🔊 (Parte 6) Série: A Terra, o Céu e o Inferno. Estudo Nº 6: O Inferno [Com Áudio]

Estudo Bíblico - (Parte 6) Série: A Terra, o Céu e o Inferno. Estudo Nº 6: O Inferno

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Acreditem! Infelizmente o inferno é bem real. Embora não sabemos a sua localização geográfica, o local realmente existe e será a habitação permanente para todos os demônios e para a maior parte dos seres humanos. Quando perguntado se poucos seriam salvos para o Reino de Deus, Jesus foi categórico no sim, confirmando que de fato poucos conseguiriam se salvar: “porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz para a perdiçãoΩ, muitos são os que entram por ela” (Mt 7:13).
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Ω [Perdição→ Grego: ἀπώλεια (apóleia) perdição, destruição, perda, ruína, morte, ruína eterna]

“O destino final do homem, céu ou inferno, não será determinado por aquilo que ele fez ou deixou de fazer, mas sim na sua aceitação ou rejeição de Jesus.”

Estamos encerrando mais uma série difícil de escrever. Difícil porque alguns dos pontos tocados não são agradáveis de se ouvir, sobretudo porque todos nós conhecemos pessoas amadas que não sabemos ao certo qual será o seu destino final. Pessoas que já se foram e pessoas que ainda estão neste mundo, mas que não temos evidências que estão preparadas para o juízo final. Gostaríamos muito que todos os nossos queridos estivessem conosco na vida eterna que Jesus nos prometeu, e, obviamente, que de forma alguma venham a experimentar a morte eterna, já explicada no estudo anterior. Mas, ainda que este seja um assunto delicado, sentimos que deveria ser abordado, e hoje encerraremos a série escrevendo sobre o local mais temível e misterioso do universo: o inferno.

Satanás, o pai da mentira, aproveita a curiosidade e ignorância do povo para encobrir o inferno com as ideias mais absurdas e patéticas, tendo como objetivo que o povo desconsidere esta verdade claramente ensinada na Palavra de Deus, e assim ignorem os inúmeros alertas das Escrituras Sagradas, uma boa parte destes alertas vindo da própria boca de Jesus (Mt 3:12; Mt 13:42; Mt 25:46; Mc 9:47). Além de conceitos infantis como demônios vermelhos de chifres e rabos, temos também a ideia de que o inferno consiste de uma espécie de campo de concentração; um imenso presídio, bem organizado, estruturado, tendo como grande chefe o próprio Satanás e como equipe de apoio os demais demônios, todos eles sujeitos à estrutura administrativa do local. Os presidiários neste local inventado pelo próprio diabo, obviamente, são os “pobres, infelizes e azarados” seres humanos que por causa de “exigências excessivas” ou por “mero capricho”, não foram aceitos no céu. Essas e outras fábulas são espalhadas pelo pai da mentira e seus servos para assim manter o povo alheio à realidade do inferno. Local este que infelizmente será a residência permanente de milhões de almas.

Irmãos, nem sei bem por onde começar, tamanha a ignorância do povo sobre o assunto, mas, repetindo o que escrevi recentemente, iniciarei deixando bem claro que não haverá sequer um inocente no inferno. Todas as pessoas que lá estarão rejeitaram a salvação oferecida pelo Criador, algumas diretamente e outras indiretamente, mas a salvação foi definitivamente e permanentemente rejeitada. Neste sentido, assim como Adão e Eva, cada ser humano teve a sua própria oportunidade de decidir se obedeceria à voz de Deus ou à da serpente. Aqueles que preferiram um caminho diferente do caminho do Senhor, que é Jesus, não poderão jamais reclamar quando experimentarem a morte eterna no inferno, pois a consequência da rejeição a Deus foi claramente expressa no aviso dado à raça humana: “No dia que comeres, certamente morrerás!” (Gn 2:17).

Devo esclarecer também que, contrário ao que várias pessoas imaginam, os demônios, muito especialmente Satanás, não terão, de forma alguma, qualquer privilégio neste local conhecido como inferno. Definitivamente, o diabo não é o administrador do inferno. Muito pelo contrário. Como os seres que inicialmente se rebelaram contra o Criador no céu; como os seres que introduziram o pecado neste mundo, e que torturam cada ser humano desde o seu nascimento, é mais do que certo que os demônios serão as criaturas mais infelizes neste local de sofrimento. De fato, Jesus foi bem claro que o inferno foi originalmente preparado, não para os seres humanos, mas sim para o Diabo e seus anjos caídos: “Então dirá também aos [ímpios] que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos” (Mt 25:41. Ver também: Mt 8:29 e 2Pe 2:4).

Conforme já mencionei no estudo anterior, e confirmado no versículo acima, este local, o inferno, é novo. Novo no sentido de que ele foi preparado para criaturas que possuem um começo, que são o Diabo e seus anjos. Ou seja, este local não deve ser eterno, como o céu que é a morada de um ser eterno: Deus. Obviamente, é impossível saber se hoje mesmo o inferno já existe em algum lugar, mas, considerando que primeiro teremos que ter um juízo final antes que qualquer criatura seja lançada neste horrível local, se o inferno já existe em algum lugar no universo, então deduzimos que no momento ele deve estar vazio, aguardando aquele dia em que todos os seres humanos, desde Adão até a última pessoa a morrer, ressuscitarão, conforme Jesus claramente nos disse: “os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida, e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição da condenação” (Jo 5:29. Ver também: Heb 9:27 e Ap 20:11-15).

Um outro ponto importante que devemos esclarecer é quanto à natureza do tormento eterno mencionado com tanta frequência por Jesus. O quão literais são o fogo que nunca se apaga, os vermes que nunca morrem, e as trevas que não se dissipam, ninguém realmente o sabe (Mc 9:48; Mt 25:30; Is 66:24), mas sabemos pela autoridade das Sagradas Escrituras que nenhuma criatura será torturada pelo Criador, conforme alguns creem. Todo o choro e ranger de dentes no inferno ocorrerão como resultado natural da mão protetora de Deus ter sido retirada de quem lá se encontra. Sofrimento é algo mal e, conforme já mencionamos em outros estudos, em Deus não existe sequer uma gota de mal. Deus é amor (1Jo 4:8), e nenhum mal pode coexistir com o amor, assim como as trevas não podem coexistir com a luz (2Co 6:14b). Todo o mal que existiu, que existe e que existirá no universo é então simplesmente a ausência de Deus: sua presença é o bem, sua ausência é o mal. Dizer que Deus causa o mal seria o mesmo que dizer que a luz causa a escuridão. Esta verdade nos ensina que Deus não é a causa do tormento eterno, como se a morte eterna que as criaturas impenitentes experimentarão neste lugar fosse afligida pelo próprio Criador. Não, de forma alguma: “Tenho eu algum prazer na morte do ímpio? Diz o Senhor Deus. Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva?” (Ez 18:23. Ver também: Mq 7:18 e 2Pe 3:9). E como nos disse o rei Davi: “O Senhor é bom para todos, e as suas misericórdias estão sobre todas as suas obras” (Sl 145:9). Não amados, todo o sofrimento existente no inferno ocorre simplesmente porque este é um local onde Deus não se encontra.

Poderíamos escrever mais sobre o sofrimento eterno, mas este assunto já foi bem esclarecido no estudo anterior, quando lidamos com a morte eterna. Também acho totalmente desnecessário entrar em detalhes quanto aos diferentes termos traduzidos na Bíblia como infernoΩℵ, assim como suas aplicações contextuais, uma vez que independentemente de linguística, no final haverá apenas um destino para todo aquele que rejeitou o Messias: o inferno.
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Ω [Inferno → Grego: ᾅδης (háidêis) e γέεννα (géena)]
[Inferno → Hebraico:  שְׁאוֹל (Shéôl) inferno, sepultura, pó, profundezas, morte]

O inferno é o lugar que aguarda as criaturas que se rebelaram contra Deus: demônios e homens. Não especularemos quanto aos eventos que levaram o antigo Lúcifer e todos os anjos que o seguiram a serem banidos do céu e em breve passarem a eternidade no inferno (Is 14:12-17; Ez 28:13-19; Ap 12:3–9). As informações disponíveis na Bíblia sobre o assunto são poucas e vagas, e se são assim é porque não é do interesse de Deus que queiramos nos aprofundar neste tópico. Em relação ao homem, porém, possuímos todos os fatos necessários para entendermos não só o porquê os descrentes estarão no inferno, como também o que aqueles que ainda vivem podem fazer para que tenham o único outro destino disponível, que é a vida eterna no céu.

Temos que entrar agora em um ponto complexo, mas de suma importância. O destino final do homem, céu ou inferno, não será determinado por aquilo que ele fez ou deixou de fazer, mas sim na sua aceitação ou rejeição de Jesus. Este ponto é complexo porque a aceitação de Jesus tem que harmonizar com a vida que este homem leva. Ou seja, existe claramente uma conexão entre a forma do homem viver e se de fato ele aceitou ou rejeitou a Jesus: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada” (Jo 14:23-24). Jesus nos disse duas coisas importantíssimas neste verso. Ele iniciou a frase nos ensinando que para sermos salvos, termos Ele e o Pai morando em nós, e não irmos para o inferno, temos que amá-lo. Até aí nada de muito especial, pois, obviamente todos os cristãos no mundo, se perguntados, dirão que amam a Jesus. Mas acontece que Jesus utiliza da partícula condicional “se” [Grego: ἐάν (ean)] para que fique claro de que forma este amor deverá ser demonstrado. Explicando melhor, este alguém que diz amar a Jesus terá que comprovar esse amor obedecendo às suas palavras. As palavras a que Jesus se refere consiste em que o seu verdadeiro seguidor precisa perder todo o interesse por este mundo, morrer para o eu, e se voltar completamente para Ele: “Quem ama a sua vida, perdê-la-á; e quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna” (Jo 12:25; Lc 9:24; Lc 14:26). Caso este alguém não cumpra esta condição imposta por Cristo, então ainda que ele insista que ama a Jesus em palavras, ou através das boas obras, ou nos seus louvores e orações, este amor simplesmente não existe, ou existe, mas não no nível necessário para que a pessoa seja considerada pelo Pai como alguém que abandonou tudo por Jesus e que realmente deseja a vida eterna.

Queridos, concluindo esta difícil série, gostaria de relembrá-los do porquê ela foi escrita. Jesus praticamente não pregava uma mensagem sem mencionar o destino final do ser humano. O céu e o inferno, a vida eterna e a morte eterna, formavam a base da sua missão como o Salvador da humanidade. Afinal, o Filho unigênito foi enviado pelo Pai especificamente “para que todo aquele que nele crer não morra [eternamente], mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16). Essa verdade, o ponto mais importante da vinda de Cristo, no entanto, está sendo completamente negligenciada nas igrejas. Este silêncio sobre o futuro do homem é em grande parte o motivo que temos tantos cristãos imaturos, homens e mulheres imaginando ser inconsequente viver com um pé na igreja e outro no mundo (2Tm 4:3; 1Jo 4:5; Ap 3:16). Pelo fato de verem tudo isto como algo distante e teórico, acabam vivendo sem desejarem o céu e sem temerem o inferno. Imploro que não seja assim com vocês. É o meu desejo e oração que vocês estejam completamente cientes da razão da sua fé. Que todas as suas decisões diárias, tenham como foco um viver em completa obediência às palavras de Jesus; um viver que condiz com aquele que sabe que este mundo é como uma rápida brisa da manhã… assim que a sentimos no rosto, ela já se foi. Espero te ver no céu.

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