🔊 (Parte 10) Serie: O Sermão da Montanha. Estudo Nº 10: As Bem-aventuranças: Bem-aventurados os Pacificadores [Com Áudio]

Uma foto de montanhas ao por do sol  (PARTE 10) SERIE: O SERMÃO DA MONTANHA. ESTUDO Nº 10: AS BEM-AVENTURANÇAS: BEM-AVENTURADOS OS PACIFICADORES [COM ÁUDIO] Markus DaSilva

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Por Markus DaSilva, Th.D.

A verdadeira paz é um estado de tranquilidade baseado na verdade. A pessoa que experimenta a verdadeira paz rejeita toda a preocupação, inquietude e medo, pois sabe que estas coisas não provêm da verdade, mas sim da mentira; toda a mentira é passageira, mas a verdade é eterna. No final, apenas a verdade permanecerá. A única fonte de paz é Deus, pois, só em Deus se encontra a verdade, que é a base da genuína paz: “Ensina-me, Senhor, o teu caminho, e andarei na tua verdade; dispõe o meu coração para temer o teu nome” (Sl 86:11). Qualquer tentativa de se obter paz à parte de Deus terminará em fracasso. Qualquer afirmação de que existe paz à parte de Deus é uma falsa afirmação e uma falsa paz: “Assim cumprirei o meu furor… e vos direi: os profetas de Israel, que profetizam acerca de Jerusalém, e veem para ela visão de paz, não havendo paz, diz o Senhor Deus” (Ez 13:15-16).

“A paz que Jesus nos proporciona é perfeita na sua essência, mas enquanto vivermos neste mundo de pecado somos forçados a usufruir da sua paz em um ambiente imperfeito.”

Esta introdução se faz necessária porque quando Jesus nos disse que as pessoas que disseminam paz aqui na terra serão chamados de filhos de Deus no seu Reino, Ele se referia não àquilo que o mundo considera como paz, mas sim à paz que apenas Deus pode prover: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; eu não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (João 14:27). Ou seja, Jesus nos ensina nesse verso que se obtemos o tipo de paz que o mundo dá, teremos todo o motivo para nos preocupar e ter medo, pois é uma falsa paz, uma ilusória tranquilidade que simplesmente cobre por cima os sofrimentos desta vida: “Também se ocupam em curar superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: paz, paz; quando não há paz” (Jr 6:14). A paz que Jesus nos dá, no entanto, é a paz que “vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação” (Tg 1:17).

A palavra traduzida como pacificadores em praticamente todas as Bíblias é uma combinação de duas palavras no original grego: [ποιέω (poiéo)], que é o verbo fazer, produzir, gerar, praticar, e o substantivo: [εἰρήνη (eiréne)] paz, harmonia, tranquilidade, saúde. Esta palavra (eiréne), por sua vez, é a tradução da conhecida palavra: “shalom” no hebraico. O que Jesus disse então é: “Bem-aventurados os que praticam SHALOM, porque eles serão chamados filhos de Deus” (Mt 5:9). Esta explicação é fundamental para entendermos o que Jesus realmente quis dizer com esta bem-aventurança. Se nos apegarmos simplesmente à palavra “pacificador” usada nas traduções chegaremos à conclusão errada de que Jesus se referiu àqueles que promovem o bom relacionamento entre as pessoas. Imaginamos que esta bem-aventurança é reservada para quem trabalha para pôr um fim nas guerras, desavenças e outros conflitos entre os homens. Este entendimento, porém, não possui nenhum respaldo no evangelho pregado por Cristo: “Cuidais vós que vim trazer paz à terra? Não, eu vos digo, mas antes dissensão: pois daqui em diante estarão cinco pessoas numa casa divididas, três contra duas, e duas contra três; estarão divididos: pai contra filho, e filho contra pai; mãe contra filha, e filha contra mãe; sogra contra nora, e nora contra sogra” (Lc 12:51-53).

Quando Jesus passa a ser o foco da vida de alguém, é quase certo que surgirão inimigos, e muitos deles na sua própria família. Ao se converter, a pessoa nascida de novo obterá finalmente a paz que tanto procurava e que nunca encontrava. Ela se verá cheia do “shalom” que só os escolhidos possuem. Esta paz, no entanto, não se trata da paz entre ela e as pessoas ao seu redor; muito pelo contrário, pois, a maior parte dos homens, incluindo os nossos parentes, não possuem nenhum interesse em seguir a Jesus; elas se irritam e se sentem incomodadas ao terem que conviver com os salvos do Senhor: “e assim os inimigos do homem serão os da sua própria casa” (Mt 10:36). Devo mencionar aqui que este incômodo que os filhos de Deus causam nas pessoas ao seu redor se trata de uma das obras do Espírito Santo, que tem como objetivo levar algumas delas ao arrependimento e salvação: “E quando ele [o Espírito Santo] vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não creem em mim” (João 16:8-9).

Jesus, obviamente não veio a esta terra para transformar este lugar em um local de paz, mas sim para levar os seus escolhidos a um local onde a paz já existe: “Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos tomarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também” (João 14:2-3). Esta terra onde atualmente moramos foi permanentemente contaminada pelo pecado e Deus não tem nenhuma intenção de simplesmente consertá-la, como alguém conserta uma casa velha. É bem verdade que a Palavra de Deus menciona uma terra perfeita que teremos no futuro, mas esta não será esta mesma terra em que vivemos, só que melhorada, e sim uma nova terra: “E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já se foram o primeiro céu e a primeira terra, e o mar já não existe” (Ap 21:1. Ver também Is 65:17; 66:22 ).

A paz, ou o “shalom”, a que Jesus se refere é algo sobrenatural que apenas os seus verdadeiros seguidores experimentam. Esta paz nos é dada por Deus no momento que nascemos de novo, recebemos o Espírito Santo, e começamos a viver uma vida em obediência às palavras de Jesus: “e a paz (shalom) de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus” (Fp 4:7). Os filhos de Deus possuem esta paz dentro de si e mesmo quando estão passando por períodos de sofrimento gozam desta paz, pois ela é superior a qualquer tribulação que possamos experimentar: “Quando passares pelas águas, eu serei contigo; quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti” (Is 43:2). Nesse verso, Isaías não está dizendo que os servos de Deus estão isentos de sofrimentos, mas sim que mesmo durante as suas dores eles se sentirão seguros e gozando da paz que vem do Pai. As águas e o fogo virão, e teremos que passar pelos dois, mas a nossa paz nos susterá: “Tenho-vos dito estas coisas, para que em mim tenhais paz. No mundo tereis aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João 16:33).

Jesus é o Príncipe da Paz (Is 9:6), e os filhos de Deus disseminam a mesma paz que vem do alto que Jesus lhes deu. Este não é o tipo de paz que as pessoas normalmente querem, pois esta paz exige um relacionamento com Deus, sacrifício pessoal e fé, coisas que o homem carnal abomina. O homem carnal deseja a paz, certamente, mas apenas aquela que tem como foco o eu. Ele simplesmente deseja fazer o que quer sem ser incomodado pelos outros. Quando o homem carnal reclama de que não tem paz, ele decerto não está dizendo que lhe falta Deus, mas sim que não pode usufruir dos prazeres do mundo como gostaria porque as outras pessoas estão atrapalhando os seus planos.

Adão e Eva foram os únicos seres humanos que experimentaram por um tempo a perfeita paz que existe em Deus. Esta é uma paz onde a tranquilidade é completa. Nós só teremos este tipo de paz quando voltarmos a viver em harmonia com o nosso Criador no novo céu e nova terra (Ap 21:1,4). Esta harmonia foi interrompida pelo pecado e desde então somos forçados a lidar com dores, ameaças, incertezas, conflitos e muitas outras coisas que continuamente retiram de nós a possibilidade de uma perfeita e ininterrupta paz. Se Deus tivesse nos abandonado logo após a nossa rebelião, viveríamos então por toda a eternidade em um ambiente onde a paz simplesmente não pode existir, pois, conforme já escrevemos mais acima, onde Deus não se encontra, a paz não se faz presente. Todo o sofrimento que Jesus passou, culminando com a cruz, ocorreu como punição pelos nossos pecados, para que assim todo aquele que nele crê e o obedece seja restaurado ao convívio harmonioso com Deus e volte a viver em paz com o Criador: “Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz (shalom) estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos sarados” (Is 53:5).

A paz que Jesus nos proporciona é perfeita na sua essência, mas enquanto vivermos neste mundo de pecado somos forçados a usufruir da sua paz em um ambiente imperfeito. Essa é a razão de nos vermos continuamente lutando para não deixarmos que os problemas da vida interrompam a nossa paz; tanto os problemas que ocorrem naturalmente, como também aqueles que são lançados contra nós por Satanás e seus cúmplices, para roubar a nossa paz: “O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10:10). Para que possamos nos beneficiar da paz de Deus enquanto aqui estamos, teremos então que resistir aos ataques do inimigo e pela fé nos colocar acima das suas mentiras e ameaças.

Os pacificadores do Senhor disseminam a paz porque são semeadores do evangelho da salvação, e onde o evangelho é aceito, ali a paz de Deus se fará presente. Se o Espírito Santo passa a ser um residente em uma casa, então a paz reinará no local; tanto a paz interior como a paz entre as pessoas.

É importante observarmos que, ao contrário da paz que o mundo dá, a paz que vem de Jesus é uma paz sobrenatural. Este shalom do Senhor pode ser compartilhado entre os seguidores de Jesus e os descrentes para que eles também sejam abençoados e se voltem para Deus. Ou seja, quando nós, os filhos de Deus, pregamos o evangelho de Cristo para uma alma perdida e ela recebe a mensagem de agrado, a paz que existe em nós é repassada para aquela alma e ela também passa a possuir o shalom de Deus. Se ao ouvir o evangelho, porém, haver uma rejeição, seja de imediato ou posteriormente, a paz que saiu de nós para esta alma retornará para nós e a pessoa ficará sem a paz que tanto procura. Jesus foi bem claro sobre esse ponto quando enviou os seus discípulos como missionários às cidades vizinhas: “E, ao entrardes na casa, saudai-a com o shalom; se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; mas, se não for digna, torne para vós a vossa paz” (Mt 10:12-13).

Queridos, não existe nada mais precioso neste mundo em que vivemos do que a paz do Senhor. O mundo atual, como sempre dizemos, é um verdadeiro vale de lágrimas, que todos nós temos que passar até chegarmos a Sião: “Aqueles que passam pelo Vale de Lágrimas [Heb. בָּכָא (Baca)], fazem dele um lugar de fontes… sempre adquirindo mais e mais força; até aparecerem perante Deus em Sião” (Sl 84:6). A paz que nos é dada, devemos passar para aqueles que não a tem. A promessa de Jesus nesta bem-aventurança do Sermão da Montanha, é a de que seremos reconhecidos como filhos de Deus quando não mantemos a sua paz somente para nós mesmos, mas nos tornamos pacificadores, ou melhor dizendo, quando nos tornamos praticantes de shalom. Espero te ver no céu.

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