mais, devemos lembrar que todos os obstáculos que enfrentamos não surgem por acaso, mas são enviados pelo próprio Deus para nos provar e nos fortalecer, conforme nos disse o nosso irmão Tiago: “sabendo que a provação da vossa fé produz a perseverança; e que a perseverança seja completa, para que sejais perfeitos e íntegros, não lhe faltando coisa alguma” (Tg 1:3-4). Ou seja, os familiares que nos criticam e que se opõem à nossa ida à igreja e à nossa vida de santidade; aqueles que se deleitam em nos convidar para eventos que sabem muito bem que não devemos participar; eles foram colocados no nosso caminho pelo próprio Senhor, para nos testar e nos fortalecer à medida que o dia da nossa saída deste mundo perverso se aproxima: “Bem-aventurado o homem que suporta a provação; porque, depois de aprovado, receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu aos que o amam” (Tg 1:12). Espero te ver no céu.

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