🔊 (Parte 4) Série: A Terra, o Céu e o Inferno. Estudo Nº 4: O Céu [Com Áudio]

(Parte 4) Série: A Terra, o Céu e o Inferno. Estudo Nº 4: O Céu por Markus DaSilva

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Por Markus DaSilva, Th.D.

O céu é um local antigo, provavelmente tão antigo quanto o seu residente principal: Deus. Como Deus é eterno, é sensato deduzir que a sua morada também o seja. Este não é o caso do universo visível, como a terra, a lua, o sistema solar, a via láctea e demais galáxias, uma vez que tudo isso foi criado relativamente recentemente, conforme relatado no primeiro capítulo de Gênesis. Esses corpos espaciais são todos físicos assim como nós, e é por isso que, embora não podemos ir lá, podemos pelo menos vê-los; alguns a olho nu e outros com a ajuda de instrumentos, mas este não é o caso do céu que é um local espiritual, assim como os seus moradores também são, na sua maioria, seres espirituais (Sl 146:4; Ec 12:7; Jo 4:24; Heb 1:14).

“O céu poderia muito bem estar relativamente perto da terra, mas que simplesmente não podemos vê-lo com os nossos olhos.”

Dizemos “na sua maioria” porque sabemos de, pelo menos, três pessoas com os seus corpos físicos, Jesus à parte, que lá se encontram: Enoque, Moisés e Elias (Heb 11:5; Jd 1:9; 2Rs 2:1). Se existem outros além desses não sabemos, tudo é possível, mas, como a Palavra de Deus não nos diz, nos limitamos a esses nomes. Uma passagem interessante, e que demonstra a harmonia das Sagradas Escrituras, é que no monte da transfiguração, os apóstolos Pedro, João e Tiago viram conversando com Jesus dois dos três mencionados logo acima: Elias e Moisés. Ou seja, apenas pessoas que a Bíblia especificamente menciona que foram levadas ao céu em corpo. Nem mesmo grandes nomes como Noé, Jó, Abraão, Samuel, Davi ou Daniel apareceram com Jesus no monte, alguns deles que, devo lembrar, o próprio Senhor reconheceu serem significativos (Ez 14:14; Jr 15:1). A título de curiosidade, sempre achei interessante que Deus escolheu a Elias em vez de Abraão ou Davi, pois no meu entendimento simples, Abraão e Davi foram mais importantes do que Elias. Mas, obviamente, quem sou eu para entender as decisões do Senhor.

É importante que estas pessoas já estejam morando lá fisicamente, pois, esse fato nos ensina que realmente coexistiremos com seres espirituais quando ressuscitarmos dentre os mortos. Obviamente, essa verdade não deve surpreender a ninguém, uma vez que no Éden os nossos pais mantinham um relacionamento visível com o próprio Criador: “E, ouvindo a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim à tardinha, esconderam-se o homem e sua mulher da presença do Senhor Deus” (Gn 3:8).

Não sabemos onde o céu se encontra. Já ouvi alguns falarem que se encontra no universo físico, mas que muito além da capacidade de qualquer telescópio; pode ser, mas não temos passagens bíblicas que confirme, ou negue, essa afirmação. A Bíblia nos diz, no entanto, que vivemos lado a lado com anjos e demônios, que são seres espirituais invisíveis para nós (1Pe 5:8; 13:2). Se considerarmos esta verdade, e uma vez que o céu é um local onde vivem seres espirituais, ele poderia muito bem estar relativamente perto da terra, mas que simplesmente não podemos vê-lo com os nossos olhos. Sim, estou a par de que alguns creem haver mais de um céu onde seres habitam, mas como Jesus se referiu à “casa do meu Pai” no singular [Grego: οἰκία (oikia) casa] e não no plural [Grego: οἰκίας (oikias)] , nos limitaremos às suas palavras e à interpretação mais ortodoxa de apenas um céu (Jo 14:2). Também estou bem a par das diferentes opiniões quanto à nossa morada final, se no céu, nova terra ou uma combinação dos dois, mas já escrevemos sobre isso no estudo recente: “O Sentido da Vida: Para Onde Vamos?”.

Deixando esses detalhes incertos de lado, voltemos àquilo que realmente sabemos sobre o céu. Acima de tudo, sabemos que é um local onde tudo é perfeito e que jamais presenciaremos qualquer tipo de sofrimento, nem conosco nem com os nossos queridos. Jesus mostrou essa verdade ao apóstolo João na Ilha de Patmos: “Deus enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas” (Ap 21:4). As primeiras coisas [Grego: πρῶτος (prótos) – antes, primeiramente], são os anos anteriores à nossa chegada ao céu. Por todo esse tempo, convivemos com algo completamente estranho para Deus que é o sofrimento. Estranho não no sentido que pegou Deus de surpresa, não, pois Adão e Eva foram claramente avisados sobre a consequência da desobediência, mas estranho porque em Deus existe apenas amor, vida, paz e felicidade (Sl 16:11; Sl 34:8; Gl 5:22-23; 1Jo 4:8).

As primeiras coisas neste vale de lágrimas que é a terra, foram marcadas pelos nossos erros, imperfeições, teimosias, culpas e burrices, ou seja, foram marcadas pelos nossos pecados e nos privaram de muitas bênçãos do Senhor: “os vossos pecados apartaram de vos o bem” (Jr 5:25). Louvado seja Deus, porém, que os santos do Senhor no céu estarão livres de qualquer pecado. Lá, não teremos que conviver diariamente com a voz do tentador sussurrando sugestões, desânimo, preocupações, temores e acusações na nossa mente (1Ts 3:5; Ap 12:9). Ainda esta semana comentava com a minha esposa que uma das primeiras coisas que notaremos ao chegar no céu será o silêncio na nossa consciência. Que experiência maravilhosa será poder pensar livremente, sem a voz ríspida de Satanás continuamente competindo com o raciocínio livre que Deus deu aos seres humanos. Esta horrível voz sempre nos condenando, sempre nos acusando. Não, não mais teremos que conviver com este temível adversário, “porque já foi lançado fora o acusador de nossos irmãos, o qual diante do nosso Deus os acusava dia e noite” (Ap 12:10).

Queridos, termino com as palavras vindas diretas do trono: “Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve; porque estas palavras são fiéis e verdadeiras” (Ap 21:5; Is 65:17-19). O que essa maravilhosa promessa significa é que haverá uma restauração de tudo aquilo que existe. Não que a criação de Deus saiu errada, jamais, pois o Senhor sendo perfeito somente cria aquilo que é perfeito, mas parte da perfeição divina inclui a possibilidade de desvio, pois é desviando e corrigindo que a perfeição é confirmada. Para aqueles seres que insistem no desvio até o fim, nada mais se pode fazer além de que se permita que sigam se distanciando cada vez mais da perfeição, cada vez mais distante de Deus, que é a morte eterna, mas este é o assunto para o próximo estudo desta série.

O céu é real como eu, vocês, a terra e tudo aquilo que se vê é real. Esta é uma verdade de altíssima importância pois é a base da nossa fé. É para garantir a morada no céu que milhares e milhares de irmãos no passado e no presente estão dispostos a perder a própria vida (Heb 11:13). Também é de altíssima importância a verdade que não basta alguém dizer que quer ir morar no céu para que o seu desejo seja feito. Na realidade, o próprio Jesus nos disse que naquele dia muitos estarão certos que têm uma morada no céu, mas o que os espera é algo bem diferente do que uma mensagem de boas-vindas: “Em verdade vos digo: não vos conheço” (Mt 25:12). Por que eles não entrarão no céu? Simplesmente porque não obedeceram às palavras de Jesus. Pensem bem. Assim como pela desobediência a Deus o homem foi lançado fora da sua morada inicial, será pela obediência ao Filho, enviado por Deus, que o homem entrará na sua morada final: “Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, porém, desobedece ao Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (Jo 3:36). A ira de Deus estava sobre todos nós (Ro 3:23; Cl 3:6), mas no Calvário ela foi retirada e colocada sobre o nosso substituto (2Co 5:21), Jesus, desde que cremos e provamos isso através da nossa obediência: “E por que me chamais: Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu vos digo? (Lc 6:46).

Sim, o céu é real como tudo aquilo que se vê; e é a minha oração que vocês desejem de todo o coração ir lá morar quando as primeiras coisas passarem. Mas mais do que simplesmente desejar, espero que vocês vivam em completa obediência à vontade de Deus para que assim o seu desejo torne-se uma realidade: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mt 7:21). Espero te ver no céu.

Nesta Série de Estudos Bíblicos: