🔊 (Parte 3) Série: A Terra, o Céu e o Inferno. Estudo Nº 3: A Vida Eterna [Com Áudio]

(Parte 3) Série: A Terra, o Céu e o Inferno. Estudo Nº 3: A Vida Eterna por Markus DaSilva

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Troquei o amor ao mundo pelo amor a Jesus por vários motivos. Essa troca, como qualquer outra, é baseada naquilo que se perde versus aquilo que se ganha e, obviamente, só é efetuada se o ganho, atual e em potencial, for superior à perda, caso contrário a troca seria desvantajosa, não faria sentido, e não seria realizada. Ou seja, eu continuaria amando o mundo e as coisas que nele há, como a maioria o faz, fora e dentro de muitas igrejas: “Eles são do mundo, por isso falam como quem é do mundo, e o mundo os ouve” (1Jo 4:5).

“A maioria dos seres humanos estão neste mundo se movimentando e respirando como se vivessem, mas na realidade estão mortos”

Se Deus permitir ainda descreverei em detalhes esta troca, elaborando mais quanto às suas vantagens e desvantagens, mas para este estudo gostaria apenas de mencionar a questão do caráter passageiro de tudo aquilo que o mundo oferece e de como este foi um fator determinante na minha escolha (1Jo 2:17). A minha cabeça lógica não consegue ficar satisfeita com nenhum prazer que possui um fim. Notem que eu não estou me referindo ao fim do ato, pois eu sei que uma boa parte dos prazeres no mundo podem ser repetidos, mas me refiro sim ao fim do ciclo; ou do conjunto de atos. Todos os prazeres deste planeta, sem exceção, possuem um fim (Ec 1:14). Um exemplo do quero dizer com isso é o prazer de comer. A pessoa pode se deleitar em deliciosas refeições por anos e anos, mas chegará um dia em que lhe faltará o apetite e o mais delicioso dos pratos lhe causará náusea. Um outro exemplo seria o prazer de viajar. Também esse, um dia chegará em que a pessoa não terá disposição sequer para sair da cama, quanto mais considerar uma viagem. Vemos então que por mais atrativo que seja qualquer prazer que se possa obter aqui neste mundo, o seu valor não se encontra no fato de que existe, mas sim na capacidade da pessoa de se beneficiar da sua existência, e esta capacidade é finita, conforme explicado acima.

Quando lemos as Escrituras, podemos observar que o que Deus está sempre oferecendo aos seres humanos como incentivo para que escolham a Ele e não ao mundo é a vida eterna ao seu lado. (Gn 5:24; Sl 49:15; Dn 12:1-3; Jo 3:16; Jo 5:24). Não simplesmente o viver, pois se o fosse poderíamos argumentar que já vivemos, muito obrigado, mas sim o fato de que o viver junto a Ele não possui um fim. Aliás, devo lembrar que essa era a vida que os nossos pais tinham no Éden antes de se unirem a Satanás em desobediência. O primeiro casal levava uma vida em que todos os prazeres estavam sempre disponíveis sem que existisse um ciclo e seu devido fim. Qualquer ato que gostassem poderia ser repetido infinitamente sem que nunca se preocupassem com o seu término, ou que no futuro poderiam perder a capacidade de usufruir de tal prazer, assim como ocorre no mundo atual.

Falando de futuro, a vida eterna possui passado, presente e futuro, assim como atual também o possui. Deus nos criou seres temporais e lineares, ou seja, estamos sujeitos e cientes do conceito de tempo, como também estamos limitados à ordem linear e consecutivas de eventos. Esse fato é problemático para a vida atual porque lidamos continuamente com a imperfeição e com frequência nos sentimos incapazes de melhorar a nossa qualidade de vida por não podermos interferir em nada no passado e em quase nada no futuro. É comum, por exemplo, lembrarmos de momentos agradáveis no passado, mas sermos incapazes de recriar tais momentos porque as condições e as pessoas envolvidas mudaram com o tempo. É por isso que encontramos pessoas que estão como que presas ao passado nas suas conversas, comportamentos e às vezes até na maneira de vestir. São assim porque os dias que já passaram lhes são mais agradáveis que os dias presentes e que os dias que imaginam estão por vir.

Devo esclarecer que ser criatura linear é algo bom, de fato tudo o que Deus criou é bom (Gn 1:31; 1Tm 4:4). São as imperfeições do mundo atual, devido ao pecado, que fazem com que o tempo deixe de ser benéfico e passe a ser um problema para tantas pessoas. A vida eterna prometida por Deus retorna o tempo ao seu devido lugar, voltando a ser um dos maravilhosos presentes que nos foram dados na criação. Relembrar o passado é bom, desde que os eventos presentes não fazem com que o passado seja um local de onde não queremos sair. Assim será na vida eterna. Relembrar o passado é bom, desde que não nos cause dores que gostaríamos de esquecer. Assim será na vida eterna. A expectativa do futuro é muito boa, desde que não tenhamos qualquer motivo para temê-lo. Assim será na vida eterna. Viver o presente é maravilhoso, desde que tudo ao nosso redor contribua para o nosso bem-estar. Assim será na vida eterna: “As coisas que olhos não viram, nem ouvidos ouviram, nem penetraram o coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam” (1Co 2:9)

Antes de concluir, deixe-me ressaltar que existem diferentes graus de vida. Foi por isso que Jesus nos disse que não veio apenas para nos dar vida, mas sim para nos dá-la em abundância. A vida eterna será uma vida em abundância porque viveremos perto da fonte da vida, que é a Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo (Ap 21:3). Em um outro estudo desta série, escreveremos sobre o oposto, que é estar cada vez mais distante da fonte da vida; é isso o que chamamos de morte eterna.

Queridos, termino este estudo bíblico repetindo uma frase que usei bem recentemente em um outro texto: Apenas a vida eterna é vida, e é eterna. Sim, simplesmente viver não me satisfaz e certamente não satisfaz a vocês. Quero viver plenamente e eternamente. A maioria dos seres humanos estão neste mundo se movimentando e respirando como se vivessem, mas na realidade estão mortos, pois sem Cristo não existe a verdadeira vida. Foi isso o que Jesus quis dizer ao responder ao homem que queria segui-lo, mas que primeiro queria enterrar um parente: “Deixa os mortos sepultar os seus próprios mortos” (Lc 9:60). Jesus é o único meio possível de se obter aquilo que queremos: “eu vim para que tenham vida e a tenham plenamente” (Jo 10:10). E plenamente não apenas no sentido de ser inteira, ou uma vida onde nada nos falte, mas também no sentido de que ela nunca terminará: “e todo aquele que vive, e crê em mim, jamais morrerá. Crês isto?” (Jo 11:26). Eu creio. Espero te ver no céu.

Nesta Série de Estudos Bíblicos: