🔊 (Parte 5) Série: Relacionamentos Cristãos – Namoro [Com Áudio]

Estudos Bíblicos - (Parte 5) Série: Relacionamentos Cristãos - Namoro - Markus DaSilva

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Uma colega de trabalho natural da Índia, casada e com filhos, conheceu e casou-se com o seu atual esposo através de um daqueles casamentos arranjados comum no seu país. Um dia nos encontramos no refeitório da empresa, e conversando sobre o assunto, ela me deu a impressão de que se sentia feliz no casamento. Sem adentrar nos méritos e deméritos desse tipo de casamento, deixe-me iniciar este estudo lembrando que o conceito atual de namoro é relativamente recente. Até poucos séculos atrás, uma boa parte dos casamentos em todo o mundo era pelos menos em parte arranjados entre os chefes das famílias. Também relacionado a namoro, até os anos 70 e 80 a maior parte dos namoros, principalmente no meio cristão, ocorria de uma forma transparente, na sala da casa, com poucas oportunidades para a intimidade física. A ideia por trás era que a parte física do casamento não deveria ser um fator prioritário quanto à escolha do cônjuge, mas sim coisas como compatibilidade de gênios, condições financeiras, passado problemático, e a estabilidade emocional e mental dos candidatos ao casamento.

Estudo Bíblico Nº 5 — Namoro

Escrevi tudo isso acima para deixar claro que o que se conhece atualmente como namoro se trata de um fenômeno social novo, sem qualquer precedente na história. Certamente nada do que ocorre nos namoros modernos ocorria nos tempos bíblicos, uma verdade que coloca os cristãos em uma posição delicada, tendo eles que tomar certas decisões contrárias às tendências populares: “E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente” (Ro 12:2).

“Uma pessoa que já no namoro não contribui para que o cristão agrade ao Senhor deverá ser imediatamente desconsiderada.”

Obviamente este pequeno estudo se refere ao namoro com o intuito de casamento e não ao namoro simplesmente pelo prazer da intimidade com o sexo oposto. O cristão que quer namorar sem ter o casamento em mente, deve procurar uma outra fonte de instrução que não seja esta série, uma vez que neste caso o problema não é tanto de esclarecimento bíblico referente a relacionamentos, mas sim quanto ao que afinal significa seguir a Cristo. Em outras palavras, o casal de namorados que imagina ser possível encontrar respaldo bíblico para viver como se fossem casados, mas continuando solteiros, precisa se inteirar quanto ao viver cristão como um todo.

Falando de seguir a Cristo, deixe-me dizer algo que interfere em todas as decisões que o cristão tem que tomar na vida, incluindo o namoro, que é a questão do foco (Cl 3:2). Ou seja, qual é o grande objetivo da sua vida? [Entenda o Sentido da Vida] Esta é uma pergunta importante porque o objetivo de quem segue a Cristo deve ser obter a vida eterna (Jo 3:16). Nada na vida do cristão pode atrapalhar este objetivo e para atingir este alvo ele precisa estar disposto a abandonar tudo aquilo com o potencial de ser uma distração. Isso foi o que o nosso irmão Paulo quis dizer com as palavras: “Quem não é casado cuida das coisas do Senhor, em como há de agradar ao Senhor, mas quem é casado cuida das coisas do mundo, em como há de agradar a sua mulher, e está dividido” (1Co 7:32-34).

Uma pessoa que já no namoro não contribui para que o cristão agrade ao Senhor deverá ser imediatamente desconsiderada, pois se isso já ocorre no namoro certamente não mudará no casamento, muito pelo contrário, pois, enquanto se namora existe o interesse em pelo menos aparentar uma santidade, mas depois de casada esta aparência de santa deixa de ser necessária e a pessoa exibirá o que realmente é, tornando-se assim uma pedra de tropeço na vida do servo de Deus. Foi isso o que ocorreu com o Rei Salomão: “Pois sucedeu que, no tempo da velhice de Salomão, suas mulheres lhe perverteram o coração para seguir outros deuses; e o seu coração já não era perfeito para com o Senhor seu Deus, como fora o de Davi, seu pai” (1Rs 11:4).

O verdadeiro cristão procura por uma companheira e não por um espinho na carne na sua caminhada rumo ao céu. Em outras palavras, o ser humano que o acompanhará por toda a vida deverá ser um suporte, ou uma auxiliar, que se pode contar a todo o tempo durante os anos de tribulações que todos nós enfrentamos neste lado da eternidade: “Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora que lhe dê suporte” (Gn 2:18). Suporte em tudo, obviamente, mas muito em especial na sua caminhada espiritual. Não preciso mencionar, certamente, que se espera que a pessoa escolhida também pense da mesma forma e compartilha do mesmo critério de escolha (Ec 4:9-10), de tal forma que no final ambos serão beneficiados com um casamento onde Jesus é o líder supremo e a eternidade é o objetivo de toda a família.

Irmãos, sabemos muito bem que este estudo da série (namoro) e também o próximo (casamento), possui material para livros, como de fato milhares já existem, mas o que estou procurando fazer aqui é tocar na essência deste assunto que causa tanta confusão, decepção e sofrimento no meio cristão. Tudo isso ocorre quase sempre porque os cristãos começam a se relacionar de uma forma íntima precipitadamente; não procuram de fato conhecer a vontade de Deus (Pv 3:5-6) e não dão tempo para sequer perceber e avaliar com calma e imparcialidade as qualidades e principalmente os defeitos comuns em qualquer ser humano antes de se envolver em um relacionamento amoroso.

Milhares de cristãos vivem em um mau casamento e dariam tudo para voltarem aos dias de solteiro e assim fazerem uma melhor escolha. Se arrependem com lágrimas, mas nada ou quase nada, podem fazer.  Casamento está entre os passos mais sérios que o cristão dá na vida, foi por isso que o nosso irmão Paulo aconselhou que, se possível for, “não procures casamento” (1Co 7:27). Termino pedindo que vocês solteiros entreguem por completo este assunto ao Senhor e procurem descansar nos seus braços, lembrando que “se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e sem nos acusar, e ser-lhe-á dada” (Tg 1:5). O Senhor nunca recusa entendimento àqueles que verdadeiramente o ama e que estão realmente dispostos a obedecê-lo. Sobre estar disposto a obedecer à vontade de Deus, abordei esse tema no estudo número 4 da série: “12 Verdades Que Precisamos Saber Sobre A Oração – Quando Ignoramos A Resposta”.  Espero te ver no céu.

Nesta Série de Estudos Bíblicos: