🔊 (Parte 2) Série: A Terra, o Céu e o Inferno. Estudo Nº 2: A Terra, Um Vale de Lágrimas [Com Áudio]

(Parte 2) Série: A Terra, o Céu e o Inferno. Estudo Nº 2 : A Terra, Um Vale de Lágrimas [Com Áudio] por Markus DaSilva

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Não sabemos ao certo a idade da terra. Tenho visto teólogos usarem números que vão de seis mil até doze mil anos. Não vejo muita importância quanto a isso, mas quando tenho que mencionar há quantos anos o pecado existe no planeta, sempre digo: “em torno de seis mil”. Estudiosos da Bíblia calculam a sua idade primariamente via genealogia, a partir de Adão e do nascimento de Sete (nome próprio), que nasceu quando Adão tinha 130 anos (Gn 5:3). Independentemente da idade da terra, sabemos que quando Deus a criou ela era perfeita, tanto em termos de ser o local ideal para o conforto do homem, como também quanto à sua beleza. Não havia nada na terra que poderia causar mal a qualquer criatura de Deus, pois, “viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom” (Gn 1:31). Adão e Eva eram verdadeiramente felizes vivendo em um lindo e perfeito planeta criado especialmente para eles e para todas as gerações que surgiriam a partir das palavras do Senhor: “Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra” (Gn 1:28).

“Se nunca tivéssemos pecado, estaríamos sempre ligados à fonte da perfeição e jamais precisaríamos passar por qualquer tipo de sofrimento.”

Tudo isso mudou, todavia, quando a companheira de Adão, e posteriormente o próprio Adão, cedeu à tentação de Satanás, optando pelo próprio desejo e rejeitando o desejo do Criador.  Desobedeceram a um único mandamento de Deus de que não deveriam comer de uma das muitas árvores que havia no jardim. Ao mandamento de Deus, acompanhava a explicação do porque não poderiam comer daquela árvore: “porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2:17). Quando o inimigo ofereceu do fruto proibido à Eva, ela se lembrou e repetiu para a serpente o mandamento e a consequência caso desobedecesse ao Senhor, mas, mesmo assim, preferiu acreditar nas mentiras de Satanás de que nada daquilo que Deus alertou realmente ocorreria. O diabo conseguiu convencer a mulher que de fato o que Deus estava querendo era reter algo de bom apenas para si mesmo: “sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal” (Gn 3:5). Adão e Eva preferiram as mentiras do inimigo porque as suas mentiras são sempre apresentadas como algo que nos é vantajoso. Ele possui um poder de persuasão tão forte que se dermos a ele espaço e tempo é capaz de nos convencer que um prato de esterco é um dos alimentos mais deliciosos e saudáveis do planeta.

Desde aquele dia infame, o planeta e seus ocupantes entraram em um processo de autodestruição que durará até o fim deste mundo (2Tm 3:13). Não sabemos todos os detalhes, mas podemos ver claramente que o ato da raça humana desobedecer a Deus no jardim do Éden desencadeou uma série de eventos que fez com que a nossa morada atual passasse de um paraíso a um vale de sofrimento e lágrimas. Logo após a rebeldia humana, o Senhor descreveu ao casal os sofrimentos que tanto eles como os seus futuros filhos passariam a partir daquele dia. Não teriam mais acesso à árvore da vida e como consequência morreriam lentamente, conforme foram previamente alertados: “porquanto és pó, e ao pó tornarás” (Gn 3:19).

O ser humano começa a morrer assim que nasce. Cada indivíduo possui um espírito próprio vindo de Deus que se une ao seu corpo para que assim viva (Gn 2:7; Jó 33:4). Este espírito ficará neste corpo por um período predeterminado, conforme nos disse Davi: “no teu livro foram escritos os dias, sim, todos os dias que foram ordenados para mim, quando ainda não havia nem um deles” (Sl 139:16). O número de dias que são ordenados a cada um de nós apenas o Senhor o sabe, podendo ser pouquíssimos dias, como quando alguém nem chega a nascer ou muitos, como foi o caso de uma tia muito querida, uma serva de Deus, que no começo desta semana foi chamada pelo Senhor depois de passar por mais de 36 mil dias (100 anos) aqui na terra. Curto ou longo, com pouquíssimas exceções (Heb 11:5; 2Rs 2:1), quando o tempo de cada pessoa expira a sua passagem por este planeta encerra: “e o pó volte para a terra como o era, e o espírito volte a Deus que o deu” (Ec 12:7).

Até que chegue o dia em que seremos chamados, todavia, teremos que viver neste planeta que foi amaldiçoado por causa da nossa desobediência quando ainda morávamos no jardim: “maldita é a terra por tua causa” (Gn 3:17). Isto significa que Deus permitiu que, por um tempo, a terra e todos os seres que nela vivem passariam a experimentar o caos que ocorre com tudo aquilo que se afasta da fonte da perfeição que é o Criador. O profeta Isaías foi bem claro sobre isso quando nos disse: “Por isso a maldição devora a terra, e os que habitam nela sofrem por serem culpados” (Is 24:6). Ou seja, o ato de desobedecer a Deus nos colocou em um modo de sobrevivência contínuo. Se nunca tivéssemos pecado, estaríamos sempre ligados à fonte da perfeição e jamais precisaríamos passar por qualquer tipo de sofrimento.

Queridos, sofrimento é algo que não existe em Deus. Muito pelo contrário; na presença do Senhor existe apenas felicidade, paz, alegria, descanso e amor. Na presença de Deus, e apenas na Sua presença, existe tudo aquilo que procuramos desde o nosso nascimento e por toda a eternidade. O sofrimento que existe no universo é simplesmente a consequência natural que vive toda a criatura que declara a sua independência do Criador. Em outras palavras, experimentamos o ódio porque nos separamos do amor (1Jo 4:8); experimentamos o engano porque nos separamos da verdade (Is 65:16); experimentamos a traição porque nos separamos da fidelidade (1Ts 5:24); experimentamos as trevas porque nos separamos da luz (1Jo 1:5); experimentamos a morte porque nos separamos da vida (Jo 1:4).

Irmãos, tudo o que é ruim neste vale de lágrimas, e que gostaríamos de não termos que experimentar, terminará somente quando nos reconectarmos com a fonte de tudo aquilo que é bom: Deus. E para isso, o Senhor, na sua infinita bondade e misericórdia, enviou a Jesus, para que o sofrimento eterno, que seria o nosso futuro após a morte, caísse sobre Ele e não em nós (Is 53:5). Dessa forma a justiça perfeita de Deus foi cumprida, e foi assim dado à humanidade a cura da maldição que foi colocada sobre Adão. Foi isso o que o nosso irmão Paulo quis dizer quando escreveu: “Porque, assim como pela desobediência de um só homem [Adão] muitos foram feitos pecadores, assim também pela obediência de um [Jesus] muitos serão feitos justos” (Ro 5:19). Notemos, porém, que o grande benefício do sacrifício de Jesus só será sentido quando sairmos deste planeta que ainda é dominado por seres que não se interessam em se conectarem de novo com o Criador; seres físicos e espirituais. Por enquanto, nós, que recebemos com alegria indescritível a oportunidade de unirmos de novo à fonte da perfeição, seguimos fiéis à obediência que nos é requerida (Jo 3:36), e cheios de esperança contamos os dias em que, levados deste lugar, nos uniremos aos anjos que nunca se rebelaram e aos santos do Senhor que foram antes de nós. Espero te ver no céu.

Nesta Série de Estudos Bíblicos: