🔊 Série Especial: O Cristão e a Crise Mundial: Estudo nº 4: Salmos 6

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A Crise Mundial e a Ira de Deus Sobre o Seu Povo. Estudo nº 4

Por Markus DaSilva, Th.D.

Um dos motivos que o rei Davi foi chamado de o homem segundo o coração de Deus (1Sam 13:14; Atos 13:22) era o seu contínuo desejo de não pecar contra o Senhor. Se existe algo que serve como um obstáculo intransponível entre o homem e Deus, este algo é o pecado não arrependido, não abandonado, e, consequentemente, não perdoado. Este não é um obstáculo que pode ser de alguma maneira contornado, como algumas pessoas imaginam. Muitos na igreja vivem em pecado, mas erroneamente pensam que Deus está satisfeito com eles simplesmente porque cantam e levantam as mãos durante os louvores, são dizimistas, possuem algum cargo, ou coisas semelhantes. A realidade é que ainda que o homem se disponha aos mais difíceis e custosos dos sacrifícios em busca da presença de Deus na sua vida, se ele não se arrepender e não abandonar os seus pecados acariciados, o Senhor simplesmente não se manifestará a ele: “mas as vossas iniquidades [Heb. עון‎ (avon) s.n. iniquidade, pecado, culpabilidade] fazem separação [Heb. בדל (vdall) v. separar,  dividir, diferenciar] entre vós e o vosso Deus [Heb. אלהים (Elohim) s.m. sent.prim. Deus; sent.sec. deuses, seres celestes]; e os vossos pecados [Heb. חטא‎ (rratá) v. pecar] esconderam o rosto dele de vós, de modo que ele não vos ouça [Heb. שמע (shamar) v. guardar, ouvir, observar, vigiar, preservar, obedecer]” (Isa 59:2. Ver também: Isa 50:1; Jer 5:25; Miq 3:4; Luc 13:3; Rom 2:8-9; Tiago 4:8).

“Como igreja temos repetidamente provocado a ira de Deus, oferecendo a Ele fogo estranho nas nossas reuniões.”

A Razão dos Sofrimentos do Rei Davi Eram os Seus Pecados

Estudiosos da Bíblia concordam que o rei Davi, quando escreveu o Salmos 6, sofria de alguma enfermidade ou possivelmente se recuperava de feridas de guerra. Não é possível extrair muitos detalhes baseado no título do salmo segundo o texto massorético, que apenas diz: “Para o mestre de música. Com instrumentos de cordas em oitava (ou instrumentos de oito cordas). Um salmo de Davi”, mas o que se pode facilmente perceber quando lemos o texto em si é o intenso sofrimento do autor; tanto sofrimento físico como emocional: “Senhor, não me repreendas na tua ira, nem me castigues no teu furor. Tem compaixão de mim, Senhor, porque sou fraco; sara-me, Senhor, porque os meus ossos estão perturbados. Também a minha alma está muito perturbada; mas tu, Senhor, até quando? Volta-te, Senhor, livra a minha alma; salva-me por tua misericórdia” (Sal 6:1-4). O fato de Davi começar o salmo com o pedido de que Deus não o repreenda, deixa claro que ele tinha consciência de que a razão do seu sofrimento eram os seus pecados. Tocado pelo Espírito Santo, ele podia ver claramente que o Senhor estava irado com o rei: “Senhor, não me repreendas na tua ira, nem me castigues no teu furor”.

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As Igrejas Estavam Lotadas Antes da Praga do COVID-19

Existe muito pecado, mundanismo e rebeldia entre nós nesses últimos dias, e por isso a igreja sofre. Esta verdade é muito fácil de se confirmar, apenas observando a quase que completa falta de palavras de santificação nas nossas igrejas. Antes da chegada da praga do COVID-19, as nossas casas de oração estavam lotadas, mas não de almas arrependidas que buscavam um genuíno desapego das coisas deste mundo e uma entrega sem reserva ao Senhor (Sal 1:1-3; João 12:25; 1Jo 2:15; Rom 12:2). Estavam lotadas de pessoas procurando aplacar a consciência pesada através do evangelho sem sacrifício pessoal, e ao mesmo tempo, como bônus, se entreter com todos os tipos de atrações denominadas gospels. A grande atração das mega-igrejas em todo o mundo deveria ser a mensagem do arrependimento, da consagração ao Senhor e da preparação para o Reino, mas o que se ouvia e se via até chegar a praga era um constante foco no eu, uma constante ênfase nas emoções, e o pior, um completo pouco-caso com os mandamentos de Jesus: “Aquele que tem os meus mandamentos [Gr. εντολή (endolí) s.f. ordem, comando, regra, mandamento] e os guarda [Gr. τηρέω (tiréo) v. guardar, vigiar, manter, preservar], esse é o que me ama [Gr. αγαπάω (agapáo) v. amar]; e aquele que me ama será amado de meu Pai [Gr. πατήρ (patír) s.m. Pai], e eu o amarei, e me manifestarei [Gr. εμφανίζω (enfanízo) v. revelar, aparecer, mostrar] a ele” (João 14:21). [Acesse série de estudos sobre os mandamentos de Jesus]

Temos Oferecido Fogo Estranho nas Nossas Igrejas

O rei Davi entendia corretamente que as transgressões que cometera contra Deus eram tão ofensivas à sua santidade que, a menos que o Senhor retivesse a sua fúria contra o rei rebelde, ele não sobreviveria a merecida punição: “… nem me castigues no teu furor. Tem compaixão de mim, Senhor, porque sou fraco” (Sal 6:1-2). Como igreja temos repetidamente provocado a fúria de Deus, oferecendo a Ele fogo estranho nas nossas reuniões. Assim como Nadabe e Abiú desconsideraram a seriedade das instruções de Deus e audaciosamente levaram para o santuário um incensário da sua própria imaginação (Lev 10:1-3), um grande número de líderes nas nossas igrejas, de todas as denominações, desconsideram a seriedade das palavras de Jesus e repetidamente ensinam dos púlpitos um evangelho de criação própria, insistindo, no entanto, que estão agradando a Deus e ao seu amado Filho: “E por que me chamam de Senhor [Gr. κύριος (kírios) s.m. senhor, proprietário, patrão, mestre, dono; tit.div. Jesus], Senhor, e não fazem [Gr. ποιέω (pieó) v. fazer, atuar, obedecer, praticar, executar] o que lhes digo?” (Luc 6:46. Ver também 1Jo 2:23; 2Jo 1:9).

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O Senhor Ainda Pode Ouvir a Nossa Súplica e Aceitar a Nossa Oração.

Entre o verso 1 e o verso 7, do Salmos 6, Davi se arrependeu dos seus pecados, e para demonstrar que o seu arrependimento era genuíno, resolveu se distanciar de todo aquele e de tudo aquilo que desagradava a Deus: “Apartai-vos de mim todos os que praticais a iniquidade; porque o Senhor já ouviu a voz do meu pranto. O Senhor já ouviu a minha súplica, o Senhor aceita a minha oração” (Sal 6:8-9). Logo mais adiante, no Salmos 32, o rei descreve a felicidade que ocorre quando o pecador reconhece o seu erro, endireita o seu caminho e recebe o perdão de Deus: “Confessei-te o meu pecado, e a minha iniquidade não escondi. Disse eu: confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a culpa do meu pecado. Pelo que todo aquele que teme a Deus ore a ti, a tempo de te poder achar” (Sal 32:5-6). Ainda existe esperança para nós. O Senhor ainda pode ouvir a nossa súplica e aceitar a nossa oração. Se todos nós abandonarmos as paixões da carne (Gal 5:19; 1Pe 2:11); se distanciarmos de todo aquele que pratica a iniquidade (Sal 1:1-2; 1Cor 5:11); e verdadeiramente amarmos a Deus de todo o coração, de toda a alma, e de todo o entendimento (Mat 22:37. Ver também: Deut 6:5); o Senhor nos ouvirá e nos trará a cura que tanto procuramos (Exo 15:26; 2Cr 7:14; 1Cor 11:30-32; Tiago 5:15-16).

Qual é o Verdadeiro Evangelho de Jesus

O que se vê e se ouve nas nossas reuniões semanais está muito distante do evangelho de Jesus. O evangelho de Jesus é o evangelho da morte do eu, do sacrifício pessoal; da santificação, e da completa dedicação ao Pai: “Disse-lhes Jesus: A minha comida [Gr. βρώμα (vroma) s.n. comida] é fazer [Gr. ποιέω (pieó) v. fazer, atuar, obedecer, praticar, executar] a vontade [Gr. θέλημα (thélima) s.n. desejo, propósito, vontade] daquele que me enviou, e completar [Gr. τελέω (teléo) v. terminar, completar] a sua obra [Gr. έργον (érgon) s.n. ação, ato, ocupação, obra]” (João 4:34). O homem que de fato segue a Jesus, não possui o menor interesse pelas coisas que há no mundo (Mat 19:27; 1Jo 2:15-17), mas sim em agradar ao seu Mestre em todo o seu viver: “Assim, pois, todo aquele dentre vós que não renuncia [Gr. αποτάσσω (apotásso) v. dar adeus, abandonar, se despedir] a tudo [Gr. πας (pas) adj. tudo, de todo o tipo] quanto possui [Gr. υπάρχω (ipar-rro) v. ter, ser, possuir], não tem como ser meu discípulo [Gr. μαθητής (mathitís) s.m. aprendiz, discípulo, aluno, seguidor]” (Luc 14:33).. O homem que de fato ama a Jesus não ama a este mundo. Na realidade ele odeia o mundo presente e não vê a hora de ir morar com o seu amado Mestre: “Quem ama [Gr. φιλέω (filéo) s.f. amizade, amor, afeto] a sua vida [Gr. ψυχή (psirrí) s.f. alma, vida, mente, individualidade], perdê-la-á; e quem neste mundo odeia [Gr. μισέω (miséo) v. odiar, ser odiado, detestar] a sua vida, guarda-la-á para a vida eterna [Gr. ζωήν αιώνιος (zoin eônion) vida eterna]” (João 12:25).

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Para Deus a Praga do Coronavírus Não Foi Acidental, Mas Proposital

Agora que ele recebeu o perdão dos seus pecados, a volta da sua saúde, o alívio das suas dores e a restauração do seu relacionamento com Deus, Davi termina o Salmos 6 profetizando o final dos seus adversários: “Serão humilhados e grandemente perturbados todos os meus inimigos; e envergonhados, rapidamente recuarão” (Sal 6:10). A inesperada chegada da praga em 2020 não foi um evento acidental, mas proposital. Existe uma clara razão e um claro propósito no fato de que Deus não poupou a igreja: o sangue do Cordeiro não foi aplicado nos batentes da porta (Exo 12:7). Quando nós como igreja, assim como Davi, humildemente aceitarmos a correção de Deus, reconhecermos os nossos erros, assumirmos os nossos pecados (Sal 51:4) e nos prontificar em uma imediata e permanente mudança na maneira que temos tratado as palavras de Jesus, o seu amado Filho, então é certo que o Pai ouvirá o nosso clamor e nos sarará e nos restaurará à comunhão com Ele: “Servi ao Senhor com temor, e alegrai nele com tremor. Beijai o Filho, para que ele não se ire, e vocês não sejam destruídos de repente; porque em breve se inflamará a sua ira” (Sal 2:11-12).” Já não temos muito tempo: “Mas naqueles dias, depois daquela tribulação, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz; as estrelas cairão do céu, e os poderes que estão nos céus, serão abalados. Então verão vir o Filho do homem [Gr. υιός του ανθρώπου (iós tu anthrópu) tit.div. Filho do Homem] nas nuvens, com grande poder e glória” (Mar 13:24-26). Espero te ver no céu.

Nesta Série de Estudos Bíblicos: