🔊 (Parte 56) Série: O Sermão da Montanha: Estudo Nº 56: Tesouro Nos Céus [Com Áudio e PDF]

Foto do alto de uma montanha mostrando uma vila. Ilustração do estudo bíblico: (Parte 56) Série: O Sermão da Montanha: Estudo Nº 56: Tesouro Nos Céus [Com Áudio e PDF]

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O Sermão da Montanha – Tesouro Nos Céus

Estudo Teológico Nº 56

Por Markus DaSilva, Th.D.

Dando continuidade à longa série do Sermão da Montanha iniciada há um ano, observaremos nesse estudo uma mudança de direção nas instruções de Jesus aos seus discípulos. Desde o começo do capítulo seis de Mateus o Senhor utilizou dos maus exemplos dos líderes religiosos judeus para nos ensinar a maneira correta de nos relacionarmos com Deus e com os nossos semelhantes. A partir do versículo 19 e até o fim do capítulo, todavia, Jesus deixa os escribas e fariseus temporariamente de lado e se volta para um problema que afeta a todos os filhos de Deus, que é a propensão para desviar o nosso foco da vida eterna e nos preocupar em demasia com tudo aquilo que afeta a nossa vida temporária aqui na terra. Jesus inicia a sequência de ensinos censurando a nossa tendência exagerada de querer acumular bens como garantia de que nada nos faltará nos dias que virão: “Não ajunteis para vós tesouros [Gr. θησαυρος (thisavrós) tesouro] na terra; onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões arrombam e roubam; mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem os consomem, e onde os ladrões não arrombam nem roubam. Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mat 6:19-21).

“Uma boa parte dos cristãos não valorizam o céu como deveriam e por isso procuram acumular tesouro na terra.”

Um Alerta Ligado à Nossa Salvação

Antes de explorarmos os detalhes da passagem, é de suma importância entender do que realmente se trata esse alerta de Jesus. Quando ouvimos sobre acumular bens aqui na terra ou no céu, à primeira vista nos parece que Jesus está simplesmente nos dizendo que um é mais preferível do que o outro. Ou seja, reduzimos as palavras de Cristo a uma comparação sem consequências sérias ligadas à nossa escolha, como se Jesus estivesse nos apresentando uma balança no qual se tirarmos um tanto em um lado, ganharemos o mesmo tanto no outro lado; cada item que perdemos na terra é adicionado no céu. Isto, porém, não é o que a passagem significa. De fato, o Senhor compara o tesouro na terra com o tesouro no céu, mas existe uma razão para a comparação que só nos é dada no final do alerta: “Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração” [Gr. οπου γαρ εστιν ο θησαυρος σου εκει εσται και η καρδια σου (opu gar estin o thisavrós su eki esti ke i kardia su)] (Mat 6:21). Quando ouvimos a palavra: “coração” [Gr. καρδια (kardia) coração], somos imediatamente levados ao mais importante dos mandamentos segundo o próprio Jesus: “Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração [Gr. καρδια (kardia) coração], de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento” (Mat 22:37. Ver também: Deut 6:5). Vemos então que o alerta está ligado à nossa salvação. Jesus está nos dizendo que se temos como foco o acúmulo de bens aqui na terra, não estamos obedecendo ao maior de todos os mandamentos de Deus e se não pararmos de juntar tesouro na terra corremos o risco de não subirmos para o céu, pois ficaremos onde está o nosso coração.

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O Exemplo de Alguém Cujo Coração Estava na Terra

Este alerta de Cristo é ilustrado perfeitamente no seu encontro com o jovem rico mencionado no evangelho de Mateus e Marcos. Muito se pode falar do incrível diálogo entre os dois, mas para o objetivo desse estudo, basta mencionar que o Senhor ofereceu a esse jovem a única solução existente para que ele herdasse a vida eterna: “E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Uma coisa te falta; vai vende tudo quanto tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; depois vem e me segue” (Mar 10:21). Ao ouvir de Jesus que ele teria que desistir do seu tesouro atual para que assim pudesse possuir um tesouro no céu, ele se retirou triste. É importante observar que Jesus não lhe ofereceu alternativas, não propôs um meio-termo, não o chamou de volta para terem mais diálogos. Jesus, por exemplo, não lhe disse que ele poderia dividir o seu tesouro pela metade, dando 50% para os pobres, transferindo assim uma parte para o céu, e ao mesmo tempo reter também uma boa parte na terra. A triste realidade é que Jesus não se interessa por entregas parciais (Luc 14:33) e assim permitiu que o jovem se retirasse sem obter a salvação desejada. Pensem bem, esse rapaz procurou o céu na fonte certa; de fato, a única pessoa no universo que poderia lhe dar o que queria (João 14:6), mas mesmo assim não recebeu o que procurava. Por que não? Porque recusou a sacrificar algo que amava, considerando demasiado alto o preço requerido. Ele quis a salvação, ele encontrou o caminho, mas não estava disposto a sofrer a perda do seu tesouro neste mundo presente (João 3:36). O seu coração estava junto com o seu tesouro. Não pensem que conosco é diferente.

Porque Jesus Mencionou a Traça e a Ferrugem

O motivo que Jesus utilizou da traça e da ferrugem como exemplos daquilo que consome o nosso tesouro é que diferentemente dos nossos dias, no período bíblico uma boa parte dos bens acumulados consistiam de coisas que podiam ser destruídas pela própria natureza. Além de terras, animais e escravos, era comum as pessoas guardarem artigos de vestuário finos, como também comestíveis de longa armazenagem, tudo como tipos de investimentos para garantir um bom futuro. Devo aqui mencionar que na realidade esta palavra “ferrugem” não se encontra no original grego, onde simplesmente se lê a palavra “comida” [βρωσις (vrosis) comida], mas que praticamente todas versões da Bíblia optaram por traduzir como ferrugem para simplificar a frase, uma vez que traça e ferrugem destroem boa parte daquilo que um homem típico do primeiro século tinha como coisas de valor. Algumas poucas versões americanas, como a NIV (New International Version) e a LEB (Lexham English Bible), no entanto, preferiram ser mais fiéis ao original e optaram por traduzir [βρωσις (vrosis) comida] como “verme” e “insetos devoradores” respectivamente. Neste caso a tradução completa da frase ficaria: [Gr. οπου σης και βρωσις αφανιζει (opu sis ke vrosis afanizi) Lit. onde traças e insetos devoradores destroem].

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Ricos e Pobres Caem no Erro de Ter Como Foco o Futuro Aqui na Terra

É importante mencionar que o querer acumular bens aqui nessa terra é algo que infelizmente afeta a todos os cristãos, tanto aqueles que possuem grande quantidade de riquezas, como aqueles mais pobres. O desejo de juntar pode ser proporcional àquilo que a pessoa já tem, certamente, mas a realidade é que todos nós, ou quase todos nós, nos preocupamos desnecessariamente em garantir um amanhã próspero, e por isso queremos acumular riquezas aqui na terra. Este comportamento, no entanto, não condiz com o verdadeiro filho de Deus, uma vez que repetidamente o Senhor nos promete nas Escrituras que cuidará de nós se tão somente colocarmos Nele a nossa confiança: “Assim diz o Senhor Jeová, o Santo de Israel: ‘No arrependimento e no descanso estaria a vossa salvação; na quietude e na confiança, estaria a vossa força, mas não a quisestes’” (Isa 30:15. Ver também Isa 26:3-4; Sal 125:1-2; Prov 3:5-6; 1Pe 5:7). O próprio Jesus, como abordaremos nos estudos que seguem, nos lembrou que o Pai sempre cuidará dos seus filhos fiéis: “Mas buscai primeiro o seu reino e a sua retidão [Gr. δικαιοσυνη (dikiosíne) retidão, justiça], e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mat 6:33).

Eliminando a Procura de Bens Reconhecendo a Ilusão da Felicidade na Terra

Ao nos dizer que todos os bens acumulados aqui na terra serão destruídos de uma forma ou de outra, Jesus está nos lembrando que a felicidade no mundo atual é uma grande ilusão. Ainda que a pessoa consiga acumular riquezas na esperança de manter uma contínua felicidade, a dura realidade é que os maiores sofrimentos que atingem o homem não poderão ser evitados ainda que ele possua um grande tesouro acumulado. Não existe quantidade de bens, por exemplo, que pode garantir que a pessoa terá uma boa saúde ou uma boa família, que são duas áreas essenciais para sermos felizes. Aliás, sabemos muito bem que um grande número de famílias problemáticas se encontra entre os ricos (Ec 2:17-18; 5:10; Luc 12:15). Sem mencionar que geralmente uma das fontes de problemas nas famílias dos ricos é exatamente a riqueza que possuem. Ou seja, o tesouro acumulado que era para gerar felicidade acaba sendo a razão de não serem felizes (1Tim 6:10).

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Eliminando a Procura de Bens Através de Valorizarmos o Céu

Uma boa parte dos cristãos não valorizam o céu como deveriam e por isso procuram acumular tesouro na terra. Esta verdade é algo triste e preocupante porque existe uma forte conexão entre desejar o céu e crescer em intimidade com Deus. Isto é algo que minha esposa e eu podemos confirmar observando a nossa própria vida. Nos últimos anos temos percebido que quanto mais nos desprendemos dos prazeres desse mundo e desejamos subir para o céu, mais sentimos a presença de Deus na nossa vida, nos guiando, nos resgatando e nos encorajando na nossa caminhada rumo à casa que nos foi preparada (João 14:1-2).

Perdendo o Interesse Pelo Mundo Atual

O cristão típico possui demasiado interesse por esse mundo e por isso procura ter meios para poder usufruir daquilo que ele oferece. Quanto mais alguém ama as coisas que há no mundo, mais ele procurará obter os fundos necessários para ter acesso ao que tanto gosta. Quase sempre o amor às coisas do mundo não se limita ao presente, mas também ao futuro. Ou seja, o indivíduo fará de tudo para garantir que sempre poderá curtir as coisas que tanto ama. Deus, todavia, não aceita esse tipo de cristão, conforme nos disse o apóstolo João: “Não ameis o mundo, nem as coisas que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, os desejos da carne, os desejos dos olhos e o orgulho da vida, não vem do Pai, mas sim do mundo [Gr. κοσμος (kosmos) mundo, universo]” (1Jo 2:15-16). [Acesse série sobre o amor às coisas do mundo]

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A Providência de Deus Para Aqueles Que o Tem Como o Único Tesouro

Queridos, se tivéssemos que sumarizar em duas palavras o que Jesus nos ensinou com esse alerta, elas seriam fé e obediência. A realidade é que muitos cristãos sofrem desnecessariamente neste mundo porque não possuem o grau de fé que deveriam ter (Mat 6:30; 8:26; 14:31; 16:8; Luc 12:28). Eles possuem um pouco de fé, mas não o suficiente para um viver cujo único foco é o lar eterno. O grande objetivo da sua vida que deveria ser os milhares, milhões, bilhões de anos que em breve viverão no céu com Jesus, é substituído pelos rápidos anos que possivelmente viverão aqui nesse vale de lágrimas chamado terra. Tudo isso porque lhes falta visão espiritual; estão retidos dentro do prisma físico e tomam as suas decisões baseadas somente naquilo que os sentidos do corpo podem processar.

A Fé e a Obediência

A maior de todas as razões que tantos cristãos não possuem a fé que gostariam de possuir é porque não vivem uma vida de total obediência às palavras de Jesus. Quanto mais obedecemos mais firme e inabalável se torna a nossa fé. Da mesma forma, quem muito crê, muito obedece. Jesus, o nosso maior exemplo, possuía uma fé perfeita porque a sua obediência também era perfeita: “Disse-lhes Jesus: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e completar a sua obra [Gr. εργον (ergon) ocupação, ação, obra, coisa, caminho, feito] ” (João 4:34). Esta, amados, é uma verdade maravilhosa, pois é uma verdade que salva; é maravilhosa pois é prática; não é um conceito teórico de difícil compreensão ou aplicação. Este conhecimento nos permite aumentar a nossa fé e como consequência aceitar como fato que Deus cuida de nós não só no hoje como no amanhã. Possuir grande fé nos faz ver a realidade da terra e do céu e assim entendemos e aceitamos que é pura tolice juntar tesouros para esses rápidos anos que passamos nesse planeta. Espero te ver no céu.
 

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