Amar A Deus Sobre Todas As Coisas – O Maior Dos Mandamentos (Parte 1)

Amar a Deus Sobre Todas As Coisas - O Maior Dos Mandamentos (Parte 1)

Por Markus DaSilva, Th.D.

A região onde moramos, aqui no Sul da Flórida, é famosa por ter uma concentração muito grande de judeus. Dependendo do bairro, aos sábados é comum ver as famílias conversando em frente das sinagogas. Quando oram, os mais ortodoxos amarram na testa e braço o teflin (פילין), que são caixinhas de couro em cujo interior estão passagens do velho testamento, incluindo: “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças” (Dt 6:5). Esse foi exatamente o versículo mencionado por Jesus quando o fariseu lhe perguntou qual era o maior dos mandamentos. O Senhor acrescentou que toda a bíblia (leis e profetas) é sustentada por esse mandamento e por um segundo, de igual importância: amarás o teu próximo como a ti mesmo (Mt 22:39-40); mas falaremos deste segundo em um outro texto.

“Não temos como simplesmente aumentar a nossa fé, diminuir a nossa ansiedade, ser mais humilde… etc. Todas essas coisas são efetuadas indiretamente.”

Essas palavras de Jesus estão entre as suas frases mais conhecidas. Talvez por serem tão conhecidas é que tantos irmãos nas igrejas desconsideram por completo a seriedade do que o Senhor nos ensinou nesse verso. Raramente se ouve dos púlpitos qualquer menção de que devemos amar a Deus sobre todas as coisas na vida, e quando mencionam o fazem de passagem, sem demonstrar a devida seriedade e urgência que o assunto exige. Neste texto, iremos explicar, para quem tem ouvidos para ouvir, como podemos viver uma vida de tal forma que Deus realmente seja aquilo que mais amamos e desejamos.

Um ponto extremamente interessante é que Jesus não deu um dos dez mandamentos como resposta à pergunta do escriba. Seria totalmente normal, por exemplo, se ele tivesse respondido o primeiro mandamento: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êx 20:3). Afinal, sob o domínio de César, o povo judeu vivia rodeado de ídolos. Certamente a tentação era grande, especialmente para os jovens, de adorarem os deuses daqueles que eram superiores militarmente e culturalmente. Outro candidato seria o quarto mandamento: “Lembra-te do dia do sábado” (Êx 20:8). Afinal, por várias vezes o acusaram de violar o sétimo dia. Se Jesus tivesse respondido que o sábado é o maior dos mandamentos, teria agradado bastante os líderes religiosos. Ainda outro mandamento, poderia ser o sexto: “Não matarás” (Êx 20:13). Afinal, pensamentos de violência é comum quando se vive em território ocupado. Mas não, Jesus não deu como resposta nenhuma lei moral ou cerimonial específica, mas sim um mandamento que engloba todo o dever do homem para com o seu criador: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento” (Mt 22:37); mais conhecido como: “Amar a Deus sobre todas as coisas”.

Tudo isso que escrevi é muito correto e bom, mas como é possível? Quero dizer, ainda que o homem realmente queira amar a Deus sobre todas as coisas, ainda que ele realmente queira colocar a Deus acima de tudo aquilo que ele gosta: acima de dinheiro, divertimentos, mãe, pai, esposa, filhos… acima até da sua própria vida (Lc 14:26). Como é possível para um ser humano, na vida real, amar a Deus neste nível? Por acaso existe um interruptor no coração do homem que ele possa ligar e a partir daí perder o interesse pelo mundo e começar a amar a Deus sobre todas as coisas que ele dá valor? Não, não existe!

A forma pela qual colocamos em prática mudanças espirituais é diferente das físicas. Mudanças físicas são efetuadas diretamente, isso porque somos primariamente seres físicos. Por exemplo, se estou muito gordo, basta comer menos, bem simples. Já mudanças espirituais não temos como efetuar de uma forma direta. Não temos como simplesmente aumentar a nossa fé, diminuir a nossa ansiedade, ser mais humilde… etc. Todas essas coisas são efetuadas indiretamente, mas também através do físico. Por exemplo, ninguém terá mais intimidade com Deus se recusar a ler a Palavra e a orar continuamente (Jr 33:3). O benefício (intimidade) é espiritual, mas o processo (leitura e oração) é físico. Da mesma forma, existe um processo físico que torna possível ao cristão genuíno amar a Deus sobre todas as coisas.

Queridos, esse assunto é muito importante e não tem como colocar todo o ensino necessário em um espaço tão pequeno. Se o Senhor se agradar, continuarei no próximo texto. Mas deixe-me pelo menos dizer que Deus nunca pediu algo impossível ao ser humano (1Jo 5:3); Isso é até questão de bom senso. Se nós, seres falhos, não pedimos coisas aos nossos filhos além daquilo que são capazes de fazê-lo, quanto mais o nosso todo sábio e todo bondoso Criador! Deixe-me dizer também que o caminho da santidade nunca é percorrido sozinho. Todo o cristão que de coração procurar amar a Deus sobre todas as coisas, descobrirá que ao seu lado se encontra o Consolador que nos foi prometido (Jo 16:7). Ele é o nosso companheiro fiel. Sempre ouvindo, sempre guiando, sempre alertando, e às vezes nos carregando (Jo 14:16). Espero te ver no céu.