🔊 (Parte 9) Serie: O Sermão da Montanha. Estudo Nº 9: As Bem-aventuranças: Bem-aventurados os Limpos de Coração [Com Áudio]

(PARTE 9) SERIE: O SERMÃO DA MONTANHA. ESTUDO Nº 9: AS BEM-AVENTURANÇAS: BEM-AVENTURADOS OS LIMPOS DE CORAÇÃO [COM ÁUDIO]

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Por Markus DaSilva, Th.D.

Continuando o Sermão da Montanha, Jesus nos promete uma bênção maravilhosa que é ver a Deus. Não existe nenhum ser superior a Deus. Nesta bem-aventurança, no entanto, Jesus nos diz que se tivermos o nosso coração limpo, ou puro, veremos a Deus. Lembrando que esta é uma honra que até então não foi dada a nenhum ser humano, conforme Jesus nos disse: “E o Pai que me enviou, ele mesmo tem dado testemunho de mim. Vós nunca ouvistes a sua voz, nem vistes a sua forma” (João 5:37), e em outro lugar: “Ninguém viu o Pai, senão aquele que veio de Deus; só ele viu o Pai” (João 6:46. Ver também Ex 33:20).

“Se as pessoas que verão a Deus são as que possuem um coração puro, então aquelas cujo coração está contaminado, ou sujo, não verão a Deus.”

Ao nos dizer que veremos a Deus [Gr. τὸν θεὸν ὄψονται (ton theon oftontai)], deduzimos que Jesus se refere ao Pai, mas ninguém pode fazer essa afirmação com toda a certeza. Existe muito o que não sabemos sobre a trindade (Pai, Filho e Espírito Santo), e o pouco que sabemos não entendemos por completo, e por isto se torna difícil, senão impossível, assimilar as várias passagens bíblicas que fazem referência aos seres humanos verem ou ouvírem a Deus (Gn 32:30; Ex 24:9-11; Jz 13:22; 1Sm 3:4; Mt 3:17; Mc 9:7). Jesus pode estar realmente se referindo ao Pai, mas pode também estar se referindo a ver o Filho glorificado (1Jo 3:2), o Espírito Santo (Mt 3:16), ou a trindade como um todo.

Notemos que o “verão a Deus” desta bem-aventurança foi escrito por Mateus na voz média do futuro do indicativo e, portanto, a ideia expressa é a de que os puros verão a Deus continuamente. Podendo tanto ser contínuo no sentido de que poderemos Vê-lo sempre que quisermos, como quando formos visitar a Nova Jerusalém, ou podendo ser também uma visão contínua e ininterrupta, algo como explicado por João e Isaías: “A cidade não necessita nem do sol, nem da lua, para que nela resplandeçam, porém a glória de Deus a tem iluminada, e o Cordeiro é a sua lâmpada” (Ap 21:23. Ver também Is 60:20). Independentemente, porém, de como esta visão de Deus ocorrerá, ou mesmo com que frequência, o fato é que esta é uma promessa feita apenas para aqueles que possuem um coração limpo, ou puro, como nos diz outras versões da Bíblia. Também devemos entender que, se as pessoas que verão a Deus são as que possuem um coração puro, então aquelas cujo coração está contaminado, ou sujo, não verão a Deus. Expandindo esta palavra de Jesus, concluímos então que estas pessoas não estarão no céu, pois sabemos que nada impuro pode habitar na morada de Deus: “E não entrará nela coisa alguma impura, nem o que pratica abominação ou mentira; mas somente os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro” (Ap 21:27).

Mais uma vez, vemos a seriedade dos ensinos contidos no Sermão da Montanha. Teremos que possuir um coração puro para sermos salvos e subirmos com Cristo. Um ponto muito interessante sobre a pureza é que algo não se torna puro através da adição, mas sim da remoção. Um exemplo é a água que bebemos. Normalmente não se bebe água direto da torneira porque sabemos que, por mais limpa que pareça, é quase certo que existe algum tipo de contaminação que poderá prejudicar a nossa saúde. Não veríamos mal em beber da água se alguém conseguisse nos provar que todos os contaminantes foram removidos e que, portanto, aquele líquido que está vindo da rua, ou da caixa d’água e caindo no nosso copo consiste somente de água pura. A pessoa que verá a Deus é, portanto, alguém cujo coração está livre de contaminantes; todas as impurezas que se agarraram no coração desta pessoa ao longo dos anos foram removidas e ela agora possui um coração puro, tal qual ela possuía quando muito pequena. Isso foi o que Jesus quis dizer quando nos disse: “se vocês não se tornarem como crianças, de modo algum entrarão no Reino dos céus” (Mt 18:3). Embora todo o ser humano já nasça com propensão para pecar, a alma das criancinhas ainda não foi suficientemente contaminada pelo pecado de uma forma consciente, voluntária e intencional, tal qual ocorre conosco, adultos. O coração delas permanece puro, foi por isso que Jesus reprovou a atitude dos apóstolos: “Deixem os pequeninos e não os impeçam de vir a mim, porque dos que são como eles é o Reino dos céus” (Mt 19:14).

Em Hebreus lemos que os que verão ao Senhor são os santos (Heb 12:14), e Jesus nos diz em Mateus que os que verão a Deus são os puros de coração, concluímos então que para o Senhor pureza e santidade são sinônimas. Nas duas passagens bíblicas o mesmo verbo para “ver” [ὁράω (oró)] é usado. Em Mateus: [τὸν θεὸν ὄψονται (ton theon oftontai)] e em Hebreus: [ὄψεται τὸν κύριον (oftetai ton Kirion)]. Isto faz todo o sentido já que ambas as palavras — santo e puro — envolvem uma separação ou uma filtragem onde os contaminantes do mundo são removidos e só se mantém a alma que foi originalmente criada por Deus. Uma alma lavada, limpa, purificada de toda a poluição do pecado que Deus tanto abomina. Teremos que voltar a ter o coração puro que tínhamos quando éramos crianças: “Lava o teu coração da iniquidade, ó Jerusalém, para que sejas salva” (Jr 4:14).

O cristão que deseja de fato, e não só de palavras, ir morar com Deus, terá que tomar sérias decisões na sua vida para que tenha um coração puro: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho pecaminoso, e guia-me pelo caminho eterno” (Sl 139:23-24). Essas decisões envolvem um conflito interno e um outro externo. Possuir um coração aprovado por Deus requer a remoção de certas impurezas que já por anos fazem parte de nossa vida. O conflito interno é o nosso próprio apego àquilo que não satisfaz o espírito, mas somente a carne. A nossa carne, que é muito fraca, se apega a vários prazeres do mundo, que são lixos, mas que na nossa fraqueza espiritual somos convencidos pelo inimigo de que precisamos destas coisas para sermos felizes. Procuramos por vida onde não há vida. Isso foi o que o Senhor nos disse pelo profeta: “Porque o meu povo cometeu dois erros sérios: me abandonaram, a fonte de água viva, e cavaram para si cisternas, cisternas quebradas, que não retêm água” (Jr 2:13).

O conflito externo envolve as decisões que temos que tomar se queremos agradar a Deus e não aos homens. Discipulado tem um custo, e este custo pode significar alteração de planos, conflitos e mudanças desagradáveis, incluindo a perda de amizades e distanciamento de pessoas que amamos, inclusive parentes (2Co 6:14). Foi isso o que Jesus quis dizer com as palavras: “Se alguém vier a mim, e não aborrecer [Gr. μισέω (miseō) odiar] a pai e mãe, a mulher e filhos, a irmãos e irmãs, e ainda também à própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lc 14:26). Todo o ser humano que se torna um obstáculo para alcançarmos o Reino de Deus deixa de ser um companheiro e passa a ser um adversário. O Senhor nos alertou através de Jeremias: “Porque até os teus irmãos e a casa de teu pai, eles próprios agem deslealmente contigo. Eles falam contra ti abertamente. Não confies neles ainda que te digam coisas boas” (Jr 12:6); e o próprio Senhor nos avisou: “os inimigos do homem serão os seus familiares” (Mt 10:36).

Queridos, a triste realidade destas palavras de Jesus é que a maior parte da humanidade não possui nenhum interesse em se purificar dos contaminantes desta vida, e, portanto, não verá a Deus. Este quadro é ainda mais triste porque entre estes milhões de homens e mulheres que não verão a Deus, se encontram os nossos irmãos e irmãs que frequentam as mesmas igrejas que frequentamos. Pessoas queridas — algumas delas líderes — que se apegam às paixões do mundo e assim mantêm o coração sempre impuro. Também triste, é o fato de que, embora estejam claramente desobedecendo ao mandamento de Jesus ao se apegarem aos prazeres impuros do mundo, elas insistem que o amam e que no final, de alguma forma, se salvarão e verão a Deus. O que pensam estes irmãos? Que Jesus estava brincando? Que os seus avisos de purificar o coração eram apenas para nos amedrontar? Será que pensam que com o passar dos anos as palavras do Filho de Deus perderam o seu valor? Pensem o que quiserem e sigam os ensinos que quiserem, mas o fato inquestionável é que as palavras de Jesus são as palavras do próprio Deus e ninguém, absolutamente ninguém, se salvará e verá a Deus desobedecendo aquilo que saiu dos seus lábios: “E, se alguém ouvir as minhas palavras, e não as guardar, eu não o julgo; pois eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo. Quem me rejeita, e não recebe as minhas palavras, já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o julgará no último dia. Porque eu não falei por mim mesmo; mas o Pai, que me enviou, esse me deu ordem quanto ao que dizer e como falar. E sei que o seu mandamento é vida eterna. Aquilo, pois, que eu falo, falo-o exatamente como o Pai me ordenou” (João 12:47-50); “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito firme” (Sl 51:10). Espero te ver no céu.

Nesta Série de Estudos Bíblicos:
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